O inimigo sabe que dificilmente conseguirá destruir a fé de alguém de uma só vez. Por isso, muitas vezes trabalha silenciosamente através do desânimo, da dúvida e da dor. Seu objetivo não é apenas provocar sofrimento. Ele deseja distorcer nossa percepção do caráter divino, levando-nos a acreditar que Deus nos abandonou ou deixou de Se importar conosco. Foi exatamente essa batalha que atravessou a experiência de muitos servos de Deus ao longo das Escrituras.
Mas a Palavra nos conduz para uma direção diferente. Ela nos lembra que a voz do Pastor continua falando acima do ruído das circunstâncias. Enquanto o ladrão vem para roubar, matar e destruir, Cristo continua oferecendo vida abundante. Enquanto a aflição tenta convencer o coração de que tudo está perdido, Deus continua trabalhando em dimensões que nossos olhos não conseguem enxergar.
Por isso a humildade se torna tão importante. A fé madura não nasce da capacidade de controlar os acontecimentos. Ela nasce da disposição de confiar naquele que controla todas as coisas. Humildade é reconhecer que não compreendemos tudo, mas ainda assim descansar no amor daquele que compreende. É aceitar que nossa visão é limitada, enquanto a sabedoria de Deus permanece infinita.
Essa confiança é fortalecida diariamente pela Palavra. Quando as Escrituras são abandonadas, a voz do medo se torna mais alta. Quando a Bíblia é aberta, o coração volta a ouvir as promessas do Senhor. Ali descobrimos novamente que Deus não abandona Seus filhos, que Sua presença permanece nos vales escuros e que Sua fidelidade não depende das circunstâncias.
Talvez hoje sua fé esteja cansada. Talvez suas forças espirituais pareçam pequenas diante das lutas que enfrenta. Se for assim, faça a mesma oração daquele pai aflito que procurou Jesus: “Eu creio; ajuda-me na minha falta de fé”. Deus não despreza uma fé fraca que deseja crescer. Pelo contrário, Ele a fortalece.
E então acontece algo extraordinário. A mesma fraqueza que parecia ser uma derrota transforma-se em um lugar onde o poder de Deus se manifesta. A dor se torna testemunho. As lágrimas se tornam aprendizado. As cicatrizes se tornam instrumentos de consolo para outras pessoas que também caminham por estradas difíceis.
No fim, descobrimos que a maior vitória não é a ausência de tribulações. É aprender que, em cada uma delas, a graça de Cristo continua sendo suficiente.
