Paulo utiliza uma imagem extraordinária para explicar essa realidade: “Temos, porém, este tesouro em vasos de barro” (2Co 4:7). O evangelho é o tesouro; nós somos os vasos. O contraste é proposital. Deus colocou algo de valor eterno dentro de pessoas frágeis para que ninguém confundisse o instrumento com a fonte do poder.
É por isso que Paulo podia dizer que era atribulado, mas não angustiado; perplexo, mas não desanimado; perseguido, mas não abandonado; derrubado, mas não destruído. A fragilidade permanecia evidente, porém havia dentro dela uma força que as circunstâncias não conseguiam explicar.
Essa é uma das marcas do verdadeiro ministério cristão. Não é parecer forte o tempo inteiro, mas permitir que a força de Cristo seja percebida justamente quando nossas próprias forças são insuficientes.
Paulo também não media seu ministério por títulos, prestígio ou reconhecimento. Sua melhor carta de recomendação eram as pessoas transformadas pelo evangelho. Os próprios coríntios eram, segundo ele, uma “carta de Cristo”, escrita não com tinta, mas pelo Espírito do Deus vivo (2Co 3:3). Uma vida alcançada por Jesus dizia mais sobre seu ministério do que qualquer credencial humana.
Por isso, Paulo continuava trabalhando mesmo quando os resultados imediatos pareciam pequenos. Ele sabia que aquilo que vemos agora é passageiro. As dificuldades pertencem ao presente; a glória para a qual Deus conduz Seus filhos pertence à eternidade.
Essa perspectiva muda nossa maneira de servir. O ministério deixa de ser uma tentativa de construir nossa própria importância e passa a ser uma oportunidade de revelar Cristo. Não precisamos esconder nossa fragilidade para demonstrar que Deus está conosco. Muitas vezes, é justamente através das rachaduras do vaso que o tesouro se torna mais visível.
O ministério cristão autêntico não procura mostrar quanto o servo é extraordinário. Ele revela quanto Cristo é poderoso através de pessoas comuns.
