Foi exatamente isso que chamou a atenção nesta semana.
Em um raro pronunciamento público, a diretora do GCHQ, a agência britânica responsável pela inteligência de sinais e pela segurança cibernética, afirmou que o mundo entrou em uma "nova era de incerteza radical, geopolítica contestada e tecnologia em rápida transformação". Segundo Anne Keast-Butler, o risco de erros de cálculo entre as grandes potências "é o mais alto" que ela já testemunhou ao longo de sua carreira. Além dos conflitos militares tradicionais, ela destacou a crescente competição tecnológica, o avanço acelerado da inteligência artificial, as ameaças cibernéticas e a intensificação das atividades híbridas promovidas por Estados adversários.
Não deixa de ser significativo que um dos principais órgãos de inteligência do mundo utilize justamente a palavra incerteza para definir nosso tempo.
Vivemos na era da informação instantânea, da inteligência artificial, dos satélites, da comunicação global e do maior desenvolvimento científico da história. Ainda assim, cresce entre governos e especialistas a percepção de que o mundo se tornou menos previsível. Crises regionais rapidamente assumem dimensões globais. Ataques cibernéticos podem interromper serviços essenciais sem que um único disparo seja efetuado. Uma decisão tomada em um continente repercute imediatamente na economia de outro. A própria velocidade da tecnologia tornou mais difícil antecipar os próximos movimentos da história.
Essa constatação lembra, de certa forma, as palavras de Jesus registradas em Lucas 21.
Ao descrever o cenário que antecederia Sua volta, Cristo falou de um mundo marcado não apenas por guerras, terremotos e fomes, mas também por "angústia entre as nações, em perplexidade". A expressão transmite a ideia de povos e governantes diante de acontecimentos cuja complexidade parece escapar ao seu controle. Não se trata apenas da existência de problemas, mas da dificuldade crescente em encontrar respostas duradouras para eles.
É exatamente essa sensação que atravessa nosso tempo.
Ao mesmo tempo em que a humanidade alcança feitos extraordinários, surgem novos riscos que ninguém experimentou antes. A inteligência artificial amplia oportunidades, mas também cria desafios éticos e estratégicos inéditos. A interdependência econômica fortalece o comércio mundial, mas torna cada crise mais abrangente. As redes digitais conectam bilhões de pessoas, enquanto ampliam a superfície para espionagem, sabotagem e desinformação.
Curiosamente, a advertência da inteligência britânica não foi um discurso pessimista sobre o futuro. Pelo contrário. Ela ressaltou a importância da cooperação internacional, da inovação tecnológica e da preparação para enfrentar um ambiente mais complexo.
Essa diferença é importante.
A Bíblia não ensina que devemos olhar para o futuro com desespero. Também não nos convida a negar os desafios do presente. Ela nos chama a reconhecer que a estabilidade absoluta nunca será construída apenas pelos recursos humanos.
Ao longo da história, cada geração acreditou possuir instrumentos capazes de garantir segurança permanente. Houve épocas em que a confiança estava nos grandes impérios. Depois, nos tratados internacionais. Mais tarde, no desenvolvimento econômico. Hoje, muitos depositam esperança na tecnologia e na inteligência artificial. Todos esses recursos têm seu valor e podem contribuir para o bem comum. Contudo, nenhum deles consegue eliminar a fragilidade inerente à condição humana.
Talvez seja por isso que as Escrituras insistam tanto na soberania de Deus. Enquanto governos tentam prever cenários, Deus conhece o fim desde o princípio. Enquanto analistas trabalham com probabilidades, Deus contempla a história completa.
Enquanto especialistas falam de uma "nova era de incerteza", a Bíblia apresenta uma certeza que atravessa os séculos: Deus continua dirigindo a história para o cumprimento de Seus propósitos.
Essa convicção não elimina os desafios do presente, mas transforma a maneira como os enfrentamos.
O cristão acompanha as notícias com atenção, mas não vive dominado por elas. Reconhece a gravidade dos acontecimentos, sem permitir que o medo determine sua esperança. Entende que a complexidade do mundo moderno confirma a limitação do conhecimento humano, mas também reforça a necessidade de confiar naquele cuja sabedoria jamais é surpreendida pelos acontecimentos.
Talvez a maior lição dessa notícia seja justamente esta: quando até os mais sofisticados serviços de inteligência do planeta admitem viver uma era de profunda incerteza, torna-se ainda mais evidente que a verdadeira segurança nunca poderá ser encontrada apenas nas estratégias dos homens.
Ela permanece nas mãos daquele que conhece o passado, governa o presente e já revelou o futuro.
