terça-feira, 3 de fevereiro de 2015

Escola Dominical ataca o quarto mandamento

Neste trimestre, os irmãos da igreja Assembleia de Deus estão estudando em suas escolas dominicais o tema “Os Dez Mandamentos: Valores divinos para uma sociedade em mudança”. Até agora, tudo vinha muito bem. Estudaram o primeiro mandamento. O segundo e o terceiro. Mas eis que chega o quarto, e o esperado acontece: dizem que esse mandamento não é bem assim; é “controverso”. Temos que amar a Deus sobre todas as coisas? Sim, claro. Não devemos adorar imagens? Sem dúvida. Não tomar o nome de Deus em vão? Jamais. Lembre-se do dia de sábado – o sétimo dia da semana – para santificá-lo? Aí, não. Esse mandamento era apenas para os judeus e foi “cravado na cruz” – as desculpas de sempre. Lamentável! Será que o autor (ou autores) desse guia de estudo tem noção do estrago que está fazendo ao desencaminhar tantas pessoas? Afinal, a Assembleia de Deus é a maior denominação evangélica do Brasil. Se ele (ou eles) estiver errado, estará atacando um dos dez mandamentos da sagrada e imutável (Mt 5:17-19) lei de Deus, escrita com o dedo dEle (Êx 31:18). Imagine se considerássemos o “não matarás” ou o “não adulterarás” também controversos, passíveis de interpretação? Abriríamos mais ainda a porta ao pecado e à transgressão. Então por que apenas um mandamento, o quarto, é considerado “controverso”? Vamos analisar essa questão, em benefício dos irmãos assembleianos e de todos os interessados no assunto. Para isso, é muito importante que você confira os textos bíblicos citados e acesse todos os links abaixo. E que faça isso com oração, pedindo orientação dAquele que inspirou a Palavra de Deus, o Espírito Santo.

A lição nº 6 da Escola Dominical deste trimestre (que pode ser lida aqui) começa afirmando que “o sábado é um presente de Deus para o povo de Israel” e que “a fé cristã é isenta de toda forma de legalismo”, já dando o tom do que vem a seguir. Para começo de conversa, o sábado foi dado “por causa do homem [ser humano]” (Mc 2:27), no Éden, para Adão e Eva, antes de existirem judeus ou quaisquer outros povos sobre a Terra (Gn 2:1-3). Aliás, esse texto menciona que Deus fez três coisas muito especiais e irrevogáveis no sétimo dia da criação: Ele descansou (cessou Sua obra e deu exemplo do que fazer no sábado), santificou (separou para um propósito especial) o sétimo dia e o abençoou (o que Deus abençoa ninguém pode “desabençoar”). Guardar o sábado, portanto, não tem nada a ver com legalismo, muito pelo contrário, tem a ver com celebração e adoração.

O guia prossegue: “Deus celebrou o sétimo dia após a criação e abençoou este dia e o santificou (Gn 2.2,3). Aqui está a base do sábado institucional e do sábado legal. O sábado legal não foi instituído aqui; isso só aconteceu com a promulgação da lei.” Essa separação entre o sábado institucional e o legal é inteiramente artificial. Prova disso é que em Êxodo 16, antes de terem sido dadas as tábuas com os dez mandamentos, o povo hebreu já estava sendo orientado a guardar o sábado. Neste momento, é muito importante que você leia este texto (“O sábado antes do Sinai”) e assista a este vídeo (clique aqui), com o mesmo título. Leia e assista com atenção, porque mais adiante o guia de estudos assembleiano chegará ao ponto de afirmar que os patriarcas não guardaram o sábado!

“O sábado institucional, portanto, não se refere ao sétimo dia da semana; pode ser qualquer dia ou um período de descanso”, afirma o guia. Como assim? De ponta a ponta, no Antigo e no Novo Testamento, a Bíblia é clara em afirmar que o sábado da lei moral (tanto o “institucional” quanto o “legal”, para usar a linguagem artificial do guia) é o sétimo dia da semana. De acordo com Êxodo 20:8-11, o sábado é o memorial da criação e deve ser guardado/celebrado justamente porque Deus criou em seis dias literais de 24 horas. Os adventistas são criacionistas exatamente (e principalmente) por esse motivo, e pregam o que está escrito em Apocalipse 14:6 e 7, ou seja, que devemos adorar “Aquele que fez o céu, e a terra, e o mar, e as fontes das águas” (numa alusão clara ao texto de Êxodo 20:8-11). Se o sábado pode ser qualquer dia da semana, por que os evangélicos insistem, então, no domingo? Não deveriam guardar nem defender qualquer dia santo, e simplesmente riscar da Bíblia deles o quarto mandamento.

Como eu havia dito há pouco, o guia afirma que “os patriarcas não guardaram o sábado. O livro de Gênesis não menciona os patriarcas Abraão, Isaque e Jacó observando o sábado”. Se isso fosse critério para a nossa vida, poderíamos adotar a poligamia, já que alguns patriarcas tiveram mais de uma esposa, e dispensar de vez o dom de línguas dos pentecostais, já que nenhum patriarca (aliás, nenhum dos servos de Deus na Bíblia) jamais falou as tais “línguas estranhas” (na verdade, Deus concede Seu Espírito àqueles que Lhe obedecem: At 5:32). Apesar de seus deslizes, os patriarcas procuraram ser fieis à lei de Deus (conforme você já deve ter visto nos links acima), e a lei de Deus inclui o sábado. (Sobre o sábado através dos séculos, leia este texto [aliás, leia todo o conteúdo desse site].)

Outra mentira: “Nenhum outro povo na história recebeu a ordem para guardar esse dia [o sábado]; é exclusividade de Israel (Êx 31.13,17 [esse texto menciona os filhos de Israel, e eu me considero um deles]).” Que falta faz ler a Bíblia com atenção. Veja isto: “Bem-aventurado o homem [aqui não diz judeu] que fizer isto, e o filho do homem que lançar mão disto; que se guarda de profanar o sábado, e guarda a sua mão de fazer algum mal. E não fale o filho do estrangeiro, que se houver unido ao Senhor, dizendo: Certamente o Senhor me separará do Seu povo; nem tampouco diga o eunuco: Eis que sou uma árvore seca. Porque assim diz o Senhor a respeito dos eunucos, que guardam os Meus sábados, e escolhem aquilo em que Eu Me agrado, e abraçam a Minha aliança: Também lhes darei na Minha casa e dentro dos Meus muros um lugar e um nome, melhor do que o de filhos e filhas; um nome eterno darei a cada um deles, que nunca se apagará. E aos filhos dosestrangeiros, que se unirem ao Senhor, para O servirem, e para amarem o nome do Senhor, e para serem seus servos, todos os que guardarem o sábado, não o profanando, e os que abraçarem a Minha aliança, também os levarei ao Meu santo monte, e os alegrarei na Minha casa de oração; os seus holocaustos e os seus sacrifícios serão aceitos no Meu altar; porque a Minha casa será chamada casa de oração para todos os povos” (56:1-8; os grifos em “estrangeiro” e “todos” são meus, justamente para destacar o fato de que Deus deseja que todas as pessoas guardem Seus mandamentos, inclusive o sábado.)

Outro ponto: “O sábado e a circuncisão são os dois sinais distintivos do povo judeu ao longo dos séculos (Gn 17.11).” Igualar o sábado (estabelecido antes do pecado) com a circuncisão (depois do pecado) é outra leviandade. Como vimos, o sábado foi dado para a humanidade e é eterno, pois será guardado inclusive na nova Terra (Is 66:22, 23). Já a circuncisão, de fato, foi dada aos descendentes de Abraão e foi revogada pelos apóstolos (At 15:1-31). Em Romanos 2:25-29, Paulo chega a dizer que é inútil ser circuncidado e não guardar a lei de Deus.

“A expressão ‘Lembra-te do dia do sábado, para o santificar’ (Êx 20.8) remete a uma reminiscência histórica e, sem dúvida alguma, Israel já conhecia o sábado nessa ocasião. Mas parece [parece?] não ser referência ao sábado da criação.” Simplesmente absurdo! Como não se trata de referência ao sábado da criação, se o próprio texto dá o motivo pelo qual o sábado deve ser lembrado e guardado? “Porque em seis dias fez o Senhor os céus e a terra, o mar e tudo que neles há, e ao sétimo dia descansou; portanto abençoou o Senhor o dia do sábado, e o santificou” (v. 11).

O guia passa a usar Jesus com o objetivo de continuar descaracterizando o mandamento que o próprio Mestre guardou (Lc 4:16): “O Senhor Jesus Cristo disse mais de uma vez que a guarda do sábado é um preceito cerimonial. Ele colocou o quarto mandamento na mesma categoria dos pães da proposição (Mt 12.2-4).” Nada a ver! Jesus comparou a atitude dos discípulos de matar a fome no sábado (o que, definitivamente, não é pecado) com a dos homens de Davi, que só tinham os pães da proposição para comer e lhes foi permitido fazer isso. A lição é clara: Deus ama os seres humanos e criou a lei para eles e não eles para a lei. Os fariseus legalistas distorceram muitos mandamentos de Deus, inclusive o sábado, e Jesus veio ensinar a correta observância de Sua lei. Imagine o Cristo do Sinai (o Eu Sou de João 8:58) dizendo algo assim: “No monte Sinai Eu lhes dei Meus mandamentos, agora venho lhes dizer que aboli somente o quarto.” Faz sentido? Mas faz muito sentido o próprio Legislador ter vindo para ensinar como devemos guardar Sua lei. Só Ele tem autoridade para isso.

Veja mais esta: “Se o oitavo dia da circuncisão do menino coincidir com um sábado, ela tem que ser feita no sábado, nem antes e nem depois. Assim, Jesus mais uma vez declara o quarto mandamento como preceito cerimonial e coloca a circuncisão acima do sábado.” Típico argumento non sequitur, ou seja, uma ideia não tem nada a ver com a outra e não se segue a ela. Se preferir, pode chamar também de “balaio de gato”. Sinceramente, quem escreveu essas coisas terá que dar contas a Deus! Circuncisão era uma atividade religiosa, assim como o culto de sábado, a visita aos doentes, etc. Que pecado há em se praticar essas coisas no sábado? Onde está escrito isso? Pelo contrário, a Bíblia diz que “é lícito fazer bem aos sábados” (Mt 12:12). Essas coisas não são atividades seculares nem são remuneradas. Por que Deus “trabalha” no sábado? (Jo 5:17). Porque a atividade dEle consiste unicamente em manter-nos a todos com vida. A atividade de Deus é essencialmente “religiosa” e plenamente de acordo com o espírito do sábado. Francamente, não usemos Deus o Pai nem o Filho para sancionar nossas transgressões! Isso é grave!

Com isto eu tenho que concordar: “Jesus é o Senhor do sábado (Mc 2.28). O sábado veio de Deus e somente Ele tem autoridade sobre essa instituição.” E Ele em momento algum, em versículo nenhum sequer sugeriu que o sábado devesse ser substituído pelo domingo. Na verdade, em Mateus 24:20, Ele antevê Seus seguidores ainda guardando o sábado, quatro décadas no futuro. Se Ele fosse transferir o dia de guarda ou abolir o sábado, certamente teria feito algum comentário a respeito disso.

Outro absurdo: “O primeiro culto cristão aconteceu no domingo e da mesma forma o segundo (Jo 20.19, 26).” O quê? Aqui é melhor citar o texto na íntegra: “Chegada, pois, a tarde daquele dia, o primeiro da semana, e cerradas as portas onde os discípulos, com medo dos judeus, se tinham ajuntado, chegou Jesus, e pôs-Se no meio, e disse-lhes: Paz seja convosco” (v. 19). Eles estavam fazendo culto? Onde é dito isso? Estavam era com medo de ser mortos como o Mestre havia sido. Como podiam estar celebrando a ressurreição, se ainda nem criam nesse evento? E o verso 26 diz que Jesus tornou a aparecer oito dias depois, ou seja, numa segunda-feira.

Mais uma mentira: “O dia do Senhor foi instituído como o dia de culto, sem decreto e norma legal, pelos primeiros cristãos desde os tempos apostólicos (At 20.7; 1Co 16.2; Ap 1.10). É o ‘sábado’ cristão! O sábado legal e todo o sistema mosaico foram encravados na cruz (Cl 2.16,17), foram revogados e anulados (2Co 3.7-11; Hb 8.13). O Senhor Jesus cumpriu a lei (Mt 5.17,18), agora vivemos sob a graça (Jo 1.17; Rm 6.14).” O texto de 1 João 2:4 parece servir como uma luva em quem afirma coisas como essas. Os primeiros cristãos, a começar por Maria, mãe de Jesus (Lc 23:56; texto escrito 30 anos depois), e os apóstolos guardavam o sábado (At 16:13). João, no Apocalipse, lá pelo ano 100 d.C., disse ter sido arrebatado em visão no “dia do Senhor” (Ap 1:10), que, na Bíblia, é o sábado (Lc 6:5; leia também isto). Quem ousou mudar o dia de repouso foi o imperador pseudocristão/pagão Constantino, em 7 de março 323 d.C., tendo depois o aval da Igreja Católica Apostólica Romana. Essa igreja, pelo menos, tem um argumento “lógico” para o que fez: a autoridade do papa, que eles consideram até superior à da Bíblia. Mas como ficam os evangélicos, ao perceber que não existe base bíblica para se guardar o domingo? Têm que admitir que obedecem a um mandamento católico...

Quanto a Colossenses 2:16 e 17, ali lemos o seguinte: “Ninguém vos julgue pelo comer, ou pelo beber, ou por causa dos dias de festa, ou da lua nova, ou dos sábados,
que são sombras das coisas futuras, mas o corpo é de Cristo.” O sábado da lei moral, estabelecido na criação do mundo, não era sombra de coisas futuras, pois, como já vimos, foi dado à humanidade antes do pecado. As cerimônias do santuário (a chamada “lei cerimonial”), essas, sim, foram abolidas na cruz, pois apontavam para Jesus, o “Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo” (Jo 1:29). Leia novamente Colossenses 2:16 e 17. Algum mandamento do Decálogo menciona comidas, bebidas ou dias de festas? Claro que não. Isso pertence às cerimônias do santuário. As festas judaicas – como Páscoa, Primícias, Dia da Expiação – eram feriados nacionais, dias de descanso, por isso também chamadas de sábados, mas eram distintas do sábado semanal do quarto mandamento.

E a conclusão do guia da Assembleia de Deus é a seguinte: “A palavra profética anunciava o fim do sábado legal (Jr 31.31-33; Os 2.11). Isso se cumpriu com a chegada do novo concerto (Hb 8.8-12). Exigir a guarda do sábado como condição para a salvação não é cristianismo e caracteriza-se como doutrina de uma seita.” Aqui fica claro a quem eles querem atacar. Nenhum adventista do sétimo dia esclarecido crê ou ensina que a salvação se conquista pela guarda do sábado. Isso seria absurdo, e o guia mente uma vez mais. Cremos que a salvação é pela graça (Ef 2:8), inteiramente pelos méritos de Cristo. Obedecemos à lei de Deus porque entendemos que Ele sempre quer o melhor para nós (Sl 119:97); porque ela é como um espelho que mostra o pecado em nós mesmos (Tg 1:23-25) e aponta para Jesus como a solução. A lei diagnostica o pecado; Jesus perdoa. Amamos a Cristo e por isso obedecemos aos Seus mandamentos (Jo 14:15). Se isso é ser “seita”, prefiro pertencer a essa seita. Os primeiros cristãos também enfrentaram esse tipo de acusação (At 24:14).

O guia de estudos da Assembleia de Deus deste trimestre acusa na capa a sociedade de estar em mudança, mas se esquece de que os evangélicos aceitaram uma mudança muito pior que a da sociedade: a mudança na lei de Deus, promovida pelo poder descrito em Daniel 7:25 e Apocalipse 13. Oro para que muitas pessoas sinceras, ao estudar esse guia da Escola Dominical, sejam despertadas pelo Espírito Santo, façam perguntas, questionem a si mesmas e a seus líderes, e tenham a humildade de reconhecer o verdadeiro Deus Criador e Seu memorial eterno da criação.

Michelson Borges

Assista a vídeos sobre o sábado, do programa Na Mira da Verdade (clique aqui).

Para saber mais: leia os livros Do Sábado Para o Domingo e O Sábado na Bíblia

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2015

Na crise da água, o processo civilizatório pode retroceder à barbárie

Os números sobre a pouca disponibilidade de água doce no mundo (3% do total existente), sobre a dificuldade de acesso a água limpa para mais de dois bilhões de pessoas, especialmente na África, as informações sobre a crescente poluição e morte de rios, inclusive no Brasil, sobre conflitos já verificados em torno do acesso as fontes de água em alguns lugares no mundo, os dados e debates sobre alterações climáticas, longas estiagens, derretimento de geleiras, interferências no ciclo hidrológico[1], tudo isto, em maior ou menor grau, é conhecido no Brasil e, considerando-se os sertões e agrestes nordestinos, conhecido e vivenciado. Então porque chegou-se ao momento de crise em que estamos vivendo? Mais, porque não há planos de contingenciamento, de controle de danos e medidas afins? Não há uma resposta fácil, mas seja-me permitido ensaiar uma.

Os brasileiros, de um modo geral, fomos e em larga medida ainda somos, educados sob a crença de que, em nosso país, a água é abundante[2]. As portentosas cachoeiras e quedas d'água, os rios que de tão caudalosos e imponentes fizeram-se repositórios de canções e lendas; os riachos e ribeirões que generosamente enfeitam (enfeitaram!) os fundos de fazendas e casas humildes interior afora; as águas serranas, as águas medicinais das estancias hidrominerais, águas que jorram de aquíferos sob o peso de umas poucas picaretadas. Este é o cenário dentro ou diante do qual ocorreu a socialização de grande parte de nossa população adulta no concernente à sua relação com o meio ambiente, em especial, com as águas. Chamo a isto: viés da abundância.

Assumindo que as coisas assim se passaram e ainda assim se passam, penso estar sugerindo ao menos uma pista que explique o verdadeiro abismo entre os discursos que, desde a década de 80, pregam proteção ambiental e novas atitudes frente ao reconhecimento mundial da finitude da água e nossas práticas cotidianas de desperdício e negligência. O que, além do mais, redunda em falta de espaço em agendas políticas, governamentais e empresariais para a tomada de medidas efetivas de preservação das fontes de água doce com relação aos seus usos humanos e econômicos.

Ao senso comum, pode parecer que as decisões, os comportamentos e as práticas de um dado indivíduo obedeçam sempre ao código binário racional/irracional. Implicando que, ao fim e ao cabo, tudo o que um homem faz (ou deixa de fazer) é fruto de uma escolha consciente e finalisticamente orientada (rational choice theory[3]). Entretanto, cientistas sociais já identificaram tanto um processo civilizatório[4] quanto um processo socializador.

O primeiro quando em curso avançado nos faz, enquanto povo ou nação, passar da barbárie para modos de vida mais sofisticados. O segundo, por seus procedimentos formais (escola) e informais (rua), possibilitam que cada novo indivíduo seja admitido em dado grupo social(pertencimento). Ora, que significa integrar um grupo, ser percebido e se perceber como seu membro senão compartilhar o sistema de crenças e representações sociais deste grupo?

As crenças e as representações introjetadas durante a socialização do indivíduo não são facilmente quebradas, mudadas e, ainda mais grave, desobedecidas. Como regra, as ações de um indivíduo são informadas por uma crença ou representação que, obviamente, não são ordinariamente manipuláveis. Não estou, de modo algum, relevando a segundo plano a capacidade de julgamento ou de raciocínio. Estou apenas sugerindo que até mesmo estas faculdades, a par das discussões da neurociência sobre estruturas inatas, podem ser forjadas ou, ao menos, modeladas no curso da socialização e desta última não podem, como num passe de mágica, serem dissociadas.[5]

Espero que o leitor compreenda que o que expus até aqui é uma tentativa (ensaio) de encontrar uma explicação, como dito, para um grave fato: o Brasil não se deu conta efetivamente de que dos trabalhadores aos empresários, do cidadão ao mais alto governante, todos precisam adotar boas práticas relativas à água e seus usos (neste momento e diuturnamente). Afinal, muito do que se lê sobre a escassez de água, problemas de abastecimento e falta de energia elétrica ainda parece ter forte colorido retórico. A retórica de quem diz, mas no fundo não acredita.

Baseado na hipótese da socialização, creio poder afirmar que, em busca de uma nova e duradoura postura, não basta simplesmente apelar para o senso de racionalidade dos indivíduos ou para o juízo adequado dos governantes. Enfim, não basta conclamar que as pessoas simplesmente reflitam. Se nossas práticas com relação ao meio ambiente, em especial com a água, são informadas por crenças e representações sociais sobre esta mesma natureza, assimiladas durante a socialização já nos primeiros anos de vida, então meras chamadas de consciência não vão alterar estas práticas.

Nossos melhores esforços enquanto sociedade e diante do grave quadro que se nos apresenta (falta d'água) têm que se voltar para a origem do problema, qual seja, a predita socialização sob o viés da abundância. A escolarização, face formal da socialização, em sua vertente infanto-juvenil, tem que estar fortemente preparada para mostrar um outro cenário e deste modo construir, introjetar e partilhar um novo sistema de crenças acerca do meio ambiente. De um tal modo que, num futuro próximo, boas práticas com relação aos recursos naturais e, especialmente com relação a água, sejam o produto de uma processo socializador que levou em conta esta nova realidade.

Assim estes comportamentos compromissados, dos mais simples como os de uma criança no banho, ou mais complexos como uma decisão empresarial num grande empreendimento, parecerão tão naturais que não exigirão nenhum esforço consciente, nenhum ato de profunda reflexão. Quero dizer com isto que, no médio e longo prazo, e sob o palio do discurso transgeracional adotado pela Constituição da República, somente a educação das crianças e jovens, fundada numa nova visão sobre a relação ser humano/meio ambiente[6], pode proteger a natureza, a água, e logo a própria vida, a nossa vida e a vida em si considerada.

Perguntará o leitor: mas, estamos no meio de uma crise de água (hídrica) e a mudança de paradigmas e de crenças no processo de socialização não dará conta da falta de água de agora, deste janeiro, deste ano ou do próximo. O que fazer se o próprio texto afirma que as boas práticas com relação a água não dependem ou não dependem somente de chamadas de consciência ou apelos à reflexão?

A resposta está na pergunta. Há uma crise. Estamos, reconheçam ou não alguns, em meio a maior estiagem já verificada no mês de janeiro. Simplesmente, não chove, ou chove de modo esparso. Há uma crise. Por instinto de sobrevivência, de permanência, as pessoas respondem de modo diferente nas crises, nos acirramentos. Primeiro, lembremos que, de algum modo, as crises são anunciadas. Isto porque, por exemplo, ninguém tem uma crise de asma se não for asmático ou ao menos propenso geneticamente a ela. Nossos mananciais de água, os rios principalmente, estão doentes há tempos.

A crise ou o seu ponto critico é que é recente. Como dito, se a crise é percebida como tal, as pessoas, em todos os setores, tendem, por questão de sobrevivência, a responder mais agudamente, desafiando, enquanto durar a crise, até mesmo ao seu sistema de crenças. Assim, a primeira questão que se coloca é a de que a presença da crise precisa ser reconhecida, percebida e declarada por quem de direito. Feito isto, o apelo a consciência pode jogar algum papel na adoção, momentânea, de boas práticas, de práticas que desafiem a crise. Vale dizer: precisamos de respostas mais elaboradas para lidar com o problema no médio e longo prazo(educação) e de respostas agudas para lidar com o momento crítico do problema. Resta claro que as respostas agudas não podem comprometer o enfrentamento futuro da questão.

Mas neste ponto surge, com relação ao Brasil, um desafio. Obviamente, que nenhum enfrentamento da crise hídrica terá efetivo sucesso sem ações e medidas governamentais que, inclusive, dialoguem com o mundo corporativo. Medidas estas que não podem ser pontuais ou setorizadas. A questão aqui é que ainda que sejamos uma federação de corte assimétrico[7], na qual os poderes estão fortemente centralizados em mãos da União, sem linhas demarcatórias bem definidas do que restou em mãos dos Estados-membros, o fato é que a União (governo federal) foi pensada e habilmente defendida pelos federalistas norte-americanos exatamente sob a premissa de que existem problemas nacionais, oriundos do exterior ou de comoções domésticas. Estes problemas nacionais não podem ficar ao sabor das vicissitudes locais justamente por serem de interesse de toda a Nação.

Outra decorrência da assimetria digna de nota é o fato de que, a depender de algumas variáveis, dado Estado-Membro pode estar, em dado momento, mais próximo ou mais longe do centro (da União). Este configura-se em outro desafio para a Federação brasileira neste momento de crise hídrica, pois as medidas eventualmente levadas a efeito tem que considerar o caráter sistêmico dos recursos hídricos do País, de sorte que ao se mexer numa peça do sistema outras serão afetadas e não necessariamente bem afetadas. Chamo a isto um desafio, dado que nossa Federação não parece ser de configuração sistêmica ou não se perceber como tal. Entanto, deve enfrentar um problema, a escassez de água, que é agudamente sistêmico[8].

Neste ponto, devo dizer ao leitor que soluções, no curto prazo, não são fáceis e vão exigir grande habilidade e mesmo sensibilidade dos governos e da sociedade civil.

No entanto, seja quais forem as medidas adotadas não podem elas fugir aos marcos jurídicos e legais que regem na espécie. Acordos, mediações, conciliações devem, na crise hídrica e por causa dela respeitar a Constituição e as leis. Afinal, uma das maiores, senão a maior conquistas das nações democráticas é o princípio rule of the law, o governo das leis, em vez de governo dos homens[9]. Talvez, seja este um dos pilares mais fortes das repúblicas democráticas. Neste diapasão, o primeiro passo é a exegese adequada do Direito, no caso, da lei que instituiu a política nacional de recursos hídricos (Lei 9.433/97). leia-se o que diz a predita lei, logo em seu artigo primeiro, verbis:

Artigo 1° a politica nacional de recursos hídricos baseia-se nos seguintes fundamentos :
I) omissis
II) omissis
III) em situações de escassez, o uso prioritário dos recursos hídricos é o consumo humano e a dessedentação de animais
IV) a gestão dos recursos hídricos deve sempre proporcionar o uso múltiplo das águas
V) omissis
VI) a gestão dos recursos hídricos deve ser descentralizada e contar com a participação do Poder Público, dos usuários e das comunidades.

Vejamos como realizar a exegese referida. Este texto não tem pretensões sociológicas, mas parte de uma premissa sociológica, qual seja, a de que, neste campo do conhecimento, importa como as coisas efetivamente são(o real) e não como elas deveriam ou devem ser (o normativo). Assim, a crise pode nos dizer ou apontar quem são os donos da água no País (o real) já que uma leitura rasa do artigo acima, nos diz que a água não deveria ter donos (o normativo).

Ora, embora a água não conste do rol de direitos sociais do artigo 6° da Constituição, quer me parecer que o legislador ordinário atendendo a uma leitura sistêmica da mesma conjugada com seu espírito republicano, ao editar a Lei 9.433/94, considerou o acesso a água como um direito social. Não por outra razão, restou estabelecido que na gestão dos recursos hídricos deve prevalecer o uso múltiplo. Quer dizer, o uso para os múltiplos fins: consumo humano, consumo animal, geração de energia, irrigação, agronegócios, indústria.

Ao que tudo indica a lei em questão estabelece que a água no Brasil não deve ter donos, proprietários stricto sensu, com os poderes de disposição e reivindicação ínsitos ao direito de propriedade. Mas aqui um ponto ainda mais importante neste esforço exegético. Na topografia do artigo em comento, antes de falar em usos múltiplos, o que é feito no inciso IV, a lei estabelece, no inciso III, e logo hierarquicamente, que em situações de escassez o uso para consumo humano é, ou falando normativamente, deve ser prioritário, deve vir antes, deve ter preferência em relação aos demais usos.

Portanto, toda e qualquer medida administrativa, governamental ou judiciária, bem como mediações e conciliações dentro ou fora do Judiciário, audiências públicas e afins, que tenham por base debates, conflitos ou problemas envolvendo a crise de água e a sua escassez atual devem, se pretendem ser constitucionais e em acordo com a lei de recursos hídricos, considerar a prioridade estabelecida no inciso III do artigo 1° da Lei Federal 9.433/94.

Decerto o país não pode parar e sua economia tem que girar, mas, em verdade, o consumo humano tem, senão o menor, um dos menores percentuais na utilização da água doce disponível. Neste sentido, se as águas no Brasil, de fato não têm dono como prescreve a lei, então todos os que usam água tem que ser chamados a dar sua cota de sacrifício. Digo isto dado que quando se fala em racionamento (finalmente começa a se falar em racionamento!), o alvo é sempre uma figura mítica chamada “dona de casa”. A “dona de casa”, cuja existência real na contemporaneidade é questionável, é a primeira a ser convidada pelas autoridades e outras organizações a dar sua cota de sacrifício. Afinal, é este ser mítico, que cuida do lar, das crianças, do jardim, das roupas, do piso. Desse modo, a “dona de casa” torna-se, nas crises e na escassez, o símbolo da racionalidade e a dona da água. Ela, a dona de casa, exerce todo o seu poder sobre a torneira e só ela pode racionar controlando a torneira e a família, fechando, abrindo, fechando[10].

Mas, segundo penso, para além de uma questão de gênero (onde estão os donos de casa?), trata-se de um equívoco. Primeiro, “donas de casa”, ao menos no sentido histórico que se empresta a este termo, se existiram, já não existem. Ou, se existem, coexistem, não raro na mesma pessoa, com donas de empresa, donas de empregos, donas de carro, donas de gabinetes, prefeitas, presidentas e por ai vai! Segundo, o racionamento, se e quando necessário, não deve dirigir-se somente ao âmbito doméstico. Todos aqueles outros âmbitos (agricultura, industria, setor energético, governos, etc) que usam água segundo seus interesses particulares devem ser chamados a discutir a crise e participar do esforço de racionamento, mesmo com alguma perda em seus interesses.

O acesso à água limpa é direito universal, ou ao menos deveria sê-lo. A conservação da água para que possa ser acessada é responsabilidade indelegável de todos, de todos os setores. Isto posto, diga-se, em conclusão, que crises são o que são: momentos difíceis, de acirramento de algum problema, de riscos de falência. Mas crises também são, metaforicamente, grandes janelas. Superada a crise, e mesmo durante ela, destas janelas abertas há que se observar com atenção tudo o que deve ser feito para evitar outra crise, pois uma segunda pode ser pior, devastadora.

No caso da água, a janela de oportunidades permite vislumbrar que o país precisa, no contexto de uma crise mundial da água reconhecida pela ONU, convocar sua intelligentsia e sua força produtiva para repensar a forte dependência que temos da energia hidrelétrica e buscar outras matrizes energéticas em grande escala; estabelecer marcos regulatórios mais rígidos no concernente a proteção dos mananciais de água, dar especial atenção a geopolítica do Aquífero Guarani; reavaliar o sistema educacional de crianças e adolescentes no sentido de efetivamente socializá-los dentro desta nova realidade mundial.

A água limpa e o acesso a ela são, sem dúvida, elementos essenciais na civilização humana e sem água, sem acesso fácil, direto e cotidiano, o processo civilizatório pode, como nos diz Norbert Elias, sofrer um retrocesso e transmutar-se em pura barbárie. 

Fonte - Consultor Jurídico

[1]O ciclo da água, que se aprende nos albores da escolarização, pareceu sempre indicar que a água possui uma quantidade fixa e que nunca irá faltar. A água evapora dos mares e das plantas (evapotranspiração), sobe aos céus em forma de vapor d'água, condensa-se e, zás, volta para a terra em forma de chuva. Ocorre que a interferência humana, como desmatamentos, impermeabilização do solo com o asfalto, queimadas e outras práticas, acabam interferindo no ciclo hidrológico.

[2]Não desconheço que eventos como a Conferencia de Estocolmo e a ECO-92 tenham refletido de algum modo no pensamento sobre educação de crianças e adolescentes no Brasil. Mas, ainda há muito por ser feito, tanto em termos curriculares quanto em termos de prática pedagógica. Sem mencionar a necessidade de políticas de valorização dos profissionais de educação, sob a orientação de que a Escola não é um mundo a parte, mas uma parte do mundo.

[3]A teoria da escolha racional possui um corte econômico e, em apertada síntese, sustenta que o ser humano é um tomador de decisões e que suas escolhas baseiam-se em sua própria satisfação pelo equacionamento de meios e fins. Todavia, a gama de comportamentos do homem que são nocivos a si ou aos seus parece desafiar a referida teoria

[4]O sociólogo Norbert Elias escreveu a opus mater sobre o assunto. Interessa notar que, para Elias, o processo civilizatório pode muito bem retroceder.

[5]A socialização como um processo de introjeção e assimilação de crenças, códigos, valores e praticas ainda no início da vida é um fato. O que pode ser questionado é a amplitude do papel que ela joga na vida adulta de um indivíduo. Filosoficamente, não desconheço que autoras, como Hannah Arendt in “Eichmann em Jerusalem” e “a vida do espírito”, concedem à capacidade de refletir e a reflexão mesma importante papel para uma vida digna, longe de atos nocivos e vis, já que a origem do mal seria, para ela, a falta de reflexão. Mas neste ponto a filosofia de Hannah mais coaduna-se do que colide com o papel da socialização. Com efeito, o que terrifica Hannah no julgamento de Eichmann é descobrir que o que parecia um monstro altivo e decidido não passava de alguém que agia conforme aprendeu e que seguia clichês, sem refletir sobre o que fazia.

[6]Como dito, essa nova visão ou representação há que superar, diante da escassez e de possibilidades de conflito, a crença dicotômica que nos coloca como SUJEITO e o meio ambiente como OBJETO. Um novo humanismo, um eco-humanismo, deve ter um corte sistêmico/interacionista, onde não há sujeito e objeto, mas elementos em constante interação e interdependência.

[7]Nos limites deste texto, não pretendo dialogar com autores que tenham a federação brasileira por objeto de reflexão. Menciono a dita assimetria, apenas para dialogar com o próprio problema sobre o qual escrevo, no sentido de que a simetria de feição norte americana reside na soberania dos Estados-membros justaposta a soberania da União, o que por razões históricas não ocorre conosco. Que fique claro que a simetria é politica , e não pode passar por cima de diferenças econômicas e culturais entre os Estados americanos.

[8]É curioso ou inquietante que a crise da água pela qual passam importantes Estados do Sudeste acabe, dado que a natureza desconhece a geopolítica, criando um novo elo entre o Nordeste e o Sudeste do País: a seca.

[9]Particularmente, e tendo em vista experiências colhidas na literatura, estou convencido de que o princípio rule of the law (conceito que a expressão estado de direito não traduz bem) é o pilar das republicas democráticas. Em verdade, o império da lei (direito) é mais do que um principio uma conquista. O contraponto do rule of the law é o voluntarismo, o governo dos homens e de suas conveniências. Note-se que em toda nação em que se viveu um regime de exceção ou de memoria patrimonialista, o regime jurídico é fácil, embora as vezes disfarçadamente, postergado. Não se trata em absoluto de reviver o dura lex sed lex. Não é disto que se trata. O rule of the law é consistente com o afastamento de leis iníquas, desde que pelos procedimentos previstos no próprio direito.

[10]Evidentemente, não desconhece o autor que a lida e a responsabilidade domésticas continuam a existir, em variados graus. Todavia, a expressão “ dona de casa” quando consta nestes tipos de discurso, que visam ao engajamento, não possui referencia concreta, pois desconsidera as reconfigurações no âmbito familiar e na própria família. Ademais, em mais este ponto, sinaliza o uso da expressão “ dona de casa” que à mulher cabe gerenciar a crise no âmbito doméstico, do lar. Ou seja, outra tarefa ou responsabilidade subtraída ao gênero masculino.

domingo, 1 de fevereiro de 2015

"Três minutos para a meia-noite" - Eventos mundiais (Jan/15)

Monitoramento em massa para combater crimes de ódio gera polêmica

No final de 2014, o governo federal constituiu um grupo de trabalho para lidar com os crimes de ódio no ambiente virtual. O grupo, composto por membros das secretarias de Direitos Humanos, de Políticas para as Mulheres e de Igualdade Racial, além de OAB e Procuradoria Geral da República, estabeleceu parceria com a Universidade Federal do Espírito Santo para monitorar as redes sociais em busca de expressões de preconceito. A prática de monitorar em massa publicações dos usuários, mesmo que para a defesa de direitos humanos, divide ativistas.

Segundo a Secretaria de Direitos Humanos, o programa tem por objetivo “coletar dados e identificar redes que se reúnem para proferir ofensas a determinados grupos de pessoas, como mulheres, negros e nordestinos”. O software deverá recolher em redes como Facebook, Twitter e Instagram postagens públicas de ódio que depois serão reunidas em uma página web para que as autoridades possam tomar providências. O programa deve ser lançado em outubro.

Alguns ativistas da área de tecnologia consideraram que o programa pode violar a privacidade dos usuários, por se tratar de monitoramento massivo indiscriminado, sem suspeita individualizada fundada.

Para o professor Fabio Malini, coordenador do desenvolvimento do software, o recolhimento dessas informações não viola a privacidade dos usuários porque, segundo ele, a postagem pública “está relacionada a uma decisão individual de tornar uma informação liberada para todos.” Assim, quem escreveu publicamente numa rede social optou por tirar o pensamento da esfera privada e torná-lo público. Ele acredita que “o ato de publicar demarca o intuito deliberado de objetivar a produção de influência, de juízo, e de gosto para todos na sociedade.” Dessa maneira, diz, “as redes sociais funcionariam como os jornais, mas sem intermediários”.

No entanto, não há consenso entre os ativistas digitais de que tudo o que é publicado nas redes sociais deve estar sujeito ao olhar do Estado.

Para o ativista Pedro Markun, do grupo Transparência Hacker, não se pode pressupor que o cidadão tem consciência de que o que ele está publicando na rede é público, assim como não se pode considerar público algo que é dito por alguém, apenas por estar na rua. “A publicidade de algo dito ao vento e que logo desaparece”, diz, “é diferente da publicidade da rede social – ainda mais quando você está propondo um mecanismo automatizado e massivo de coleta e análise dessas falas”. Para ele, a proposta de monitorar as redes seria o equivalente a viver em uma sociedade em que todas as ruas são vigiadas por câmeras e “tudo que você diz não é apenas gravado, mas analisado em tempo real na busca de indicativos estatísticos de crime de ódio”.

Opinião semelhante tem a pesquisadora e consultora em direitos digitais, Joana Varon. Ela acredita que qualquer monitoramento de rede tem de ser justificado, para fins específicos, com alvos claros e mediante ordem judicial. “Monitoramento e vigilância massivos são um atentado contra direitos fundamentais, como o direito à privacidade e à liberdade de expressão”. Ela considera “perigoso quando a lógica inversa passa a prevalecer, ou seja, a vigilância passa a ser justificada como medida necessária para a defesa de direitos humanos”.

Varon lembra ainda as revelações de Edward Snowden sobre as práticas de vigilância em massa que evidenciaram que não eram apenas suspeitos de redes terroristas que tinham suas informações e comunicações mapeadas. Assim, pondera que “vigilância sempre pede mais vigilância” e, acrescenta, “onde iremos traçar o limite de forma a resguardar direitos?”

Os questionamentos sobre os limites entre público e privado, suscitados pelo anúncio do desenvolvimento do software, reacendem um debate fundamental sobre as complexas interações entre o direito à privacidade e a proteção aos direitos humanos.

sábado, 31 de janeiro de 2015

A última grande batalha - Pr. Paulo Cordeiro

A ÚLTIMA grande batalha que se travará na história deste mundo de pecado, está precisamente diante de nós! E poderá estar MUITO MAIS PERTO do que qualquer um de nós (eu incluído) possa imaginar! A Bíblia dá-lhe um nome: a BATALHA DO ARMAGEDOM (ver: Apocalipse 16:12-16 e 19:11-21). Na preparação para essa batalha, "espíritos de demónios, operadores de sinais", "se dirigem aos reis do mundo inteiro, com o fim de AJUNTÁ-LOS (ou, segundo uma outra versão bíblica, "para os CONGREGAR") para a peleja (ou "batalha") do grande dia do Deus Todo-poderoso" (Apocalipse 16:14).

Que batalha será esta? Literalmente, milhões de protestantes evangélicos, da chamada ala conservadora do protestantismo, creem firmemente que esta batalha será uma guerra convencional que se travará sobre o território geográfico da moderna nação de Israel, nomeadamente na planície de Meguido, na parte noroeste do país, não muito distante da cidade costeira de Haifa, ficando o Monte Carmelo do lado oriental desta cidade (já estive presencialmente nesta região, em junho de 2009). Eles podem crer nisso muito sinceramente (e isso não ponho minimamente em causa!), mas o que é FACTO é que eles estão muito sinceramente... ENGANADOS, visto que essa batalha será essencialmente, e acima de tudo, uma batalha ESPIRITUAL! Vou ser mais específico:

QUASE TODOS CONTRA JESUS

Aquilo que aconteceu na vida do nosso SENHOR JESUS CRISTO enquanto viveu aqui nesta terra, sobretudo no período que antecedeu o Seu "julgamento" (que não passou de uma mera farsa!), dá-nos um VISLUMBRE CLARÍSSIMO daquilo que ocorrerá nessa tão falada batalha do Armagedom! Queira então, POR FAVOR, prestar atenção ao que sucedeu com Jesus:

1) Unificação religiosa CONTRA Jesus

1.1) Unificação intra-religiosa

Em Mateus 16:1 lemos o seguinte: "E chegando-se os FARISEUS e os SADUCEUS, para O tentarem, pediram-Lhe que lhes mostrasse algum sinal do céu". O que é que este texto nos diz sobre a INTENÇÃO que motivou fariseus e saduceus a irem, AMBOS, ter com Jesus? Reparou bem? Foram para "O tentarem"! Se foram para O tentarem, então a intenção deles era boa ou má? Era claramente uma MÁ intenção! Mas reparou igualmente que eles foram JUNTOS? E o que é que isso tem de especial? - poderá algum de vós perguntar. Bom, o que tem de MUITO ESPECIAL é que fariseus e saduceus NUNCA se entendiam, devido às diferenças teológicas, ou melhor, doutrinárias, que os separavam! Em Mateus 22:23 somos informados que os saduceus "dizem não haver ressurreição", e Jesus, perante um "dilema" com o qual eles O pretendiam "atrapalhar" (a história inventada de uma mulher que tinha casado com 7 irmãos - versículos 25 a 28), disse-lhes, sem rodeios: "Errais, NÃO CONHECENDO AS ESCRITURAS, nem o poder de Deus." (Mateus 22:29). Em Atos 23:8 temos a informação adicional de que "os saduceus dizem que não há ressurreição, nem anjo, nem espírito; mas os fariseus reconhecem uma e outra coisa." Portanto, havia claramente diferenças doutrinárias entre eles, mas - e é isto que é muito especial - APESAR DAS DIFERENÇAS, eles uniram-se num PROPÓSITO COMUM - serem CONTRA Jesus! Teria sido essa união ecuménica entre eles uma união real e genuína? Claro que não foi, pois já muito depois da ressurreição e ascensão de Jesus ao Céu, eles encontravam-se novamente no "estado normal deles", isto é, em grande desavença mútua: "Sabendo Paulo que uma parte do Sinédrio se compunha de saduceus e outra, de fariseus, exclamou: Varões, irmãos, eu sou fariseu, filho de fariseus; no tocante à esperança e à ressurreição dos mortos sou julgado. Ditas estas palavras, LEVANTOU-SE GRANDE DISSENSÃO ENTRE FARISEUS E SADUCEUS, e a multidão se dividiu. (...) HOUVE, POIS, GRANDE VOZEARIA. (...) TOMANDO VULTO A CELEUMA, ..." (Atos 23:6-7, 9, 10). Estes textos indicam-nos, de forma bem explícita, que os fariseus e os saduceus eram as duas principais denominações religiosas (entre outras, de muito menor vulto) que existiam no espectro religioso de Israel. Não se esqueça deste ponto!

Pergunto então: o que terá, então, acontecido de tão extraordinário, para fariseus e saduceus, que não se suportavam mutuamente, DE REPENTE, terem-se colocado de mútuo acordo sobre o que deveriam fazer contra Jesus? A resposta é simples, à luz de Apocalipse 16:14: espíritos de demónios trabalharam junto dos (sobretudo líderes dos) fariseus e saduceus "com o fim de ajuntá-los"! E porquê? Por razões óbvias: para que os principais líderes religiosos do tempo de Jesus pudessem apresentar uma FRENTE UNIDA contra Jesus!

1.2) Unificação inter-religiosa

Em Atos 4:27 temos uma descrição terrivelmente PRECISA da ENORME COLIGAÇÃO que se formou contra Jesus: "Porque verdadeiramente SE AJUNTARAM nesta cidade contra o Teu santo Servo Jesus, ao qual ungiste, Herodes e Pôncio Pilatos, COM GENTIOS e gente de Israel". O que é que a expressão "com gentios" quer dizer? O apóstolo Paulo, em 1 Tessalonicenses 4:5 diz que "os gentios" "não conhecem a Deus"! Por conseguinte, os gentios são aqueles que não conhecem e nem sequer professam crer no Deus verdadeiro! São os ateus, os agnósticos ou mesmo os membros e/ou simpatizantes das religiões pagãs! Pois bem, TAMBÉM ESTES SE COLIGARAM CONTRA JESUS, ou, melhor dito, o mundo religioso de Israel não se importou de estender a sua aliança ecuménica inter-religiosa (entre as duas principais denominações de Israel - fariseus e saduceus) ao mundo gentio ou às religiões pagãs que saiam fora da esfera de Israel!

1.3) Unificação com a "gente de Israel"

E o que significará, ou melhor, o que incluirá a expressão "gente de Israel"? Caberão nesta designação, ALGUNS dos membros da Igreja organizada de Deus na terra? Certamente que sim!

2) Unificação política CONTRA Jesus

Não só o texto bíblico acima citado de Atos 4:27 nos diz que "SE AJUNTARAM (...) contra o Teu santo Servo Jesus (...) HERODES e PÔNCIO PILATOS", como igualmente o texto de Lucas 23:12 nos diz que "no mesmo dia [isto é, no dia do "julgamento" de Jesus], Pilatos e Herodes entre si se fizeram amigos; pois dantes andavam em inimizade um com o outro". Quem eram esses dois homens? Pois bem, nada mais nada menos, do que os dois principais LÍDERES POLÍTICOS do tempo de Jesus! E, uma vez mais, não resisto a fazer a pergunta: mas que "bicho é que terá mordido" a esses dois líderes políticos que andavam de "costas voltadas" um para o outro para, DE REPENTE, se terem reconciliado entre si? Nenhum "bicho" lhes mordeu, mas "espíritos de demónios" foram certamente influenciar um e o outro, para que - já sabem, não sabem? - pudessem apresentar uma FRENTE UNIDA contra Jesus!

3) Pressão do poder religioso e da multidão sobre o poder político, CONTRA Jesus

O evangelista Lucas revela-nos que "toda a multidão clamou à uma, dizendo: Fora daqui com este [Jesus], e solta-nos Barrabás. (...) Falou, pois, outra vez Pilatos, querendo soltar a Jesus. Mas eles clamavam em contrário, dizendo: Crucifica-o! Crucifica-o! (...) Mas eles instavam com grandes gritos, pedindo que Jesus fosse crucificado. E os seus gritos, E OS DOS PRINCIPAIS SACERDOTES, prevaleciam. ENTÃO PILATOS JULGOU QUE DEVIA FAZER O QUE ELES PEDIAM. (...) MAS ENTREGOU JESUS À VONTADE DELES." (Lucas 23:18-25). Entenderam o que se passou com Pilatos? Uma CAPITULAÇÃO do poder político à pressão do povo e do poder religioso!

E então - perguntará! - o que é que aquilo que se passou com Jesus tem a ver com a batalha do Armagedom? Para responder a esta pergunta necessito de fazer uma outra: será correto ou legítimo traçar um paralelismo entre o que aconteceu na vida de Cristo com aquilo que se passará com o povo de Deus, especialmente no tempo do fim? A resposta é: sim, claro que é! Porquê? Pergunto ainda: Jesus sofreu "perseguição por causa da justiça", foi Ele injuriado e, mentindo, disseram todo o mal contra Ele? Claro que sim! Mas no chamado Sermão da Montanha (mais especificamente em Mateus 5:10-12), Jesus disse que isso mesmo aconteceria... AOS SEUS DISCÍPULOS! Mais: em João 16:1-3, Jesus previu que "vem mesmo a hora em que qualquer que VOS matar cuidará fazer um serviço a Deus." Jesus, nesta passagem, estava a falar dEle mesmo, ou antes, dos Seus discípulos? Estava a falar dos Seus discípulos! Mas não sofreu, Ele mesmo, na pele, a morte, nas mãos daqueles que, assim procedendo, cuidavam "fazer um serviço a Deus" ao matar "esse homem [que] é pecador" (João 9:24)? Qual é o ponto que pretendo, então, PROVAR? É este: Jesus, Ele mesmo, previu que os Seus discípulos sofreriam o mesmo tipo de tratamento pelo qual Ele viria a passar!

CONCLUSÃO

"O que foi, isso é o que há de ser; e o que se fez, isso se fará; de modo que NADA há de novo debaixo do sol." (Eclesiastes 1:9). Por esta razão, toda a ENORME COLIGAÇÃO que foi intentada contra Jesus, pelo trabalho, nos bastidores, de espíritos de demónios, SERÁ REPETIDO, DE NOVO, contra Jesus, mas desta vez na pessoa dos Seus santos dos últimos dias! Um facto curioso, mas que não é seguramente fortuito, é que o verbo grego que é utilizado em Atos 4:27 para descrever a ação CONJUNTA "contra o Teu santo Filho Jesus" - sunago, traduzido por "se ajuntaram", da raiz da palavra que dá "sinagoga" (local de ajuntamento) - é precisamente O MESMO VERBO que aparece em Apocalipse 16:14 e 16, e que é traduzido por "ajuntar" ou "congregar" (e que corresponde ao vocábulo nº 4863 da Strong's Exhaustive Concordance, a melhor concordância em inglês, hebraico e grego que existe no mundo)! Será por acaso esta coincidência no verbo? Certamente que não! Ela é seguramente INTENCIONAL, para mostrar que na batalha do Armagedom os verdadeiros e genuínos filhos de Deus passarão por uma experiência MUITO SEMELHANTE àquela pela qual o seu Salvador e Senhor passou!

Em preparação para o CLÍMAX dessa batalha (que não chegará a ser travada, pois as 6ª e 7ª pragas farão ruir completamente Babilónia), o que poderemos ver desenvolver-se diante dos nossos olhos? Algo muito semelhante, a saber:

1) Uma unificação religiosa ganhar cada vez mais forma. E essa unificação será igualmente:

1.1) Uma unificação intra-religiosa, ecuménica, entre as principais fações do cristianismo, a saber, o catolicismo e o protestantismo - as duas bestas de Apocalipse 13 - que estarão dispostas a colocar de parte as suas diferenças doutrinárias (que existem!), tendo em vista um PROPÓSITO COMUM, que é o de apresentarem uma FRENTE UNIDA (estrategicamente falando) CONTRA o povo de Deus, "os que guardam os mandamentos de Deus e a fé em (e de) Jesus" (Apocalipse 14:12). Uma vez que esse trabalho é manobrado por espíritos de demónios, é bem provável que a esmagadora maioria dos que nesses movimentos se acham não tenham (ainda) consciência para onde se dirige tal processo de unificação! Com muitos deles poderá certamente acontecer o que aconteceu com os que crucificaram a Jesus e/ou foram responsáveis diretos ou indiretos pela Sua morte: "não sabem o que fazem" (Lucas 23:34)!

1.2) Uma unificação inter-religiosa, que será igualmente capaz de absorver no seu seio os gentios, ou seja, as religiões pagãs (fora do espectro religioso do cristianismo), como o islamismo, o budismo, o hinduísmo, o judaísmo e até os agnósticos e ateus!

1.3) Uma unificação em que participarão igualmente membros da "gente de Israel", a saber, membros do Israel espiritual de hoje, da Igreja remanescente organizada que o Senhor tem sobre a terra!

2) Uma unificação política

Líderes políticos do mundo inteiro estarão cada vez mais unidos uns aos outros e será altamente provável que políticos, forças políticas ou mesmo nações inteiras que estão inimizadas umas com as outras venham a se reconciliar, como aconteceu - lembram-se? - com Herodes e Pilatos!

3) Finalmente, iremos assistir a uma crescente pressão do poder religioso e da multidão sobre o poder político, no sentido deste aprovar leis específicas que possam prejudicar o povo de Deus e, por último, sairá uma lei que condenará à morte (ver: Apocalipse 13:15) todos aqueles que não se conformarem com o sistema babilónico estabelecido por todo o planeta!

Acha improvável que isto venha a acontecer? Então fique atento ao desenvolvimento dos acontecimentos mundiais e observe, POR SI MESMO, a tendência que os acontecimentos estão a tomar. Ficará literalmente ESTUPEFACTO ao verificar que o cenário descrito neste artigo é CADA VEZ MAIS UMA REALIDADE! Como reagir quando vir isso, por si mesmo? Jesus disse o que fazer: "Ora, quando estas coisas começarem a acontecer, olhai para cima e levantai as vossas cabeças, porque A VOSSA REDENÇÃO ESTÁ PRÓXIMA" (Lucas 21:28). Por isso, "não se turbe o vosso coração; credes em Deus, crede também em Mim" - disse Jesus. "Na casa de Meu pai, há muitas moradas; se não fosse assim, Eu vo-lo teria dito. Vou preparar-vos lugar. E quando Eu for, e vos preparar lugar, VIREI OUTRA VEZ, e vos levarei para Mim mesmo, para que onde Eu estiver estejais vós também." (João 14:1-3). Amém!

sexta-feira, 30 de janeiro de 2015

Polícia invade estudo bíblico e prende vinte cristãos

A perseguição de cristãos na China ganhou um novo episódio este ano, no dia 11 de janeiro dez policiais invadiram uma casa e prenderam 27 cristãos que participavam de um estudo bíblico.

O caso aconteceu no distrito de Shunyi, em Pequim, em uma casa que recebe cristãos que trabalham na cidade. A reunião estava no começo quando os fiéis foram surpreendidos pelos policiais.

“Assim que terminamos nosso momento de louvor e adoração, um missionário tomou à frente a fim de nos guiar na leitura de passagens da Bíblia. Nós estávamos orando quando a polícia chegou”, disse um membro da igreja parafontes do ministério Portas Abertas.

Todas as pessoas que participaram do estudo foram levadas à delegacia e as bíblias e os hinários foram confiscados. A liberação dos cristãos só aconteceu depois das 10h30 da noite.

“A polícia queria que nós entregássemos tudo que tínhamos, incluindo os dados salvos em nossos celulares. Eles checaram nossos documentos de identificação, e depois de terem feito um registro por escrito, nos deixaram ir embora”, disse um dos cristãos que foram presos.

“Inicialmente, eles alegaram que nosso encontro era proibido por lei. Depois, quando chegamos à delegacia, eles disseram que o local é ilegal e que não devíamos ir lá novamente”.

Essa não é a primeira vez que os cristãos são levados à delegacia e seus materiais eletrônicos são confiscados. O mesmo delegado, Li Jincheng, já realizou operações semelhantes segundo as testemunhas.

“O diretor da delegacia é Li Jincheng, o mesmo policial que nos atacou no ano passado. Na última vez, ele e sua equipe tentaram apagar todas as informações de nossos computadores. Eles só não concluíram porque não houve tempo suficiente, mas muito conteúdo foi deletado. A polícia também disse que não estávamos autorizados a pegar os computadores de volta. Eles disseram que devíamos abandonar nossa igreja”, contou o cristão.

Fonte - Gospel Prime

Mudanças na Igreja? - Ωmega Emergente


Um iceberg de engano; uma olhada debaixo da superfície. Sob o nome de “formação espiritual”, “desenvolvimento espiritual”, e outros nomes que mudam constantemente. O misticismo está entrando em nossa querida IASD. Ore por ela; curta, compartilhe e divulgue este vídeo de advertência que desmascara o plano de Satanás. Veja o pr. Ted Wilson atacando estas heresias em nada menos que seu sermão inaugural em 2010.

“O inimigo das almas tem procurado introduzir a suposição de que uma grande reforma devia efetuar-se entre os adventistas do sétimo dia, e que essa reforma consistiria em renunciar às doutrinas que se erguem como pilares de nossa fé, e empenhar-se num processo de reorganização. Se tal reforma se efetuasse, qual seria o resultado? Seriam rejeitados os princípios da verdade, que Deus em Sua sabedoria concedeu à igreja remanescente. Nossa religião seria alterada. Os princípios fundamentais que têm sustido a obra neste últimos cinqüenta anos, seriam tidos na conta de erros. Estabelecer-se-ia uma nova organização. Escrever-se-iam livros de ordem diferente. Introduzir-se-ia um sistema de filosofia intelectual. Os fundadores deste sistema iriam às cidades, realizando uma obra maravilhosa. O sábado seria, naturalmente, menosprezado, como também o Deus que o criou. Coisa alguma se permitiria opor-se ao novo movimento. Ensinariam os líderes ser a virtude melhor do que o vício, mas, removido Deus, colocariam sua confiança no poder humano, o qual, sem Deus, nada vale. Seus alicerces se fundariam na areia, e os vendavais e tempestades derribariam a estrutura.” {ME1 204.2}

Fred Bischoff justifica etiquetar o movimento emergente com a apostasia Ômega. “Os elementos essenciais do “Alfa” de Kelloggs consistiam na confusão sobre a natureza de Deus, conceitos que W.A.Spicer viu refletido no hinduismo que ele viu na Índia, quando missionário lá. As conexões com filosofias orientais têm que ver com o pensamento dualista, com um “espírito” falso. Isso envolve os aspectos carismático e contemplativo dos emergentes. A mensagem mais parecida com a genuína mensagem da justificação pela fé é a mensagem que envolve filosofia espiritualista, seja o panteismo (Kellogs e de Chardin) ou o espiritualismo (negar a realidade da experência da salvação). Isso não é reconhecido por muitos (a maioria?) envolvidos em atividades emergentes.”

Fonte - Terceiro Anjo

quarta-feira, 28 de janeiro de 2015

Bill Gates alerta que o mundo deve se preparar para uma pandemia mundial

O bilionário Bill Gates acredita que o mundo deve aprender com a batalha contra o vírus ebola para se preparar para uma guerra contra uma possível doença fatal e global, utilizando para isso a ajuda das novas tecnologias.

O americano, que participou em Berlim de uma conferência de doadores da organização Gavi, a Aliança Global para Vacinas e Imunização, considera que seria imprudente não se preparar para o risco de uma pandemia mundial.

"Um patógeno ainda mais difícil (que o ebola) poderia surgir: uma forma de gripe, de SARS ou um tipo de vírus nunca antes visto", declarou em uma entrevista à AFP.

"Nós não sabemos se isso vai acontecer, mas o risco é significativo o suficiente, e uma coisa que deveríamos aprender com o ebola é perguntar-nos: Estamos prontos o suficiente? É como quando estamos nos preparando para a guerra, temos aviões e precisamos treinar", continuou ele.

Segundo ele, se preparar pode significar recrutar voluntários para serem treinados para responder rapidamente às emergências de saúde, à imagem dos planos desenvolvidos nos países mais atingidos pelo ebola - a Guiné, Libéria e Serra Leoa -, que registraram quase 8.700 mortos, segundo o último relatório da OMS.
Campanha de vacinação infantil

Bill Gates, classificado pela revista Forbes como o homem mais rico do mundo, com uma fortuna de cerca de 80 bilhões de dólares, explicou que a fundação que dirige com sua esposa Melinda tem distribuído em torno de US$ 4 bilhões por ano para ajudar os mais pobres do mundo.

A fundação também é um dos principais contribuintes da organização Gavi, que arrecadou promessas de doação de US$ 7,5 bilhões para prosseguir com sua campanha de vacinação infantil de 2016 a 2020.

As vacinas são "os maiores salva-vidas de vidas humanas", de acordo com o americano de 59 anos de idade, que comemora o fato de a chanceler alemã Angela Merkel ter recebido esta conferência de doadores em Berlim e feito da vacinação no mundo uma das prioridades do G7 presidido pela Alemanha este ano.

Ele também expressou sua preocupação com a ascensão de uma corrente anti-vacinação nos países ocidentais, ligada a um medo exagerado dos riscos associados às vacinas.

"Nós nos concentramos em crianças pobres. Milhões delas morrem de doenças que poderiam ser evitadas por meio de vacinas", acrescenta. "É uma pena não haver uma taxa de 100% (de vacinação) nos países ricos."

"Eles escolhem infectar potencialmente pessoas que não podem se proteger", considera Bill Gates, observando que doenças como sarampo e a coqueluche podem voltar a se espalhar.

O co-fundador da empresa de software Microsoft também salienta a importância da tecnologia na realização de campanhas de vacinação.

"Nós usamos fotos de satélite para determinar onde as pessoas vivem, usamos o GPS com telefones móveis para ver se as equipes de vacinação estão indo em todos os lugares que precisam ir, fazemos uma análise estatística para ver se alguma criança não foi atendida", explica.

"As novas tecnologias inovadoras vão nos permitir ver o que está acontecendo, a um custo muito mais baixo", disse ele.

Bill Gates também diz estar orgulhoso de ter incentivado outros bilionários americanos, como Warren Buffett, a dedicar uma parcela significativa de sua riqueza à caridade.

Ele diz que quer levar esta mensagem para a Europa, Índia e China, "onde quer que eu vá, eu digo às pessoas o quanto eu me deleito na filantropia e eu encorajo outros a se envolver."

terça-feira, 27 de janeiro de 2015

Papa Francisco faz apelo a favor da união dos cristãos

Ataques ao islã causarão a 3ª Guerra Mundial

Quem mora em países onde o islamismo não é uma força política-religiosa tem dificuldade de entender como uma simples caricatura do profeta Maomé pode ter gerado tantos protestos de muçulmanos indignados. Em vários países da Ásia e da África, ocorreram marchas, manifestações violentas por causa do ataque ocorrido na redação do semanário francês Charlie Hebdo. Casas e igrejas foram queimadas, pessoas ameaçadas e mais uma vez viu-se a face da intolerância religiosa levada a um extremo.

Para os apoiadores do partido religioso Jamiat-e-Ulema Islam, do Paquistão, a resposta veio com a queima de bandeiras francesas, americanas e britânicas em um protesto contra o Charlie Hebdo em 23 de janeiro.

Em seu discurso, Sirajul Haq, importante líder islâmico avisou que esse tipo de ataque ao profeta “levará o mundo a uma terceira guerra mundial”. Diante dos milhares de participantes do protesto, exigiu-se ainda que as Nações Unidas façam leis que proíbam os meios de comunicação de zombar de personalidades religiosas.

Embora o Alcorão não diga explicitamente que retratar Maomé é proibido, uma série de ensinamentos islâmicos proíbe qualquer representação do profeta.

Haq exigiu que a França se desculpe por permitir que fossem feridos os sentimentos de “milhões de muçulmanos em todo o mundo.” Também pediu um boicote dos produtos de países como França e Dinamarca, cujos meios de comunicação publicaram as charges de Maomé.

Outro líder do Jamaat-e Islami, Abdul Mastan, exigiu que o governo paquistanês expulse o embaixador francês do Paquistão. Houve um clamor para que os muçulmanos de todo o mundo se unam para defender o profeta Maomé.

Durante o evento, uma coalizão de partidos religiosos no Paquistão composta por Jamaat-e Islami, Jamiat Ulema-e-Islam-Fazl e Ahle Sunnat Wal Jamaat, ofereceu uma recompensa para quem matar a equipe do Charlie Hebdo que foi responsável ​​pela criação de novas caricaturas de Maomé. O total chega a 100 milhões de rúpias, o que equivale a R$ 3,5 milhões.

Fonte - Gospel Prime

segunda-feira, 26 de janeiro de 2015

Oceano quente está derretendo maior geleira da Antártica Oriental, dizem cientistas

RIO - A maior geleira da Antártica Oriental, contendo gelo equivalente a seis metros acima do nível do mar, está derretendo devido à água quente do oceano, apontaram cientistas australianos nesta segunda-feira.

A geleira Tooten, de 120km de comprimento e mais de 30km de largura, era pensada como uma área intocada pelas correntes mais quentes. No entanto, uma viagem à região congelada encontrou que as águas em torno da geleira estavam mais quentes do que o esperado e, provavelmente, derretendo o gelo por baixo.

“Sabíamos que a geleira estava diminuindo a partir dos dados de satélite, e nós não sabíamos por quê”, afirmou a AFP o cientista-chefe da viagem Steve Rintoul.

Ele disse que, até recentemente, acreditava-se que a camada de gelo da Antártica Oriental era cercada por águas frias e, portanto, muito estável e sem risco de mudar muito. Mas o resultado da viagem foi que as águas em torno da geleira estavam cerca de 1,5ºC mais quentes do que em outras áreas visitadas na mesma viagem durante o verão do hemisfério sul.

“Chegamos na frente da geleira e medimos temperaturas que foram quentes o suficiente para conduzir um derretimento significativo”, disse Rintoul. “E por isso o fato de que a água quente pode alcançar esta geleira é um sinal de que a Antártica Oriental é potencialmente mais vulnerável às mudanças no oceano impulsionadas pela mudança climática sobre a qual estamos acostumados a pensar.”

Expedições anteriores tinham sido incapazes de chegar perto da geleira devido ao gelo pesado, mas Rintoul disse que o tempo ajudou o navio quebra-gelo Aurora Australis e uma equipe de cientistas e técnicos da Divisão Australiana da Anártica e outras organizações.

Rintoul disse que a geleira não estava prestes a derreter completamente durante a noite e causar um aumento de seis metros no nível do mar, mas a pesquisa foi importante, uma vez que os cientistas tentam prever como as mudanças na temperatura dos oceanos terão impacto sobre as camadas de gelo.

“Este estudo é um passo para uma melhor compreensão de exatamente quais partes das camadas de gelo são vulneráveis ao aquecimento do oceano e esse é o tipo de informação que podemos usar para melhorar as nossas previsões de futuras subidas do nível do mar”, disse ele.

Fonte - O Globo

Fórum Econômico Mundial discute extremismo religioso

O Fórum Econômico Mundial em Davos, na Suíça, realizou na última quarta-feira (21) uma sessão exclusiva sobre religião onde lideranças políticas e religiosas discutiram sobre a violência, o extremismo e a liberdade de expressão.

O encontro teve a participação do ex-primeiro-ministro britânico Tony Blair; do rabino David Rosen, do Comitê Judaico Americano; do clérigo muçulmano Hamza Yusuf Hanson, especialista em Islã e do arcebispo sul-africano Thabo Makgoba Cecil.

Motivado pelos ataques em Paris, o encontro não falou apenas sobre as mortes na sede da revista Charlie Hebdo, lembrando também dos conflitos motivados pelo extremismo religioso no Oriente Médio, Nigéria e República Centro-Africana.

Blair lembrou de casos de extremismos anti-religiosos como o comunismo e o fascismo. “O extremismo não é um fenômeno recente, tivemos o extremismo no século 20, através do comunismo e do fascismo, que eram ambos ideologias profundamente anti-religiosas”, disse o britânico.

Enviado especialmente para negociar a paz no Oriente Médio, Tony Blair entende que a religião não é a causa do conflito, mas sim a perversão da religião que seria o islamismo radical. “Não é a religião em si que causa conflito. No entanto, hoje, a ideologia que é mais ameaçadora para a nossa segurança é uma ideologia baseada em uma perversão da religião”.

O clérigo muçulmano Hamza Yusuf Hanson concordou com o ex-premiê britânico e deixou claro que o islã tradicional era “uma das religiões excepcionais que permite que outras religiões vivam pacificamente em seu meio”.

O rabino, por sua vez, declarou que a religião foi desviada para manipular as pessoas e isso tem gerado violência. “Agora que nos sentimos ameaçados, é natural e desejável nos voltarmos para a religião”.
Liberdade de expressão X Decência

Os ataques à revista francesa foram motivados por conta das constantes caricaturas de Maomé que estampavam a publicação. Na religião é proibido representar o profeta e os desenhos da Charlie Hebdo sempre traziam sátiras que zombavam do líder religioso que fundou o islã.

Hanson, considera que o trabalho da publicação ultrapassava a liberdade de expressão. “Esta é uma absoluta falta de civilidade e decência”, disse. “você pode condenar e criticar a religião, não há nenhum problema nisso, mas você não pode ridicularizar pessoas e desrespeitá-las”, completou o muçulmano.

O arcebispo Thabo Makgoba Cecil pediu para que figuras públicas não se posicionem a favor e nem contra a revista para evitar “expressões que fazem o buzz”, pedindo para que as autoridades tentem entender porquê o fenômeno de radicalização aconteceu na França.

Para a agência AFP o rabino comentou que insultar a religião é pior que um insulto racial, enquanto que Tony Blair propôs a educação para combater o islamismo. “O extremismo não é natural, é algo que é ensinado e deve ser removido dos sistemas de ensino”, disse ele.

O arcebispo sul-africano afirmou que tem fé e que o terrorismo não vai amedrontar a população mundial. “De um total de mais de 6 bilhões de seres humanos no mundo, há apenas um punhado de terroristas, não nos deixaremos aterrorizar por esta minoria”.

Para combatê-los, o católico sugere o amor e a liberdade. “A liberdade e o amor são valores-chave, e se os defendermos poderemos transcender a violência”.

Estados Unidos preparam-se para tempestade histórica a partir de hoje

Os estados do Nordeste dos Estados Unidos preparam-se para o que os meteorologistas anunciam como uma “tempestade histórica” de neve e frio, que afetará a região a partir de hoje (26). Foram emitidos alertas de tempestades de neve e frio na cidade de Filadélfia (Pensilvânia), por toda a Costa Leste do país até o Norte, incluindo Nova York, Nova Jersey e Nova Inglaterra, até o vizinho Canadá. As tempestades poderão ocorrer de hoje para amanhã (27). “Trata-se de uma tempestade de inverno, que poderá ter características históricas”, informou o canal de televisão The Weather Channel, especializado em meteorologia.

As companhias American Airlines, Delta JetBlue, Southwest e US Airways advertem passageiros que pretendem viajar hoje ou amanhã para o Nordeste dos Estados Unidos que, em razão da previsão de tempestades, os voos poderiam ter cancelamentos ou mudança de itinerários.

Fonte - Isto É

Um projeto de lei buscará que não se trabalhe aos domingos


Fonte - Parlamentario

domingo, 25 de janeiro de 2015

Papa pede "plena unidade" dos cristãos, divididos pelo diabo

O papa Francisco apelou neste domingo novamente à "plena unidade de todos" os cristãos porque assim quis Jesus e culpou o diabo por "todas as divisões", durante a mensagem prévia à tradicional reza do Ângelus dominical.

"Temos que rezar para que seja o Espírito Santo quem nos uma. Jesus queria a unidade de todos. O diabo é o pai das divisões, sempre divide, sempre faz guerras, causa muito prejuízo", ressaltou.

"(No coração de Cristo) se encontra o desejo de unidade de seus discípulos pertencentes a esta sede. O encontramos expressado na oração elevada ao pai antes da paixão: 'Porque todos somos uma só coisa'", acrescentou.

Assim, o papa pediu aos fiéis que continuem rezando e se comprometendo-se "pela plena unidade dos discípulos de Cristo, com a certeza de que Ele está do nosso lado e nos apoia com a força de seu espírito para que esta meta se aproxime".

Não é a primeira vez que o pontífice argentino cita seu desejo de unidade de todos os cristãos, no que considera um "ecumenismo do sangue".

Este propósito esteve no centro de sua viagem à Turquia em novembro.

Francisco rezou junto ao patriarca ecumênico Bartolomeu I na Igreja Patriarcal de São Jorge de Istambul e ambos desejaram a unificação de suas respectivas igrejas e com os demais cristãos.

Fonte - Yahoo

sábado, 24 de janeiro de 2015

"Estamos à beira da total auto-destruição?"

O que o futuro trará? Uma postura razoável seria tentar olhar para a espécie humana de fora. Então imagine que você é um extraterrestre observador que está tentando desvendar o que acontece aqui ou, se imagine como um historiador daqui a 100 anos - assumindo que existam historiadores em 100 anos, o que não é óbvio - e você está olhando para o que acontece. Veria algo impressionante.

Pela primeira vez na história da espécie humana, desenvolvemos claramente a capacidade de nos destruirmos. Isso é verdade desde 1945. Agora está finalmente sendo reconhecido que existem mais processos de longo-prazo como a destruição ambiental liderando na mesma direção, talvez não à destruição total, mas ao menos à destruição da capacidade de uma existência decente.

E existem outros perigos como pandemias, as quais estão relacionadas à globalização e interação. Então, existem processos em curso e instituições em vigor, como sistemas de armas nucleares, os quais podem levar à explosão ou talvez, extermínio, da existência organizada.

Como destruir o planeta sem tentar muito

A pergunta é: O que as pessoas estão fazendo a respeito? Nada disso é segredo. Está tudo perfeitamente aberto. De fato, você tem que fazer um esforço para não enxergar.

Houve uma gama de reações. Têm aqueles que estão tentando ao máximo fazer algo em relação à essas ameaças, e outros que estão agindo para aumentá-las. Se olhar para quem são, esse historiador futurista ou extraterrestre observador veriam algo estranho. As sociedades menos desenvolvidas, incluindo povos indígenas, ou seus remanescentes, sociedades tribais e as primeiras nações do Canadá, que estão tentando mitigar ou superar essas ameaças. Não estão falando sobre guerra nuclear, mas sim desastre ambiental, e estão realmente tentando fazer algo a respeito.

De fato, ao redor do mundo - Austrália, Índia, América do Sul - existem batalhas acontecendo, às vezes guerras. Na Índia, é uma guerra enorme sobre a destruição ambiental direta, com sociedades tribais tentando resistir às operações de extração de recursos que são extremamente prejudiciais localmente, mas também em suas consequências gerais. Em sociedades onde as populações indígenas têm influência, muitos tomam uma posição forte. O mais forte dos países em relação ao aquecimento global é a Bolívia, cuja maioria é indígena e requisitos constitucionais protegem os “direitos da natureza”.

O Equador, o qual também tem uma população indígena ampla, é o único exportador de petróleo que conheço onde o governo está procurando auxílio para ajudar a manter o petróleo no solo, ao invés de produzi-lo e exportá-lo - e no solo é onde deveria estar.

O presidente Venezuelano Hugo Chávez, que morreu recentemente e foi objeto de gozação, insulto e ódio ao redor do mundo ocidental, atendeu a uma sessão da Assembléia Geral da ONU a poucos anos atrás onde ele suscitou todo tipo de ridículo ao chamar George W. Bush de demônio. Ele também concedeu um discurso que foi interessante. Claro, Venezuela é uma grande produtora de petróleo. O petróleo é praticamente todo seu PIB. Naquele discurso, ele alertou dos perigos do sobreuso dos combustíveis fóssil e sugeriu aos países produtores e consumidores que se juntassem para tentar manejar formas de diminuir o uso desses combustíveis. Isso foi bem impressionante da parte de um produtor de petróleo. Você sabe, ele era parte índio, com passado indígena. Esse aspecto de suas ações na ONU nunca foi reportado, diferentemente das coisas engraçadas que fez.

Então, em um extremo têm-se os indígenas, sociedades tribais tentando amenizar a corrida ao desastre. No outro extremo, as sociedades mais ricas, poderosas na história da humanidade, como os EUA e o Canadá, que estão correndo em velocidade máxima para destruir o meio ambiente o mais rápido possível. Diferentemente do Equador e das sociedades indígenas ao redor do mundo, eles querem extrair cada gota de hidrocarbonetos do solo com toda velocidade possível.

Ambos partidos políticos, o presidente Obama, a mídia, e a imprensa internacional parecem estar olhando adiante com grande entusiasmo para o que eles chamam de “um século de independência energética” para os EUA. Independência energética é quase um conceito sem significado, mas botamos isso de lado. O que eles querem dizer é: teremos um século no qual maximizaremos o uso de combustíveis fóssil e contribuiremos para a destruição do planeta.

E esse é basicamente o caso em todo lugar. Evidentemente, quando se trata de desenvolvimento de energia alternativa, a Europa está fazendo alguma coisa. Enquanto isso, os EUA, o mais rico e poderoso país de toda a história do mundo, é a única nação dentre talvez 100 relevantes que não possui uma política nacional para a restrição do uso de combustíveis fóssil, e que nem ao menos mira na energia renovável. Não é por que a população não quer. Os americanos estão bem próximos da norma internacional com sua preocupação com o aquecimento global. Suas estruturas institucionais que bloqueiam a mudança. Os interesses comerciais não aceitam e são poderosos em determinar políticas, então temos um grande vão entre opinião e política em muitas questões, incluindo esta. Então, é isso que o historiador do futuro veria. Ele também pode ler os jornais científicos de hoje. Cada um que você abre tem uma predição mais horrível que a outra.

“O momento mais perigoso na história”

A outra questão é a guerra nuclear. É sabido por um bom tempo, que se tivesse que haver uma primeira tacada por uma super potência, mesmo sem retaliação, provavelmente destruiria a civilização somente por causa das consequências de um inverno-nuclear que se seguiria. Você pode ler sobre isso no Boletim de Cientistas Atômicos. É bem compreendido. Então o perigo sempre foi muito pior do que achávamos que fosse.

Acabamos de passar pelo 50o aniversário da Crise dos Mísseis Cubanos, a qual foi chamada de “o momento mais perigoso na história” pelo historiador Arthur Schlesinger, o conselheiro do presidente John F. Kennedy. E foi. Foi uma chamada bem próxima do fim, e não foi a única vez tampouco. De algumas formas, no entanto, o pior aspecto desses eventos é que a lições não foram aprendidas.

O que aconteceu na crise dos mísseis em outubro de 1962 foi petrificado para parecer que atos de coragem e reflexão eram abundantes. A verdade é que todo o episódio foi quase insano. Houve um ponto, enquanto a crise chegava em seu pico, que o Premier Soviético Nikita Khrushchev escreveu para Kennedy oferecendo resolver a questão com um anuncio publico de retirada dos mísseis russos de Cuba e dos mísseis americanos da Turquia. Na realidade, Kennedy nem sabia que os EUA possuíam mísseis na Turquia na época. Estavam sendo retirados de todo modo, porque estavam sendo substituídos por submarinos nucleares mais letais, e que eram invulneráveis.

Então essa era a proposta. Kennedy e seus conselheiros consideraram-na - e a rejeitaram. Na época, o próprio Kennedy estimava a possibilidade de uma guerra nuclear em um terço da metade. Então Kennedy estava disposto a aceitar um risco muito alto de destruição em massa afim de estabelecer o princípio de que nós - e somente nós - temos o direito de deter mísseis ofensivos além de nossas fronteiras, na realidade em qualquer lugar que quisermos, sem importar o risco aos outros - e a nós mesmos, se tudo sair do controle. Temos esse direito, mas ninguém mais o detém.

No entanto, Kennedy aceitou um acordo secreto para a retirada dos mísseis que os EUA já estavam retirando, somente se nunca fosse à publico. Khrushchev, em outras palavras, teve que retirar abertamente os mísseis russos enquanto os EUA secretamente retiraram seus obsoletos; isto é, Khrushchev teve que ser humilhado e Kennedy manteve sua pose de macho. Ele é altamente elogiado por isso: coragem e popularidade sob ameaça, e por aí vai. O horror de suas decisões não é nem mencionado - tente achar nos arquivos.

E para somar um pouco mais, poucos meses antes da crise estourar os EUA haviam mandado mísseis com ogivas nucleares para Okinawa. Eram mirados na China durante um período de grande tensão regional.

Bom, quem liga? Temos o direito de fazer o que quisermos em qualquer lugar do mundo. Essa foi uma lição daquela época, mas haviam outras por vir.

Dez anos depois disso, em 1973, o secretário de estado Henry Kissinger chamou um alerta vermelho nuclear. Era seu modo de avisar à Rússia para não interferir na constante guerra Israel-Árabes e, em particular, não interferir depois de terem informado aos israelenses que poderiam violar o cessar fogo que os EUA e a Rússia haviam concordado. Felizmente, nada aconteceu.

Dez anos depois, o presidente em vigor era Ronald Reagan. Assim que entrou na Casa Branca, ele e seus conselheiros fizeram com que a Força Aérea começasse a entrar no espaço aéreo Russo para tentar levantar informações sobre os sistemas de alerta russos, Operação Able Archer. Essencialmente, eram ataques falsos. Os Russos estavam incertos, alguns oficiais de alta patente acreditavam que seria o primeiro passo para um ataque real. Felizmente, eles não reagiram, mesmo sendo uma chamada estreita. E continua assim.

O que pensar das crises nucleares Iraniana e Norte-Coreana

No momento, a questão nuclear está regularmente nas capas nos casos do Irã e da Coréia do Norte. Existem jeitos de lidar com esse crise contínua. Talvez não funcionasse, mas ao menos tentaria. No entanto, não estão nem sendo consideradas, nem reportadas.

Tome o caso do Irã, que é considerado no ocidente - não no mundo árabe, não na Ásia - a maior ameaça à paz mundial. É uma obsessão ocidental, e é interessante investigar as razões disso, mas deixarei isso de lado. Há um jeito de lidar com a suposta maior ameaça à paz mundial? Na realidade existem várias. Uma forma, bastante sensível, foi proposta alguns meses atrás em uma reunião dos países não alinhados em Teerã. De fato, estavam apenas reiterando uma proposta que esteve circulando por décadas, pressionada particularmente pelo Egito, e que foi aprovada pela Assembléia Geral da ONU.

A proposta é mover em direção ao estabelecimento de uma zona sem armas nucleares na região. Essa não seria a resposta para tudo, mas seria um grande passo à frente. E haviam modos de proceder. Sob o patrocínio da ONU, houve uma conferência internacional na Finlândia dezembro passado para tentar implementar planos nesta trajetória. O que aconteceu? Você não lerá sobre isso nos jornais pois não foi divulgado - somente em jornais especialistas.

No início de novembro, o Irã concordou em comparecer à reunião. Alguns dias depois Obama cancelou a reunião, dizendo que a hora não estava correta. O Parlamento Europeu divulgou uma declaração pedindo que continuasse, assim como os estados árabes. Nada resultou. Então moveremos em direção a sanções mais rígidas contra a população Iraniana - não prejudica o regime - e talvez guerra. Quem sabe o que irá acontecer?

No nordeste da Ásia, é a mesma coisa. A Coréia do Norte pode ser o país mais louco do mundo. É certamente um bom competidor para o título. Mas faz sentido tentar adivinhar o que se passa pela cabeça alheia quando estão agindo feito loucos. Por que se comportariam assim? Nos imagine na situação deles. Imagine o que significou na Guerra da Coréia anos dos 1950’s o seu país ser totalmente nivelado, tudo destruído por uma enorme super potência, a qual estava regozijando sobre o que estava fazendo. Imagine a marca que deixaria para trás.

Tenha em mente que a liderança Norte Coreana possivelmente leu os jornais públicos militares desta super potência na época explicando que, uma vez que todo o resto da Coréia do Norte foi destruído, a força aérea foi enviada para a Coréia do Norte para destruir suas represas, enormes represas que controlavam o fornecimento de água - um crime de guerra, pelo qual pessoas foram enforcadas em Nuremberg. E esses jornais oficiais falavam excitadamente sobre como foi maravilhoso ver a água se esvaindo, e os asiáticos correndo e tentando sobreviver. Os jornais exaltavam com algo que para os asiáticos fora horrores para além da imaginação. Significou a destruição de sua colheita de arroz, o que resultou em fome e morte. Quão maravilhoso! Não está na nossa memória, mas está na deles.

Voltemos ao presente. Há uma história recente interessante. Em 1993, Israel e Coréia do Norte se moviam em direção a um acordo no qual a Coréia do Norte pararia de enviar quaisquer mísseis ou tecnologia militar para o Oriente Médio e Israel reconheceria seu país. O presidente Clinton interveio e bloqueou. Pouco depois disso, em retaliação, a Coréia do Norte promoveu um teste de mísseis pequeno. Os EUA e a Coréia do Norte chegaram então a um acordo em 1994 que interrompeu seu trabalho nuclear e foi mais ou menos honrado pelos dois lados. Quando George W. Bush tomou posse, a Coréia do Norte tinha talvez uma arma nuclear e verificadamente não produzia mais.

Bush imediatamente lançou seu militarismo agressivo, ameaçando a Coréia do Norte - “machado do mal” e tudo isso - então a Coréia do Norte voltou a trabalhar com seu programa nuclear. Na época que Bush deixou a Casa Branca, tinham de 8 a 10 armas nucleares e um sistema de mísseis, outra grande conquista neoconservadora. No meio, outras coisas aconteceram. Em 2005, os EUA e a Coréia do Norte realmente chegaram a um acordo no qual a Coréia do Norte teria que terminar com todo seu desenvolvimento nuclear e de mísseis. Em troca, o ocidente, mas principalmente os EUA, forneceria um reator de água natural para suas necessidades medicinais e pararia com declarações agressivas. Eles então formariam um pacto de não agressão e caminhariam em direção ao conforto.

Era muito promissor, mas quase imediatamente Bush menosprezou. Retirou a oferta do reator de água natural e iniciou programas para compelir bancos a pararem de manejar qualquer transação Norte Coreana, até mesmo as legais. Os Norte Coreanos reagiram revivendo seu programa de armas nuclear. E esse é o modo que se segue.

É bem sabido. Pode-se ler na cultura americana principal. O que dizem é: é um regime bem louco, mas também segue uma política do olho por olho, dente por dente. Você faz um gesto hostil e responderemos com um gesto louco nosso. Você faz um gesto confortável e responderemos da mesma forma.

Ultimamente, por exemplo, existem exercícios militares Sul Coreanos-Americanos na península Coreana a qual, do ponto de vista do Norte, tem que parecer ameaçador. Pensaríamos que estão nos ameaçando se estivessem indo ao Canadá e mirando em nós. No curso disso, os mais avançados bombardeiros na história, Stealth B-2 e B-52, estão travando ataques de bombardeio nuclear simulados nas fronteiras da Coréia do Norte.

Isso, com certeza, reacende a chama do passado. Eles lembram daquele passado, então estão reagindo de uma forma agressiva e extrema. Bom, o que chega no ocidente derivado disso tudo é o quão loucos e horríveis os líderes Norte Coreanos são. Sim, eles são. Mas essa não é toda a história, e esse é o jeito que o mundo está indo.

Não é que não haja alternativas. As alternativas somente não estão sendo levadas em conta. Isso é perigoso. Então, se me perguntar como o mundo estará no futuro, saiba que não é uma boa imagem. A menos que as pessoas façam algo a respeito. Sempre podemos.

Fonte - Carta Maior

quinta-feira, 22 de janeiro de 2015

Papa: católicos e luteranos juntos para testemunhar a misericórdia

Na manhã desta quinta-feira, 22 de janeiro, o Papa Francisco recebeu no Vaticano uma delegação ecuménica da Finlândia, que tradicionalmente vem a Roma em peregrinação para celebrar Santo Henrique, Padroeiro do país. Liderado pelo Bispo Vikström, o grupo de 12 pessoas ouviu as palavras do Santo Padre, que louvou este “encontro espiritual e ecuménico entre católicos e luteranos”.

A visita da delegação ecuménica dá-se precisamente enquanto se celebra a Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos. Este ano, a iniciativa tem como tema: “Dá-me de beber”, utilizando as palavras de Jesus dirigidas à Samaritana no poço de Jacob.

O Papa Francisco sublinhou que católico e luteranos podem ainda juntos para dar testemunho da misericórdia divina nas nossas sociedades. O testemunho comum é muito necessário quando há desconfiança, insegurança, perseguições e sofrimento no mundo de hoje.

Segundo o Santo Padre “este testemunho comum pode ser sustentado e encorajado pelo progresso no diálogo teológico entre as Igrejas”. Citando alguns progressos obtidos neste caminho, reafirmou o seu desejo de que esta visita a Roma contribua para reforçar as relações ecuménicas entre luteranos e católicos na Finlândia, muito positivas há anos. “Que o Senhor nos envie o Espírito de verdade e nos guie rumo a uma maior caridade e unidade” – concluiu o Papa Francisco.

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