Foi nesse contexto que Tiago e João, acompanhados de sua mãe, aproximaram-se de Cristo pedindo os lugares de maior honra em Seu reino, um à direita e outro à esquerda. Jesus não os tratou com aspereza. Conhecia o amor sincero que tinham por Ele, mas sabia que esse amor ainda estava misturado à ambição. Por isso perguntou: “Podeis vós beber o cálice que Eu hei de beber?” Eles responderam: “Podemos.” Ainda não compreendiam plenamente o significado da resposta. O caminho para estar perto de Cristo não passaria pela exaltação pessoal, mas pela participação em Seu espírito de entrega, serviço e sacrifício.
Quando os outros discípulos souberam do pedido, indignaram-se. Mas a indignação revelava que desejavam exatamente aquilo que censuravam nos dois irmãos: também queriam ser os maiores. Jesus então reuniu os doze e apresentou a lei do novo reino. No mundo, explicou, os governantes exercem autoridade e procuram posições pelas quais possam dominar. “Mas entre vós não será assim.” No reino de Cristo, grandeza não significa estar acima dos outros, mas colocar-se a serviço deles.
O próprio Jesus era a demonstração perfeita desse princípio: “O Filho do homem não veio para ser servido, mas para servir, e para dar a Sua vida em resgate de muitos.” Ele possuía toda autoridade, mas usava Seu poder para levantar os caídos, aliviar os sofredores, alimentar os famintos e salvar os perdidos. Quanto maiores os dons, talentos, recursos ou responsabilidades recebidos de Deus, maior é a oportunidade e também o dever de colocá-los a serviço do próximo.
Cristo também ensinou que ninguém deve dominar a consciência de outra pessoa. No Seu reino não há espaço para opressão espiritual. Deus concede a cada ser humano liberdade para pensar, examinar e seguir conscientemente aquilo que reconhece como verdadeiro, pois “cada um de nós dará contas de si mesmo a Deus”. A autoridade cristã, portanto, não controla; orienta, serve, ama e conduz pelo exemplo.
Essa foi a transformação que os discípulos precisaram experimentar. O desejo de posição deveria dar lugar ao amor abnegado. Mais tarde, esse princípio marcaria a igreja apostólica: os cristãos cuidavam uns dos outros, repartiam seus recursos e procuravam impedir que houvesse necessitados entre eles. A grandeza que antes buscavam para si passou a ser encontrada no serviço.
A lei do novo reino continua sendo a mesma: quem deseja estar mais perto de Cristo deve aprender a amar como Cristo, servir como Cristo e entregar-se como Cristo. No reino de Deus, o maior não é aquele que possui mais poder, mas aquele que transforma aquilo que recebeu em bênção para os outros.
