Paulo conhecia essa realidade pessoalmente. Ele havia enfrentado uma situação tão difícil que chegou a afirmar que estava “acima das nossas forças, a ponto de perdermos a esperança até da própria vida” (2Co 1:8). Humanamente, parecia não haver saída. Mas Deus o livrou.
A experiência ensinou ao apóstolo algo fundamental: não confiar em si mesmo, mas em Deus, que ressuscita os mortos (2Co 1:9).
Por isso, a gratidão de Paulo não nasceu de uma vida sem problemas. Nasceu de ter descoberto, em meio aos problemas, que Deus continuava presente e fiel.
Mas existe ainda outra dimensão importante. O consolo recebido não deveria terminar em Paulo. Deus “nos consola em toda a nossa tribulação, para que também possamos consolar os que estiverem em qualquer angústia” (2Co 1:4).
Isso transforma sofrimento em ministério.
Quem já chorou pode compreender melhor as lágrimas de outra pessoa. Quem experimentou o consolo de Deus pode se tornar instrumento desse mesmo consolo. As cicatrizes que carregamos podem se transformar em lugares pelos quais a graça de Deus alcança alguém.
Paulo também reconhece o valor da oração da comunidade. Seu livramento estava relacionado às orações daqueles irmãos, de maneira que muitos poderiam igualmente agradecer a Deus pela resposta recebida.
Existe, portanto, um movimento extraordinário: a aflição nos conduz à dependência; a dependência nos leva a Deus; Deus nos consola; e o consolo recebido nos capacita a consolar outros.
A gratidão cristã não significa agradecer pelo sofrimento em si, mas reconhecer que nenhuma aflição consegue impedir Deus de agir.
Paulo olhava para trás e via livramento. Olhava para o presente e encontrava consolo. E podia olhar para o futuro com esperança.
O Deus que nos sustentou ontem continua sendo o Deus em quem podemos confiar amanhã.
