terça-feira, 30 de junho de 2015

Papa recebe tchecos e recorda Huss, que a igreja matou

Huss morreu como mártir

No final da manhã [de] segunda-feira (15/6), o papa Francisco recebeu em audiência uma delegação da República Tcheca por ocasião dos 600 anos da morte de Jan Hus [John Huss]. Hus foi um teólogo e reformador religioso da Boêmia, além de Reitor da Universidade Carolina de Praga. No seu discurso aos ilustres representantes da Igreja tcheco-eslovaca hussita e da Igreja evangélica dos Irmãos tchecos, Francisco afirmou que o encontro oferecia a oportunidade para renovar e aprofundar as relações entre as comunidades. Muitas disputas do passado – continuou o Santo Padre – pedem para serem revistas à luz do novo contexto no qual vivemos; acordos e convergências serão alcançados se afrontarmos as tradicionais questões que provocam conflitos com um olhar novo, acrescentou o papa. Sobretudo, não podemos esquecer que a compartilhada profissão de fé em Deus Pai, no Filho e no Espírito Santo, na qual fomos batizados, já nos une em vínculos de autêntica fraternidade.

O Santo Padre recordou em seguida que já em 1999, São João Paulo II, falando durante um Simpósio internacional dedicado a este nobre personagem, expressou a sua “tristeza pela cruel morte a ele infligida e o inseriu entre os reformadores da Igreja”. À luz de tal abordagem, exortou o papa, é necessário continuar o estudo sobre a pessoa e a atividade de Jan Hus, que por muito tempo foi objeto de conflito entre cristãos, enquanto hoje se tornou motivo de diálogo. Essa pesquisa, conduzida sem condicionamentos de tipo ideológico, será um importante serviço à verdade histórica, a todos os cristãos e a toda a sociedade, também para além das fronteiras da nação.

O papa, depois de citar o Concílio Vaticano II, que afirmou que a “renovação da Igreja” é sem dúvida a razão do movimento em direção da unidade, fez votos de que “respondendo ao chamado de Cristo a uma contínua conversão, da qual tanto necessitamos, possamos progredir juntos no caminho da reconciliação e da paz. Ao longo desta estrada aprendemos, por graça de Deus, a nos reconhecermos uns aos outros como amigos e a considerar as motivações dos outros na melhor luz possível.

(News.va)

Nota: Ironicamente, John Huss foi queimado vivo há 600 anos pelo poder perseguidor de Roma papal. É como se tem dito entre muitos cristãos: o protesto terminou, o que abre ainda mais o caminho para a prevista união das igrejas. Ocorre que continuam aí as falsas doutrinas às quais se opuseram John Huss e tantos outros reformadores. A Igreja de Roma não mudou nesse aspecto, apenas adotou uma face conciliadora. Se estivessem vivos, homens como Huss certamente ficariam de queixo no chão com o desprezo dos crentes pelas verdades bíblicas em nome da união ecumênica (como já fizeram os valdenses).

“Sendo de novo exortado [pelos bispos] a retratar-se, replicou [Huss], voltando-se para o povo: ‘Com que cara, pois, contemplaria eu os Céus? Como olharia para as multidões de homens a quem preguei o evangelho puro? Não! aprecio sua salvação mais do que este pobre corpo, ora destinado à morte.’ [...] Quando estava atado ao poste, e tudo pronto para acender-se o fogo, o mártir uma vez mais foi exortado a salvar-se renunciando aos seus erros. ‘A que erros’, disse Huss, ‘renunciarei eu? Não me julgo culpado de nenhum. Invoco a Deus para testemunhar que tudo que escrevi e preguei assim foi feito com o fim de livrar almas do pecado e perdição; e, portanto, muito alegremente confirmarei com meu sangue a verdade que escrevi e preguei.’ Quando as chamas começaram a envolvê-lo, pôs-se a cantar: ‘Jesus, Filho de Davi, tem misericórdia de mim’, e assim continuou até que sua voz silenciou para sempre” (Ellen G. White, O Grande Conflito, capítulo 6).

Fonte - Michelson Borges

segunda-feira, 29 de junho de 2015

Vaticano assina primeiro acordo histórico com a Palestina

E cresce o poder de influência 


A Santa Sé e o “Estado da Palestina” assinaram [na] sexta-feira (26) no Vaticano um histórico acordo sobre os direitos da Igreja Católica nos territórios palestinos, anunciou o Vaticano em um comunicado. A preparação desse texto por uma comissão bilateral levou 15 anos. Embora o Vaticano se refira ao “Estado da Palestina” desde o início de 2013, os palestinos consideram que a assinatura do acordo equivale a um reconhecimento de fato de seu Estado, o que irrita Israel. Israel lamentou o acordo e advertiu que isso pode ser nocivo para os esforços para a paz na região. O ministério israelense das Relações Exteriores “lamentou a decisão do Vaticano de reconhecer oficialmente a Autoridade palestina como um Estado no acordo assinado hoje”, afirmou o porta-voz da chancelaria, Emmanuel Nahshon, citado em um comunicado.

O acordo foi assinado no Palácio pontifício pelo secretário para as relações com os Estados (ministro das Relações Exteriores), pelo prelado britânico Paul Richard Gallagher e pelo ministro palestino de Relações Exteriores, Riyad al-Maliki.

O acordo expressa o apoio do Vaticano a uma solução “do conflito entre israelenses e palestinos no âmbito da fórmula de dois Estados”, havia explicado em maio o monsenhor Antoine Camilleri, chefe da delegação da Santa Sé.

Para a Organização para a Libertação da Palestina (OLP), esse acordo converte o Vaticano no 136º país a reconhecer o Estado da Palestina. Para Israel, por sua vez, “uma decisão como essa não faz o processo de paz avançar e afasta a direção palestina das negociações bilaterais”.

A Santa Sé tem relações com Israel desde 1993. Negocia desde 1999 um acordo sobre os direitos jurídicos e patrimoniais das congregações católicas no Estado hebreu, mas cada reunião semestral termina com um fracasso.

(G1 Notícias)

Nota Michelson Borges: Agora imagine se Francisco consegue negociar a paz e interferir positivamente nas relação entre Israel e a OLP, como fez com Cuba e EUA... Sua influência global cresceria estratosfericamente, e todo mundo sairia anunciando “paz, paz” (1Ts 5:3). [MB]

quinta-feira, 25 de junho de 2015

Tribunais dos EUA viram cortes internacionais

Estendendo as garras

Ao mesmo tempo em que o papa Francisco apresenta uma face bondosa e estende o abraço ao mundo, inclusive procurando curar feridas históricas, como a infligida contra os valdenses (confira), os Estados Unidos, que serão o grande apoiador do Vaticano em suas pretensões (leia o livro O Grande Conflito para entender o que estou dizendo aqui), estendem o poder de seus tribunais, tornando-os cortes internacionais (confira aqui). Isso ficou muito claro no mês passado, com o indiciamento por promotores do Brooklin de dirigentes da Fifa de outros países, acusados de corrupção. Conforme destaca a matéria da Folha de S. Paulo, os EUA vêm convertendo seus tribunais federais em “arenas de aplicação internacional das leis”. Em processos por terrorismo, a ampliação de uma lei de 2004 permitiu ao país levar estrangeiros para seu solo e julgá-los lá.

Os EUA se tornaram “carcereiro, frente militar e agora promotor” que indicia acusados de crimes globais, disse Karen Greenberg, diretora do Centro Sobre Segurança Nacional da Escola de Direito da Universidade Fordham, em Nova York.

De acordo com Apocalipse 13, os Estados Unidos estão, aos poucos, mostrando as garras do dragão em que estão se convertendo. Num comentário a uma postagem minha replicada no Facebook, um leitor escreveu: “Levando em consideração o fato de os Estados Unidos apoiarem a encíclica papal de proteção ao planeta e essa própria encíclica defender diretamente o domingo como dia de descanso, como um meio de combater as mudanças climáticas, quanto tempo levará para que aqueles que não aderirem a essa encíclica – quando ela virar uma lei americana e mundial, por a considerarem contrária à Palavra de Deus, que ordena a guarda do sábado bíblico e não do domingo católico – sejam criminalizados por essa decisão? Quanto tempo levará para que estes, que serão considerados fundamentalistas por acreditar no Gênesis bíblico e na iminente volta de Jesus, sejam arrastados para esses tribunais, julgados e encarcerados? Só o tempo dirá... Despertemos e estejamos preparados, pois o momento é solene.”

Realmente, precisamos estar atentos aos eventos que estão ocorrendo bem diante de nossos olhos e atentos, principalmente, à nossa condição diante de Deus.

Fonte - Michelson Borges

segunda-feira, 22 de junho de 2015

Papa pede “perdão” aos valdenses

Um abraço emblemático 

O papa Francisco visitou hoje a Igreja Valdense em Turim, tornando-se o primeiro pontífice a entrar num templo dessa denominação cristã nascida no século XII, e pediu “perdão” pelos confrontos do passado. “Da parte da Igreja Católica, peço-vos perdão pelas atitudes e comportamentos não cristãos, por vezes não humanos, que tivemos contra vós, na história. Em nome do Senhor Jesus Cristo, perdoai-nos”, apelou, neste segundo dia de visita à cidade do norte da Itália. Francisco recordou que ao longo da história tem acontecido que “os irmãos não aceitem a sua diversidade e acabem por fazer guerra uns contra os outros”. “Refletindo na história das nossas relações, não podemos deixar de nos entristecermos perante os conflitos e as violências cometidas em nome da própria fé”, realçou. Nesse sentido, o papa convidou todos a reconhecer-se como “pecadores” e a saber perdoar.

Os valdenses tiveram sua origem entre os seguidores de Pedro Valdo na Idade Média e estão presentes sobretudo na Itália e no Uruguai. Francisco evocou os “amigos” da Igreja Evangélica Valdense do Rio da Prata, dos quais lembrou “a espiritualidade e a fé” e com os quais, disse, pôde aprender “tantas coisas boas”. Segundo o papa, o diálogo ecumênico tem permitido uma “redescoberta da fraternidade” entre os cristãos e a valorização do que têm em comum, apesar das suas “diferenças”. “A unidade que é fruto do Espírito Santo não significa uniformidade”, prosseguiu.

O discurso apontou depois campos de ação comum face a desafios globais, como a “evangelização” de uma humanidade “distraída e indiferente” ou o serviço “a quem sofre, aos pobres, aos doentes, aos migrantes”. “A escolha dos pobres, dos últimos, daqueles que a sociedade exclui, aproxima-nos do próprio coração de Deus”, precisou o papa.

Francisco reconheceu que persistem “importantes” diferenças sobre questões antropológicas e éticas entre católicos e valdenses, antes de propor “um novo modo de estar um com os outros” que coloque em primeiro lugar a “grandeza da fé comum”.

No final do encontro, o papa recebeu uma cópia da primeira Bíblia em francês encomendada pelos valdenses quando, em 1532, aderiram à Reforma de Genebra (Calvinismo).

(Agência Ecclesia)

Nota Michelson Borges: “Se o Papa reconhece o erro e pede perdão pela terrível perseguição e morticínio aos quais Roma sujeitou o povo valdense, logicamente que será de esperar que a Igreja Romana jamais se aventure novamente em atitudes e comportamentos desse tipo, certo? Errado! Por muito que possamos, e provavelmente até devamos, elogiar a postura do papa em reconhecer falhas, não podemos ao mesmo tempo esquecer que Roma sabe se mover muito bem, em todos os terrenos e circunstâncias, no sentido de agir para favorecer unicamente seus intentos de domínio universal. Recordemos: ‘A Igreja de Roma apresenta hoje ao mundo uma fronte serena, cobrindo de justificações o registro de suas horríveis crueldades. Vestiu-se com roupagens de aspeto cristão; não mudou, porém. [...] Seu espírito não é menos cruel e despótico hoje do que quando arruinou a liberdade humana e matou os santos do Altíssimo. O papado é exatamente o que a profecia declarou que havia de ser: a apostasia dos últimos tempos (2Ts 2:3, 4). Faz parte de sua política assumir o caráter que melhor cumpra o seu propósito; mas sob a aparência variável do camaleão, oculta o invariável veneno da serpente’ (O Grande Conflito, p. 571). Outro detalhe importante: essa notícia mostra – mais uma vez! – que quando a Bíblia afirma em Apocalipse 13:3 que ‘toda a terra se maravilhou’ (ou maravilhará) diante de Roma, isso quer mesmo dizer TODA A TERRA, incluindo aqueles que anteriormente foram massacrados pela força romana. A cura da ferida (Ap 13:3) passa muito por esforços diplomáticos; isso quer dizer que muitos cederão a Roma não tanto pela força, mas de livre e espontânea vontade. Saibamos estar atentos para os movimentos de Roma. Como fazê-lo? Desta forma: ‘Um estudo da Escritura Sagrada, feito com oração, mostraria aos protestantes o verdadeiro caráter do papado, e os faria aborrecê-lo e evitá-lo’ (O Grande Conflito, p. 572)” (nota de Filipe Reis, postada no Facebook).


Ellen White também registrou o seguinte no livro O Grande Conflito: “Mas dentre os que resistiram ao cerco cada vez mais apertado do poder papal, os valdenses ocuparam posição preeminente. A falsidade e corrupção papal encontraram a mais decidida resistência na própria terra em que o papa fixara a sede. Durante séculos as igrejas do Piemonte mantiveram-se independentes; mas afinal chegou o tempo em que Roma insistiu em submetê-las. Depois de lutas inúteis contra a tirania, os dirigentes dessas igrejas reconheceram relutantemente a supremacia do poder a que o mundo todo parecia render homenagem. Alguns houve, entretanto, que se recusaram a ceder à autoridade do papa ou do prelado. Estavam decididos a manter sua fidelidade a Deus, e preservar a pureza e simplicidade de fé. Houve separação. Os que se apegaram à antiga fé, retiraram-se; alguns, abandonando os Alpes nativos, alçaram a bandeira da verdade em terras estrangeiras; outros se retraíram para os vales afastados e fortalezas das montanhas, e ali preservaram a liberdade de culto a Deus.

“A fé que durante muitos séculos fora mantida e ensinada pelos cristãos valdenses, estava em assinalado contraste com as falsas doutrinas que Roma apresentava. Sua crença religiosa baseava-se na Palavra escrita de Deus - o verdadeiro documento religioso do cristianismo. Mas aqueles humildes camponeses, em seu obscuro retiro, excluídos do mundo e presos à labuta diária entre seus rebanhos e vinhedos, não haviam por si sós chegado à verdade em oposição aos dogmas e heresias da igreja apóstata. A fé que professavam não era nova. Sua crença religiosa era a herança de seus pais. Lutavam pela fé da igreja apostólica - a ‘fé que uma vez foi dada aos santos’ (Jd 3). ‘A igreja no deserto’ e não a orgulhosa hierarquia entronizada na grande capital do mundo, era a verdadeira igreja de Cristo, a depositária dos tesouros da verdade que Deus confiara a Seu povo para ser dada ao mundo.”

sexta-feira, 19 de junho de 2015

Obama elogia atitude do papa e apela aos líderes mundiais

Apoiador do papa

A propósito da divulgação da encíclica papal Laudato Si, o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, publicou a seguinte nota no site oficial da Casa Branca:

“Congratulo-me com Sua Santidade o papa Francisco pela encíclica, e admiro profundamente a decisão do papa em tratar sobre o tema – de forma clara, poderosa e com a autoridade moral completa de sua posição – pela ação com respeito à mudança climática global. Como o papa Francisco tão eloquentemente afirmou nesta manhã [ontem], temos uma profunda responsabilidade de proteger nossos filhos e os filhos dos nossos filhos dos impactos nocivos das alterações climáticas. Acredito que os Estados Unidos devem ser um líder nesse esforço, e que por isso estou comprometido a tomar ações ousadas no país e no exterior para reduzir a poluição por carbono, para ampliar a energia limpa e a eficiência energética, para garantir a resistência em comunidades vulneráveis e para encorajar a gestão responsável dos nossos recursos naturais. Temos também que proteger os pobres no mundo, que têm feito o mínimo para contribuir com esta crise iminente e são os que mais estão perdendo. Estou ansioso para discutir essas questões com o papa Francisco quando ele visitar a Casa Branca em setembro. E enquanto nos preparamos para as negociações climáticas globais em Paris, em dezembro, é minha esperança que todos os líderes mundiais – e todos os filhos de Deus – reflitam sobre o chamado do papa Francisco a se unirem para cuidar de nossa casa comum.”

Nota: É muito interessante ver esses dois poderes – o Vaticano (papa) e os EUA – liderando os esforços para salvar o mundo das consequências do aquecimento global. E mais interessante ainda é ver o presidente dos EUA sugerindo que “o mundo inteiro se maravilhe” diante de Francisco... (está na hora de darmos atenção redobrada ao capítulo 13 do livro do Apocalipse).

Fonte - Michelson Borges

Papa e Obama: unidos para salvar a Terra


quinta-feira, 18 de junho de 2015

Laudato Si e o erro do papa Francisco

Apoio e admiração totais 

Hoje pela manhã, o papa Francisco saudou seus mais de seis milhões de seguidores no Twitter com a seguinte conclamação: “Convido a todos para fazer uma pausa para pensar sobre os desafios que enfrentamos em relação aos cuidados com a nossa casa comum.” Pouco mais de uma hora depois, outro tweet foi divulgado: “A cultura do descartável de hoje apela a um novo estilo de vida.” Sempre com a hashtag #LaudatoSi, que, na verdade, é o título da encíclica que o Vaticano divulgará oficialmente hoje. Conforme destacaram Bruno Calixto e Marina Ribeiro, em artigo publicado ontem no site da revista Época, hoje um bispo católico, um ortodoxo e um cientista ateu sentarão juntos na Sala do Sínodo, no Vaticano, e apresentarão aos jornalistas a primeira encíclica escrita exclusivamente pelo papa Francisco. “A escolha das pessoas que apresentarão o documento não é aleatória. O papa quer que sua encíclica – uma carta de ensinamento aos católicos – ultrapasse as fronteiras do catolicismo, chegue às ‘pessoas de boa vontade’ e influencie as decisões internacionais sobre o meio ambiente e o clima. A encíclica de Francisco, que empresta do Cântico das Criaturas de São Francisco de Assis seu título Laudato Si (‘Louvado sejas’, em português), fala especificamente sobre o impacto do homem no meio ambiente – ou na ‘Criação’ – e mostra como os homens podem viver em harmonia com a natureza, de acordo com a moral e a ética da Igreja.”

Obviamente que é louvável a iniciativa de um líder religioso como o papa de encabeçar um movimento ecológico com o objetivo de proteger a Terra da degradação que ela vem sofrendo ao longo dos anos. É evidente que os religiosos podem e devem dar sua parcela de contribuição para criar uma mentalidade de cuidado com a criação de Deus. O problema são as motivações, os argumentos, os objetivos e os erros por trás de todo esse discurso ecológico.

Não quero aqui me deter na ideia de que o ser humano seja o verdadeiro culpado pelo aquecimento global. Há cientistas que, embora não neguem esse aquecimento, não creem que a causa dele seja antropogênica. Poderíamos estar atravessando um novo ciclo de calor; a causa poderia ser outra, como a atividade solar; ou mesmo, como escreveu Ellen White, no livro O Grande Conflito, páginas 589 e 590: “[Satanás] estudou os segredos dos laboratórios da natureza, e emprega todo o seu poder para dirigir os elementos tanto quanto o permite Deus. [...] Nos acidentes e calamidades no mar e em terra, nos grandes incêndios, nos violentos furacões e terríveis saraivadas, nas tempestades, inundações, ciclones, ressacas e terremotos, em toda parte e sob milhares de formas, Satanás está exercendo o seu poder. [...] Essas visitações devem se tornar mais e mais frequentes e desastrosas. [...] E então o grande enganador persuadirá as pessoas de que os que servem a Deus estão motivando esses males. [...] Será declarado que os homens estão ofendendo a Deus pela violação do descanso dominical; que esse pecado acarretou calamidades que não cessarão antes que a observância do domingo seja estritamente imposta.”

E é exatamente sobre isso que eu quero falar aqui. Quero me deter num erro típico do romanismo, presente na encíclica Laudato Si: o erro de confundir deliberadamente o sábado com o domingo.

No capítulo II, seção 71 (a encíclica está disponível aqui), referindo-se à destruição do mundo por um dilúvio no tempo de Noé e sua posterior restauração, Francisco escreveu: “A tradição bíblica estabelece claramente que esta reabilitação implica a redescoberta e o respeito dos ritmos inscritos na natureza pela mão do Criador. Isto está patente, por exemplo, na lei do Shabbath. No sétimo dia, Deus descansou de todas as suas obras. Deus ordenou a Israel que cada sétimo dia devia ser celebrado como um dia de descanso, um Shabbath (cf. Gn 2, 2-3; Ex 16, 23; 20, 10).”

É bom deixar claro logo de início que, ao contrário do que afirma o papa, o sábado não foi dado a Israel apenas. Na verdade, o sábado foi dado à humanidade, no Éden, quando havia apenas um casal sobre a Terra (Gn 2:2, 3), e Jesus confirma isso ao dizer que o “sábado foi feito por causa do homem” (Mc 2:27), não do judeu ou de qualquer outro povo.

Embora cite o mandamento do sábado conforme está na Bíblia, no capítulo VI, seção 237 da encíclica, Francisco se permite reinterpretar o mandamento:

“A participação na Eucaristia é especialmente importante ao domingo. Este dia, à semelhança do sábado judaico, é-nos oferecido como dia de cura das relações do ser humano com Deus, consigo mesmo, com os outros e com o mundo. O domingo é o dia da Ressurreição, o ‘primeiro dia’ da nova criação, que tem as suas primícias na humanidade ressuscitada do Senhor, garantia da transfiguração final de toda a realidade criada. Além disso, este dia anuncia ‘o descanso eterno do homem, em Deus’. Assim, a espiritualidade cristã integra o valor do repouso e da festa. [...] A lei do repouso semanal impunha abster-se do trabalho no sétimo dia, ‘para que descansem o teu boi e o teu jumento e tomem fôlego o filho da tua serva e o estrangeiro residente’ (Ex 23, 12). O repouso é uma ampliação do olhar, que permite voltar a reconhecer os direitos dos outros. Assim o dia de descanso, cujo centro é a Eucaristia, difunde a sua luz sobre a semana inteira e encoraja-nos a assumir o cuidado da natureza e dos pobres.”

Conforme observou Filipe Reis, de Portugal, “não precisamos de muito esforço para perceber que o papa confunde o Shabbat bíblico do sétimo dia com o domingo, primeiro dia da semana, atribuindo a este a importância e solenidade que, biblicamente, apenas o sábado do sétimo dia possui. Ou seja, a validade do sábado do sétimo dia parece ter sido mudada para o domingo, primeiro dia da semana”.

Curiosa e e contraditoriamente, na secção 68 do capítulo II, Francisco escreve, citando os Salmos:

“‘Ele [ndr: Deus] deu uma ordem e tudo foi criado; Ele fixou tudo pelos séculos sem fim e estabeleceu leis a que não se pode fugir!’ (Sl 148, 5b-6).” O papa está correto aqui. Não podemos fugir das leis de Deus, muito menos alterá-las. O sábado faz parte dessa lei e é tão eterno que continuará sendo observado na Nova Terra (Is 66:23). Daniel 7:25, escrito cerca de 500 anos antes de Cristo, previu que no futuro haveria um poder religioso que se atreveria a mudar os tempos e a lei de Deus. A profecia, pra variar, estava corretíssima...

Em seu artigo na revista Época, Bruno Calixto e Marina Ribeiro captaram com precisão a intenção do papa com essa encíclica: “Francisco escolheu com cuidado o momento da publicação e de seu ativismo ambiental. Em setembro, a Assembleia Geral da ONU se reunirá para aprovar os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável. Ele pessoalmente discursará em Nova York. Depois, em novembro, haverá a Conferência do Clima em Paris, onde se espera que governos assinem um acordo global contra as mudanças climáticas. Segundo o secretário-geral do WWF-Brasil, Carlos Nomoto, o papa poderá desempenhar um papel importante nessas reuniões internacionais, aumentando a pressão para que governos enfim assumam compromissos nas negociações climáticas.”

Para Eduardo Felipe Matias, autor de A Humanidade Contra as Cordas: A luta da sociedade global pela sustentabilidade, as questões ambientais exigem a mobilização de todos os atores da sociedade, não apenas governos (num programa da rádio CBN, dois jornalistas também falam sobre isso). “Os efeitos que a encíclica papal pode ter sobre a comunidade internacional e sobre os católicos seriam ampliados se outras instituições religiosas se somassem a esse esforço. Não iremos alcançar um mundo mais sustentável sem mudar radicalmente a mentalidade das pessoas, e as diferentes religiões podem contribuir para essa mudança”, diz.

Felipe resume bem um assunto sobre o qual tenho falado em meu blog há quase dez anos: o ECOmenismo. Trata-se de um movimento de união de esforços que extrapola os limites das religiões e tem o potencial de coligar religiosos, místicos, cientistas, ativistas, ateus e outros grupos.

Estamos vivendo dias solenes. Deus nos ajude a estar firmados na verdade bíblica, cumprindo nosso papel, assim como o papa e outros estão cumprindo o deles.

Fonte - Michelson Borges

terça-feira, 16 de junho de 2015

Papa vira herói da guerra contra as mudanças climáticas

Todos os holofotes estão sobre ele 

O papa Francisco vai se colocar nesta semana no centro da batalha épica entre os defensores de ação imediata para combater as mudanças climáticas e o exército de céticos e negadores que lutam de forma muito arraigada para negar a existência do fenômeno ou a ação dos homens para causá-lo. O papa recorreu então ao santo que lhe emprestou o nome para batizar a tão esperada encíclica [leia mais aqui] sobre o papel da humanidade em sua relação com o meio ambiente. Do “Cântico das Criaturas”, uma belíssima oração escrita por São Francisco de Assis em 1224 vem a estrofe “Laudato Si” (Louvado Seja), que dá nome ao documento. Encíclicas são cartas pessoais escritas pelos papas para dar orientação aos fiéis católicos sobre temas doutrinários nos campos da fé, costumes, culto, doutrinas sociais. Os temas tratados não se tornam objeto de fé, mas norteiam a atuação dos religiosos e leigos católicos. Laudato Si será a primeira encíclica escrita totalmente pelo papa Francisco. Ele já havia publicado uma anterior, Lumen Fidei, sobre a fé, mas essa na verdade foi em grande parte redigida pelo papa Bento XVI. Além disso, tratava de um tema efetivamente restrito aos interesses dos fies católicos.

[Clique aqui e leia até o fim esse artigo do jornalista Renato Guimaraes, membro do Global Strategic Communications Council. O texto foi publicado no site da revista Época e é uma ótima análise deste momento interessante. Um texto quase profético...]

Ouça este programa da CBN sobre a encíclica (clique aqui) e assista também ao vídeo abaixo (está em inglês).



Fonte - Michelson Borges

segunda-feira, 15 de junho de 2015

Encíclica papal trata da “lei do descanso semanal”

Recado aos líderes mundiais 

Na próxima quinta-feira, o papa Francisco vai divulgar oficialmente sua encíclica ECOmênica (tão aguardada) intitulada Laudato Si que, segundo ele, é direcionada a toda a humanidade, não apenas ao seu rebanho católico (confira). Nesse documento oficial, o papa faz propostas de contenção do aquecimento global e sugere que ele sirva de base para reflexão por parte dos líderes mundiais aos quais falará em setembro, na sede da ONU. O amigo Filipe Reis, de Portugal, traduziu algumas partes interessantes de uma versão preliminar da encíclica (aliás, veja que interessante o print do jornal Washington Examiner, abaixo, em que Francisco e Ben Carson aparecem na mesma página, algo que eu já havia destacado aqui). As partes traduzidas por Filipe são relacionadas com o domingo como dia de repouso. Leia os trechos a seguir, extraídos do capítulo 237 de Laudato Si:

“O domingo, a participação na Eucaristia tem importância especial. Esse dia, bem como o sábado hebraico, oferece-se como dia de restauração das relações do ser humano com Deus, consigo mesmo, com os outros e com o mundo. O domingo é o dia da ressurreição, o ‘primeiro dia’ da nova criação, cujo primeiro fruto é a humanidade ressuscitada do Senhor, garantia da transfiguração final de todo o mundo criado. Além disso, esse dia anuncia ‘o repouso eterno do homem em Deus’. Assim, a espiritualidade cristã integra o valor do descanso e da celebração.

“O ser humano tende a reduzir o repouso contemplativo ao âmbito do inútil e estéril, esquecendo que assim lhe retira da obra realizada a coisa mais importante: o seu significado. Somos chamados a incluir no nosso trabalho uma dimensão confortável e gratuita, que é diferente de uma simples inatividade. Trata-se de uma outra forma de atuar que faz parte da nossa essência. Dessa forma, a ação humana é preservada não só de um ativismo vazio, mas também da ganância desenfreada e do isolamento de consciência que leva a procurar exclusivamente o benefício exclusivo.

A lei do descanso semanal requer abster-se de trabalho no sétimo dia, para que ‘descansem o teu boi e o teu jumento, e respirem o filho de tua escrava e o estrangeiro’ (Êxodo 23:12). O repouso é um vislumbre alargado que permite voltar a reconhecer os direitos dos outros. Assim, o dia de descanso, cujo centro é a Eucaristia, espalha a sua luz por toda a semana, e nos encoraja a cuidar de nossa natureza e dos pobres.”

Como era de se esperar, o papa apresenta o domingo como dia de restauração das relações do ser humano com Deus, consigo mesmo e com a natureza, reforçando a dimensão ecológica do domingo. E o iguala ao sábado hebraico, como se a bênção que Deus atribuiu ao verdadeiro sétimo dia pudesse ser estendida a outro dia da semana. Para o papa, o domingo é o “primeiro dia da nova criação”, deixando de lado o último dia da criação (na qual Bergoglio não crê, pois considera Adão e Eva mitológicos), memorial da verdadeira criação divina. Assim, o que o papa faz (à semelhança do que fez João Paulo II) é se apropriar de conceitos relacionados ao sábado e reaplicá-los ao domingo.

Aguardemos o lançamento oficial da encíclica, na quinta-feira, e os desdobramentos do estudo e da divulgação desse documento.

Fonte - Michelson Borges


Encíclica do papa Francisco será dirigida a todas as pessoas

Um apelo às nações

O santo padre Francisco rezou a oração Ângelus dominical a partir da janela de seu apartamento com vista para a Praça de São Pedro, diante de milhares de fiéis, peregrinos ali reunidos. “Como já foi anunciado”, disse o papa, “na quinta-feira será emitida uma Carta Encíclica sobre o cuidado da criação”, e convidou “a acompanhar esse evento com uma renovada atenção para a situação de degradação ambiental, mas também recuperação dos próprios territórios.” O Bispo de Roma recordou que essa encíclica “se destina a todos”. Por essa razão, ele pediu orações para que sua mensagem chegue a todos: “Rezemos para que todos possam receber sua mensagem e crescer em responsabilidade para com a casa comum que Deus nos confiou”, disse. [...]

(Zenit)

Nota 1: Historicamente, as encíclicas papais são dirigidas ao rebanho católico. Por isso, é significativo o fato de o papa Francisco afirmar que sua encíclica se destina a todos. E, considerando-se que líderes mundiais como Vladimir Putin, da Rússia (até ele!), o presidente cubano e vários outros tem buscado o apoio de Francisco, não resta dúvida de que o líder católico será levado em consideração em seus apelos ECOmênicos. [MB]

Nota 2: Se você tem alguma dúvida do poder dessa encíclica que será lançada no dia 18, assista a este vídeo (extraoficial, em inglês) divulgado pelo Observatório do Clima. Atente especialmente para a última frase: “To change everything, we need everyone”, ou seja, “para mudar tudo, precisamos de todos”.

Fonte - Michelson Borges

quarta-feira, 10 de junho de 2015

Campanha da Fraternidade 2016: ecumênica e ambiental

Em busca da grande união

O Vaticano anunciou para o dia 18 deste mês a divulgação da encíclica papal na qual Francisco trata do tema “aquecimento global”. Como tenho dito aqui no blog há alguns anos, essa é uma bandeira capaz de unir movimentos, religiões e governos (veja o vídeo abaixo). Segundo matéria publicada no Estadão, o papa consultou o brasileiro Frei Betto antes de publicar sua encíclica que tratará do cuidado com a criação. E o tema da Campanha da Fraternidade (CFE) do ano que vem não poderia ser outro (embora vá repetir em parte o de 2011: meio ambiente. “A CFE do próximo ano, como nas três edições anteriores, será coordenada pelo Conselho Nacional de Igrejas Cristãs do Brasil (Conic), caracterizada pela ecumenicidade, ou seja, reunirá outras igrejas cristãs, além da católica, para debater temas importantes referentes à nação brasileira”, explica o site da TV Canção Nova.

Conforme o site A12, “a Campanha de 2016 reunirá outras igrejas cristãs além da católica. Tal como nas três versões anteriores, a ação será coordenada pelo Conic. Uma das maiores novidades para esta 4ª edição é que ela deverá transpor fronteiras nacionais, já que contará com a participação da Misereor – entidade episcopal da Igreja Católica da Alemanha que trabalha na cooperação para o desenvolvimento na Ásia, África e América Latina”.

O papa Francisco vem batendo nessa tecla ambiental há algum tempo e conquistando respeito e autoridade, por esse e outros motivos. Exemplo disso foi o recente pedido de apoio por parte do presidente russo Vladimir Putin. Leia a seguir trechos da notícia publicada no G1:

“O presidente russo Vladimir Putin se reunirá nesta quarta-feira no Vaticano com o papa Francisco, para discutir o conflito na Síria e na Ucrânia e tentar sair de seu isolamento internacional. Defensor de um modelo alternativo ao Ocidental, baseado em grande parte em valores conservadores, Putin espera encontrar apoio do pontífice argentino. ‘Putin quer deixar seu status de pária, e espera alcançar isso com o papa’, com quem se reunirá pela segunda vez, explica Boris Falikov, do centro de estudos religiosos da Universidade de Ciências Humanas de Moscou. [...]

“O Vaticano mantém há décadas um diálogo com o patriarcado russo, que considera de suma importância. A aproximação entre as duas igrejas atingiu tal ponto que se chegou a planejar uma visita do papa a Moscou. Essa visita foi um evento histórico, tendo sido a primeira viagem de um papa à Rússia desde a separação das igrejas do Oriente e do Ocidente, durante o cisma de 1054. [...]

“A Santa Sé também pode encontrar um aliado na Rússia, em sua tentativa de se aproximar da China, de acordo com vários observadores da diplomacia do Vaticano.”

Mas o poder de influência papal será testado mesmo em setembro, quando ele terá três grandes audiências atentas: a ONU, a Casa Branca e o Senado norte-americano.

Fonte - Criacionismo

sexta-feira, 5 de junho de 2015

Apocalipse 21 - Diário da Profecia (por seu editor)


Próxima Quarta-feira, 05 de Junho de 2.015 às 20 horas.
Igreja Adventista do Juvevê - Curitiba - PR
Rua Prof. Arthur Loyola, 70 - Cabral
www.tvjuveve.com.br

Movimento Católico Climático Global

Papa intenta liderar movimento global pela preservação do meio ambiente.


#ECOmenismo #Vaticano

Posted by Diário da Profecia on Sexta, 5 de junho de 2015
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