Por isso, nenhum dom deve ser desprezado. O problema surge quando começamos a medir nossa importância pela visibilidade daquilo que fazemos. Deus não pede que realizemos a obra de outra pessoa; Ele espera que coloquemos fielmente a Seu serviço aquilo que recebemos. Até um dom aparentemente pequeno pode produzir grandes resultados quando colocado nas mãos do Senhor.
Essa diversidade também nos ensina humildade. Nenhum cristão possui sozinho tudo aquilo de que a igreja necessita. Precisamos uns dos outros. Os diferentes dons devem se complementar para preparar o povo de Deus para o serviço e promover a edificação do corpo de Cristo. A unidade cristã, portanto, não significa que todos pensem, trabalhem ou sirvam exatamente da mesma maneira, mas que diferentes pessoas caminhem juntas sob a direção do mesmo Líder: Cristo.
Nesse contexto, compreendemos também por que Paulo valoriza a profecia acima das línguas quando não existe interpretação. O princípio não é a superioridade pessoal de quem possui determinado dom, mas sua capacidade de edificar a comunidade. Se ninguém compreende a mensagem, ninguém pode ser instruído por ela.
Ao mesmo tempo, todo dom precisa ser examinado pela Palavra de Deus. O amor é indispensável, mas não transforma o erro em verdade. Podemos amar profundamente alguém e ainda assim avaliar suas palavras pelas Escrituras. A verdadeira espiritualidade reúne amor e verdade, diversidade e unidade, dons e serviço.
Quando cada pessoa deixa de olhar para si mesma, reconhece aquilo que Deus lhe confiou e trabalha em harmonia com os demais, a igreja se torna aquilo que Cristo planejou: muitos membros, diferentes dons, mas um só corpo cumprindo uma única missão.
