
Anteriormente, tinha abordado
aqui o
tema 2012, um ano no qual ocorrerá o
final de um ciclo de 5126 anos para a humanidade,
segundo o calendário Maia.
Relembro ao leitor mais distraído que esta antiga civilização
evoca religiosamente algumas semelhanças com o cristianismo: análise profética do tempo, jejum e confissão são algumas delas. No entanto, os
sacrifícios humanos e animais como forma de
renovar e estabelecer relações com o mundo dos deuses inspiram um paganismo politeísta em que o bem e o mal andavam de mãos dadas.
A suposta
profecia apocalíptica maia apontada para o ano 2012, recebeu
acolhimento na indústria cinematográfica americana, e um filme, com o título '
2012' foi produzido chegando em breve às salas de cinema.
Não pretendo fazer publicidade à película, até porque tenho
intenção de não assistir. O que gostaria de destacar é a
intoxicação dos sentidos que o tratamento deste tipo de assunto pode provocar.
Veja aqui o trailer antes de avançar com
algumas considerações.
Uma
cidade (nas imagens, porque no argumento sugere-se o
mundo inteiro) completamente
destruída de um momento para o outro!
Será que
já ouvimos falar de algo semelhante?
Sim, tanto no passado como para o futuro. E existe forte relação entre os dois casos...
No passado, encontramos a
história do dilúvio; no futuro (já está a adivinhar, não é...?) vemos, pelos olhos da instrução e profecia bíblicas, a
final destruição deste mundo de pecado pela mão de Deus.
Claro está que
não consigo imaginar nos produtores deste filme a intenção de recordar a história do fiel Noé, tampouco colocar os pensamentos dos espetadores nesse
grande e glorioso dia que em breve surgirá. Ainda assim, não tenho dificuldade nenhuma em admitir que nessa ocasião,
algumas das cenas que terão lugar serão
idênticas às produzidas para esta obra e que
vimos no trailer.
Quero com isto sugerir
dois aspetos importantes.
Primeiro, todos os filmes que relatam cenas apocalípticas
apresentam um herói (leia-se, solução) humano. Devo confessar ao leitor que
não assisto à esmagadora maioria dos filmes que surgem; mas pelo que me apercebo,
esta é uma realidade.
Ora, esta noção (já bem vincada, por exemplo, na série
Super-Homem - uma figura extra-terrestre que resolve todos os problemas do mal) contraria frontal e totalmente o ensinamento bíblico que somente em Jesus se encontram as soluções para os grandes males que afetam este mundo. Diz a Sagrada Escritura que '
em nenhum outro há salvação, porque também debaixo do céu nenhum outro nome há, dado entre os homens, pelo qual devamos ser salvos' (Atos 4:12).
Espantosamente, a cada nova série ou filme,
surge uma nova figura que substitui Jesus nessa tarefa (no caso referido do Super-Homem, ele vem de fora deste mundo, não tem pais humanos biológicos, tem pais humanos adotivos, tem poderes sobrenaturais, destaca-se desde criança, vive sem ser reconhecido e tem quem o queira destruir... - já viu as
semelhanças com o verdadeiro Salvador?!!!).
Segundo, este tipo de imagens fantásticas, porque trazidaa à luz numa
obra de ficção, provoca no espetador uma
noção de fantástico quase impossível de concretizar.
Quando eu era uma criança, nos
inícios e meados da década de 80 do século passado, havia uma série de ficção-científica chamada '
Espaço 1999'. Nele, sugeria-se para esse tempo, então no futuro,
viagem cómodas pelo espaço e
sofisticadíssimas naves que permitiam
cruzar o Universo de um ponta à outra. Agora que já passaram
dez anos desde 1999, sabemos que
nada disso é realidade; essa série, como muitas outras é
assumida como o fantástico e imaginário da mente humana... e nada mais.
Por isso, se alguém,
suponhamos que os Adventistas do Sétimo Dia, proclamarem que
em breve este mundo acabará, o mar entrará pela terra, os montes de atirarão no meio do mar, que fogo engolirá a terra... não será difícil, pela intoxicação cinematográfica, vermos muitos a
sugerirem que falamos da nossa própria imaginação e fanatismo, como se de um filme se tratasse.
Parece-lhe um
raciocínio lógico? Se não, atente para este excerto de Ellen White em 'Patriarcas e Profetas', p. 103 e 104.
'
Enquanto os servos de Deus estão a dar a mensagem de que o fim de todas as coisas está às portas, o mundo se absorve em divertimentos e busca de prazeres. Há uma constante sequência de sensações que ocasiona a indiferença para com Deus, e impede o povo de se impressionar com as verdades que, unicamente, o podem salvar da destruição vindoura.No tempo de Noé, declaravam os filósofos que era impossível ser o mundo destruído pela água; assim, há hoje homens de ciência que se esforçam por provar que o mundo não pode ser destruído pelo fogo, ou seja, que isto seria incoerente com as leis da Natureza. Mas o Deus da Natureza, o autor e dirigente das leis da mesma Natureza, pode fazer uso das obras de Suas mãos para servirem ao Seu propósito.Quando os grandes e sábios provaram para a sua satisfação que era impossível ser o mundo destruído pela água, quando os temores do povo se acalmaram, quando todos consideraram a profecia de Noé como uma ilusão, e o olhavam como a um fanático, então é que veio o tempo de Deus. “Romperam-se todas as fontes do grande abismo, e as janelas do céu se abriram” (Gên. 7:11), e os escarnecedores foram submersos nas águas do dilúvio.'
E agora? Já
faz toda a lógica, não faz...?
Fonte - O Tempo Final