Para quem observa apenas o noticiário do dia, esse movimento pode parecer contraditório. Afinal, há poucos meses especialistas falavam em redução das tensões. Em seguida vieram novas ameaças. Depois surgiram conversas sobre cessar-fogo, mediação internacional e reconstrução do diálogo. Agora, mais uma vez, os bombardeios ocupam as manchetes.
Essa alternância entre aproximação e confronto não é um acidente da história. Ela faz parte da própria natureza das relações humanas.
A política internacional nunca foi uma linha reta. Ela é construída por interesses que mudam rapidamente, alianças que se reorganizam, líderes que chegam e partem, crises inesperadas e decisões tomadas sob enorme pressão. Aquilo que hoje parece uma paz sólida pode transformar-se em guerra em questão de dias. Da mesma forma, conflitos que pareciam insolúveis podem dar lugar, de repente, a mesas de negociação. Quem acompanha a geopolítica há muitos anos aprende uma lição importante: previsões absolutas quase sempre fracassam, porque os acontecimentos são muito mais complexos do que nossa capacidade de compreendê-los.
Talvez seja exatamente por isso que as palavras de Jesus continuem tão atuais.
No sermão profético registrado em Mateus 24, Cristo não disse que Seus seguidores deveriam identificar cada guerra como o sinal definitivo do fim. Pelo contrário. Ele afirmou: "Ouvireis falar de guerras e rumores de guerras; vede, não vos assusteis, porque é necessário assim acontecer, mas ainda não é o fim."
Essa última expressão merece atenção: "Mas ainda não é o fim."
Jesus sabia que a humanidade viveria sucessivos ciclos de conflitos. Guerras produziriam outras guerras. Tratados de paz seriam assinados e posteriormente rompidos. Alianças seriam formadas e desfeitas. O cenário internacional permaneceria marcado por permanente instabilidade. O objetivo de Cristo não era ensinar Seus discípulos a interpretar cada batalha como o capítulo final da história, mas prepará-los para viver em um mundo onde a insegurança seria uma característica constante.
Essa perspectiva ajuda a evitar dois extremos igualmente perigosos.
O primeiro é acreditar que toda guerra representa o cumprimento imediato das profecias finais. O segundo é imaginar que acordos diplomáticos finalmente produzirão uma paz definitiva construída apenas pelos esforços humanos.
As Escrituras não sustentam nenhuma dessas posições.
Ao lado das guerras e rumores de guerras, a Bíblia apresenta outro quadro igualmente importante. O apóstolo Paulo escreveu que "quando andarem dizendo: Paz e segurança, eis que lhes sobrevirá repentina destruição". A profecia não descreve um mundo mergulhado em guerra permanente até o último instante. Ela também aponta para momentos em que haverá forte expectativa de estabilidade, segurança e normalidade.
É justamente essa alternância que chama atenção. Ora predominam os discursos de confronto. Ora prevalecem as promessas de reconciliação. Ora o mundo acredita que uma grande guerra está prestes a começar. Ora volta a acreditar que a diplomacia finalmente encontrou uma solução. Talvez seja exatamente esse movimento pendular que caracterize nosso tempo.
Observando os últimos meses, percebe-se com facilidade como o cenário internacional muda rapidamente. Um dia predominam declarações otimistas sobre negociações. Pouco depois, mísseis voltam a cruzar os céus. Em seguida surgem novas iniciativas diplomáticas. Logo depois, outro episódio reacende a tensão. O noticiário muda diariamente, mas a sensação de instabilidade permanece.
Isso nos ensina uma lição importante: Nossa dificuldade em compreender completamente os acontecimentos não significa que Deus tenha perdido o controle da história.
Na verdade, ela revela justamente o contrário.
Existe uma diferença profunda entre a perspectiva humana e a perspectiva divina. Nós enxergamos acontecimentos isolados. Deus contempla o conjunto da história. Nós tentamos antecipar os próximos dias. Deus conhece o fim desde o princípio. Nós frequentemente interpretamos uma manchete como decisiva, apenas para descobrir, poucas semanas depois, que todo o cenário mudou novamente.
Talvez por isso a profecia bíblica seja tão sóbria.
Ela não foi escrita para alimentar especulações diárias sobre cada conflito internacional. Foi dada para oferecer direção em meio à instabilidade. Em vez de satisfazer nossa curiosidade sobre cada movimento geopolítico, ela fortalece nossa confiança naquele que permanece soberano enquanto as nações mudam, alianças são refeitas e impérios se transformam.
O ataque desta semana ao Irã certamente terá consequências. Analistas discutirão seus efeitos militares, diplomáticos e econômicos. Governos revisarão estratégias. Novas negociações poderão surgir ou novos confrontos poderão ocorrer. É possível que, em pouco tempo, o discurso internacional volte novamente a falar em diálogo, reconstrução da confiança e busca pela paz.
E talvez isso aconteça diversas vezes antes do desfecho final da história.
Porque o mundo continua tentando construir uma paz duradoura sem enfrentar o problema mais profundo do coração humano. As guerras não nascem apenas das armas.
Elas nascem do orgulho, da ambição, do medo, da sede de poder e da incapacidade humana de vencer o próprio egoísmo. Enquanto essa realidade permanecer, os conflitos continuarão reaparecendo, ainda que alternados por períodos de relativa tranquilidade.
É justamente nesse cenário que a esperança cristã encontra seu fundamento. Nossa confiança não repousa na capacidade das grandes potências de manter o equilíbrio internacional nem na habilidade da diplomacia de resolver definitivamente os conflitos da humanidade. A verdadeira esperança está naquele que afirmou que todas essas coisas aconteceriam e, ao mesmo tempo, garantiu que a história não caminha para o caos, mas para o estabelecimento definitivo do Reino de Deus.
Até lá, continuaremos ouvindo falar de guerras e rumores de guerras. Em alguns momentos, as nações acreditarão ter encontrado paz e segurança. Em outros, voltarão a experimentar a dura realidade dos conflitos. Essas oscilações fazem parte da trajetória de um mundo marcado pela fragilidade humana.
Mas, acima dessa sucessão de acontecimentos, permanece uma certeza que não muda com as manchetes do dia: o destino da história nunca esteve nas mãos dos homens.
Sempre esteve nas mãos de Deus.















