Por isso, Paulo utiliza uma das imagens mais bonitas de suas cartas: “Vocês manifestam que são carta de Cristo” (2Co 3:3).
Uma carta existe para comunicar uma mensagem. Nesse sentido, cada cristão se torna uma mensagem viva. Aquilo que Cristo realiza em nós pode ser lido pelas pessoas que convivem conosco. Nossa maneira de tratar os outros, enfrentar dificuldades, perdoar, servir e amar revela algo sobre o Deus em quem afirmamos crer.
Mas Paulo faz questão de esclarecer quem escreve essa carta. Ela não foi escrita “com tinta, mas pelo Espírito do Deus vivo” (2Co 3:3).
Essa afirmação impede qualquer tentativa de autopromoção espiritual. Paulo sabia que não havia produzido a transformação dos coríntios por sua capacidade intelectual, eloquência ou esforço pessoal. Ele havia anunciado Cristo; quem transformara aquelas vidas era Deus.
Por isso declara: “Não que, por nós mesmos, sejamos capazes de pensar alguma coisa, como se partisse de nós; pelo contrário, a nossa suficiência vem de Deus” (2Co 3:5).
Aqui encontramos outra característica essencial do ministério autêntico: ele produz frutos, mas não reivindica para si a glória pelos frutos produzidos.
Paulo então apresenta o contraste entre duas maneiras de se relacionar com Deus. Uma delas tenta alcançar aceitação por meio da própria obediência; a outra depende inteiramente da graça e da atuação do Espírito. O problema nunca esteve na lei ou no evangelho revelado anteriormente, pois desde Abraão a salvação sempre foi oferecida pela fé. O problema está em transformar aquilo que deveria conduzir a Deus em um sistema de confiança nas próprias obras.
É nesse sentido que Paulo afirma que “a letra mata, mas o Espírito vivifica” (2Co 3:6). Não existem dois caminhos de salvação. Existe um único evangelho e uma única fonte de vida: a graça de Deus recebida pela fé.
Quando essa graça alcança uma pessoa, o Espírito começa a escrever uma nova história.
O ministério cristão autêntico, portanto, não pode ser avaliado apenas por números, estruturas, reconhecimento ou capacidade de comunicação. Seu fruto mais profundo aparece quando pessoas encontram Cristo e começam a ser transformadas por Ele.
No final, a melhor recomendação de um ministério não é aquilo que se escreve sobre ele, mas aquilo que Deus escreve na vida das pessoas alcançadas por ele.
