A cena é carregada de tensão. Uma única palavra do rei poderia significar sua morte. Um gesto de rejeição encerraria sua missão antes mesmo de começar. Durante aqueles instantes, tudo parece depender da reação de um homem sentado em um trono terrestre. Então o cetro de ouro é estendido. A porta que parecia fechada se abre. O favor que Ester não podia produzir por si mesma lhe é concedido.
Entretanto, o mais surpreendente não é a aceitação do rei, mas a maneira como Ester conduz os acontecimentos. Ela não revela imediatamente seu pedido. Não denuncia Hamã naquele instante. Não tenta forçar a situação. Em vez disso, convida o rei e Hamã para um banquete. Depois, convida-os para outro. À primeira vista, sua atitude parece estranha. Mas existe uma diferença entre agir com pressa e agir segundo o tempo certo. A fé não consiste apenas em avançar quando Deus chama; consiste também em saber esperar quando Ele ainda está preparando o cenário.
Enquanto isso, Hamã deixa o palácio tomado por orgulho. Sua influência parece crescer a cada dia. Foi convidado para um banquete exclusivo com o rei e a rainha. Recebe honras, riqueza e reconhecimento. Contudo, toda essa grandeza é incapaz de satisfazer seu coração. Basta ver Mordecai recusando-se a reverenciá-lo para que sua alegria desapareça. O orgulho possui essa característica destrutiva: nunca se contenta. Quanto mais recebe, mais exige. Quanto mais cresce, mais se torna escravo da necessidade de exaltação.
O grande conflito entre o bem e o mal torna-se cada vez mais evidente. De um lado está Ester, movida por oração, dependência e submissão aos propósitos de Deus. Do outro está Hamã, consumido pelo ego, pela ambição e pelo ressentimento. Ambos ocupam posições de influência. Ambos estão próximos do trono. Mas seus corações caminham em direções opostas.
O capítulo termina com Hamã preparando a forca onde pretende executar Mordecai. Aos olhos humanos, a situação parece caminhar para uma tragédia inevitável. O inimigo parece estar vencendo. Seus planos avançam sem resistência aparente. Contudo, a providência divina frequentemente trabalha com um ritmo diferente daquele que esperamos. Quando tudo parece favorecer o mal, Deus continua conduzindo silenciosamente cada detalhe.
Ester 5 nos ensina que a fé verdadeira sabe agir e sabe esperar. Ela avança quando necessário, mas também confia quando ainda não consegue enxergar o resultado. Porque o Deus que abriu a porta diante de Ester continua governando mesmo quando os acontecimentos parecem favorecer os adversários de Seu povo.
