Então o céu respondeu. Uma luz extraordinária envolveu o monte e a glória divina, até então velada pela humanidade de Jesus, tornou-se visível. Seu rosto resplandeceu como o sol e Suas vestes tornaram-se brancas como a luz. Quando os discípulos despertaram, viram o Mestre como nunca O haviam visto. Aquele homem simples com quem caminhavam pelas estradas da Galileia estava diante deles revestido de majestade celestial. E Jesus não estava sozinho: ao Seu lado apareceram Moisés e Elias.
A presença daqueles dois homens carregava uma extraordinária mensagem de esperança. Moisés havia passado pela morte e fora chamado da sepultura; Elias havia sido trasladado sem experimentá-la. Naquela montanha, portanto, aparecia em miniatura uma representação do futuro reino de glória: Cristo como Rei, Moisés representando aqueles que ressuscitarão e Elias representando os que estarão vivos quando Jesus voltar e serão transformados sem passar pela morte. A transfiguração não era apenas uma demonstração da identidade de Cristo; era também uma antecipação da vitória final que Sua missão tornaria possível.
Pedro, maravilhado, desejou permanecer ali e sugeriu construir três tendas. Ainda pensava na glória sem compreender plenamente o caminho que levaria até ela. Mas Moisés e Elias não haviam vindo para anunciar a coroação imediata de Jesus. Conversavam com Ele sobre aquilo que aconteceria em Jerusalém. Antes da coroa viria a cruz. O Céu enviara justamente dois homens que conheciam sofrimento, oposição e solidão para confortar Cristo diante da maior provação de Sua existência terrestre. O assunto daquela reunião celestial era a salvação da humanidade.
Enquanto ainda contemplavam aquela cena, uma nuvem luminosa os envolveu e a voz do Pai declarou: “Este é o Meu amado Filho, em quem Me comprazo; escutai-O.” Assustados, os discípulos caíram por terra. Então sentiram o toque de Jesus e ouviram Sua voz conhecida: “Levantai-vos e não tenhais medo.” Quando ergueram os olhos, Moisés e Elias haviam desaparecido. A luz extraordinária se fora. Restava apenas Jesus.
Essa talvez seja a imagem mais profunda daquele monte: quando a visão terminou, eles viram somente Jesus. Em breve haveria Getsêmani, julgamento, humilhação e Calvário. A aparência externa seria completamente diferente daquela noite de glória, mas Jesus continuaria sendo exatamente o mesmo Filho amado do Pai.
Também nossa fé atravessa montanhas e vales. Há momentos em que percebemos claramente a presença de Deus e outros em que tudo parece envolvido pelas sombras. A transfiguração nos lembra que aquilo que enxergamos não determina quem Cristo é. Por trás da aparente fraqueza estava a glória; além da cruz estava a ressurreição; depois do sofrimento viria o reino.
E quando não compreendermos o caminho, permanece a orientação dada pelo próprio Pai: “Escutai-O.” Não precisamos enxergar toda a estrada. Precisamos continuar olhando para Jesus.
