Por isso, suas palavras parecem transbordar: “Sinto-me grandemente confortado e transbordo de alegria em meio a toda a nossa tribulação” (2Co 7:4).
A alegria de Paulo não nasceu porque seus problemas desapareceram. Ele continuava enfrentando tribulações. Quando chegou à Macedônia, descreveu sua situação de maneira dramática: havia conflitos por fora e temores por dentro. Então aconteceu algo aparentemente simples: Tito chegou.
E Paulo reconheceu nesse encontro a atuação do próprio Deus: “Deus, que consola os abatidos, nos consolou com a chegada de Tito” (2Co 7:6).
Essa experiência revela uma maneira muito concreta pela qual Deus cuida de Seus filhos. Nem sempre o consolo divino chega removendo a dificuldade. Algumas vezes, Deus envia uma pessoa, uma notícia, uma palavra ou a certeza de que aquilo pelo que oramos começou a produzir frutos.
Tito trouxe exatamente essa notícia.
A carta severa de Paulo havia entristecido os coríntios. Inicialmente, isso lhe causara preocupação. Mas agora ele compreendia que aquela tristeza havia cumprido um propósito espiritual. Não fora uma tristeza que conduziu ao desespero, à revolta ou ao afastamento de Deus. Paulo a chama de “tristeza segundo Deus”.
Existe uma diferença fundamental entre culpa destrutiva e arrependimento.
A culpa que apenas nos aprisiona ao passado pode produzir desespero. O arrependimento produzido pela atuação de Deus nos faz reconhecer o pecado, voltar-nos para Ele e desejar uma vida diferente.
Por isso Paulo escreve que “a tristeza segundo Deus produz arrependimento para a salvação” (2Co 7:10).
Era exatamente isso que havia acontecido em Corinto. Aqueles cristãos não apenas disseram que estavam arrependidos. Sua mudança tornou-se perceptível em atitudes. Paulo viu neles dedicação, desejo de corrigir o erro e disposição de restaurar aquilo que havia sido rompido.
Então a ansiedade do apóstolo transformou-se em consolo, e o consolo transbordou em alegria.
Aqui aparece uma das mais belas características do verdadeiro ministério: a maior alegria de quem serve a Cristo não é ser reconhecido, elogiado ou obedecido, mas contemplar pessoas sendo transformadas por Deus.
Paulo não estava celebrando sua vitória sobre os coríntios.
Estava celebrando a vitória da graça dentro deles.
