terça-feira, 22 de setembro de 2026

Tudo ao Redor Parece Desmoronar (SL46)

Existem momentos em que nossa segurança parece desaparecer de vários lugares ao mesmo tempo. Aquilo que julgávamos estável muda, notícias inquietantes se acumulam, estruturas humanas demonstram sua fragilidade e até o futuro começa a parecer incerto. O Salmo 46 foi escrito para um mundo assim. Ele não começa dizendo que nada de ruim acontecerá, mas com uma verdade muito mais profunda: “Deus é o nosso refúgio e fortaleza, socorro bem presente nas tribulações.”

Observe que Deus não promete apenas retirar Seu povo da tribulação. Ele Se apresenta como presença dentro dela.

O salmista imagina uma cena extrema: a terra se transtorna, montanhas são lançadas ao mar, águas rugem e os montes estremecem. Na linguagem bíblica, aquilo que parecia mais sólido está sendo abalado. Mesmo assim, surge uma declaração quase desconcertante: “Portanto, não temeremos.”

Não porque o mundo seja seguro, mas porque Deus continua sendo.

Essa distinção muda tudo. Muitas vezes construímos nossa paz sobre a expectativa de que determinadas coisas permanecerão como estão: saúde, trabalho, família, recursos, instituições, planos. Mas qualquer segurança construída exclusivamente sobre coisas temporárias carrega dentro de si a possibilidade do medo. O Salmo nos convida a colocar nossa confiança em algo que não pode ser abalado quando todo o restante começa a tremer.

Então a imagem muda. Depois do mar agitado aparece um rio: “Há um rio cujas correntes alegram a cidade de Deus.” De um lado estão águas violentas; do outro, águas que trazem vida. O caos existe, mas não é a única realidade. No centro da cidade está Deus, e por isso “ela não será abalada”.

A segurança do povo não está nas muralhas. Está na presença.

Logo o cenário se amplia novamente: “Bramam nações, reinos se abalam.” O Salmo não ignora conflitos políticos, guerras ou movimentos entre poderes humanos. Mas, acima do ruído das nações, existe outra voz: Deus “faz ouvir a Sua voz, e a terra se dissolve”.

No grande conflito entre o bem e o mal, poderes surgem imaginando possuir domínio sobre a história. Impérios crescem, ideologias conquistam multidões e sistemas parecem invencíveis. Todos, porém, continuam temporários. Deus permanece soberano.

É nesse contexto que surge uma das declarações mais conhecidas das Escrituras: “Aquietai-vos e sabei que Eu sou Deus.”

Aquietar-se não significa ignorar responsabilidades nem permanecer passivo diante do sofrimento. Significa parar de agir interiormente como se o destino do universo dependesse de nossa capacidade de controlá-lo.

Há batalhas que devemos enfrentar. Há decisões que precisam ser tomadas. Mas existe um limite além do qual nossa ansiedade não acrescenta absolutamente nada.

Nesse ponto, a fé diz: Deus continua sendo Deus.

Cristo tornou essa verdade visível. Em uma noite de tempestade, enquanto os discípulos acreditavam que o barco afundaria, Jesus levantou-Se e ordenou ao mar que se aquietasse. O vento e as ondas obedeceram. O Senhor do Salmo 46 estava naquele barco.

Talvez hoje existam montanhas tremendo em sua vida. Talvez alguma coisa que parecia permanente esteja mudando diante dos seus olhos. O Salmo não pede que você finja que isso não assusta.

Ele apenas lembra onde permanecer enquanto tudo se move.

Quando o mundo parecer instável demais, não procure segurança apenas em coisas que também podem desmoronar. Há um refúgio que não depende das circunstâncias, uma fortaleza que nenhuma crise consegue derrubar e uma presença que continua conosco quando tudo ao redor parece mudar.

Por isso podemos finalmente silenciar o coração e ouvir:

“Aquietai-vos e sabei que Eu sou Deus.”

Prisioneiro em Cristo — Reflexões do Cárcere

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