A cura imediatamente atraiu a atenção do povo. O homem, antes incapaz de caminhar, entrou no templo saltando e louvando a Deus. Pedro, porém, não permitiu que a multidão atribuísse o milagre à capacidade ou santidade dos apóstolos. A cura havia acontecido pela fé no nome de Jesus. O milagre tornou-se uma oportunidade para anunciar a ressurreição de Cristo e chamar o povo ao arrependimento. Pedro falou com firmeza sobre a rejeição do Salvador, mas também apresentou a esperança do perdão: “Arrependei-vos, pois, e convertei-vos, para que sejam apagados os vossos pecados.”
A pregação, entretanto, despertou oposição. Sacerdotes, saduceus e autoridades do templo ficaram perturbados porque os apóstolos anunciavam justamente aquilo que eles tentavam negar: a ressurreição de Jesus. Pedro e João foram presos e, no dia seguinte, conduzidos diante do Sinédrio. Para Pedro, aquela ocasião tinha um significado especial: diante dos mesmos círculos de poder onde anteriormente havia negado seu Mestre, agora testemunharia corajosamente a respeito dEle. A diferença estava em sua experiência de conversão. Já não confiava em si mesmo; estava cheio do Espírito Santo.
Questionado sobre o poder pelo qual o homem havia sido curado, Pedro respondeu sem hesitação: “Em nenhum outro há salvação”, afirmando que tudo havia sido realizado em nome de Jesus, aquele que os líderes haviam rejeitado, mas que Deus ressuscitara. Os membros do Sinédrio ficaram impressionados ao perceber que aqueles homens simples haviam estado com Jesus. O homem curado permanecia diante deles como uma testemunha viva que não podia ser contestada. Mesmo assim, as autoridades ordenaram que os apóstolos não falassem mais em nome de Cristo. A resposta de Pedro e João estabeleceu um princípio que atravessaria os séculos: quando a autoridade humana entra em conflito com a vontade de Deus, a fidelidade a Deus vem primeiro.
Libertados, os discípulos retornaram aos irmãos e, em vez de pedir proteção contra a perseguição, oraram por ousadia para continuar anunciando a Palavra. Deus respondeu, enchendo-os novamente com o Espírito Santo. Ellen White apresenta aqui uma das grandes lições do capítulo: a igreja não avança porque seus membros são naturalmente fortes, mas porque aprendem a depender inteiramente de Cristo. Quando essa dependência é real, oposição, ameaças e dificuldades não silenciam o testemunho — tornam-se oportunidades para revelar ainda mais claramente o poder de Deus.



















