Agora Ele voltava como Mestre.
No sábado, entrou na sinagoga, como costumava fazer, e recebeu o livro do profeta Isaías. Abriu justamente na passagem que anunciava a missão do Messias:
“O Espírito do Senhor é sobre Mim, pois que Me ungiu para evangelizar os pobres...”
Lucas 4:18
Terminada a leitura, Jesus fechou o livro e disse:
“Hoje se cumpriu esta Escritura em vossos ouvidos.”
Lucas 4:21
Não era uma afirmação pequena. Jesus estava dizendo que aquela antiga profecia se cumpria diante deles.
Por alguns momentos, a sinagoga pareceu recebê-Lo. As pessoas se admiravam de Suas palavras. Mas logo surgiu a pergunta: “Não é Este o filho de José?”
Eles conheciam Sua origem humilde. Conheciam Sua casa. Conheciam Sua família. E justamente por acharem que O conheciam tão bem, não conseguiram enxergar quem realmente estava diante deles.
Esperavam um Messias diferente. Queriam alguém que libertasse Israel de Roma, exaltasse a nação e confirmasse as expectativas que alimentavam havia tanto tempo. Jesus, porém, falava de libertar os oprimidos, curar os quebrantados e levar a graça de Deus a quem estivesse disposto a recebê-la.
Então Cristo tocou no ponto que mais os incomodava.
Lembrou a viúva de Sarepta, estrangeira que recebeu o profeta Elias, e Naamã, o sírio que foi curado da lepra nos dias de Eliseu. Havia muitos necessitados em Israel naqueles tempos, mas aqueles dois estrangeiros receberam a bênção porque responderam à luz que lhes foi dada.
Foi aí que a admiração acabou.
Os moradores de Nazaré não suportaram ouvir que pertencer ao povo de Israel não lhes garantia o favor de Deus enquanto permanecessem na incredulidade. Sentiram-se ofendidos. A mesma multidão que pouco antes admirava Jesus levantou-se contra Ele, expulsou-O da cidade e tentou lançá-Lo de um precipício.
Que mudança impressionante.
O problema não era falta de conhecimento. Eles conheciam as Escrituras. Conheciam as profecias. Conheciam Jesus desde a infância.
O problema era que não estavam dispostos a abandonar aquilo que queriam acreditar para aceitar aquilo que Deus estava mostrando.
Esse talvez seja o ponto mais forte do capítulo.
Também podemos nos acostumar com as coisas de Deus. Podemos ouvir os mesmos textos durante anos, conhecer as histórias, participar dos cultos e saber exatamente o que responder. Mas nada disso substitui um coração disposto a ouvir.
Nazaré teve diante de si aquilo que tantas gerações haviam esperado: o Messias estava dentro de sua sinagoga.
Mesmo assim, quase O perdeu de vista por causa de uma pergunta aparentemente simples: “Não é Este o Filho do Carpinteiro?”
Sim. Era o Filho do carpinteiro que eles conheciam.
Mas era também o Filho de Deus que eles ainda precisavam reconhecer.
E essa continua sendo a questão: não apenas quanto sabemos sobre Jesus, mas se estamos realmente dispostos a reconhecê-Lo e segui-Lo quando Sua Palavra confronta aquilo que pensamos, desejamos ou sempre acreditamos.
