O amor não arde em ciúmes. Ele consegue reconhecer e celebrar os dons e as conquistas do outro sem transformá-los em motivo de comparação. Na igreja de Corinto, a inveja alimentava disputas. O amor, ao contrário, entende que os diferentes dons procedem do mesmo Deus.
O amor também não se envaidece nem se orgulha. Ele não precisa demonstrar superioridade nem buscar reconhecimento. O conhecimento pode tornar alguém arrogante, mas, como Paulo já havia ensinado, “o amor edifica” (1Co 8:1). Quem ama utiliza aquilo que recebeu para levantar os outros, não para engrandecer a si mesmo.
Além disso, o amor não age de maneira inconveniente e não busca apenas os próprios interesses. Em uma sociedade que frequentemente incentiva cada pessoa a defender primeiro aquilo que lhe pertence, o evangelho apresenta uma lógica diferente: considerar também o bem do próximo.
Paulo continua dizendo que o amor não se irrita facilmente e não mantém um registro das ofensas recebidas. A imagem é semelhante à de um livro de contabilidade em que as dívidas são anotadas. O amor não vive consultando uma lista dos erros do passado para utilizá-los novamente contra alguém. Ele escolhe o caminho do perdão.
Finalmente, o amor não se alegra com a injustiça. Não sente satisfação quando alguém fracassa, é humilhado ou sofre as consequências de seus erros. O verdadeiro amor deseja restauração.
Assim, Paulo nos convida a fazer uma avaliação profunda. Não basta perguntar: “Que demonstrações de amor tenho praticado?” Também precisamos perguntar: “Que atitudes incompatíveis com o amor ainda precisam ser transformadas em mim?” Quanto mais Cristo governa o coração, menos espaço existe para inveja, orgulho, egoísmo, ressentimento e prazer diante da queda do próximo.
