O Salmo 85 é uma oração de um povo que conhece a misericórdia de Deus, mas que ainda espera por uma nova restauração. O salmista começa lembrando aquilo que o Senhor já havia feito: “Foste favorável à Tua terra, Senhor; restauraste a sorte de Jacó.” A memória da graça passada torna-se fundamento para um novo pedido: “Restaura-nos, ó Deus da nossa salvação.” Quando olhamos para aquilo que foi perdido, podemos ser tentados a acreditar que tudo depende de nossa capacidade de reconstruir. O salmo nos lembra que algumas restaurações começam quando reconhecemos que precisamos novamente da intervenção de Deus.
O pedido, porém, vai muito além da mudança das circunstâncias. “Não tornarás a vivificar-nos, para que em Ti se regozije o Teu povo?” O salmista deseja vida espiritual, alegria e comunhão. Deus não quer apenas devolver aquilo que perdemos; Ele deseja renovar aquilo que se enfraqueceu dentro de nós. É possível recuperar coisas, posições e oportunidades e continuar com o coração distante. A verdadeira restauração começa quando a presença de Deus volta a ocupar o centro.
Então surge uma das imagens mais belas de todo o livro dos Salmos: “Encontraram-se a graça e a verdade, a justiça e a paz se beijaram.” Em Deus, misericórdia e verdade não competem entre si. Sua graça não ignora o pecado, e Sua justiça não elimina Sua compaixão. Na cruz de Cristo, essas duas realidades encontram sua expressão máxima: o pecado é levado a sério, mas o pecador é alcançado pelo amor que oferece perdão e vida.
O salmista termina olhando para o futuro com confiança: “A justiça irá adiante dele, cujas pegadas ela transforma em caminhos.” Quando Deus conduz, até terrenos difíceis podem tornar-se caminhos de transformação. A restauração não significa simplesmente voltar ao lugar onde estávamos antes. Pode significar seguir adiante com uma compreensão mais profunda de quem Deus é e de quanto dependemos de Sua graça.
Talvez hoje você esteja pedindo que Deus restaure alguma coisa em sua vida. Continue pedindo, mas permita que Ele restaure primeiro aquilo que somente Ele pode alcançar: o coração. Porque quando Deus restaura por dentro, até os caminhos que pareciam perdidos podem novamente conduzir à esperança.
Prisioneiro em Cristo — Reflexões do Cárcere