domingo, 4 de setembro de 2011

Os quatro pilares do sistema global estão se desfazendo ao mesmo tempo

Autor: Thomas Friedman, editor do The New York Times


Segurem os seus chapéus e carteiras. Desde o fim da Guerra Fria, o sistema global vem se mantendo coeso em grande parte devido a quatro acordos críticos. Atualmente todos os quatro estão se desfazendo ao mesmo tempo e precisarão ser reconstruídos. Se e como será feita tal reconstrução – começando pelos Estados Unidos – é o que determinará em grande parte o que conterá a nossa carteira e se o nosso chapéu sairá ou não voando.

Bem, vou colocar a situação de forma bem direta: a União Europeia está se fragmentando. O mundo árabe está desmoronando. O modelo de crescimento da China está sob pressão e o modelo de capitalismo dos Estados Unidos, movido pelo crédito, sofreu um ataque cardíaco de advertência e necessita passar por uma total reavaliação.


Promover uma reforma de um só desses fatores já seria uma tarefa enorme. Mas implementar as quatro ao mesmo tempo – em um momento no qual o mundo se encontra mais interconectado do que nunca – seria algo simplesmente extraordinário. Nós nos vemos novamente “presentes na criação” - mas na criação do quê?

Comecemos pelo Oriente Médio, o poço de petróleo do mundo. Os líbios acabam de se juntar aos tunisinos, egípcios e iemenitas na derrubada dos seus ditadores, enquanto os sírios e os iranianos esperam seguir esse exemplo em breve. Com o tempo, praticamente todos os autocratas do Oriente Médio serão depostos ou obrigados a compartilhar o poder.

O velho modelo não tem como se sustentar. Tal modelo baseava-se em reis e ditadores militares que se apossavam das receitas oriundas do petróleo, entrincheirando-se no poder – protegidos por exércitos e serviços de segurança bem financiados – e comprando segmentos chaves das suas populações. A tampa que escondia essas práticas foi arrancada explosivamente por uma rebelião da juventude árabe que atualmente pode ver como todos os demais estão vivendo e que não aceita mais prontamente ser deixada para trás, não receber educação, ficar desempregada, ser humilhada e viver em estado de impotência.

Mas embora esse velho sistema do Oriente Médio – baseado em um punho de ferro e na manipulação de petrodólares para manter coesas sociedades multiétnicas e multirreligiosas – tenha se fragmentado, levará algum tempo para que essas sociedades redijam os seus próprios contratos sociais para determinar como elas viverão sem que haja um punho de ferro controlando-as a partir de cima. Esperem o melhor, mas preparem-se para tudo.

Mais ao norte, a União Europeia e da zona do euro constituíam-se em uma boa ideia, que poderia ser exposta da seguinte forma: teremos a partir de agora uma união monetária e uma moeda comum, mas deixemos que cada um administre a sua própria política fiscal, contanto que eles prometam trabalhar e poupar como os alemães.

Ah, mas isso era muito bom para ser verdade. Grandes programas de welfare (Estado de bem-estar social) em alguns países europeus, sem contar com as rendas oriundas da produção local para financiá-los, acabaram levando a uma montanha de dívida – dívida que são, em sua maioria, propriedade de bancos europeus – e, a seguir, a uma revolta dos credores.

Os produtores e poupadores do norte da Europa estão agora costurando um novo acordo com os gastadores – os chamados PIIGS: Portugal, Itália, Irlanda, Grécia e Espanha. É improvável que os alemães simplesmente pulem fora da União Europeia, já que uma grande parcela das suas exportações se destina a esses países que gastam demais e que não são competitivos. Em vez disso, os europeus do norte estão tentando impor aos PIIGS uma disciplina mais rígida e baseada em regras.

Mas que quantidade de medidas austeras esses países seriam capazes de absorver, especialmente se houver mais estresse social devido a recessões profundas? Não serão apenas os londrinos que sairão às ruas. De uma maneira ou outra, a União Europeia ficará menor ou mais rígida, mas nesse processo ela poderá passar por uma transição caótica e traumática que ainda não foi contabilizada em termos de mercado.

Seguindo para o leste, a China tem se baseado em um modelo construído sobre uma moeda deliberadamente desvalorizada e em um crescimento liderado pela exportação, com baixo consumo doméstico e alto nível de poupança. Isso permitiu ao Partido Comunista chinês sustentar um acordo único com o seu povo: nós lhes daremos empregos e melhores padrões de vida, e vocês nos darão o poder.

Mas agora esse acordo está ameaçado. O desemprego persistente nos mercados norte-americanos e europeus da China está fazendo com que o modelo de Pequim, baseado em uma moeda desvalorizada, no baixo consumo e no alto índice de exportação, se torne menos sustentável para o mundo.

A China também precisa enriquecer antes que envelheça. Ela precisará sofrer uma mudança de uma situação em que os dois genitores poupam para um filho, para outra em que um filho pagará pela aposentadoria dos dois genitores. Para fazer isso, o país precisará fazer uma transição de uma economia baseada na montagem, na cópia e na manufatura para outra baseada no conhecimento, nos serviços e na inovação. Isso exigirá maior liberdade e mais Estado de direito, e já é possível presenciar uma demanda crescente por isso. Alguma parte terá que ceder na China.

Quanto aos Estados Unidos, nas últimas décadas nós prosperamos com uma economia guiada pelo consumo e pelo crédito, por meio da qual nós sustentamos uma classe média com a utilização de mais esteróides (crédito fácil, hipotecas subprime e construção civil) e menos criação de músculos (educação, criação de qualificação profissional e inovação). Isso nos lançou em um enorme buraco, e, agora, a única forma de sairmos dele é por meio de políticas novas e híbridas que misturem cortes de gastos, aumento de impostos, reforma cambial e investimentos em infraestrutura, educação, pesquisa e produção.

Mas essa mistura não se constitui na agenda de nenhum dos dois partidos. Existem as seguintes possibilidades: ou os nossos dois partidos encontram uma maneira de colaborar em uma postura de centro em relação a essas novas políticas híbridas, ou um terceiro partido emergirá – ou então a nossa atual situação de estagnação e sofrimento só piorará.

Em um momento no qual o mundo experimenta tantas mudanças drásticas ao mesmo tempo – em uma situação que já é caracterizada por um alto nível de desemprego e por economias fracas –, a necessidade de que os Estados Unidos, o mais importante de todos os pilares, sejam sólidos como uma rocha é maior do que nunca. Se não nos organizarmos – algo que exigirá uma ação coletiva que normalmente está reservada para períodos de guerra –, nós não estaremos apenas prolongando uma crise norte-americana, mas também alimentando uma crise global.

Fonte: UOL (colaboração: Cléo de Castro)

Nota O Tempo Final: Mundo árabe sendo alterado? Europa desunida? EUA assumindo papel de mais importante pilar mundial? Oh, como cada vez aprecio mais a mensagem Adventista...

E, já agora, um pormenor a propósito deste artigo que coloquei há dias: reparou como Friedman também aponta o regime iraniano (juntamente com o sírio) como o próximo a seguir o exemplo do Egito e da Líbia? E que todos os outros regimes autocratas cairão?!... Revelador, sem dúvida!

sexta-feira, 2 de setembro de 2011

Terremoto na Argentina provoca tremores no Paraná

Um terremoto com epicentro no norte da Argentina provocou tremores no interior do Paraná, na manhã desta sexta-feira, em pelo menos duas cidades das regiões oeste e norte do Estado.

As ocorrências foram sentidas por volta das 11h, segundo o Corpo de Bombeiros de Maringá (no norte do Paraná) e de Cascavel (região oeste).

Em Maringá, um prédio comercial no centro da cidade chegou a ser desocupado, por iniciativa dos funcionários, após os tremores. Os moradores relataram ter visto mesas e pequenos objetos se mexendo.

Pouco depois, porém, a Defesa Civil e os bombeiros informaram que não havia danos na estrutura, e o edifício foi ocupado novamente.

Segundo o Corpo de Bombeiros, nove chamados foram registrados na cidade por causa do terremoto. Não houve danos materiais.

Em Cascavel, os tremores foram de menor intensidade, segundo os bombeiros. Os moradores disseram apenas que tiveram sensações de tontura e labirintite. Também não houve danos materiais.

Segundo o Observatório Sismológico da UnB (Universidade de Brasília), o epicentro do terremoto foi na província de Santiago del Estero, no norte da Argentina, a 600 km de profundidade. O abalo ocorreu por volta das 10h50 e atingiu 6,4 na escala Richter.

Fonte - Folha

Nota DDP: Veja também "Terremoto de 7,1 na escala Richter atinge o Alasca".

"O Princípio do Fim"

O Pr. Rafael Rossi nasceu em São Paulo no ano de 1979. Casado com a Profa. Ellen Nara de Souza Rossi, tem duas filhas: Giovana e Mariana. Formado em Teologia no UNASP-EC em 2000, pós-graduado em Aconselhamento pela UNISA em 2004 e em 2010 concluiu o Mestrado em Teologia Pastoral. Iniciou o seu ministério na Associação Paulistana em 2001 como instrutor bíblico na equipe de evangelismo. Em 2003 e 2004 foi pastor do distrito de Vila Assunção em Santo André. Em 2005 e 2006 pastor da igreja do Jardim América – Jacareí. No ano de 2007 foi nomeado evangelista e diretor do Ministério da Saúde da Associação Paulista do Vale, função que ocupou até agosto de 2009 quando foi nomeado evangelista da União Central Brasileira.

Nesta série de palestras o Pr. Rossi explora os temas abaixo enumerados, que podem ser acessados em formato de áudio para download e vídeo, no tema "O Princípio do Fim": 

01) - 110401 Desvendando o Traidor (Vídeo)
02) - 110402 Desvendando o Plano (Vídeo)
03) - 110403 Desvendando a Data (Vídeo)
04) - 110408 Desvendando a Morte (Vídeo)
05) - 110409 Desvendando as 7 Pragas (Vídeo)
06) - 110410 Desvendando o Juízo Final (Vídeo)


Outras séries de Estudos Proféticos podem ser acessados aqui.

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

Risco de quebra nos EUA é maior do que antes da crise

O risco de quebra do sistema financeiro dos EUA ainda é maior do que antes da crise iniciada com a falência do banco Lehman Brothers, em 2008, advertiu Robert Engle, que ganhou o Nobel de Economia em 2003 por cálculos que permitem prever o retorno de investimentos.

"A alavancagem não foi reduzida nem para os níveis anteriores à crise", disse, referindo-se à relação entre o dinheiro que está emprestado e o capital dos bancos (quanto maior essa relação, mais risco).

Em palestra na EPGE (Escola de Pós-Graduação em Economia) da FGV do Rio, Engle apresentou as equações desenvolvidas por sua equipe na Escola Stern de Negócios da Universidade de Nova York para medir o risco sistêmico de instituições financeiras.

As tabelas que podem ser consultadas no site http://vlab.stern.nyu.edu incluem um ranking de risco encabeçado pelos bancos Bank of America, Citibank e JP Morgan. Se houvesse outra crise bancária hoje, disse Engle, só o Citibank precisaria de US$ 200 bilhões do governo americano.

O Nobel insistiu na necessidade de regulação do mercado financeiro para evitar novas crises, e lamentou o atraso na implementação da Lei Dodd-Frank, aprovada pelo Congresso americano para aumentar a vigilância sobre os bancos.

"Faltam cerca de 500 regras que têm que ser escritas pelas agências regulatórias. Todos estão trabalhando muito duro, mas são regras complicadas e há muito lobby acontecendo."

Para o economista, o cenário político vem impedindo o governo dos EUA de adotar qualquer política forte para superar os efeitos na economia real da quebra bancária de 2007 e 2008. "Há uma parte do Partido Republicano que acha que, quanto pior a economia estiver, melhor será seu desempenho nas próximas eleições. Isso é uma receita para não haver acordo."
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Fonte - Folha

"No templo cristão"

Qual a melhor música para louvar a Deus? Essa pergunta tem suscitado muitos debates e mesmo polarização nas igrejas. Com a intenção de dar sua contribuição, a professora Jenise Torres (graduada em Letras e em Música pela Universidade Federal do Rio de Janeiro e pós-graduada em Tecnologia Educacional também pela UERJ), organizou uma coletânea com textos de vários autores de peso e a publicou em forma de livro com o título No Templo Cristão (70 páginas). A apresentação é do conhecido pastor Horne Pereira da Silva e os capítulos são de autoria de Gerson Gorski Damaceno (doutor em Educação Musical pela University of Cincinnati, diretor do Conservatório Internacional de Música em Itararé, SP, e maestro do Coral Interdenominacional de Itararé), Eurydice Osterman (doutora em Arte Musical pela University of Alabama), David Tame (musicólogo), Terry Law (pregador e escritor), John Blanchard (professor e escritor), Samuele Bacchiocchi (doutor em Divindade pela Andrews University e doutor em História da Igreja pela Pontificial Gregorian University, do Vaticano), David Lattore (pianista e organista, especializado em jazz, blues, rock e gospel) e Helio Pothin (doutor em Fisiologia Humana pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul e professor de Fisiologia Humana na Universidade Federal de Santa Maria, RS).

Logo de início, Damaceno pontua, revelando o tom da obra: “Dentro dos templos cristãos, em muitos casos, as mensagens musicais são consideradas como ferramentas auxiliares no ritual do culto, quando na realidade elas são o próprio cultuar do Criador. Portanto, é preciso haver uma séria preocupação com o tipo de música usado no templo para tal adoração.”

O livro foi organizado tendo em vista essa preocupação, e vale a pena ser lido, independentemente de sua opinião a respeito do tema.[Michelson Borges]

Mais informações pelo e-mail jentorres@bol.com.br

Nota DDP: O livro pode ser acessado através do site "Música e Adoração"

terça-feira, 30 de agosto de 2011

Política sob prisma do fundamentalismo cristão

A pouco mais de um ano das eleições presidenciais nos EUA, a religião se transformou em um fator decisivo entre os candidatos republicanos. O presidente Barack Obama, que se apresenta à reeleição em novembro de 2012, atravessa um de seus momentos mais baixos nas pesquisas de popularidade. Este fato, junto com a lentidão da recuperação econômica, deu asas a todo tipo de candidato republicano. Em junho começou a enxurrada de candidaturas conservadoras. Entre elas há protestantes dos ramos batista, luterano, metodista e evangélico; há católicos e há mórmons. Ainda há espaço para mais.

Em 1º de novembro vence o prazo para registrar-se para as primárias na Carolina do Sul, e são as primeiras que encerram a inscrição. Até esse dia podem se apresentar políticos que ainda não descartaram a nomeação, como a ex-governadora do Alasca Sarah Palin, associada no passado à fé pentecostal. As primárias começarão formalmente com os cáucus [reuniões intrapartidárias] de Iowa, que estão programados em princípio para 6 de fevereiro.

Se nas eleições nacionais os candidatos apelam para os eleitores moderados e independentes, nas primárias deverão conquistar o núcleo duro de eleitores de seu partido. Por isso, o campo republicano é neste momento um rosário de credos cristãos extremos. E o fundamentalismo cristão está presente com força notável nos três aspirantes mais bem colocados para ser os adversários de Obama na corrida pela Casa Branca: a congressista Michele Bachmann, evangélica luterana que transformou os cargos que ocupou em altares dos quais combate o casamento gay; o governador do Texas, Rick Perry, abertamente contrário à separação entre Igreja e Estado; e o ex-governador de Massachusetts Mitt Romney, um pouco mais moderado, mas que provoca receios entre os eleitores protestantes porque é mórmon.

Esses candidatos cortejam o movimento ultraconservador Tea Party, que já demonstrou sua força em 2010 ao colocar numerosos representantes nas primárias legislativas e devolver ao Partido Republicano a maioria em uma das Câmaras do Congresso. Sua força foi crescendo desde então. Há apenas duas semanas esteve prestes a colocar os EUA à beira da moratória por se negar a aumentar o teto de endividamento público, contrariando o critério dos líderes moderados republicanos.

O Tea Party, que é a chave das primárias, nasceu em 2009 como reação ao crescente poder do governo central. Defende medidas drásticas como o corte dos programas de ajuda social e a eliminação dos impostos. Mas estudos recentes demonstram que nem tudo em seu ideário é política fiscal. Concretamente, os professores Robert Putnam, da Universidade Harvard, e David Campbell, de Notre-Dame, concluíram em uma pesquisa de cinco anos entre 3 mil eleitores que, além de ser um movimento com tons xenófobos, se dedica a colocar líderes altamente religiosos no governo. O Tea Party quer que a fé seja política e que o governo também seja de Deus.
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Fonte - UOL

Pré-candidata republicana diz que furacão foi recado de Deus a Washington

A pré-candidata às eleições presidenciais de 2012 nos Estados Unidos pelo partido republicano Michelle Bachmann disse que o furacão Irene foi um recado de Deus a Washington. Segundo ela, a natureza está dando um recado ao atual governo para que este mude suas políticas públicas e se esforce em diminuir os seus gastos.

"Eu não sei o que mais Deus tem que fazer para atrair a atenção dos políticos. Tivemos um terremoto (que aconteceu na última terça-feira, na costa leste do país) e um furacão. Ele diz 'vocês vão começar a me ouvir agora?'", declarou Michelle ao jornal St. Petersburg Times.

Michelle Bachmann faz parte do Tea Party, grupo mais conservador do partido republicano que tem feito críticas constantes ao desempenho do governo de Barack Obama. Ela foi uma das principais opositoras ao plano de elevação do teto da dívida pública norte-americana.

O "recado divino" a que se referiu Michelle, o furacão Irene, passou pela costa leste dos Estados Unidos deixando pelo menos 18 mortos e prejuízos que podem chegar a sete bilhões de dólares. A tempestade também afetou regiões da costa oeste, como Nova York e Washington.

Fonte: EXAME

NOTA Minuto Profético: Segundo matéria do jornal El País (29/08/2011), os principais pré-candidatos republicanos à corrida presidencial nos EUA defendem uma mistura de política e religião. O maior perigo, sem dúvida, fica por conta daqueles que defendem abertamente o fim da separação entre Igreja e Estado - é o caso do atual governador do Texas Rick Perry. Na verdade, a elite mundial ocultista domina os dois partidos majoritários dos EUA. Traduzindo: seja o partido Democrata ou seja o Republicano o vitorioso na campanha presidencial em 2012, os planos para a Nova Ordem Mundial continuarão sendo implementados. Talvez, a única escolha possível para os norte-americanos que possa frear esse processo seja a indicação do senador Ron Paul, que sendo conservador, segue a cartilha dos Pais Fundadores e defende a separação entre Igreja e Estado, e o fim do cartel dos bancos privados (É bom lembrar que o último presidente norte-americano que teve coragem para fazer isso foi assassinado). Sobre a declaração da pré-candidata Michele Bachmann postada acima vale dizer que é algo certo dito pela pessoa errada com a intenção errada. Explicando: realmente Deus permite que as forças da natureza se manifestem com o fim de despertar a humanidade de sua letargia espiritual (Is 30:30). Mas esse discurso religioso jamais deve ser usado por políticos cujos interesses óbvios envolvam também acabar com a saudável separação entre Igreja e Estado.

2011: ano recorde de desastres naturais nos EUA

Segundo estimativas preliminares, o furacão Irene muito provavelmente será um desastre de 10 bilhões de dólares (16,12 bilhões de reais), quebrando recorde de 2008 para prejuízo de desastres por ano. Entre as enchentes de verão, tornados, tempestades e secas, 2011 já acumulou nove desastres naturais que custaram pelo menos 1 bilhão de dólares (1,61 bilhões de reais) cada. Se as estimativas de danos estiverem certas, Irene seria um recordista. Nos EUA, conforme o furacão deixou um rastro que começou nas Carolinas na sexta-feira (26 de agosto), como uma tempestade da categoria 2 com ventos de até 169 quilômetros por hora, matou pelo menos nove pessoas [dados mais recentes dão conta de que 33 pessoas morreram] – cinco na Carolina do Norte, três na Virgínia e uma na Flórida. Até o fim da noite de domingo, passando por Nova York, deveria ser rebaixado à categoria de tempestade tropical, graças a seu contínuo enfraquecimento. Já na quinta-feira, a agência de notícias Bloomberg informou que o risco estimado que o furacão podia causar custaria 13,9 bilhões de dólares (22,41 bilhões de reais) em perdas seguradas e 20 bilhões de dólares (32,24 bilhões de reais) em perdas econômicas totais, se fatores como horas de trabalho perdidas e interrupção do transporte fossem considerados.

O especialista Roger Pielke observou os totais danos causados por tempestades anteriores que seguiram a trilha de Irene e descobriu que os danos variavam de cerca de 4,9 bilhões de dólares (7,9 bilhões de reais – Tempestade 8, 1933) a cerca de 46,2 bilhões de dólares (74,48 bilhões de reais – Tempestade de New England, 1938). Porém, ele diz que nenhuma das tempestades do passado é um bom análogo para Irene. “Devemos esperar danos ao longo da costa leste inteira”, disse Pielke, “assim como uma quantidade considerável de danos causados por inundações no interior, não incluídas nestes números.” [...]

Pelos cálculos dos pesquisadores, a tempestade única mais prejudicial foi a Grande Miami, de 1926, que teria custado até 157 bilhões de dólares (253 bilhões de reais) em 2005. A tempestade foi de categoria 4, que rugiu em terra com ventos de até 201 quilômetros por hora. [...]

Junto com o Irene, os danos econômicos de desastres naturais que formaram um recorde nos EUA, de acordo com um relatório do Centro Nacional de Dados Climáticos americano lançado em agosto de 2011, são (em reais):

Inundações no centro-oeste (verão): pelo menos 3,22 bilhões a partir de meados de agosto.

Enchente do Rio Mississippi (primavera e verão): 3,22 bilhões a 6,45 bilhões em danos.

Secas, ondas de calor e incêndios florestais nas planícies do sul e sudoeste (primavera e verão): mais de 8,06 bilhões em danos.

Furacões (22 a 27 de maio): pelo menos 11,28 bilhões em danos nos estados centrais e do sul.

Tornados (25 a 30 de abril): pelo menos 14,51 bilhões em danos nos estados centrais e do sul.

Furacões (14 a 16 de abril): mais de 3,22 bilhões em danos nos estados centrais e do sul.

Furacões (08 a 11 de abril): perdas superiores a 3,55 bilhões nos estados centrais e do sul.

Furacões (4 a 5 de abril): mais de 3,71 bilhões em danos nos estados centrais e do sul.

Tempestade de inverno: 3,22 bilhões em danos após uma tempestade de inverno maciça que despejou neve em toda a região central, leste e nordeste do país.

(Hypescience)

Nota Michelson Borges: Não nos esqueçamos, também, do raro terremoto ocorrido poucos dias antes do furacão Irene. Há mais de um século, Ellen White escreveu: “É chegado o tempo em que haverá no mundo tristeza que nenhum bálsamo humano pode curar. O Espírito de Deus está sendo retirado. Catástrofes por mar e por terra seguem-se umas às outras em rápida sucessão. Quão frequentemente ouvimos de terremotos e furacões, de destruição pelo fogo e inundações, com grandes perdas de vidas e propriedades! Aparentemente essas calamidades são caprichosos desencadeamentos de forças da natureza, desorganizadas e desgovernadas, inteiramente fora do controle do homem; mas em todas elas pode ler-se o propósito de Deus. Elas estão entre os instrumentos pelos quais Ele busca despertar a homens e mulheres para que sintam o perigo” (Profetas e Reis, p. 277).

segunda-feira, 29 de agosto de 2011

A ameaça do terrorismo de Estado americano

A humanidade enfrenta a mais grave crise de civilização da sua história. Ela difere de outras, anteriores, por ser global, afetando a totalidade do planeta. É uma crise política, social, militar, financeira, económica, energética, ambiental, cultural. O homem realizou nos últimos dois séculos conquistas prodigiosas. Se fossem colocadas a serviço da humanidade, permitiriam erradicar da Terra a fome, o analfabetismo, as guerras, abrindo portas a uma era de paz e prosperidade. Mas não é o que acontece. Uma minoria insignificante controla e consome os recursos naturais existentes e a esmagadora maioria vive na pobreza ou na miséria. O fim da bipolar idade, após a desagregação da URSS, permitiu aos Estados Unidos adquirir uma superioridade militar, política e econômica enorme que passou a usar como instrumento de um projeto de dominação universal. As principais potências da União Europeia, nomeadamente o Reino Unido, a Alemanha e a França tornaram-se cúmplices dessa perigosa política.

O sistema de poder que tem o seu polo em Washington, incapaz de encontrar solução para a crise do seu modelo, inseparável da desigualdade social, da sobre-exploração do trabalho e do esgotamento gradual dos mecanismos de acumulação, concebeu e aplica uma estratégia imperial de agressão a povos do chamado Terceiro Mundo.

Em guerras ditas de baixa intensidade, promovidas pelos EUA e seus aliados, morreram nos últimos 60 anos mais de 30 milhões de pessoas. Algumas particularmente brutais, definidas como “preventivas” visaram ao saque dos recursos naturais dos povos agredidos.

Reagan criou a expressão “o império do mal” para designar a URSS no fim da guerra-fria. George Bush pai vulgarizou o conceito de “estados canalhas” para satanizar países cujos governos não se submetiam às exigências imperiais. Entre eles incluiu o Irã, a Coreia Popular, a Líbia e Cuba.

Em setembro de 2001, após os atentados que destruíram o World Trade Center e demoliram uma ala do Pentágono, George W. Bush (o filho) utilizou o choque emocional provocado por esse trágico acontecimento para desenvolver uma estratégia que fez da “luta contra o terrorismo” a primeira prioridade da política estadunidense.

Uma gigantesca campanha mediática foi desencadeada, com o apoio do Congresso, para criar condições favoráveis à implantação da política defendida pela extrema-direita. Segundo Bush e os neocon, “a segurança dos EUA” exigia medidas excepcionais na esfera internacional e na interna.

Os grandes jornais, as cadeias de televisão, as rádios, explorando a indignação popular e o medo, apoiaram iniciativas como o Patriot Act que suspendeu direitos e garantias constitucionais, legalizando a prática de crimes e arbitrariedades. A irracionalidade contaminou o mundo intelectual e até em universidades tradicionais professores progressistas foram despedidos e houve proibição de livros de autores célebres.

A campanha adquiriu rapidamente um carácter de caça às bruxas, com perseguições maciças a muçulmanos. Uma onda de anti-islamismo varreu os EUA, com a cumplicidade dos grandes meios de comunicação. O Congresso legalizou a tortura.

No terreno internacional, o povo do Afeganistão foi a primeira vítima da “cruzada contra o terrorismo”. Os EUA, a pretexto de que o governo do mulá Omar não lhe entregava Bin Laden - declarado inimigo numero um de Washington - invadiu, bombardeou e ocupou aquele pais.

Seguiu-se o Iraque após uma campanha de desinformação de âmbito mundial. O Governo de Bagdad foi acusado de acumular armas de extermínio massivo e de ameaçar portanto a segurança dos EUA e da Humanidade. A acusação era falsa, como se provou mais tarde, e os EUA não conseguiram obter o apoio do Conselho de Segurança. Mas, ignorando a posição da ONU, invadiram, vandalizaram e ocuparam o país. Inicialmente contaram somente com o apoio do Reino Unido.

Crimes monstruosos foram cometidos no Afeganistão e no Iraque pelas forças de ocupação. A tortura de prisioneiros no presidio de Abu Ghraib assumiu proporções de escândalo mundial. Ficou provado que o alto comando do exército e o próprio secretário da Defesa, Donald Rumsfeld, tinham autorizado esses atos de barbárie. Mas a Justiça norte-americana limitou-se a punir com penas leves meia dúzia de torcionários.

Simultaneamente, milhares de civis, acusados de “terroristas” - muitos nunca tinham sequer pegado numa arma - foram levados para a base de Guantánamo, em Cuba, e para cárceres da CIA instalados em países da Europa do Leste.

As Nações Unidas não somente ignoraram essas atrocidades como acabaram dando o seu aval à instalação de governos títeres em Kabul e Bagdá e ao envio para ali de tropas de muitos países. No caso do Afeganistão, a NATO, violando o seu próprio estatuto, participa ativamente, com 40 mil soldados, da agressão às populações. Dezenas de milhares de mercenários estão envolvidas nessas guerras.

Em ambos os casos, Washington sustenta que essas guerras preventivas representam uma contribuição dos EUA para a defesa da liberdade, da democracia, dos direitos humanos e da paz e foram inspiradas por princípios e valores éticos universais. O presidente Barack Obama, ao receber o Premio Nobel da Paz em Oslo, defendeu ambas, num discurso farisaico, como serviço prestado à humanidade. Isso no momento em que decidira enviar mais 30 mil soldados para a fogueira afegã.

Os fatos são esses. Apresentando-se como líder da luta mundial contra o terrorismo, o sistema de poder dos EUA faz hoje do terrorismo de Estado um pilar da sua estratégia de dominação. A criação de um exército permanente na África - o Africom – os bombardeamentos da Somália e do Iêmen e a participação na agressão ao povo da Líbia inserem-se nessa política criminosa de desrespeito à Carta da ONU. [...]

A maioria dos estadunidenses desconhece a gravidade e complexidade da crise interna. A recente elevação do teto da divida publica de mais de 14 trilhões de dólares para 16 trilhões - total superior ao PIB do país – é, porem, reveladora da fragilidade do gigante que impõe ao mundo uma politica de terrorismo de Estado. Entretanto, o discurso oficial, invocando os “pais da Pátria”, insiste em apresentar os EUA como o grande defensor da democracia e das liberdades, vocacionado para salvar a humanidade.

Sem o controle pelo grande capital da esmagadora maioria dos meios de comunicação social e dos audiovisuais pelo sistema de poder imperial, a manipulação da informação e a falsificação da História não seriam possíveis. Um instrumento importante nessa politica é a exportação da contracultura dos EUA, país - registre-se - onde coexiste com a cultura autêntica.

A televisão, o cinema, a imprensa escrita e, hoje, sobretudo a internet cumprem um papel fundamental como difusores dessa contracultura que nos países industrializados do Ocidente alterou profundamente nos últimos anos a vida cotidiana dos povos e a sua atitude perante a existência.

A construção do homem formatado principia na infância e exige uma ruptura com a utilização tradicional dos tempos livres. O convívio familiar e com os amigos é substituído por ocupações lúdicas frente à TV e ao computador, com prioridade para jogos violentos e filmes que difundem a contracultura com prioridade para os que fazem a apologia das Forças Armadas dos EUA.


A contracultura atua intensamente no terreno da música, da canção, das artes plásticas, da sexualidade. A contramúsica que empolga hoje multidões juvenis é a de estranhas personagens que gritam e gesticulam, exibindo roupas exóticas, berrantes em gigantescos palcos luminosos, numa atmosfera ensurdecedora, em rebeldia abstrata contra o vácuo.

O jornalismo degradou-se. Transmite a imagem de uma falsa objetividade para ocultar que a mídia ao serviço da engrenagem do poder insiste, com poucas exceções, em justificar as guerras americanas como “cruzada antiterrorista” em defesa da humanidade porque os EUA, nação predestinada, batalhariam por um mundo de justiça e paz.

É de justiça assinalar que um número crescente de cidadãos americanos denuncia essa estratégia de poder, exige o fim das guerras na Ásia e luta em condições muito difíceis contra a estratégia criminosa do sistema de poder. [...]

(Miguel Urbano Rodrigues, O Diário.info)

Nota Michelson Borges: Conforme destacou o professor Renato Stencel (Unasp) em e-mail a mim enviado, esse texto do português Miguel Rodrigues revela os rumos e destinos da humanidade sob o domínio da besta que emerge da Terra, os EUA de Apocalipse 13:14 (“Seduz os que habitam sobre a terra por causa dos sinais que lhe foi dado executar”). “A cada dia podemos perceber que estamos nos aproximando do grande momento em que esse poder cumprirá tal profecia por meio do exercício de suas forças bélicas, políticas e culturais, contribuindo, assim, para o desfecho do Grande Conflito.”

quinta-feira, 25 de agosto de 2011

Prejuízo climático nos EUA tende a afetar a economia

Só no primeiro semestre, os desastres associados a eventos climáticos extremos no EUA – ondas de calor, secas e queimadas, tempestades, enchentes e tornados – geraram US$ 35 bilhões, segundo estimativas da NOAA – Administração Nacional Oceanográfica e Atmosférica. Essas perdas agravam os problemas da economia doméstica, reforçando os componentes recessivos da conjuntura e podem repercutir negativamente na economia global.

As perdas correspondem a safras perdidas, florestas destruídas, danos patrimoniais – residências, prédios comerciais e industriais danificados ou destruídos – e destruição de infra-estrutura – estradas, pontes, redes elétricas, de esgotamento, de gás e de água. Além disso, há impacto financeiro, principalmente, por meio das perdas seguradas, que afetam o balancete das seguradoras e resseguradoras e repercutem no mercado financeiro.

São diferentes das perdas que têm ocorrido nas bolsas do mundo, de bilhões de dólares no valor de empresas e papéis. Essas perdas são compensadas total ou parcialmente, quando as bolsas se recuperam. Aqui, se trata de perdas puramente financeiras, transacionais, perde-se mais valor de oportunidade, do que valor real.

As perdas climáticas são todas reais. Elas correspondem à destruição de valor real nas safras, patrimônio e infraestrutura perdidos. Há também perdas econômicas associadas à redução das exportações, à queda da oferta de bens, principalmente, alimentos por causa da quebra de safras, ao desemprego gerado pela interrupção de atividades e à elevação dos preços de alimentos, que pressiona o orçamento doméstico principalmente dos setores mais pobres. Além disso, a reconstrução, embora implique em investimentos que geram renda e emprego, representa demanda mobilização de recursos e gasto público inesperada e portanto não programada.

Essas estimativas dizem respeito aos eventos climáticos do primeiro semestre, até o mês passado. Este mês se intensifica no EUA a estação dos furacões, que já teve nove tempestades tropicais com força suficiente para receberem um nome próprio. O furacão Irene, a primeira a chegar a furacão, atingiu Porto Rico neste domingo, deixando 800 mil pessoas sem luz, causando enchentes e derrubando postes e árvores.

Irene tende a chegar à categoria 3 categoria 2 (ventos com velocidade entre 154-177 km) em trajetória para o norte-nordeste, rumo à costa do EUA, podendo eventualmente chegar à categoria 3. A NOAA estima que siga uma rota paralela à costa da Flórida, alcançando a terra em uma das Carolinas, Norte ou Sul, no sábado. Se essa trajetória prevista se confirmar, Irene pode produzir danos e perdas em Porto Rico, na República Dominicana, no combalido Haiti, em parte das Bahamas e na costa do EUA da Flórida à Carolina do Norte, afetando esses dois estados e a faixa costeira da Georgia e da Carolina do Sul. Mesmo antes de chegar à terra, Irene pode ter efeitos fortes. Os ventos com força de furacão se estendem no momento por 80 kms e os ventos com força de tempestade tropical, por 330 kms. O Katrina, que chegou à categoria 5, havia retrocedido para categoria 3, quanto atingiu Nova Orleans.

Se Irene alcançar mesmo a terra no EUA, será o primeiro caso desde que o Ike causou muita destruição na costa do Texas, em 2008.

Isso em uma economia que vinha mostrando dificuldades de se recuperar dos efeitos recessivos da crise financeira de 2008 e volta a ser abalada pela crise financeira e fiscal de agora. A crise atual é uma continuação do processo iniciado pelo colapso das hipotecas. Essas perdas climáticas repercutem na economia inteira e na economia global e agravam os elementos recessivos que já estão ativos em função da conjuntura fiscal e financeira negativa.

Fonte - Ecopolitica

Nota DDP: Veja mais em "Estudo identifica influência das variações climáticas em guerras civis". Tema extremamente propício para através dos debates que giram em torno de ambientalismo, crise financeira e trabalho, apontar para medidas restritivas das liberdades individuais.
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