O tempo de angústia não será apenas uma crise externa. Será a revelação total do que acontece quando a misericórdia é rejeitada até o fim. O Espírito de Deus, persistentemente resistido, não mais conterá a violência humana, e Satanás atuará com fúria quase sem restrição. O mundo mergulhará em convulsão moral, social e espiritual. A perseguição se tornará intensa, e os que permanecem fiéis aos mandamentos de Deus serão apontados como culpados pela ruína coletiva. O ódio antigo contra a verdade assumirá forma legal, popular e religiosa.
Mas a angústia do povo de Deus não será, em sua essência, medo do sofrimento. O ponto mais profundo da aflição será outro: a agonia de uma consciência que deseja estar plenamente reconciliada com Deus. Como Jacó junto ao vau de Jaboque, os fiéis não lutarão para preservar conforto, mas para ter certeza da bênção. Não estarão negociando facilidades; estarão agarrados às promessas. Seu clamor nascerá da humildade, da dependência e da certeza de que, sem o auxílio do Céu, não subsistem.
Esse capítulo não foi escrito para satisfazer curiosidade profética, mas para destruir a ilusão espiritual. Ninguém se prepara para esse tempo no próprio tempo de angústia. A fé que sustentará a alma naquele dia é cultivada agora, nas horas comuns, nas renúncias ocultas, na obediência silenciosa, na comunhão perseverante. Quem ora pouco hoje sofrerá muito mais amanhã. Quem vive disperso agora não conseguirá, de repente, tornar-se firme quando a noite engrossar. O hábito de confiar em Deus precisa ser formado antes que tudo ao redor pareça ruir.
Há também neste quadro uma ternura severa. Deus não abandona os Seus. Ainda que pareçam desamparados aos olhos humanos, ainda que sejam empurrados para desertos, prisões, montanhas e esconderijos, continuam guardados pelo olhar do Senhor. O mesmo Deus que não esqueceu Noé, Ló, José, Elias, Jeremias, Daniel e os três hebreus, não esquecerá Seu povo no último conflito. Os anjos ainda cercam os que temem ao Senhor, ainda quando a aparência visível diga o contrário. A demora do livramento não é ausência; é preparo. O silêncio do Céu não é esquecimento; é purificação.
Eis a disciplina deste capítulo: abandonar agora o pecado, cessar agora as desculpas, vigiar agora, orar agora, aprofundar agora a comunhão com Deus. O tempo de graça não foi dado para distração, mas para preparo. Não vencerá quem parecer forte, mas quem tiver aprendido a se apegar às promessas quando toda evidência sensível estiver contra ele.
Quando a noite se fechar, só permanecerá de pé quem já tiver aprendido a lutar com Deus. E quem assim lutar, como Jacó, sairá ferido, quebrantado, dependente — mas abençoado.
Prisioneiro em Cristo — Reflexões do Cárcere
