Essa atitude revela uma importante diferença entre o pensamento do mundo e o de Jesus. A sociedade incentiva a exigir aquilo que nos pertence; o evangelho nos ensina a perguntar: "O que posso renunciar para que outros conheçam a Cristo?" Paulo compreendeu que, em determinadas circunstâncias, abrir mão de um direito legítimo glorificava mais a Deus do que exercê-lo. Seu amor pelos irmãos era maior do que sua preocupação com benefícios pessoais.
Ao sustentar-se como fabricante de tendas, o apóstolo demonstrou que seu ministério não era motivado por interesses financeiros. Ele fazia isso não porque fosse errado que obreiros fossem sustentados — afinal, o próprio Senhor ordenou que "os que pregam o evangelho vivam do evangelho" —, mas porque desejava remover qualquer motivo que pudesse levar alguém a questionar suas intenções. Sua liberdade foi colocada a serviço da missão.
Esse é o verdadeiro significado do amor abnegado. Seguir a Cristo implica abrir mão do ego, dos privilégios e, muitas vezes, até de direitos legítimos, para que o evangelho avance e outras pessoas sejam edificadas. O amor não pergunta apenas o que é permitido; pergunta o que melhor glorifica a Deus e beneficia o próximo. Quando esse princípio governa nossa vida, refletimos o caráter daquele que, sendo Senhor de tudo, entregou-Se completamente por nós.
