O leproso vivia afastado de todos. A doença não lhe tirara apenas a saúde; havia levado sua convivência, sua família e sua dignidade. Quando ouviu falar de Jesus, nasceu uma esperança. Ele não sabia se Cristo estaria disposto a recebê-lo, mas decidiu procurá-Lo.
Quando finalmente chegou perto, a multidão recuou. Ele, porém, continuou avançando até cair aos pés de Jesus:
“Senhor, se quiseres, podes tornar-me limpo.”
Mateus 8:2
A resposta foi imediata:
“Quero; sê limpo.”
E então aconteceu algo que ninguém esperava: Jesus tocou no leproso. Aquele homem que todos evitavam foi tocado por Cristo. E o toque que, segundo as regras cerimoniais, deveria comunicar impureza, fez exatamente o contrário: comunicou vida. A lepra desapareceu.
Essa cena resume uma das verdades mais bonitas do capítulo: nossa impureza não contamina Cristo; é a pureza de Cristo que pode nos transformar.
Depois, em Cafarnaum, encontramos outro homem sem esperança. Era paralítico e, além da enfermidade, carregava um peso ainda maior: a culpa. Seus amigos tentaram levá-lo até Jesus, mas a casa estava lotada. Então subiram ao telhado, abriram uma passagem e desceram o homem bem diante de Cristo.
Jesus sabia exatamente o que aquele coração mais desejava. Antes de mandar que ele se levantasse, disse:
“Filho, tem bom ânimo; perdoados te são os teus pecados.”
Mateus 9:2
Os fariseus ficaram indignados. Para eles, Jesus estava reivindicando uma autoridade que pertencia somente a Deus. Então Cristo tornou visível aquilo que acabara de realizar no coração daquele homem:
“Levanta-te, toma a tua cama e vai para tua casa.”
E ele se levantou.
Chegara carregado por outros e saiu carregando a própria cama.
Talvez seja essa a imagem que melhor sintetize o capítulo. Jesus não veio apenas aliviar sintomas. Ele veio restaurar pessoas. O leproso recebeu de volta o convívio, a dignidade e a saúde. O paralítico recebeu perdão, paz e força para caminhar novamente.
Há ainda um contraste sério. A lepra foi curada. A paralisia desapareceu. Mas os líderes religiosos, mesmo diante da evidência, continuaram endurecendo o coração.
O problema mais difícil, portanto, não é estar ferido, caído ou impuro. É não reconhecer que precisamos de Cristo.
Quem chega a Ele dizendo: “Senhor, se quiseres, podes tornar-me limpo”, encontra a mesma disposição revelada naquele dia:
“Quero; sê limpo.”
