No monte Carmelo, Israel não era ateu. Era dividido. Ainda pronunciava o nome do Senhor, mas vivia como se outros poderes também governassem a vida. O problema não era ignorância; era indecisão espiritual. O profeta não pediu emoção nem discurso — pediu escolha. O altar estava quebrado, e antes de cair fogo do céu, foi preciso restaurar o que havia sido abandonado. A adoração não começa no milagre, começa na reconciliação.
A água derramada sobre o sacrifício tornou impossível qualquer explicação humana. Quando o fogo desceu, não apenas consumiu a oferta — consumiu também a dúvida. O Deus verdadeiro não disputa espaço; Ele se revela. O silêncio divino nunca foi ausência, mas espera. O Senhor aguardava o momento em que o povo parasse de oscilar entre conveniência e fidelidade. O conflito ali não era entre dois deuses, mas entre confiança e autossuficiência. O mesmo conflito atravessa toda a história humana e encontra sua resposta definitiva no sacrifício perfeito, onde o céu também respondeu com fogo — não para destruir o pecador, mas para julgar o pecado.
Hoje, a decisão continua sendo pessoal. Não existem altares neutros no coração. Cada escolha diária — palavras, pensamentos, prioridades — revela a quem pertencemos. Restaurar o altar significa reorganizar a vida em torno da vontade de Deus, mesmo sem sinais visíveis. O fogo não é provocado pela nossa força; ele responde à entrega. O céu ainda responde, mas primeiro pergunta: quem governa sua vida?
Que o dia comece com essa decisão silenciosa: não viver dividido. Permanecer fiel mesmo quando a resposta demora, porque quando Deus age, toda incerteza se curva diante da verdade.
Prisioneiro em Cristo — Reflexões do Cárcere
