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quinta-feira, 23 de julho de 2009

Nova encíclica: Repercussões 5

Caritas in Veritate no atual debate filosófico-social

QUERÉTARO, quarta-feira, 22 de julho de 2009 (ZENIT.org-El Observador).- A encíclica social de Bento XVI, "Caritas in veritate" aborda o âmbito de saberes como a política, a economia ou as teorias sobre a globalização para entrar em cheio no debate filosófico-social contemporâneo, explica um filósofo.

Para aproximar-nos dessas intuições do novo documento pontifício Zenit e El Observador entrevista Rodrigo Guerra López, doutor em Filosofia pela Academia Internacional do Principado de Liechtenstein, membro da Academia Pontifícia para a Vida, e diretor do Centro de Pesquisa Social Avançada (www.cisav.org).
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A nova encíclica do Papa não pretende competir com as análises que a partir da teoria social se realizam sobre a situação que guarda o desenvolvimento no contexto do mundo globalizado. Contudo, Caritas in Veritate ingressa à discussão desde seu próprio estatuto: a Doutrina Social da Igreja.
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Por isso, atrevo-me a assinalar algo que não me deixa de surpreender: os bispos latino-americanos no documento de "Aparecida" abordaram praticamente todos os temas nucleares da encíclica de modo providencialmente antecipado.
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Fonte - Zenit

Caritas in veritate constata hegemonia da Igreja sobre ideologias

ROMA, 22 Jul. 09 / 10:31 am (ACI).- O Ministro da Saúde, Trabalho e Políticas Sociais da Itália, Maurizio Sacconi, assinalou que a nova encíclica social do Papa Bento XVI, Caritas in veritate, constitui um ponto de referência muito importante ante a crise econômica atual e constata, ademais, "uma renovada hegemonia cultural da Igreja ante as ideologias exaustas".
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"A doutrina social da Igreja confirma assim a confiança na economia social de mercado que sabe dar valor às pessoas no trabalho, aprecia –diremos nós laicamente– o capital humano e de tal modo gera competitividade e inclusão social", explica.
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Fonte - ACI Digital


Nota DDP: Um filósofo e um político com importantes considerações, especialmente em dois pontos: doutrina social da igreja e o documento de Aparecida, sendo os mesmos catalogados respectivamente como ponto de partida da discussão e núcleo do próprio documento em destaque.

Na prática o que isso significa? Vejamos:

- Doutrina social da igreja:

«Também, para os crentes, a finalidade última do trabalho é a edificação do Reino de Deus», acrescentou.

Para enfrentar estes «problemas complexos», o Papa propõe tomar como ponto de referência a doutrina social, exatamente como é apresentada pelo Catecismo da Igreja Católica e sobretudo pelo Compêndio da Doutrina Social da Igreja.

«Hoje, mais que nunca, é necessário e urgente proclamar ‘o Evangelho do trabalho’, viver como cristãos no mundo do trabalho e converter-se em apóstolos entre os trabalhadores», assegura o Papa.

«Mas para cumprir com esta missão é necessário permanecer unidos a Cristo com a oração e com uma intensa vida sacramental, valorizando, com este objetivo, de maneira especial o domingo, que é o dia dedicado ao Senhor
(Zenit)

- Documento de Aparecida:

Uma das características da grande missão que se quer desenvolver na América Latina a partir da Conferência de Aparecida é despertar nos fiéis a consciência da importância fundamental que o domingo tem para os cristãos e, nesse sentido, a centralidade da Eucaristia.
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Uma delas, elogiada por Bento XVI na carta que dirigiu ao CELAM autorizando a publicação do Documento de Aparecida, dia 10 de julho, é justamente a prioridade da Eucaristia e a santificação do Dia do Senhor nos programas pastorais.
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O presidente do CELAM comentou ainda sobre a importância fundamental do domingo, «um dia especial para o cristão». «É o dia que substituiu o sábado judaico. O domingo é o primeiro dia da semana, o termo significa Dia do Senhor. E para nós, Dia do Senhor é o dia do Ressuscitado, é o dia da ressurreição de Cristo», destacou.
(Zenit)

Tais manifestações deixam muito claro o que significa a aceitação da encíclica recém lançada como paradigma para um novo modelo social/político/econômico.

sexta-feira, 17 de julho de 2009

Nova encíclica: Repercussões 4

PRESIDENTE ITALIANO ESCREVE CARTA AO PAPA E ELOGIA NOVA ENCÍCLICA

CIDADE DO VATICANO, 16 JUL (ANSA) - O presidente da Itália, Giorgio Napolitano, enviou uma carta ao papa Bento XVI, divulgada hoje, na qual afirma que a encíclica "Caritas in Veritate" é um convite a repensar a condição do homem na sociedade atual.

Para Napolitano, "a afirmação de Bento XVI, segundo a qual a questão social se tornou atualmente uma questão radicalmente antropológica, constitui um convite para repensar de forma profunda e serena os vários aspectos da vida e do funcionamento da humanidade".

"Li com grande interesse sua terceira encíclica", diz o chefe de Estado, que "traz uma mensagem no interior de uma sociedade em que existe apreensão e incerteza não apenas em relação ao futuro da economia e do desenvolvimento, mas também quanto às mudanças nas relações humanas, no mundo do trabalho, nas relações entre os habitantes do planeta e o meio ambiente".
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Fonte - ANSA

NOVA ENCÍCLICA DE BENTO XVI SERÁ APRESENTADA AO SENADO ITALIANO

CIDADE DO VATICANO, 15 JUL (ANSA) - O secretário de Estado do Vaticano, cardeal Tarcisio Bertone, apresentará a nova encíclica do Papa Bento XVI ao Senado italiano no próximo dia 28.
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Fonte - ANSA

Nota DDP: Veja outras respostas do mundo político ao citado documento aqui.

terça-feira, 14 de julho de 2009

A nova encíclica - Repercussões 3

Sejamos nós os praticantes! Apontamentos duma leitura da Encíclica Caritas in veritate
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Direi que o mundo, a crise, a vida, as soluções precisam agora, pelo menos para os crentes, de ser orientados por esta moral social.
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Do Papa veio um estímulo; para nós, deve ser um compromisso. Sejamos nós os praticantes!

Ulisses Garrido, Sindicalista, membro do grupo Economia e Sociedade da CNJP, vice-Presidente do Fórum pela Paz e pelos Direitos Humanos

Fonte - Ecclesia


Eulogio López: “não existem crises econômicas, mas crises morais”

MADRI, segunda-feira, 13 de julho de 2009 (ZENIT.org).- A encíclica “Caritas in veritate” ensina políticos, empresários, economistas e sindicalistas que toda crise econômica esconde uma crise moral, assegura o diretor de Hispanidad (www.hispanidad.com).

Eulogio López, nesta entrevista concedida a ZENIT, ilustra algumas das surpresas que a terceira encíclica de Bento XVI suscita em seus leitores.
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Que a leiam! [os líderes mundiais] Fiquei surpreso quando o presidente norte-americano comentou que a leria em sua viagem Roma-Gana. Acho que não vai dar tempo. Esta encíclica não pode ser lida em diagonal. Quando os empresários e os políticos se derem conta – se darão conta? – do que realmente Bento XVI prega, começarão a tremer. O que está lhes dizendo é que a solidariedade não basta – o que, também, fazem com o dinheiro dos demais – mas que deve-se chegar à gratidão e que, quando o fizerem, deverão repetir as palavras de Cristo: “somos servos inúteis, fizemos o que tínhamos que fazer”.
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Fonte - Zenit

Cardeal diz esperar que G8 cumpra os compromissos assumidos

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Segundo o sacerdote, o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, durante seu encontro com o papa Bento XVI, disse que a encíclica publicada pelo Pontífice na semana passada foi muito comentada pelos líderes do G8.
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Bertone considera que as visitas dos chefes de governo a Bento XVI "demonstraram também uma vontade de ouvir a autoridade moral representada pelo Pontífice". O cardeal disse esperar que "isto leve frutos positivos, para o bem da comunidade nacional".
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Fonte - ANSA

Nota DDP: Como era de se esperar, até pelo que a história ensina e, principalmente pelo momento de crise generalizada enfrentada pela comunidade global, o novo documento vem encontrando eco em diversos setores. O próximo passo a ser observado seria a evential passagem da teoria para a prática.

Ainda sobre esta questão, interessante ler o artigo do Jornal New York Times, "A audácia do papa" (em inglês).

segunda-feira, 13 de julho de 2009

A nova encíclica - Repercussões 2

Antes do encontro particular de mais de 20 minutos, Kevin Rudd [primeiro-ministro da Austrália] tinha dito que a nova encíclica papal pede aos líderes mundiais que considerem a ética e os valores na resposta à crise económica mundial. "Todos os líderes políticos deveriam levar a sério e examinar" o documento de Bento XVI, indicou. (Ecclesia)

Em uma entrevista publicada pelo jornal italiano Corriere della Sera em 8 de julho, o economista Ettore Gotti Tedeschi, expoente dos maiores grupos bancários mundiais, indicou o Papa Bento XVI para o Nobel de Economia. (Zenit)

Por sua vez, Bento XVI presenteou o chefe da Casa Branca com uma cópia de sua terceira encíclica (sua primeira encíclica social), apresentada nos dias passados − a Caritas in Veritate − encadernada em couro branco com um mosaico que representa a Praça São Pedro e a Basílica vaticana. "Obrigado, Santidade! Eu a lerei no avião!" – disse Obama, agradecendo o presente. O pontífice deu também de presente, aos demais hóspedes, como tradicionalmente, medalhas de seu pontificado e terços. (Radio Vaticano)

quarta-feira, 8 de julho de 2009

Religião e política pelo prisma romano

Assim como da análise da nova encíclica veiculada pela igreja romana, onde temas que lhe são caros embora não explicitamente constem do texto, são nas entrelinhas claramente subentendidos, as manifestações sobre separação entre igreja e estado caminham na mesma régua. Vejamos:

Igreja inspira mas não faz política

Em sua encíclica publicada nesta terça-feira, Bento XVI não pretende fazer política, mas inspirar, apresentando a “caridade na verdade” como orientação para a vida pessoal e social, explica um de seus colaboradores.
(Zenit)

Inspirar ou intervir?

Bento XVI exige que as "finanças, após seu mau uso, que prejudicou a economia real", retornem a ser um instrumento orientado ao desenvolvimento. (G1)

Diante disso, ficam mais claras as intenções do "pedido" enviado ao G8:

Papa pede "decisões úteis"» ao G8

Bento XVI pediu hoje "decisões úteis" aos participantes da cimeira do G8, que decorre na cidade italiana de L'Aquila de 8 a 10 de Julho.
(Ecclesia)

As repercussões em âmbito global, até porque o documento foi lançado em uma "data estratégica, prévia ao encontro internacional do G8" (G1), devem eventualmente delinear o que se pode esperar da sua aceitação no ambiente político internacional.

Se muito tem se pregado sobre o reconhecimento das raízes cristãs da Europa, já também com suas repercussões, há de se esperar que o assunto ora em foco possa enveredar pelo mesmo caminho.

A nova encíclica - Repercussões

POLÍTICOS ITALIANOS COMENTAM ENCÍCILIA DE BENTO XVI

ROMA, 7 JUL (ANSA) - O ministro Trabalho, Saúde e das Políticas Sociais da Itália, Maurizio Sacconi, elogiou a nova encíclica do papa Bento XVI afirmando que o documento condiz com o Livro Branco do governo italiano sobre o modelo social.
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O ministro da Economia italiano, Giulio Tremonti, disse, por sua vez, que a publicação é "um documento muito, muito importante".

Já o economista Giacomo Vaciago pontuou que o sistema financeiro mundial registrou "nos últimos anos grandes sucessos", mas agora começaram a aparecer os problemas.

Para Vaciago, a "Caristas in Veritate" é um documento que "desmonta o debate superficial entre Estado e mercado" e coloca em evidência a importância das pessoas, já que o Pontífice conseguiu enumerar os problemas de diversos setores sociais.
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Fonte - Ansa

ACNUR ELOGIA NOVA ENCÍCLICA DE PAPA BENTO XVI

ROMA, 7 JUL (ANSA) - O escritório do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (Acnur) na Itália elogiou as palavras do papa Bento XVI sobre os direitos dos imigrantes incluídas na encíclica "Caritas in Veritate", apresentada oficialmente hoje.
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Fonte - Ansa

ORGANIZAÇÕES COMERCIAIS ELOGIAM NOVA ENCÍCLICA DE BENTO XVI

ROMA, 7 JUL (ANSA) - Entidades italianas do comércio e da agricultura elogiaram a nova encíclica do papa Bento XVI, oficialmente publicada hoje, em que o Pontífice alerta para uma economia sem Deus que causou o atual colapso financeiro.

O presidente da Conferência Italiana de Agricultores (CIA), Giuseppe Politi, expressou por meio de uma nota sua "viva apreciação" e "apoio" ao documento papal, intitulado Caritas in Veritate (Caridade na Verdade).
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A confederação do comércio Confesercenti também comentou o documento pontifício, defendendo que a força moral da encíclica é "um respeitável apelo à responsabilidade para sair da crise, como um mundo que entendeu a lição e que voltar a crescer cada vez mais sólido e justo".
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Fonte - Ansa

Nota DDP: Certamente que estas manifestações iniciais devem ser consideradas no contexto do âmbito em que foram proferidas, a própria Itália, sede do poder eclesiástico romano, no entanto, não deixam de serem relevantes por este motivo.

Fora destes termos, pode ser citada ainda, vinda de Portugal, a manifestação de Alfredo Bruto da Costa, presidente da Comissão Nacional Justiça e Paz (CNJP), convidado da CEP (Conferência Episcopal Portuguesa) para comentar a nova encíclica, que qualificou como "um documento extremamente denso". Destaco:

'O documento de Bento XVI advoga uma nova ordem política e financeira internacional, que para o presidente da CNJP se justifica pelo facto de os Estados estarem a perder o seu poder político, porque "a actividade económica e financeira não tem fronteiras" e pela progressiva reunião dos Estados em organizações "supraregionais". Nesse sentido, acrescentou, há uma necessidade de "reavaliar o papel".' (Ecclesia)

Não se pode perder de vista ainda outra interessante constatação veiculada no dia de hoje, qual seja, a de que os americanos "querem ouvir o papa falar sobre economia":

"A pesquisa revela que 70% dos norte-americanos desejam escutar a palavra do Papa sobre a fome no mundo e a pobreza, 57% querem ouvir sua mensagem sobre a miopia da avareza, e 55% desejam ouvir o que tem a dizer sobre como os norte-americanos podem construir uma sociedade onde os valores espirituais desempenhem um papel importante.

Também, a pesquisa revela que 59% dos norte-americanos têm um ponto de vista muito favorável ou favorável sobre o Papa, apenas 20% têm um ponto de vista desfavorável ou muito desfavorável."
(Zenit)

É surpreendente que um país fundado de forma a se apartar totalmente do catolicismo romano, possa nos nossos dias subsidiar a premissa de que "os norte-americanos buscam uma bússola moral, e sabem que o Papa Bento XVI a tem".

Surpreendente, mas totalmente profético.
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