O mais extraordinário é o propósito dessa profecia: mostrar que acontecimentos políticos aparentemente determinados apenas por exércitos, estratégias e governantes continuam subordinados aos propósitos do Senhor.
Ciro seria usado para derrubar Babilônia e permitir o retorno dos judeus à sua terra. Ele não pertencia ao povo de Israel, mas Deus o chama de Seu “ungido” no sentido de ter sido separado para uma missão específica.
O Senhor declara:
“Eu irei adiante de ti, endireitarei os caminhos tortuosos, quebrarei as portas de bronze e despedaçarei os ferrolhos de ferro.” (Is 45:2)
Ciro poderia acreditar que suas vitórias eram resultado de sua capacidade militar. Isaías revela outra perspectiva: por trás da ascensão e queda dos impérios existe um Deus que continua conduzindo a história.
Então vem uma declaração fundamental:
“Eu sou o Senhor, e não há outro; além de Mim não há Deus.” (Is 45:5)
Essa afirmação percorre todo o capítulo.
Os reis possuem autoridade limitada.
Os impérios possuem duração limitada.
Os ídolos possuem poder algum.
Somente Deus é soberano.
Isaías também apresenta uma imagem extraordinária do relacionamento entre o Criador e a criatura. O profeta pergunta se o barro poderia discutir com o oleiro: “Que fazes?”
A mensagem é clara. Nossa compreensão da história é limitada. Vemos acontecimentos isolados; Deus contempla o quadro completo.
Isso não significa que todas as decisões humanas sejam determinadas por Deus ou que Ele aprove a maldade dos governantes. Significa que nem mesmo as escolhas humanas conseguem impedir o cumprimento final de Seus propósitos.
Essa verdade é essencial para compreender Daniel e Apocalipse.
Babilônia parecia invencível. Seus muros, riquezas e poder militar transmitiam segurança. Entretanto, antes mesmo de sua queda, Deus já havia anunciado libertação.
Daniel posteriormente mostraria a sucessão dos grandes impérios: Babilônia seria substituída pela Medo-Pérsia, depois viria a Grécia e, posteriormente, Roma. Nenhum deles permaneceria para sempre.
Isaías 45 estabelece o princípio por trás dessa sucessão:
Deus continua sendo Senhor da história.
Isso possui enorme importância para quem observa os acontecimentos do tempo do fim.
Apocalipse descreve poderes políticos, religiosos e econômicos adquirindo extraordinária influência. Em determinados momentos, pode parecer que sistemas humanos controlam completamente o destino da humanidade.
Mas a profecia bíblica nos impede de confundir poder temporário com soberania absoluta.
Todo império possui limites.
Todo governante possui limites.
Toda estrutura humana possui limites.
Somente o Reino de Deus não terá fim.
Entretanto, Isaías 45 não termina falando apenas sobre política e impérios. Seu horizonte torna-se universal.
Deus faz um convite:
“Olhai para Mim e sede salvos, vós, todos os confins da terra.” (Is 45:22)
O Deus que governa reis deseja salvar pessoas.
Essa talvez seja a maior revelação do capítulo. A profecia não existe simplesmente para provar que Deus conhece o futuro. Ela revela que Ele conduz a história em direção ao cumprimento de Seu plano de redenção.
Isaías então anuncia algo que o Novo Testamento retomará diretamente:
“Diante de Mim se dobrará todo joelho, e jurará toda língua.” (Is 45:23)
Paulo aplicará essa linguagem a Cristo, declarando que chegará o momento em que todo joelho se dobrará e toda língua confessará que Jesus Cristo é Senhor.
A história, portanto, não caminha indefinidamente.
Ela possui um destino.
Ciro teve seu momento.
Babilônia teve seu momento.
Os grandes impérios tiveram seus momentos.
Os poderes atuais também terão os seus.
Mas chegará o dia em que todas as autoridades humanas reconhecerão aquilo que Isaías já anunciava:
há um só Senhor.
Por isso, Isaías 45 não nos chama a temer os movimentos da história. Ele nos chama a olhar acima deles.
Porque o Deus que conhece reis antes de sua ascensão também conhece o fim desde o princípio.
Os homens ocupam tronos por algum tempo.
Deus permanece no trono para sempre.
