terça-feira, 22 de setembro de 2026

O BANQUETE EM CASA DE SIMÃO (DTN62)

Poucos dias antes da Páscoa, Jesus estava em Betânia, onde Simão, um fariseu que havia sido curado da lepra, ofereceu-Lhe um banquete. À mesa estavam também Lázaro, ressuscitado por Cristo, Marta, que servia, e Maria, cujo coração transbordava de gratidão. Simão reconhecia Jesus como Mestre e sentia-se agradecido pelo milagre recebido, mas ainda não havia compreendido plenamente sua própria necessidade de graça. Maria, ao contrário, sabia de onde Cristo a havia resgatado. Perdoada e restaurada, desejava demonstrar enquanto ainda havia tempo quanto amava o Salvador.

Ela trouxera um vaso de alabastro com precioso perfume de nardo, adquirido com grande sacrifício. Aproximando-se de Jesus, quebrou o vaso e derramou o perfume sobre Sua cabeça e Seus pés. Chorando, enxugou-Lhe os pés com os próprios cabelos. Talvez quisesse passar despercebida, mas a fragrância encheu toda a casa. Então surgiu a crítica. Judas perguntou por que aquele perfume não havia sido vendido e o dinheiro entregue aos pobres. Sua aparente preocupação escondia avareza, mas suas palavras influenciaram os demais. Maria ouviu os murmúrios e, constrangida, estava prestes a se retirar quando Jesus a defendeu: “Deixai-a; por que a molestais? Ela fez-Me boa obra.” Marcos 14:6.

Maria talvez não compreendesse completamente o significado do que estava fazendo, mas Jesus compreendia. “Esta fez o que podia; antecipou-se a ungir o Meu corpo para a sepultura.” Marcos 14:8. Ela ofereceu seu amor enquanto Cristo ainda podia recebê-lo. Pouco depois, outros levariam perfumes ao sepulcro, mas Ele já teria ressuscitado. O perfume derramado naquela noite acompanharia Jesus na aproximação da cruz como uma lembrança de amor em meio à rejeição. E o Salvador declarou que, onde o evangelho fosse anunciado, o gesto daquela mulher também seria lembrado.

Mas naquela mesma mesa havia outro coração sendo revelado. Simão observava Maria e pensava que, se Jesus realmente fosse profeta, saberia que tipo de mulher estava tocando-O. Cristo conhecia, porém, não apenas a história dela, mas também os pensamentos de Simão. Em vez de humilhá-lo publicamente, contou-lhe a história de dois devedores, um devendo muito e outro pouco, cujas dívidas foram igualmente perdoadas. “Qual deles o amará mais?” Simão respondeu: aquele a quem mais foi perdoado. Então Jesus mostrou-lhe o contraste: Simão O recebera com cortesia, mas Maria O recebera com profundo amor. Ela tinha consciência de sua dívida; ele ainda confiava na própria justiça.

Naquela casa estavam três respostas diferentes à presença de Cristo. Judas calculava o preço do perfume; Simão calculava os pecados de Maria; Maria não calculava nada — simplesmente amava. E Jesus não ignorou nenhum dos três corações. Sua maneira de tratar Simão mostra que Ele não deseja expor o pecador, mas conduzi-lo ao arrependimento. Sua defesa de Maria revela que nenhuma história é irremediável quando alguém se entrega à Sua graça.

A grande mensagem deste capítulo está justamente nesse contraste: quem compreende quanto foi perdoado aprende a amar profundamente. Maria não ofereceu apenas um perfume; entregou a Jesus o coração. O vaso quebrado espalhou sua fragrância pela casa, mas seu gesto atravessou os séculos. E permanece a pergunta para nós: se compreendêssemos verdadeiramente o que Cristo fez por nós, consideraríamos algum ato de amor, gratidão ou entrega grande demais para Ele?

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