Aquela cena não foi apenas um gesto de carinho. Cristo estava revelando quanto valor o Céu atribui à infância. As mães chegaram preocupadas com a formação espiritual dos filhos e voltaram fortalecidas para sua missão. A mesma realidade permanece para os pais de hoje. Jesus conhece as inquietações de uma mãe e de um pai, suas dúvidas, seus medos e a sensação de insuficiência diante da responsabilidade de formar uma vida. Os filhos podem ser apresentados diariamente a Cristo pela oração, pelo exemplo e por um ambiente no qual aprendam, desde cedo, que Deus não é alguém distante ou ameaçador, mas um Salvador que os conhece, ama e deseja atraí-los para Si.
As crianças não precisam esperar a vida adulta para começar sua experiência com Deus. Cristo viu naqueles pequenos futuros homens e mulheres do Seu Reino e sabia que o coração infantil muitas vezes recebe as verdades do evangelho com uma abertura que os adultos já perderam. Por isso, o lar cristão deve tornar-se uma escola de discipulado. Não por meio de discursos intermináveis, religião pesada ou medo, mas através de verdades apresentadas de maneira compreensível, oração simples, contato com as Escrituras, contemplação da criação e, sobretudo, pelo exemplo dos pais. Quando uma criança aprende a obedecer porque ama e confia, está recebendo uma das primeiras lições sobre o relacionamento que Deus deseja ter conosco.
A maneira de formar esse caráter também importa. O capítulo apresenta a bela figura do jardineiro. Uma planta delicada não cresce porque alguém a puxa ou força suas hastes. Ela floresce porque recebe água, proteção, luz e cuidados constantes. Assim deve acontecer com os filhos. Aspereza, humilhação e violência podem quebrar aquilo que deveria ser cuidadosamente desenvolvido. Pequenas atenções repetidas, firmeza acompanhada de ternura, correção com amor e demonstrações sinceras de afeto criam um ambiente no qual o caráter pode crescer à semelhança de Cristo.
A advertência de Jesus, portanto, alcança todas as gerações: não impeçais as crianças de chegar a Mim. Podemos impedi-las não apenas proibindo a religião, mas também apresentando um cristianismo frio, áspero, triste ou incoerente. Ao contrário, quando elas encontram em nós algo da paciência, da alegria, da bondade e da segurança de Jesus, o caminho até Ele se torna mais claro. Cristo continua chamando os pequeninos. Nossa missão é ajudá-los a ouvir essa voz, conduzindo-os ao Salvador enquanto o coração ainda está aberto, porque “dos tais é o reino de Deus.”
