Talvez essa fosse uma das cargas mais difíceis de carregar.
A igreja de Corinto havia causado muita dor ao apóstolo. Havia divisões, pecados graves, questionamentos sobre sua autoridade e pessoas que atacavam seu ministério. Paulo precisou confrontar problemas, corrigir comportamentos e escrever palavras duras. Mas existe uma diferença enorme entre corrigir alguém porque estamos irritados e corrigi-lo porque o amamos.
Paulo revela sua verdadeira motivação ao dizer que escreveu “no meio de muitos sofrimentos e angústia de coração, com muitas lágrimas” (2Co 2:4). Ele não desejava simplesmente vencer uma discussão ou demonstrar que estava certo. Queria que os coríntios compreendessem quanto os amava.
Esse é um princípio fundamental do ministério cristão: a verdade precisa ser conduzida pelo amor.
Amar não significa ignorar o erro. Paulo jamais fez isso. Ele confrontou o pecado quando necessário, chamou a igreja ao arrependimento e defendeu firmemente o evangelho. Contudo, sua correção tinha como objetivo restaurar pessoas, não destruí-las.
Quando os coríntios demonstraram arrependimento, Paulo não desejou prolongar sua vergonha. Pelo contrário, orientou a igreja a perdoar, consolar e reafirmar o amor pelo irmão arrependido. O mesmo homem que sabia corrigir com firmeza sabia também acolher com misericórdia.
De onde vinha essa capacidade?
Paulo encontrou a resposta em Cristo: “O amor de Cristo nos constrange” (2Co 5:14). Seu ministério não era sustentado simplesmente pelo dever, pela disciplina ou pela responsabilidade. Era o amor de Jesus que o impulsionava.
Esse continua sendo o modelo para todo ministério cristão. Podemos conhecer a Bíblia, ensinar corretamente, defender a verdade e trabalhar intensamente para Deus. Mas, se perdermos o amor pelas pessoas, perderemos algo essencial do caráter de Cristo.
O verdadeiro ministério não busca apenas transmitir a verdade. Busca pessoas — e as ama enquanto lhes apresenta a verdade.
