Por isso ele afirma: “Em Ti tenho sido sustentado desde o meu nascimento; do ventre materno Tu me tiraste.” A memória do cuidado de Deus torna-se fundamento para enfrentar o presente. O salmista sabe que já passou por outras dificuldades e que, em cada uma delas, a fidelidade divina permaneceu. Essa lembrança é especialmente importante quando as circunstâncias atuais parecem maiores do que nossa capacidade de enfrentá-las. Às vezes, uma das maneiras pelas quais Deus fortalece nossa fé no presente é fazendo-nos recordar quantas vezes já nos sustentou no passado.
O Salmo também revela que a idade e a experiência não eliminam a necessidade de Deus. O salmista pede: “Não me rejeites na minha velhice; quando me faltarem as forças, não me desampares.” Ele reconhece uma realidade que muitas pessoas preferem esconder: nossas capacidades diminuem, nossa influência pode mudar e aquilo que antes fazíamos com facilidade pode tornar-se difícil. Mas a relação com Deus não envelhece. Pelo contrário, a experiência acumulada pode transformar-se em testemunho quando aprendemos a contar às gerações seguintes aquilo que o Senhor fez.
Por isso ele diz: “Não me desampares, pois, ó Deus, até que eu tenha declarado à presente geração a Tua força e às vindouras o Teu poder.” A vida do fiel não deve ser apenas uma sucessão de experiências pessoais. Aquilo que Deus nos ensinou precisa alcançar quem vem depois de nós. Existe uma responsabilidade espiritual em transmitir a memória da fidelidade divina. Filhos, netos, amigos e novas gerações precisam ouvir não apenas conceitos sobre Deus, mas histórias reais de pessoas que aprenderam a confiar Nele.
Essa dimensão encontra sua expressão máxima em Cristo. Jesus não apenas ensinou sobre o Pai, mas revelou Seu caráter por meio de toda a Sua vida. Mesmo quando foi rejeitado, perseguido e finalmente levado à cruz, permaneceu confiando. Sua ressurreição tornou-se a confirmação definitiva de que a fidelidade de Deus atravessa até mesmo aquilo que parece ser o fim.
O salmista, então, olha para o futuro e declara: “Quanto a mim, esperarei sempre e Te louvarei mais e mais.” Essa frase é particularmente bonita porque não depende de uma previsão de facilidade. Ele não diz que não haverá novas dificuldades. Diz que continuará esperando e louvando. Sua esperança não está baseada na quantidade de forças que ainda possui, mas no Deus que o sustentou desde o princípio.
Talvez você esteja em uma fase em que percebe mais claramente seus próprios limites. Ou talvez esteja vivendo uma crise que faz você questionar se ainda possui forças para continuar. O Salmo 71 lembra que nossa história com Deus não depende da nossa capacidade de permanecer fortes o tempo todo. Aquele que nos sustentou no começo continua sendo capaz de nos sustentar quando nossas forças diminuem.
E existe ainda uma missão enquanto houver vida: contar às próximas gerações aquilo que aprendemos sobre a fidelidade de Deus. Porque uma vida sustentada pela graça não termina apenas quando chega ao seu último capítulo; ela deixa sementes de fé para aqueles que continuarão a caminhada.
Prisioneiro em Cristo — Reflexões do Cárcere
