Em contraste, o justo encontra prazer na lei do Senhor e nela medita de dia e de noite. Não se trata de obediência fria, motivada pelo medo, mas de uma vida que descobriu beleza na vontade de Deus. A lei deixa de ser percebida como obstáculo à liberdade e passa a revelar o caráter daquele que nos criou. No grande conflito entre a voz de Deus e as seduções do mal, a verdadeira liberdade não consiste em viver sem limites, mas em escolher voluntariamente permanecer sob o governo daquele que conhece o caminho da vida. A graça não elimina a obediência; transforma o coração para que obedecer deixe de ser apenas obrigação e se torne resposta de amor.
Então surge uma das imagens mais belas das Escrituras: aquele que permanece em Deus é como árvore plantada junto a correntes de águas. Observe que a árvore não está livre das estações. O calor chega, os ventos sopram e os dias difíceis continuam existindo. Sua segurança está nas raízes. Há uma fonte escondida sustentando aquilo que os olhos conseguem ver. Assim também acontece com quem aprende a viver diante de Deus. Sua estabilidade não depende de circunstâncias favoráveis, mas da comunhão silenciosa cultivada quando ninguém está olhando. No tempo certo, o fruto aparece, as folhas permanecem e a vida revela exteriormente aquilo que durante muito tempo foi formado nas profundezas.
Com os ímpios ocorre o contrário. Parecem livres, mas são comparados à palha levada pelo vento. Não possuem raízes capazes de sustentá-los quando chega o juízo. O contraste é profundo: de um lado, uma árvore firmemente plantada; do outro, algo tão leve que qualquer vento pode carregar. No fim, não existem caminhos moralmente neutros. Toda vida está sendo formada para permanecer diante de Deus ou para afastar-se Dele.
O Salmo termina dizendo que o Senhor conhece o caminho dos justos. Esse conhecimento é mais do que informação; é cuidado, presença e reconhecimento. Talvez ninguém perceba suas escolhas silenciosas, suas renúncias ou as batalhas travadas dentro do coração. Deus percebe. Cada dia estamos aprofundando raízes em algum lugar. Por isso, antes de perguntar até onde determinada estrada poderá nos levar, precisamos perguntar quem está orientando nossos primeiros passos. Existem apenas dois caminhos, e a eternidade começa a ser escolhida muito antes de chegarmos ao destino.
Prisioneiro em Cristo — Reflexões do Cárcere























