segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Secas, inundações e alimentos

Estamos em meio a uma crise mundial de alimentos -- a segunda em três anos. Os preços mundiais dos alimentos bateram recordes em janeiro, propelidos pelas fortes altas nos preços do trigo, milho, açúcar e óleos. Essa disparada de preços exerceu efeito apenas modesto sobre a inflação dos Estados Unidos, que continua baixa sob os padrões históricos, mas tem impacto brutal sobre os pobres do planeta, que gastam a maior parte de, se não toda, sua renda na compra de alimentos básicos.

As consequências dessa crise alimentar vão bem além da economia.
Afinal, a grande questão sobre os levantes contra regimes corruptos e opressivos do Oriente Médio não é tanto que eles estejam acontecendo, mas por que estão acontecendo agora. E não resta muita dúvida de que os preços extremamente altos da comida foram um dos gatilhos importantes para que a raiva do povo fosse deflagrada.

Assim, o que está por trás do salto nos preços? Os direitistas dos Estados Unidos (e os chineses) imputam a culpa à política monetária frouxa do Federal Reserve (Fed, o banco central dos Estados Unidos), e pelo menos um comentarista declarou que "Ben Bernanke tem sangue nas mãos". Enquanto isso, o presidente francês Nicolas Sarkozy atribui a culpa aos especuladores, acusando-os de "extorsão e pilhagem".

Mas as provas apontam para uma história diferente e muito mais ameaçadora. Embora diversos fatores tenham contribuído para a disparada nos preços dos alimentos, o que realmente se destaca é até que ponto eventos climáticos severos prejudicam a produção agrícola. E esses eventos climáticos severos são exatamente a espécie de coisa que devemos esperar com as mudanças que a concentração cada vez maior de gases causadores do efeito-estufa causa em nosso clima -- o que significa que a atual disparada no preço dos alimentos pode ser apenas o começo.

É preciso considerar que, em certa medida, a disparada nos preços dos alimentos é parte de um "boom" geral no preços das commodities: os preços de muitas matérias-primas, do alumínio ao zinco, vêm crescendo rapidamente desde o começo de 2009, em larga medida devido ao crescimento industrial rápido dos mercados emergentes.

Mas a conexão entre crescimento industrial e demanda é muito mais clara para, digamos, o cobre do que para os alimentos. Exceto nos países muito pobres, a alta na renda não exerce grande efeito na maneira de comer das pessoas.

É fato que o crescimento em países emergentes como a China leva a um consumo maior de carne bovina e portanto a uma demanda mais elevada por ração animal. Também é fato que as matérias-primas agrícolas, especialmente o algodão, disputam terras e outros recursos com as safras alimentícias -- e o mesmo pode ser afirmado sobre a produção subsidiada de álcool combustível, que consome muito milho. Com isso, tanto o crescimento econômico quanto políticas de energia incorretas exerceram certa influência sobre a alta nos preços dos alimentos.

Ainda assim, eles se mantiveram mais baixos que os preços de outras commodities até a metade do ano passado. E então o tempo começou a piorar.

Considere o caso do trigo, cujos preços quase dobraram desde a metade do ano passado. A causa imediata do salto nos preços do trigo é evidente: a produção mundial do cereal caiu acentuadamente. E a maior parte dessa perda de produção, de acordo com dados do Departamento da Agricultura norte-americano, ocorreu nos países da antiga União Soviética. E sabemos o motivo: uma onda recorde de calor e seca, que levou as temperaturas de Moscou acima dos 38 graus pela primeira vez na história.

O calor na Rússia foi apenas um dos muitos eventos climáticos extremos registrados recentemente, da seca no Brasil a inundações de proporções bíblicas na Austrália, e todos eles prejudicaram a produção mundial de alimentos.

A questão passa a ser, portanto, o que explica esse clima extremo.

Em certa medida, estamos diante dos resultados de um fenômeno natural, "La Niña" -- um evento periódico que surge quando as águas do Oceano Pacífico ficam abaixo de sua temperatura normal. E eventos "La Niña" estão historicamente associados a crises mundiais de alimentos, entre as quais a de 2007--2008.

Mas isso não explica tudo. Não se deixe enganar pela neve: 2010 empatou com 2005 como o ano mais quente de todos os tempos, ainda que tenhamos passado por um mínimo solar e "La Niña" tenha sido um fator de refrigeração na segunda metade do ano. Recordes de temperatura foram batidos não apenas na Rússia como em 19 outros países, que respondem por um quinto da área terrestre do planeta. E tanto secas quanto inundações são consequências naturais de um mundo em aquecimento: as secas surgem porque a temperatura está mais alta, e as inundações porque os oceanos aquecidos liberam mais vapor de água.

Como sempre, não se pode atribuir diretamente um evento climático aos gases do efeito-estufa. Mas o padrão que temos visto, com altas extremas e clima extremo se tornando mais comuns de modo generalizado, é exatamente o que se poderia esperar em uma situação de mudança climática.

Os suspeitos usuais, é claro, enlouquecem diante de quaisquer sugestões de que o aquecimento global tenha relação com a crise dos alimentos; aqueles que insistem em que Ben Bernanke tem sangue nas mãos tendem a ser mais ou menos as mesmas pessoas que insistem em que o consenso científico sobre o clima representa uma vasta conspiração de esquerda.

Mas os indícios de fato sugerem que o que estamos vendo agora é o primeiro sinal das perturbações econômicas e políticas que teremos de enfrentar em um planeta em aquecimento. E porque não conseguimos agir para limitar os gases causadores do efeito-estufa, esse tipo de coisa acontecerá com muito mais frequência, e com muito mais gravidade, no futuro.

Fonte - Folha

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

Momento Profético #20

Em visões da noite passaram perante mim representações de um grande movimento reformatório entre o povo de Deus. Muitos estavam louvando a Deus. Os enfermos eram curados, e outros milagres eram operados. Viu-se um espírito de intercessão tal como se manifestou antes do grande dia de Pentecostes. 

(Testemunhos Seletos, vol. 3, pág. 345)

Alta dos alimentos jogou 44 milhões na pobreza

A disparada dos preços dos produtos básicos para a alimentação em todo o mundo atingiu níveis perigosos. A advertência foi feita nesta terça-feira, 15, pelo presidente do Banco Mundial, Robert Zoellick.

Em menos de um ano, desde junho de 2010, a alta dos preços dos alimentos jogou 44 milhões de pessoas na pobreza nos países em desenvolvimento.
Carestia e instabilidade

Segundo Zoellick, os preços altos dos alimentos podem complicar as delicadas condições políticas e sociais no Oriente Médio, o que na verdade já está acontecendo, uma vez que os protestos ora em curso no mundo árabe também têm sido contra a carestia.

Zoellick advertiu ainda para os perigos que a alta dos preços dos alimentos pode representar para a estabilidade da Ásia Central.

Fonte - Opinião e Notícia

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

EUA: Câmara estende poderes da Lei Patriota antiterrorista

WASHINGTON (AFP) - A Câmara de Representantes dos Estados Unidos aprovou uma extensão das atribuições da controversa Lei Patriota antiterrorista, adotada após os ataques de 11 de setembro de 2001, e que expirava no fim de fevereiro.

Por 275 votos a favor e 144 contra, os legisladores votaram por estender a vigência da lei até 8 de dezembro, depois que, há uma semana, a proposta foi rejeitada em uma votação que requeria uma maioria de dois terços na Câmara para ser aprovada.

Três grandes medidas estão em jogo: a "vigilância móvel" das comunicações de suspeitos através da interceptação de várias linhas telefônicas; a perseguição de estrangeiros suspeitos de ser "lobos solitários", ou terroristas que não respondem a nenhum grupo terrorista.

E, por último, a possibilidade de que as autoridades tenham acesso a todos os "dados tangíveis" sobre o suspeito, como os e-mails ou dados bancários particulares.

No Senado, prevê-se que o debate sobre o tema será mais complicado, já que há vários projetos de lei a respeito.

A União americana para as Liberdades Civis (ACLU, em inglês) condenou o alcance da lei por dar às autoridades atribuições "muito amplas" e fora das garantias constitucionais.

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, pressionou os legisladores para estender estas permissões até dezembro de 2013.

Fonte - Yahoo

Nota DDP: O governo mudou mas as diretivas continuam as mesmas, especialmente no que se refere à violação da constituição em suas garantias fundamentais. Para saber mais sobre o papel dos EUA na profecia, clique aqui.

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Momento Profético #19

O poder que agitou o povo tão vigorosamente no movimento de 1844 será revelado outra vez. A mensagem do terceiro anjo não será divulgada em sussurros, mas com forte voz. 

(Testimonies, vol. 5, pág. 252)

Vi que esta mensagem se encerrará com poder e força muito maiores do que o clamor da meia-noite. 

(Primeiros Escritos, pág. 278)

Crise no sistema bancário de 2008 e tendências



Parte 2
Parte 3
Parte 4


A crise bancária de 2008 tem algumas conotações interessantes e que chamam a atenção de quem estuda profecias e ao mesmo tempo entende alguma coisa de economia, escatologia, ciência política e estratégias de governo. Ela foi desencadeada por mudanças no comportamento de milhões de famílias e consumidores americanos. Eles deixaram de poupar para gastar mais que ganhavam. Além disso, os bancos resolveram emprestar a pessoas sem capacidade de endividamento do tamanho do empréstimo que fizeram. Como os juros eram baixos, muitos se endividaram além do razoável, para assim enriquecer de modo fácil. E os bancos, por sua vez, revenderam as respectivas hipotecas a outros bancos da Europa e da Ásia. As agências de risco disseram que essas hipotecas eram de primeira linha. Mas quando os devedores, super endividados, não pagaram seus compromissos, e eles foram em número altíssimo, os bancos que possuíam tais títulos podres, viram-se em aperto e alguns faliram. O mundo esteve à beira de um abismo econômico, ou seja, de uma depressão severa, que foi evitada com o aporte de quase U$12 trilhões de dinheiro público da parte de nações ricas. Isso contribuiu para que a dívida pública dessas nações aumentasse, e hoje temos países ricos, pela primeira vez na história da humanidade, exageradamente endividados. A tendência para a próxima crise, que pode ser a última, é a terceira depressão econômica, quando países ricos decretarem moratória, ou se ocorrer algo parecido, e isto é outro fato inédito no mundo. Isso pode ocorrer por volta do decreto dominical. Enfim, o cenário final está se estruturando, e JESUS está cada vez mais próximo de retornar. É o que se aborda nessa importante palestra.

Fonte - Cristo Voltará

"O Remanescente"

Clifford Goldstein, editor das Lições da Escola Sabatina desde 1999 e autor de 18 diferentes livros, disse que se houvesse um desses livros que ele especialmente recomendasse a leitura, seria "O Remanescente - Realidade Bíblica ou Desejo Imaginário?". Acabo de ler esta obra e percebo bem o porquê...

sua boa maneira, Clifford Goldstein não é propriamente um autor de escrita convencional (nem o seu discurso o é como palestrante). Alguns talvez lhe chamariam de irreverente e inoportuno; para mim, reconheço-lhe uma perspicácia audaz, uma clareza desconcertantee um compromisso apenas com o que é a verdade, sem demasiada preocupação com efeitos colaterais. E é tudo isso e muito mais que ele transporta para esta brilhante obra.

Reconfirmei a minha certeza de que há muito não estamos em tempos de palavrinhas mansas que se acomodam confortavelmente no nosso raciocínio, mas que não apelam para a urgência dos tempos (e este livro já foi escrito em 1994). Goldstein, com um sentido positivamente crítico altamente apurado, avalia criteriosamente o estado na nossa Igrejasob a perspetiva única que temos ao nos anunciarmos como o último remanescente da História da Terra.

Para tal, ele analisa o conceito de remanescente de Deus desde a sua origem, bem lá remotamente no tempo, cerca de 16 séculos depois da Criação, até aos tempos atuais, em que um povo errante, cheio de falhas e vidas poluídas pelo pecado, muitas vezes horrível, se ergue com essa mesma pretensão. Pelo meio, percorre a história bíblica, em particular a do(s) povo(s) escolhidos(s), traçando uma linha constante e regular que permite perceber que, afinal, o tempo passa e nada muda do que ao comportamento humano diz respeito,incluindo o do povo de Deus.

Contudo, ainda que o erro humano seja um fator comum a qualquer era da História, um outro fator mais elevado também é provado e assumido como indiscutívelDeus tem sempre um remanescente! Nunca as desgraçadas falhas do homem (que tantas vezes foram piores entre o povo de Deus no que entre aqueles que não o eram...) anularam este propósito divino!

Mas, e esta noção será, porventura, um dos pontos altos do livro, a riqueza do nosso movimento profético, da nossa Igreja, não é a igreja em si, mas sim a mensagem (ou verdade presente) final de Deus a este mundo que carregamos e temos obrigação de pregar.

Goldstein deixa bem claro que, conforme o ensinamento bíblico e a posição historico-doutrinária desta Igreja, não há melhor alternativa (nem sequer existe outra...); ora, isto não faz de nós melhores do que os não Adventistas - aliás, o autor explana de forma a percebermos que se os Adventistas não são iguais aos outros, é porque são piores... - mas simdiferentes, com um propósito específico, uma mensagem e missão distintas! Por isso é que sabemos que entre as outras religiões se encontram milhares e milhares que tomarão posição nesta igreja - não porque os seus membros são perfeitos e justos, mas pela mensagem, pela verdade que partilhamos!

E para demonstrar isso mesmo, ele não hesita em dizer que, quando se levantarem as perseguições finais a este povo escolhido, muitos serão lançados nas prisões não tanto pela fé, mas porque há muito lá deveriam estar...

Contudo, é mais do que certo que esta Igreja permanecerá até ao fim; o que resta saber, équem fará parte dela. Porque muitos dos atuais membros sairão; mas ainda um número maior do que esse, se juntará a ela. E esta urgência apenas remete para a decisão individual, sem esperar que a igreja se mexa coletivamente - até porque, isso nunca sucederá...

Talvez eu deva terminar fazendo uma sugestão semelhante à do autor, com a qual iniciei: entre os livros que já tive oportunidade de ler, este é um dos primeiríssimos a ser recomendado!

Nota: para descarregar uma apresentação PowerPoint com o título 'O Remanescente na História Bíblica' (preparada pelo Pr. Paulo Cordeiro) que inclui vários excertos do deste livro, clique aqui (e depois em 'Click here to start download').


Fonte - O Tempo Final

"Pobres"



FAQ

A música que agrada ao Céu

“Crer e observar tudo quanto ordenar; / O fiel obedece ao que Cristo mandar.” Algum tempo atrás, em meu devocional, deparei-me com uma lembrança importante: somos chamados “filhos de Deus”. Pus-me, então, a pensar na grande responsabilidade que me pesa nos ombros conhecer e aplicar essa realidade. Filho de Deus! Ele, que tem sob Seu comando todo o Universo, Se preocupa comigo, um insignificante pecador, tão pequeno ante a magnitude da obra criada pelo Pai... Sim, Ele é nosso Pai! Ele Se preocupa com Seus filhos. Por isso, deixou importantes recomendações para nossa proteção e referência. Cabe a nós, como filhos obedientes, prestar atenção a todos os sábios conselhos deixados com um amor infinitamente maior do que o de um pai terrestre.

Mas o assunto é Música. Por que começar um artigo sobre esse assunto dessa forma? Fácil. Somos desobedientes. Somos egoístas. Mas por que somos assim? Isso também é fácil. O inimigo de nossas almas não nos quer obedientes. Aliás, o significado de “alma” (nephesh, no original hebraico) é entidade provida de personalidade e escolha. Só que escolhemos mal. Deus deseja que tenhamos condições de aprimorar nossa personalidade através de escolhas prudentes, alicerçadas nas instruções paternas à nossa disposição.

Tenho ciência da imensa dificuldade de escrever para irmãos meus que têm bastante conhecimento musical. Também tenho ciência da existência de músicos “tradicionais”, “moderados” e “liberais”, termos esses criados não faz muito tempo, para “diferenciar” um músico do outro. Mas tenho ciência do mais importante: só há dois caminhos – um certo e um errado. Quanto a isso, por incrível que pareça, todos concordam. Porém, há uma condição: “Não mexam em minha música!”

Por que deve prevalecer a minha vontade, e não a de Deus, se, quando sou batizado, faço o seguinte voto: “Conheço e compreendo os princípios bíblicos fundamentais, conforme ensinados pela Igreja Adventista do Sétimo Dia”, e “é meu propósito, pela graça de Deus, cumprir Sua vontade, ordenando minha vida de acordo com esses princípios”?

Talvez seja necessária uma oração ao Pai agora, pedindo-Lhe iluminação e submissão, porque, na verdade, muito do que temos oferecido como louvor não passa de estratagemas do inimigo por conta de seus intentos em ampliar ao máximo a apostasia iminente entre o povo escolhido por Deus.

Lúcifer foi criado e dotado com os mais excelentes recursos musicais jamais imaginados pelo homem. Ele dava apenas uma nota e todo o coro angelical se punha a cantar. Isso, para os que dirigem grupos vocais, é realmente difícil. Só um grupo muito bem treinado poderia desenvolver tal recurso. E ele tinha mais: era um querubim cobridor, além de estar apenas abaixo de Deus e Jesus, no Céu. Mas ele queria ainda mais. Olhou para si, desenvolveu o egoísmo e almejou um lugar de mais destaque. E foi expulso do Céu, com todos os anjos por ele enganados. Alguém disse, uma vez, que Satanás hoje é o maior músico na face da Terra. E é verdade. Ele realmente sabe de tudo, e certamente usará a música para procurar enganar a você e a mim.

Mas, se há realmente um interesse especial de Deus quanto à música praticada por nós, como ela deve ser, se há somente o certo e o errado?

Em primeiro lugar, o Manual da Igreja nos diz que “grande cuidado deve ser exercido na escolha da música. Toda melodia que pertença à categoria dojazzrock ou formas correlatas, e toda expressão de linguagem que se refira a sentimentos tolos ou triviais, serão evitadas. Usemos apenas a boa música, em casa, nas reuniões sociais, na escola e na igreja” (p. 180). Isso significa que a liderança da Igreja Adventista do Sétimo Dia desaprova qualquer tipo de música que nos faça lembrar os ritmos musicais descritos acima. Mas por quê?

Ellen G. White escreveu, em seu livro Patriarcas e Profetas, que “a música faz parte do culto a Deus nas cortes celestiais, e devemos esforçar-nos, em nossos cânticos de louvor, por nos aproximar tanto quanto possível da harmonia dos coros celestiais. O devido treino da voz é um aspecto importante da educação, e não deve ser negligenciado. O cântico, como parte do culto religioso, é um ato de adoração, da mesma forma que a prece. O coração deve sentir o espírito do cântico, a fim de dar-lhe a expressão correta” (p. 594).

São várias as aplicações que podemos retirar desse texto. A primeira é, sem dúvida, a mais questionada pelos músicos da atualidade. Aliás, devo dizer-lhe que uma ordem divina não deveria ser questionada, mas aceita e incorporada à nossa vontade. Estaremos dispostos a isso? Pergunta-se por aí: “Mas como é a música no Céu? Que referência existe na Terra para nos servir de parâmetro?” Com profundo amor, meu amigo, gostaria de sugerir que pegue seu CD (ou DVD) preferido, coloque em seu aparelho e o ponha para tocar. Agora, feche os olhos, e imagine seu anjo cantando no lugar daquele(a) cantor(a). Procure imaginá-lo sentado junto a uma bateria, marcando fortemente o ritmo, de preferência contrário ao ritmo natural que toda música tem. Mais ainda, esforce-se para visualizar seu anjo protetor, representante divino e seu melhor amigo, tendo dificuldade para ir para casa porque seus fãs querem tirar uma foto, ter seu autógrafo, comprar seu CD pop-gospel (lançamento)... Você consegue realmente imaginar essas cenas? Se não consegue, por favor, admita: a música praticada por você não é para agradar a Deus, mas para alimentar seu ego, agradando o inimigo de nossas almas.

Uma segunda aplicação é que a irmã White fala da harmonia dos coros celestiais. Pergunto: harmonia e coro são palavras adequadas para identificar a prática do solo nos cultos que apresentamos a Deus atualmente? Aliás, a irmã White nos orienta que devemos evitar essa prática. Por que se insiste tanto em questionar ordens dadas por Deus, aquele a quem dizemos que direcionamos nosso “louvor”?

Terceiro, se o pastor, separado para um ministério específico, antes de assumir o púlpito, faz curso de oratória, homilética, teologia bíblica, hebraico e grego, entre tantos outros, a fim de apresentar seu sermão de forma clara e buscando alcançar uma alma sedenta pela verdade, por que a música pode ser apresentada sem preparo técnico nem (e principalmente) espiritual? Sei o que estou falando. Já vi a atitude de muitos que afirmam ser usados por Deus: ao serem anunciados para ir à frente, levantam-se sorrindo, na passagem sorriem para outros, como a dizer: “Agora é a minha vez!” E quando terminam, nem sentam de novo para participar da adoração como todos fazem. Precisam divulgar seu “trabalho” (em pleno sábado...) para as pessoas. Não me interprete errado, mas pensei que a música servisse para ensinar doutrina... Que ela deveria ser uma benção tanto quanto um excelente sermão... E ainda justificam suas práticas afirmando que Deus sabe o que está no coração. E como isso é o mais importante, não importa a forma como se deve adorar...

Devemos ter consciência de que Deus sabe de nossas capacidades e de nossas limitações. Mas Ele sabe também que está à nossa disposição toda a orientação divina publicada quanto à adoração. Cabe a nós ser humildes o suficiente para reconhecer nossas limitações e buscar o conhecimento necessário para um louvor aceitável.

Irmão, leia o que a própria escritora falou em outra oportunidade: “Tenho ouvido em algumas de nossas igrejas solos completamente inadequados ao culto na casa do Senhor. As notas prolongadas e os floreios, comuns nas óperas, não agradam aos anjos. Eles se deleitam em ouvir os simples cânticos de louvor entoados em tom natural. Unem-se a nós nos cânticos em que cada palavra é pronunciada claramente, em tom harmonioso. Eles combinam o coro, entoado de coração, com o espírito e o entendimento” (Evangelismo, p. 510).

As expressões abaixo, sua definição e aplicação são um forte auxílio para que compreendamos os motivos para a orientação recebida do Céu.

Ad libitum. Essa expressão aparece na partitura de algumas óperas e outras formas musicais. Refere-se principalmente às partes dos solistas, nas quais eles têm liberdade de interpretação, aparte da contagem rítmica. As notas musicais (sons definidos, com nome e altura) podem ser identificadas nesse tipo de recurso vocal. É o que chamamos coloratura. Em geral, isso faz com que o solista seja exaltado pela plateia porque ele pode mostrar ali todo o seu virtuosismo. Ou seja, ato egoísta. Meu caro, veja se isso não se assemelha à prática, infelizmente, muito comum em nossas mais diversas reuniões, denominada melisma. Nesse recurso, pior ainda, não há a possibilidade de identificarmos as notas musicais. Entendo que muitas vezes as pessoas não conseguem alcançar notas mais agudas, por isso fazem uma pequena curvatura nelas, até as definirem. Mas se não alcançam, por que não experimentam cantar aquelas músicas que sabem que não precisarão de um “jeitinho”? Aliás, esse jeitinho já virou, como disse certa vez um amigo, um “contorcionismo vocal”. Devo dizer que é difícil imaginar os anjos cantando dessa maneira. Se cada palavra deve ser pronunciada claramente, em tom harmonioso, para que serve o melisma?

Alguns afirmam ainda que se adéquam ao mercado atual. Deus precisa disso? Deus precisou se adequar aos Seus filhos, ou Ele deu ordens específicas de como deveria ser o serviço “aceitável ao Senhor”? A única coisa de Deus que conheço é que “Eu, porém, não mudo”. Quem somos nós, então, para querermos mudar as coisas que Ele criou? Sabe o que Deus pensa, quando agimos assim, com arrogância e autossuficiência? A resposta encontramos em Amós 5:21 e 23: “Odeio, desprezo as vossas festas, e as vossas assembleias solenes não Me exalarão bom cheiro. Afasta de Mim o estrépito dos teus cânticos; porque não ouvirei as melodias das tuas violas.”

Quero lhe deixar alguns conselhos. Atenda ao chamado de Cristo, quando disse: “Ide por todo o mundo, pregai o evangelho a toda criatura.” Mas, se você não consegue fazê-lo da forma como sabe ser o que Deus espera, então procure outra atividade, como auxiliar na instrução dos desbravadores; ofereça-se para ajudar no diaconato, no trabalho missionário, na assistência social... Trabalho para todos não faltará, até que Ele venha.

“A maior necessidade do mundo é a de homens – homens que não se comprem nem se vendam; homens que no íntimo da alma sejam verdadeiros e honestos; homens que não temam chamar o pecado pelo seu nome exato; homens cuja consciência seja tão fiel ao dever como a bússola o é ao pólo; homens que permaneçam firmes pelo que é reto, ainda que caiam os céus” (Educação, p. 57)

Nesse mesmo livro, na página 40, a irmã White nos diz que “aqueles que desejam comunicar verdade, devem por sua vez praticar seus princípios. Apenas refletindo o caráter de Deus na retidão, nobreza e abnegação de sua vida, poderão eles impressionar os outros”.

As escolas dos profetas foram uma instituição divina, e “os principais assuntos nos estudos destas escolas eram a lei de Deus, com as instruções dadas a Moisés, história sagrada, música sacra e poesia. [...] Não somente se ensinava aos estudantes o dever da oração, mas eram eles ensinados a orar, a aproximar-se de seu Criador e ter fé nEle, compreender os ensinos de Seu Espírito, e aos mesmos obedecer” (ibidem, p. 47).

Não sejamos como Jonas. Temos instruções claras do que devemos fazer. O fim está muito próximo para querer experimentar outros caminhos. Não é mais tempo de “novas tendências”. Os marcos antigos devem ser restaurados, e não reformados. A reforma deve ser feita, sim, em nosso coração. Estamos nós dispostos a isso?

(Aurélio Ludvig é professor de Educação Musical no Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Amazonas [Ifam]. Passou a infância em Novo Hamburgo, RS, e hoje é membro da Igreja Adventista de Cachoeirinha, em Manaus, AM. É pianista congregacional e dirige um grupo musical feminino)

Fonte - Michelson Borges

domingo, 6 de fevereiro de 2011

Related Posts with Thumbnails