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sexta-feira, 22 de maio de 2026

Quando as Religiões se Aproximam: O Vaticano, o Islã e a Busca por uma Moral Global (2026.06.16)

Nos últimos dias, uma série de encontros e declarações vindas do Vaticano voltou a chamar a atenção de analistas políticos, religiosos e observadores internacionais. Em meio a um mundo fragmentado por guerras, polarização ideológica, crises migratórias, radicalização social e desgaste das instituições tradicionais, o Papa Leo XIV intensificou publicamente o discurso em favor da cooperação entre religiões — especialmente entre cristãos e muçulmanos — como instrumento de reconstrução moral da humanidade.

As falas ocorreram em eventos diplomáticos e acadêmicos voltados ao diálogo inter-religioso, nos quais líderes religiosos discutiram temas como paz global, dignidade humana, solidariedade internacional, mudanças climáticas e responsabilidade ética diante das novas tecnologias. Em uma das declarações mais comentadas, o pontífice afirmou que cristãos e muçulmanos precisam trabalhar juntos para “reviver a humanidade” em um tempo de crescente desumanização.

Na superfície, a proposta parece não apenas razoável, mas necessária. E talvez essa seja justamente a parte mais importante de compreender. O mundo atravessa uma crise civilizacional profunda. A confiança nas instituições caiu. O individualismo produziu sociedades emocionalmente exaustas. A política se tornou incapaz de gerar consenso duradouro. A tecnologia avançou mais rápido que a maturidade moral coletiva. E, diante desse cenário, cresce a percepção global de que apenas soluções econômicas ou militares não serão suficientes para sustentar estabilidade no longo prazo.

Por isso, o discurso espiritual começa lentamente a retornar ao centro das relações internacionais.

Não como religião tradicional no sentido antigo. Mas como ferramenta de coesão social, linguagem moral compartilhada e mecanismo de reconstrução simbólica da ordem mundial.

Esse movimento é extremamente relevante porque ele não acontece isoladamente. Nos últimos anos, governos, organismos internacionais, universidades, líderes empresariais e instituições religiosas passaram a convergir em torno de uma mesma ideia: a humanidade precisa encontrar princípios comuns capazes de estabilizar o mundo em meio ao caos crescente.

E é exatamente aqui que o tema deixa de ser apenas religioso e passa a se tornar profético. A Bíblia descreve repetidamente períodos da história em que poder espiritual e poder político se aproximam em nome da preservação da ordem, da paz e da unidade coletiva. Isso não significa que todo diálogo inter-religioso seja errado ou maligno. Nem significa que cooperação entre povos seja, por si só, uma ameaça. O ponto mais profundo é outro: a história bíblica revela que, em momentos de crise, a humanidade frequentemente aceita transferir crescente autoridade moral a sistemas religiosos e políticos centralizados em troca de estabilidade.

É um padrão antigo. Quando sociedades entram em exaustão emocional, econômica e cultural, surge naturalmente o desejo por unidade. E unidade é uma palavra poderosa. Porque ela quase sempre nasce de uma necessidade legítima. O problema é que, ao longo da história, a busca por unidade muitas vezes exigiu redução de diferenças, flexibilização de convicções e concentração gradual de influência em estruturas maiores.

Hoje, pela primeira vez em gerações, o mundo parece novamente caminhar nessa direção. A aproximação entre grandes religiões mundiais já não é apenas um tema teológico. Tornou-se geopolítica. Tornou-se diplomacia internacional. Tornou-se estratégia de governança moral em uma era de fragmentação global.

Enquanto guerras continuam no Oriente Médio e na Europa, enquanto tensões entre EUA e China aumentam, enquanto sistemas econômicos mostram sinais de desgaste e enquanto a inteligência artificial ameaça transformar radicalmente a estrutura do trabalho e da informação, líderes mundiais começam a procurar algo capaz de unir pessoas além da política tradicional.

E inevitavelmente a espiritualidade volta ao debate. Não necessariamente uma espiritualidade baseada em doutrina, arrependimento ou verdade bíblica. Mas uma espiritualidade institucional, ampla, agregadora e funcional para estabilização social.

Esse talvez seja um dos sinais mais silenciosos do nosso tempo. A profecia bíblica nunca apontou apenas para guerras, terremotos ou colapsos econômicos. Ela também fala sobre movimentos sutis de convergência. Sobre alianças improváveis. Sobre sistemas que unem influência religiosa, autoridade política e linguagem moral global.

E talvez o aspecto mais impressionante seja justamente a forma como tudo isso acontece de maneira aparentemente positiva, racional e até necessária. Porque os grandes movimentos históricos raramente começam através do medo. Frequentemente começam através da promessa de paz.

Enquanto o mundo se torna mais cansado, mais ansioso e mais instável, cresce também o desejo coletivo por líderes capazes de oferecer direção espiritual, consenso moral e segurança emocional. E isso ajuda a explicar por que temas religiosos voltaram tão fortemente ao centro das discussões internacionais.

Mais do que observar manchetes isoladas, talvez o desafio seja perceber o ambiente que está se formando ao redor delas.

Um ambiente onde:
- a política busca legitimidade moral,
- a tecnologia busca supervisão ética,
- a economia busca estabilidade social,
- e a religião volta a ocupar espaço como linguagem de unidade global.

A pergunta não é se devemos desejar paz entre povos. A pergunta é: qual será o preço da unidade quando o mundo começar a considerá-la indispensável.

Porque a Bíblia apresenta um princípio constante: nem toda convergência produz liberdade. E discernir a diferença entre paz verdadeira e uniformidade construída talvez seja uma das tarefas espirituais mais importantes desta geração.

quarta-feira, 25 de março de 2026

Líderes religiosos intensificam diálogo global em busca de unidade e cooperação (2026.03.25)

Nos últimos dias, encontros entre líderes religiosos de diferentes tradições voltaram a ganhar destaque no cenário internacional, reforçando um movimento crescente de diálogo inter-religioso em escala global.

Representantes de diversas crenças — incluindo cristãos, muçulmanos, judeus e outras tradições — participaram de fóruns e iniciativas voltadas à promoção da paz, cooperação social e construção de valores comuns diante de desafios globais como guerras, crises climáticas e instabilidade econômica.

Discursos recentes enfatizam a necessidade de uma “fraternidade universal”, na qual religiões, apesar de suas diferenças doutrinárias, atuem juntas em questões consideradas essenciais para a humanidade. A ênfase não está na unificação teológica, mas na convergência prática: justiça social, preservação ambiental, dignidade humana e estabilidade global.

Com a recente mudança de liderança no Vaticano, sob o novo papa Leão XIV, esse movimento tende a ganhar continuidade — e possivelmente maior organização — especialmente no campo da influência moral internacional.

Além disso, organismos globais têm demonstrado interesse crescente em incluir lideranças religiosas em debates sobre governança, reconhecendo o papel da religião como elemento de mobilização social e legitimidade ética.

O resultado imediato desse cenário é a aproximação entre tradições historicamente separadas, criando um ambiente de maior cooperação — e também de transformação no papel público da religião.

À luz da Bíblia, movimentos de aproximação entre diferentes sistemas religiosos devem ser analisados com cautela e discernimento.

As Escrituras apresentam momentos em que forças religiosas se alinham em torno de objetivos comuns, especialmente em contextos de crise global. O livro de Apocalipse descreve um cenário em que elementos espirituais, políticos e sociais convergem, formando sistemas de influência que ultrapassam fronteiras individuais.

É importante destacar: o diálogo inter-religioso, por si só, não é apresentado como algo negativo nas Escrituras. A busca por paz e convivência é um valor reconhecido. No entanto, o ponto de atenção está na natureza dessa unidade — se baseada apenas em acordos humanos ou se alinhada à verdade espiritual revelada.

A Bíblia também adverte sobre a possibilidade de confusão entre verdade e aparência, especialmente quando há pressão por uniformidade ou convergência em larga escala.

Nesse sentido, o que se observa hoje não representa um cumprimento final de profecias específicas, mas se encaixa em um padrão mais amplo: um mundo caminhando para maior integração, inclusive no campo religioso.

Diante desse cenário, a resposta não é rejeição nem entusiasmo cego — é vigilância equilibrada.

O chamado bíblico é para discernir os tempos, compreender os movimentos e manter a fidelidade pessoal. Em um ambiente onde vozes se unem e discursos se aproximam, torna-se ainda mais importante conhecer profundamente aquilo em que se crê.

A unidade verdadeira, segundo as Escrituras, não se constrói apenas pela concordância externa, mas pela transformação interior e pela centralidade da verdade.

Por isso, mais do que observar movimentos globais, o convite é para fortalecer a própria base espiritual. Em um mundo que busca convergência, a estabilidade não estará na união de sistemas humanos, mas na firmeza de um relacionamento pessoal com Deus.

E enquanto o mundo se organiza em torno de novas formas de cooperação, permanece a pergunta silenciosa: sobre qual fundamento essa unidade está sendo construída?

quarta-feira, 29 de junho de 2016

Pastores fazem orações em nome de Alá “contra islamofobia”

Encontro de presbiterianos teve momento ecumênico liderado por líder muçulmano Pastores fazem orações em nome de Alá "contra islamofobia"

A Igreja Presbiteriana dos EUA (PCUSA) fez orações a Alá durante a reunião da Assembleia Geral da denominação, realizada na semana passada.

“Alá nos abençoe e abençoe nossas famílias e abençoe nosso Senhor. Nos guie no caminho reto de todos os profetas: Abraão, Ismael, Isaque, Moisés, Jesus e Maomé”. Estas palavras foram repetidas diante da congregação durante o encontro nacional que reuniu líderes presbiterianos em Portland, Oregon.

Wajidi Said, co-fundador do Fundo de Educação Muçulmano, conduziu os participantes na invocação do nome do deus islâmico. O momento foi parte do momento do programa reservado ao ministério ecumênico e inter-religioso da PCUSA.

A oração realizada durante a sessão de abertura do encontro, acompanhou um momento dedicado à intercessão pelas pessoas feridas no atentado em Orlando, ocorrido recentemente. “Em nome de Deus, o Clemente, o Misericordioso, louvemos ao Senhor… a paz esteja com eles e a paz esteja com Deus”, pediu Said. Ele também orou pela paz sobre a vida dos “fanáticos” e dos “islamofóbicos.” Centenas de pastores presentes concordaram com um “amém” no final.

Mais tarde, no final da sessão, o pastor Gradye Parsons fez um pedido de desculpas a quem, porventura, se ofendeu com a oração. A PCUSA afirmou durante a reunião que defende “relações positivas com pessoas de outras tradições religiosas” e está empenhada em lutar “contra o aumento da islamofobia”.

Com cerca de um milhão e seiscentos mil membros, a PCUSA é o maior segmento dos presbiterianos americanos. Pautada pela teologia liberal, desde 2011 ela ordena pastores homossexuais. No ano passado, anunciou o primeiro caso de ordenação de duas lésbicas que vivem maritalmente, como pastoras. A aproximação de evangélicos e muçulmanos é defendida por outras denominações americanas, como a Igreja Universalista, que cedeu um de seus templos para islâmicos fazerem suas orações.

Fonte - Gospel Prime

quarta-feira, 6 de abril de 2016

Judeus e católicos: uma aproximação que na história, nunca foi tão grande

Judeus e católicos nunca estiveram tão próximos. #DialogoInterreligioso

Publicado por Diário da Profecia em Quarta, 6 de abril de 2016

sexta-feira, 11 de dezembro de 2015

Cristãos palestinos e muçulmanos unidos pela paz

Cristãos palestinos e muçulmanos marcharam juntos nesta quinta-feira para o início das comemorações do Natal em Ramallah, na Cisjordânia. Os manifestantes também protestaram contra a violência entre israelenses e palestinos.

quarta-feira, 9 de dezembro de 2015

Alemanha vai ganhar o primeiro “templo da religião mundial”

Com o afluxo de milhões de refugiados para a Europa nos últimos meses, a Alemanha está no centro do debate que tem dividido os europeus. Principal destino dos homens e mulheres que desejam recomeçar a vida longe da pobreza e da guerra, o discurso alemão tem sido o da tolerância, em especial por que a imensa maioria dos que chegam são muçulmanos.

Agora, a iniciativa House of One (Casa de Um Só) comemora o primeiro milhão de euros doado para a construção do que é chamado de o primeiro “templo da religião mundial”. O edifício servirá como sinagoga, mesquita e igreja ao mesmo tempo.

O local multirreligioso é a primeira inciativa do gênero no mundo. O início das obras está marcado para os primeiros meses de 2016. Ano passado, quando o projeto foi lançado, o rabino Tovia Ben Chorin estava ao lado do pastor luterano Gregor Hohberg e do imã Kadir Sanci. A foto oficial mostra cada um deles segurando um tijolo, símbolo de sua união para a edificação do futuro templo.

Enquanto em vários países do mundo os muçulmanos matam e perseguem os membros de outras religiões, na Europa secularizada, seu discurso é de “paz e tolerância”.

Com orçamento de 43 milhões de euros, o site da House of One, disponível em sete idiomas, explica que qualquer pessoa poderá contribuir, comprando um tijolo. Ele usa o mesmo raciocínio dos projetos de crowdfunding, cada um dá um pouco para que no final todos ganhem.

Também explica que os seguidores de outras religiões serão convidados para os diferentes cultos na House of One. O foco principal do templo multirreligioso é atrair os jovens, que dificilmente são vistos nas igrejas. Os judeus em Berlin são uma comunidade pequena. Por outro lado, a presença de muçulmanos é crescente em toda a Europa.

O espaço que concretiza o ecumenismo será usado pelos islâmicos na sexta, judeus no sábado e cristãos no domingo, respeitando o “dia sagrado” de cada grupo. Nos demais dias da semana, terá atividades diversificadas.

O projeto arquitetônico foi escolhido em um concurso e recebeu total apoio da Comunidade Judaica de Berlim, do Seminário Abraham Geiger, do Fórum de Diálogo Intercultural Islâmico e da Congregação Luterana das Igrejas.

O prédio ficará na Praça Petriplatz, no centro histórico da cidade. O terreno está vazio e funciona como estacionamento. Curiosamente, durante séculos naquele terreno cristãos celebraram seus cultos.

Vários prédios diferentes abrigaram congregações de cristãos, até a última igreja ser parcialmente destruída na Segunda Guerra Mundial. Acabou sendo demolida em 1964, durante o regime comunista, pois fica numa região que pertencia à antiga Alemanha Oriental.

Fonte - Gospel Prime

quarta-feira, 28 de outubro de 2015

Papa pede união de religiões contra violência e corrupção

Cidade do Vaticano - O papa Francisco pediu nesta quarta-feira a todas as religiões, e também a quem não professa fé alguma, a colaborar para dar respostas efetivas perante a crise de fome, a violência em nome de uma crença, a corrupção e as crises do meio ambiente, da família e da economia.

Durante a audiência geral de hoje realizada na Praça de São Pedro foi celebrada uma pequena comemoração dos 50 anos da declaração "Nostra Aetate", publicada em 28 de outubro de 1965, após o Concílio Vaticano II, e que foi um marco nas relações da Igreja Católica com as demais religiões.

"O mundo olha para os fiéis pedindo respostas efetivas a inúmeros temas como a paz, a fome, a miséria, a crise ambiental, a violência e a corrupção", disse Francisco.

"Indiferença e oposição tornaram-se colaboração e benevolência. De inimigos e estranhos, nos tornamos amigos e irmãos. O Concílio traçou o caminho: 'sim' ao redescobrimento das raízes hebraicas do Cristianismo; 'não' a toda forma de antissemitismo e condenação de toda de toda injúria, discriminação e perseguição que derivam".

Com relação ao islã, Francisco pediu um diálogo "aberto e respeitoso".

"Por causa da violência e do terrorismo, se difundiu uma atitude de suspeita ou até mesmo de condenação das religiões. Não obstante nenhuma religião esteja imune ao risco do fundamentalismo e do extremismo", destacou.

Francisco terminou a audiência de hoje pedindo que cada um rezasse em silêncio, "conforme sua própria tradição religiosa" e aos representantes das diferentes confissões pediu orações para ser "mais irmãos" e servir "aos mais necessitados".

Fonte - Exame

Nostra aetate: briefing com representantes de várias religiões

Nesta quarta-feira, dia 28 de outubro, o Papa Francisco recordou, na audiência geral na Praça de S. Pedro, os 50 anos da Declaração do Concílio Vaticano II Nostra aetate sobre as relações da Igreja Católica com as religiões não cristãs. Estiveram presentes representantes de diversas tradições religiosas.

No princípio da tarde, após a audiência geral, decorreu um briefing com os jornalistas, na Sala de Imprensa da Santa Sé, com alguns dos participantes do Encontro Internacional que está a decorrer, por estes dias em Roma, numa organização da Universidade Pontifícia Gregoriana.

Destacamos aqui a intervenção do rabino argentino Claudio Epelman, director executivo do Congresso Judeu Latino-Americano que conheceu o cardeal Bergoglio quando era arcebispo de Buenos Aires:

“Today we have been witnesses of something historic: in Saint Peter’s Square…

Hoje fomos testemunhas de um evento histórico: na Praça de S. Pedro, o Papa falou ao público católico da relação com as outras religiões. Penso que a linguagem do Papa consista muito na sua gestualidade, não apenas nas palavras. Vimos como ele se relaciona com as pessoas e connosco, representantes das outras religiões.”

Neste encontro com os jornalistas estiveram também presentes Abdellah Redouane, secretario geral do Centro islâmico cultural de Italia, o rabino David Rosen, diretor internacional para as relações inter-religiosas do Comité Judeu Americano, Swami Chidananda, fundador da Ong indiana Fowai Forum e Samani Pratibha Pragya, da Jain Vishwa Bharati de Londres.

Fonte - Radio Vaticano

segunda-feira, 26 de outubro de 2015

Igreja: Vaticano vai colocar líderes religiosos a debater caminhos de paz

No âmbito de um congresso dedicado aos 50 anos da declaração «Nostra Aetate», saída do Concílio Vaticano II

Cidade do Vaticano, 26 out 2015 (Ecclesia) – O Vaticano vai assinalar os 50 anos da declaração “Nostra Aetate”, sobre o relacionamento entre a Igreja Católica e as outras religiões, com um congresso internacional em Roma, entre hoje e 28 de outubro.

Segundo o serviço informativo da Santa Sé, um dos destaques do evento vai ser uma conferência do secretário de Estado do Vaticano, D. Pietro Parolin, subordinada ao tema “Educar para a paz”.

O programa inclui também uma mesa redonda com o secretário-geral do Centro de Cultura Islâmica de Itália, Abdellah Redouane, e o diretor internacional para os assuntos inter-religiosos do Comité Judaico Americano, o Rabi David Rosen, que vai debater a questão da “violência e o empenho das religiões a favor da paz”.

Saída do Concilio Vaticano II e publicada a 28 de outubro de 1965, a declaração “Nostra Aetate” mostrou o empenho da Igreja Católica em reconhecer e valorizar tudo aquilo que é positivo nas várias religiões.

No documento pode ler-se que em todas essas religiões há “uma centelha daquela verdade que ilumina todos os homens” (Nostra aetate 2).

Para o Judaísmo, esta mudança foi ainda mais radical, colocando um ponto final a séculos de confrontos entre o mundo católico e o mundo hebraico, e condenando de forma veemente qualquer forma de antissemitismo.

A declaração “Nostra Aetate” considera que “sendo tão grande o património espiritual comum aos cristãos e aos judeus”, é necessário “fomentar e recomendar entre eles o mútuo conhecimento e estima, os quais se alcançarão sobretudo por meio dos estudos bíblicos e teológicos e com os diálogos fraternos”.

“A Igreja, que reprova quaisquer perseguições contra quaisquer homens, lembrada do seu comum património com os judeus, e levada não por razões políticas mas pela religiosa caridade evangélica, deplora todos os ódios, perseguições e manifestações de antissemitismo, seja qual for o tempo em que isso sucedeu e seja quem for a pessoa que isso promoveu contra os judeus”, refere ainda o documento do Concílio, no seu número 4.

Organizado pelo Conselho Pontifício para o Diálogo Inter-religioso, em parceria com a Comissão para as Relações Religiosas com os Judeus e a Universidade Pontifícia Gregoriana, o evento pretende “analisar a repercussão que a declaração Nostra Aetate teve ao longo das últimas cinco décadas”.

Entre um vasto conjunto de oradores e especialistas, destaque para a participação no certame do presidente do Conselho Pontifício para a Promoção da Unidade entre os Cristãos, o cardeal Kurt Koch; e do presidente do Conselho Pontifício para o Diálogo Inter-religioso, o cardeal Jean-Louis Tauran.

Fonte - Ecclesia

quinta-feira, 3 de setembro de 2015

Clima de confiança entre Israel e Palestina é urgente, afirma Papa

Cidade do Vaticano (RV) – A situação política e social do Oriente Médio esteve no centro da audiência que Francisco concedeu na manhã desta quinta-feira ao Presidente do Estado de Israel, Reuven Rivlin.

Em especial, o Papa e o Presidente israelense debateram a situação dos cristãos e de outros grupos minoritários na região, marcada por vários conflitos. A respeito, relevou-se a importância do diálogo inter-religioso e a responsabilidade dos líderes religiosos na promoção da reconciliação e da paz.

De acordo com uma nota da Sala de Imprensa da Santa Sé, evidenciaram-se a necessidade e a urgência de promover um clima de confiança entre israelenses e palestinos e de reavivar as negociações para se alcançar um acordo respeitoso das legítimas aspirações dos dois povos, como contribuição fundamental à paz e à estabilidade da região.

Em pauta, estiveram também as relações entre o Estado de Israel e a Santa Sé, e entre as autoridades estatais e as comunidades católicas locais, fazendo votos de uma pronta conclusão do Acordo bilateral em fase de elaboração e uma solução adequada de algumas questões de interesse comum, entre as quais a que diz respeito à situação das escolas cristãs no país.

Fonte - Radio Vaticano

Nota DDP: E os acertos político religiosos pelo Vaticano não param.

quarta-feira, 2 de setembro de 2015

Presidente de Israel diz que Papa Francisco é um verdeiro amigo do país

Antes de iniciar uma visita à Itália, o presidente de Israel, Reuven Rivlin, afirmou nesta quarta-feira (2) que o papa Francisco é um "verdadeiro amigo" de seu país e do "povo judeu". Em Roma, o chefe de Estado será recebido nesta quinta (3) pelo seu colega italiano, Sergio Mattarella, e terá uma reunião privada com o Pontífice.

"O Papa é um líder inspirado que acredita no diálogo entre diferentes crenças e na promoção desse diálogo", disse Rivlin.

O israelense ainda acrescentou que Jorge Bergoglio é um "emissário da reconciliação e da compaixão". "Não tenho dúvidas de que tanto o encontro com o Papa quanto aquele com o presidente Mattarella serão produtivos e representarão um passo importante rumo a uma cooperação de ainda mais sucesso entre nós", declarou.

Essa será a primeira visita oficial de Rivlin ao Vaticano.

Fonte - Jornal do Brasil

terça-feira, 25 de agosto de 2015

Fé no clima: o ECOmenismo ganha força

Todos pela Terra

À primeira vista, a diversidade de participantes faz até a gente pensar naquelas piadas clássicas (“um padre, um rabino e um pastor evangélico entram num boteco e...”), mas a conversa é séria. Nesta terça, dia 25 de agosto, um grupo variado e bastante representativo de lideranças religiosas do Brasil e do exterior vai se reunir no Rio de Janeiro para manifestar o apoio de suas denominações à luta contra as mudanças climáticas causadas pela ação humana. Estou falando do Encontro Internacional Fé no Clima, organizado pelo Iser (Instituto de Estudos da Religião), em parceria com o GIP (Gestão de Interesse Público). Como os leitores mais assíduos deste blog devem imaginar, a ação conjunta inter-religiosa se inspira no exemplo da encíclica Laudato Si, uma espécie de chamado às armas do papa Francisco para evitar os piores efeitos da mudança climática, e tem a intenção de influenciar os debates da Conferência do Clima da ONU em Paris, que acontece no fim deste ano.

Os 12 participantes devem falar tanto da visão que suas tradições religiosas possuem sobre a necessidade de respeitar o ambiente quanto das ações concretas que suas comunidades estão tomando em relação aos problemas ambientais. No fim das contas, deverão assinar um documento de consenso, a Declaração Fé no Clima, que será encaminhada ao governo federal.

Confira a lista de participantes: André Trigueiro (espírita e jornalista), Ariovaldo Ramos (pastor evangélico), Mãe Beata de Yemanjá (Iyalorixá do Ilê Omi Ojuarô), Dolores (Inkaruna) Ayay Chilón, professor de Quechua, da tradição Andina, Mãe Flávia Pinto (umbandista), Rv. Fletcher Harper (pastor episcopal norte americano), Pe. Josafá Carlos de Siqueira S.J (Igreja Católica), Kola Abimbola (Babalorixá Yorubá e acadêmico nigeriano), Léo Yawabane (tradição indígena Huni Kuin, do Acre), Lama Padma Samten (monje budista), Rabino Nilton Bonder (tradição judaica) e Timóteo Carriker (pastor presbiteriano).

Espero voltar a esse assunto em breve, até porque algumas das visões expressas pelo papa Francisco em sua encíclica ambiental chegam perto de ser revolucionárias. De qualquer modo, conseguir juntar tantas crenças juntas em favor de um objetivo no qual a ética e o conhecimento científico caminham lado a lado já merece comemoração.

(Reinaldo José Lopes, Folha de S. Paulo)

Nota Criacionismo: Você ainda duvida do poder de coesão que a bandeira ecológica tem e da crescente influência do papa como líder incontestável desse movimento que transpõe os limites religiosos e arranca suspiros de admiração até dos jornalistas? Cinco anos atrás, concedi entrevista ao jornalista Reinaldo (autor do texto acima), na qual expus minha opinião sobre o ECOmenismo (confira aqui).

sexta-feira, 21 de agosto de 2015

Vaticano convida muçulmanos a cuidar da criação

Todos pelo planeta

O cardeal Peter Turkson, presidente do Conselho Pontifício Justiça e Paz, enviou uma mensagem ao Simpósio Islâmico Sobre Mudanças Climáticas, na qual o purpurado exorta os católicos e os muçulmanos a trabalharem juntos pela salvaguarda da criação. O simpósio está sendo realizado nesta semana em Istambul, na Turquia, numa iniciativa da Organização Islâmica Mundial para as ajudas humanitárias, do Fórum Islâmico Para a Ecologia e as Ciências Ambientais e pela GreenFaith, organismo religioso ambientalista. “Estamos vivendo um momento decisivo e particularmente turbulento da história mundial”, escreve o purpurado ganês. “A humanidade encontra-se diante de numerosos desafios urgentes que requerem orações e ações concretas”, porque “a crise ecológica em andamento é a mais grave e a mais difícil de todas”, diz o cardeal na sua mensagem, referindo-se à encíclica Laudato Si, na qual o papa Francisco convida todos para “uma conversão ecológica do coração”.

À luz da nossa fé – afirma o presidente do dicastério vaticano – devemos empenhar-nos no cuidado da “casa comum” deste nosso planeta, a Terra, porque “não basta propor meras soluções técnicas, impotentes para resolver os graves problemas do mundo, se a humanidade perde a sua rota”.

“Uma grande motivação” – continua o purpurado – “que une cristãos, muçulmanos e muitos outros é a fé firme em Deus: ela nos impele a assumir o cuidado pelos magníficos dons que Deus concedeu a nós e às futuras gerações.”

Por isso, acrescenta o cardeal Turkson, “nossa ação será certamente mais eficaz se nós, fiéis de diferentes comunidades religiosas, encontrarmos o modo de trabalhar juntos”, “em espírito de solidariedade”.

A mensagem do purpurado conclui com “a promessa da Igreja Católica de rezar pelo bom êxito” do simpósio e com os votos de uma futura colaboração com o Islã na salvaguarda da criação.

Na conclusão do simpósio, nesta terça-feira, [foi] apresentada à imprensa, em versão integral, uma “Declaração islâmica sobre as mudanças climáticas”.

O documento exorta os cerca de 1,6 bilhão de muçulmanos no mundo a atuarem no campo ambiental. Essa declaração terá um significado especial representando um apelo crucial tendo em vista a Cop21, a Conferência Internacional Sobre Mudanças Climáticas, programada para dezembro próximo, em Paris.

Essa declaração islâmica sobre o ambiente foi redigida após uma ampla consulta aos principais estudiosos muçulmanos, acadêmicos e grupos religiosos, e deverá pedir aos países mais ricos e mais poderosos que reduzam drasticamente as suas emissões de gases responsáveis pelo efeito de estufa e que defendam as comunidades mais vulneráveis a enfrentar o impacto das mudanças climáticas e o desenvolvimento das energias renováveis.

(Radio Vaticana)

Nota do blog Minuto Profético: “Faz parte da mordomia cristã cuidar do meio ambiente. Porém, a teoria do aquecimento global está sendo usada como instrumento de controle social, e visa a atender, acima de tudo, interesses religiosos: o estabelecimento do descanso dominical como ‘salvação’ para o planeta (na verdade, tal ação vai restaurar a supremacia de Roma).” (Via Criacionismo)

Declaração de 60 representantes islâmicos para combater a mudança climática

Estudiosos, políticos, líderes religiosos de uma dúzia de países islâmicos, em Istambul para um simpósio sobre o meio ambiente, pedem aos governos que tomem medidas para limitar o aquecimento global, em vista da Cop21

Chama-se "Declaração sobre as Alterações Climáticas" e é assinada por um grupo de mais de 60 acadêmicos, líderes políticos e religiosos do mundo islâmico. Através dela exige-se dos Governos Mundiais, em vista da conferência climática da ONU sobre clima que acontecerá dezembro em Paris (conhecida como Cop21), a negociação e assinatura de um acordo ambicioso que permita limitar o aquecimento global a 1,5 graus Celsius acima dos níveis pré-industriais, ou que pelo menos respeite o limite dos 2 graus considerado o ponto de não retorno pelos climatologistas.

A declaração foi assinada em Istambul durante a International Islamic Climate Change Symposium, evento inspirado pela Encíclica Laudato Si’ do Papa Francisco e pela Jornada Mundial de oração pelo cuidado com a Criação recentemente proclamada, que será celebrada no próximo dia 1º de setembro pela Igreja Católica, junto com a ortodoxa.

No texto, os líderes de uma dúzia de países islâmicos pedem a rápida eliminação dos combustíveis fósseis e a transição para as energias renováveis ​​para atingir 100% de energia limpa, a fim de combater as alterações climáticas, reduzir a pobreza e buscar um desenvolvimento sustentável. Entre os participantes do simpósio, a secretário da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança Climática, Christiana Figueres, destacou como “os ensinamentos do Islã, que enfatizam os deveres dos seres humanos como guardiães da Terra, ofereceram orientações para realizar ações corretas sobre a mudança climática".

segunda-feira, 29 de junho de 2015

Vaticano assina primeiro acordo histórico com a Palestina

E cresce o poder de influência 


A Santa Sé e o “Estado da Palestina” assinaram [na] sexta-feira (26) no Vaticano um histórico acordo sobre os direitos da Igreja Católica nos territórios palestinos, anunciou o Vaticano em um comunicado. A preparação desse texto por uma comissão bilateral levou 15 anos. Embora o Vaticano se refira ao “Estado da Palestina” desde o início de 2013, os palestinos consideram que a assinatura do acordo equivale a um reconhecimento de fato de seu Estado, o que irrita Israel. Israel lamentou o acordo e advertiu que isso pode ser nocivo para os esforços para a paz na região. O ministério israelense das Relações Exteriores “lamentou a decisão do Vaticano de reconhecer oficialmente a Autoridade palestina como um Estado no acordo assinado hoje”, afirmou o porta-voz da chancelaria, Emmanuel Nahshon, citado em um comunicado.

O acordo foi assinado no Palácio pontifício pelo secretário para as relações com os Estados (ministro das Relações Exteriores), pelo prelado britânico Paul Richard Gallagher e pelo ministro palestino de Relações Exteriores, Riyad al-Maliki.

O acordo expressa o apoio do Vaticano a uma solução “do conflito entre israelenses e palestinos no âmbito da fórmula de dois Estados”, havia explicado em maio o monsenhor Antoine Camilleri, chefe da delegação da Santa Sé.

Para a Organização para a Libertação da Palestina (OLP), esse acordo converte o Vaticano no 136º país a reconhecer o Estado da Palestina. Para Israel, por sua vez, “uma decisão como essa não faz o processo de paz avançar e afasta a direção palestina das negociações bilaterais”.

A Santa Sé tem relações com Israel desde 1993. Negocia desde 1999 um acordo sobre os direitos jurídicos e patrimoniais das congregações católicas no Estado hebreu, mas cada reunião semestral termina com um fracasso.

(G1 Notícias)

Nota Michelson Borges: Agora imagine se Francisco consegue negociar a paz e interferir positivamente nas relação entre Israel e a OLP, como fez com Cuba e EUA... Sua influência global cresceria estratosfericamente, e todo mundo sairia anunciando “paz, paz” (1Ts 5:3). [MB]

quarta-feira, 15 de abril de 2015

Presidente de Israel se reúne com líderes cristãos em Jerusalém

O presidente de Israel Reuven Rivlin se reuniu nesta terça-feira, 14, com líderes cristãos, incluindo o Patriarca Theophilos III, na Cidade Velha de Jerusalém. O encontro, organizado para comemorar a Páscoa, foi o primeiro realizado por um presidente de Israel no local em 30 anos.

Rivlin aproveitou a oportunidade para reafirmar seu compromisso com a defesa e promoção da igualdade e da liberdade religiosa: “Para mim, os ataques a seus lugares santos são tão prejudiciais quanto aqueles aos nossos lugares santos, e isso não deveria acontecer”, afirmou.

“O Estado de Israel está empenhado em proteger a liberdade de cada um e de todos, das diferentes religiões – nós não vamos permitir abuso por causa da religião, e se tal dano ocorrer, a aplicação da lei vai cuidar disso imediatamente.”

O patriarca grego Theophilos III agradeceu a visita do presidente durante a temporada, quando a comunidade cristã está comemorando a festividade da Páscoa.

“A estreita relação entre a Páscoa judaica e a Páscoa cristã é um lembrete importante para todos nós dos profundos laços que unem os filhos de Abraão. Judeus, cristãos e muçulmanos têm vivido aqui lado a lado ao longo de séculos, sempre buscando compreensão mútua, para o mútuo bem-estar em nossa região”, disse o patriarca.

O Patriarca reconheceu o apoio ativo e público do presidente, dizendo: “Com a turbulência no Oriente Médio, sabemos que não há alternativa à coexistência, em harmonia. Gostaríamos de parabenizá-lo por sua posição firme contra o extremismo religioso de qualquer tipo e suas ações definitivas contra crimes em diferentes lugares sagrados em Israel”.

O patriarca latino de Jerusalém Fouad Twal, que também estava presente na reunião, acrescentou que as comunidades cristãs do Oriente Médio estão sob grave ameaça e há pouco clamor internacional. “Há uma grande ameaça para as comunidades cristãs no Oriente Médio. No entanto, há um silêncio constrangedor sobre cristãos sendo crucificados, decapitados, apedrejados e baleados em um país após o outro”, lamentou.

“Nós devemos lamentar o massacre de cristãos na presença da indiferença dos líderes mundiais. Esperamos e oramos para que Deus dê a paz aos nossos povos no Oriente Médio, e em todo o mundo”, disse o patriarca latino.

Após seu discurso, o patriarca grego presenteou o presidente Rivlin com uma bela menorá prata e uma cópia do clássico ético, “Deveres do Coração”, do filósofo judeu do século XI, o rabino Bachya Ibn Pakuda. Rivlin presenteou o Patriarca Grego com uma escultura de uma moeda antiga de Jerusalém.

domingo, 15 de março de 2015

ONU vai reunir líderes religiosos para discutir medidas contra o EI

O secretário-geral da ONU, Ban Ki-Moon, se propôs a organizar uma reunião global com líderes religiosos de todo o mundo para discutirem uma forma de enviar uma mensagem de tolerância e reconciliação diante dos ataques extremistas do Estado Islâmico.

O encontro deve acontecer nos próximos meses para “promover o entendimento mútuo e a reconciliação”, diante dos casos de violência extrema. O secretário-geral se mostrou bastante preocupado com os ataques do EI e afirmou que os terroristas representam uma “grave ameaça para a paz e a segurança global”.

Segundo ele, os extremistas estão polarizando e aterrorizando o mundo com o objetivo de provocar e dividir a população, enquanto que a maioria das vítimas são muçulmanos, seus próprios irmãos.

“Necessitamos ter a cabeça fria, sentimento comum e não nos deixar levar pelo medo”, disse Ki-Moon diante de representantes de 60 países que discutiam sobre como evitar o recrutamento de jovens adolescentes pelos jihadistas que estão treinando soldados mirins.

A respeito das crianças, o secretário da ONU falou da importância de se ensinar “compaixão e empatia” como forma de combater as ideologias extremistas que são alimentadas pela “opressão, da corrupção e da injustiça”.

Fonte - Gospel Prime

quarta-feira, 7 de janeiro de 2015

O efeito Francisco entre as religiões

Ortodoxos, judeus e muçulmanos estão sensibilizados pelos apelos do Papa em prol da paz e do desenvolvimento

Três indícios provam, mas muito mais do que três confirmam que os apelos do Papa Francisco em prol da paz, do diálogo entre religiões e do progresso dos povos, estão exercendo alguma influência entre os representantes de outros grupos religiosos, em particular entre ortodoxos, judeus e muçulmanos.

Basta pensar no apoio que o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, demonstrou aos cristãos do Oriente Médio, aliás, inspirado nas palavras do Papa. Em uma mensagem de vídeo, o primeiro-ministro israelense desejou Feliz Natal "aos cristãos de Israel e de todo o mundo", lembrando "a herança e os valores comuns" que unem judeus e cristãos e que se opõem ao "extremismo" e ao “ódio" que eles "nunca aceitarão". Ele convidou a apoiar os cristãos "menos afortunados" no Oriente Médio que "estão passando por um momento difícil", marcado por "violência, perseguição e medo."

Na mesma linha, o presidente israelense Reuven Rivlin se reuniu com os líderes religiosos das comunidades cristãs que vivem em solo israelense para denunciar a perseguição e pedir aos cristãos muçulmanos e judeus para trabalhar em conjunto pela paz e pelo desenvolvimento. Rivlin recordou que "por causa da fé, milhares de pessoas são exiladas, convertidas a força, atacadas e brutalmente assassinadas" e demonstrou a esperança de que "nós cristãos, muçulmanos e judeus, filhos de Abraão, juntamente com todos os que professam diferentes credos, possamos ver o cumprimento da visão do profeta Isaías, onde uma nação não levantará a espada contra outra nação e não haverá mais guerra". "Que 2015 possa ser um ano de amizade e cooperação. Que seja um ano de compreensão e respeito mútuo", foi o augúrio final de Rivlin.

Em socorro dos cristãos perseguidos no Iraque o Irã também se pronunciou. O parlamentar cristão Yonatan Betkolia, representante das comunidades assírias e caldeias no parlamento da República Islâmica do Irã, confirmou que vários caminhões com placa iraniana, carregados com ajuda humanitária, foram parados na fronteira entre o Irã e o Iraque, à espera de obter a autorização de entrada para chegar às comunidades cristãs que são vítimas da limpeza étnico-religiosa dos jihadistas do Estado islâmico.

Antes do Natal, o arcebispo Maroun Lahham, vigário patriarcal para a Jordânia do Patriarcado Latino de Jerusalém, disse à agência Fides que recebeu o embaixador iraniano na Jordânia Mojtaba Ferdowsjpour, que felicitou os cristãos por ocasião do Natal e reiterou o compromisso da República islâmica do Irã em ajudar os cristãos em dificuldade no vizinho Iraque.

"O Irã assumiu um papel crucial no Oriente Médio -disse o Arcebispo Lahham-. Está em contato com a Santa Sé, com o qual compartilha diálogos muito importantes. Esperamos que a contribuição do Irã tenha um efeito positivo na busca de soluções para as crises que afetam o povo do Iraque e da Síria".

Um apelo para erradicar o fanatismo substituindo-o por uma "visão mais iluminada do mundo" foi lançado pelo então presidente egípcio Abdel Fattah al-Sisi, durante seu discurso na abertura do ano acadêmico na Universidade Al-Azhar, grande centro teológico do islamismo sunita.

Dirigindo-se aos estudiosos e líderes religiosos da Universidade Al-Azhar, o chefe de Estado egípcio salientou que o mundo islâmico não pode mais ser visto como "uma fonte de ansiedade, perigo, morte e destruição" para o resto da humanidade. Por isso, os líderes religiosos devem se comprometer a rejeitar o "pensamento errado" que está levando toda a comunidade islâmica "a antagonizar o mundo inteiro".

Apesar da propaganda do horror espalhada por extremistas, começam a surgir resistências e rebeliões dentro do chamado Califado. O The New York Times relatou a história de Usaid Barbo, sírio, quatorze anos, destinado a explodir em uma mesquita xiita de Bagdá e que, em vez disso, se entregou a polícia iraquiana, dizendo: "Eu não quero me explodir". Recrutado em uma mesquita de Manjbi, perto de Aleppo, o jovem teria se oferecido como homem-bomba para ter a chance de fugir da ditadura do califado.

Como esquecer a heroica resistência das 150 mulheres, algumas delas grávidas, que se recusaram a casar com fundamentalistas. Os terroristas do Califado mataram todas as mulheres que se opunham a casar com eles. De acordo com informações fornecidas pelo Ministério de Direitos Humanos de Bagdá, a maioria das mulheres massacradas era Iazidi.

Poucos dias depois da visita apostólica do Papa Francisco ao Sri Lanka e as Filipinas, o chefe do Conselho filipino dos Imames, Ebra Moxsir M. al-Haj, em um programa de TV, exortou os muçulmanos a seguir o conselho de paz do Papa, expressando total apoio ao pontificado de Francisco, especialmente pelos esforços em prol da paz e do diálogo inter-religioso.

"Os apelos do Papa Francisco pela paz e pelo bem da humanidade devem ser ouvidos e apoiados por todos os seres humanos, independentemente da religião ou crença", disse ele, acrescentando: "Se quisermos derrotar o terrorismo, eu convido meus irmãos e muçulmanos a ouvir e compreender as palavras do Papa".

Fonte - Zenit

quinta-feira, 11 de dezembro de 2014

Pastores e líderes do candomblé se unem na Bahia

Encontro ecumênico na Bahia surpreende
Com cerca de 27 metros de diâmetro, a rocha conhecida como “Pedra de Xangô” fica em Salvador, entre os bairros Cajazeiras X e Fazenda Grande II. Há séculos é visitada pelos seguidores das religiões afro-brasileiras. Para eles é um local sagrado, onde depositam suas oferendas e fazem rituais.

Em novembro, um grupo de evangélicos foi acusado de pichar a pedra, despejar 200 quilos de sal grosso no local e destruir as oferendas. Isso causou revolta nos adeptos das religiões afro, que passaram a pedir o tombamento do local pelo poder público. O governo da Bahia, que é do PT, já sinalizou que assentará.

“Esse monumento aqui significa muito para o povo do axé, para o povo do candomblé, de Umbanda, que aqui cultuam suas divindades e este monumento precisa ser preservado”, disse Leonel Monteiro, da Associação de Preservação da Cultura Afro.

Uma denúncia formal foi feita ao Centro de Referência de Combate ao Racismo Nelson Mandela, localizado na capital baiana, por líderes de religião afro. Eles alegam que é um caso claro de intolerância religiosa. Nenhuma igreja evangélica foi formalmente acusada, pois não há testemunhas.

Menos de um mês depois do ocorrido, o governo baiano divulgou um ato de “solidariedade aos povos de terreiros”, com pastores que representam a Coordenadoria Ecumênica de Serviço (CESE) e do Conselho Ecumênico Baiano de Igrejas Cristãs (CEBIC) se reuniram nesta quarta-feira (10). O encontro ecumênico teve a participação do secretário estadual de Promoção da Igualdade Racial, Raimundo Nascimento.

Para surpresa de muitos, a diretora-executiva da CESE e pastora da Igreja Presbiteriana Unida, Sônia Mota, asseverou: “Precisamos assegurar que o Brasil seja um Estado laico de fato, onde todas as religiões sejam possíveis e os deputados não defendam a sua fé, mas o direito do povo brasileiro ser e existir com toda a sua diversidade”. Um verdadeiro sinal dos tempos.

Por sua vez, Mãe Branca, líder do terreiro Ilê Axé Obá Babá Xére, explica que uma oferenda feita com 5 mil quiabos será oferecido num ritual ao redor da Pedra. “Temos a necessidade de reenergizar esse altar. Já foi feito banho de ervas e agora haverá uma oferenda com o alimento que Xangô mais gosta”. Ela parece reconhecer que a ação atribuída aos evangélicos teve sérias consequências do ponto de vista espiritual.

A visita dos pastores ao terreiro, emocionou Mãe Branca. “É um acontecimento histórico para os povos de terreiro. Nunca imaginei que um dia receberia pastores em minha casa. Tenha certeza de que essa luta não será em vão”, afirmou. No final do encontro, todos deram as mãos e proferiram rezas em iorubá. A pastora, que vestia uma camiseta com os dizeres “Eu respeito as diversidades”, conduziu uma oração do Pai-Nosso. Sua postura e discurso são totalmente divergentes do que os pastores normalmente ensinam sobre as religiões afro.

Fonte - Gospel Prime

quarta-feira, 3 de dezembro de 2014

Papa no encontro Cristão-Muçulmano: o diálogo é o caminho da paz

Nesta quarta-feira dia 3 de dezembro, antes da Audiência Geral, o Papa Francisco recebeu na Sala Paulo VI cerca de 30 participantes do III Encontro de líderes cristãos e muçulmanos. Na sua saudação, o Santo Padre disse estar feliz por esta visita, que “ajuda a fortalecer a nossa fraternidade”:

“Dou-lhes as boas-vindas e agradeço-vos por terem vindo e por terem feito esta visita: eu gosto. Isto ajuda a tornar mais forte a nossa fraternidade. Agradeço-vos pelo vosso trabalho por aquilo que vós fazeis para compreendermo-nos melhor e sobretudo pela paz. Este é o caminho da paz: o diálogo. Muito obrigado, Agradeço-vos tanto.”

Também durante a catequese da Audiência Geral, o Papa contou à multidão sobre o seu breve encontro com os líderes muçulmanos dizendo: “Também eles expressaram este desejo de continuar em frente neste diálogo fraterno entre católicos, cristãos e muçulmanos”.

Estiveram presentes neste terceiro Encontro Cristão-Muçulmano o Cardeal Jean-Louis Tauran, Presidente do Pontificio Conselho para o Dialogo Inter-religioso, o Principe da Jordânia, Hassan Bin Talal, e o Ayatollah Sayyed Mostafa Mohaghegh Damad, direttor dos Estudos Islâmicos na Academia das Ciências do Irão.

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