O salmista começa chamando todos para ouvir: “Povos todos, escutai isto; dai ouvidos, moradores todos da terra, tanto plebeus como os de fina estirpe, todos juntamente, ricos e pobres.” A mensagem não é dirigida somente aos ricos. Também precisa ouvi-la quem passa a vida desejando aquilo que o rico possui. Porque podemos não ter riqueza e ainda assim acreditar profundamente no poder dela.
Então vem a pergunta central: por que temer quando estamos cercados por pessoas que “confiam nos seus bens e na sua muita riqueza se gloriam”?
A resposta é desconcertante: porque existe uma fronteira diante da qual toda fortuna humana perde seu poder.
“Ao irmão, verdadeiramente, ninguém o pode remir, nem pagar por ele a Deus o seu resgate.”
Há coisas que podem ser compradas. A vida eterna não é uma delas.
Podemos pagar pelo melhor tratamento disponível, mas não comprar imortalidade. Podemos construir casas extraordinárias, mas não uma morada permanente neste mundo. Podemos acumular patrimônio durante décadas, mas chegará o momento em que tudo ficará para outras mãos.
O salmista observa que sábios e insensatos compartilham o mesmo destino terreno: morrem e deixam seus bens para outros. Ainda assim, existe no coração humano uma estranha tentativa de permanecer. Damos nossos nomes a propriedades, empresas, ruas, edifícios e projetos, como se alguma parte de nós pudesse continuar vivendo através daquilo que construímos.
Mas o Salmo declara: “O homem, revestido de honrarias, sem entendimento, é, antes, como os animais, que perecem.”
Não é uma condenação à prosperidade. É uma advertência contra uma vida que possui recursos, mas perdeu a perspectiva da eternidade.
No grande conflito entre o bem e o mal, uma das mentiras mais antigas é a promessa de autonomia: você pode construir segurança suficiente para não precisar de Deus. Em cada geração essa promessa assume uma forma diferente. Para alguns, poder. Para outros, conhecimento, influência, juventude ou patrimônio.
Mas nenhuma dessas coisas consegue atravessar a sepultura.
É justamente nesse ponto que o Salmo apresenta sua declaração mais luminosa: “Mas Deus remirá a minha alma do poder da morte, pois Ele me tomará para Si.”
Observe a mudança. O homem não consegue pagar seu próprio resgate, mas Deus pode resgatá-lo.
Aqui o Salmo aponta para o coração do evangelho. Aquilo que nenhuma riqueza humana poderia comprar foi oferecido por Deus em Cristo. Nossa esperança diante da morte não está no que acumulamos, mas naquele que venceu a morte.
Por isso o salmista diz: “Não temas, quando alguém se enriquecer.” Não inveje. Não permita que a prosperidade de outra pessoa reorganize seus valores. Quando morrer, “nada levará consigo”.
Isso não significa viver irresponsavelmente ou desprezar os recursos que Deus colocou em nossas mãos. Significa usá-los sem permitir que eles nos possuam. Dinheiro é um instrumento extraordinário quando permanece em seu lugar; torna-se um senhor terrível quando recebe nossa confiança.
Talvez a pergunta do Salmo 49 não seja quanto possuímos, mas em que depositamos nossa segurança.
Um dia deixaremos para trás contas, propriedades, títulos, conquistas e tudo aquilo que acumulamos. Nesse momento, restará apenas aquilo que nenhuma moeda poderia comprar.
A verdadeira riqueza não é possuir o suficiente para nunca precisar de ninguém. É descobrir que, quando tudo aquilo que possuímos já não puder nos acompanhar, ainda teremos o Deus que prometeu nos tomar para Si.
Prisioneiro em Cristo — Reflexões do Cárcere
