O caminho não era longo, mas a multidão tornava cada passo difícil. Jairo sabia que o tempo era precioso e certamente desejava que Jesus Se apressasse. Foi nesse percurso que outra história de sofrimento encontrou Cristo.
Havia entre a multidão uma mulher que sofria havia doze anos. Ela gastara seus recursos procurando médicos e tratamentos, mas sua condição apenas lhe roubara forças e esperança. Quando ouviu falar das curas realizadas por Jesus, nasceu dentro dela uma convicção: se conseguisse apenas tocar Sua roupa, seria curada.
Aproximar-se não era fácil. Jesus estava cercado de pessoas, mas ela avançou até conseguir tocar discretamente a orla de Sua veste. Naquele instante percebeu que estava curada. Doze anos de sofrimento terminaram em um único encontro com Cristo.
Jesus parou e perguntou quem O havia tocado. A pergunta pareceu estranha aos discípulos, porque todos O apertavam. Mas Jesus sabia que aquele toque fora diferente. A multidão tocava Cristo por proximidade; aquela mulher O tocara pela fé. Quando ela se apresentou tremendo e contou sua história, Jesus não apontou para Sua veste, mas para a confiança que a levara até Ele: “Tem bom ânimo, filha, a tua fé te salvou; vai em paz.”
Enquanto isso, Jairo esperava. Então chegou a notícia que transformava sua urgência em aparente impossibilidade: sua filha havia morrido. Já não seria necessário incomodar o Mestre. Mas Jesus ouviu a mensagem e respondeu ao pai: “Não temas; crê somente, e será salva.”
Jairo precisava continuar caminhando com Jesus mesmo depois de receber a notícia de que não havia mais esperança. Ao chegarem à casa, encontraram o ambiente tomado pelo choro. Jesus entrou no quarto acompanhado dos pais da menina, Pedro, Tiago e João. Aproximou-Se do leito, segurou a mão da criança e disse: “Menina, a ti te digo, levanta-te.” A vida retornou. Ela abriu os olhos, levantou-se, e a tristeza daqueles pais transformou-se em alegria.
As duas experiências revelam a mesma verdade. A mulher chegou a Jesus depois de doze anos tentando encontrar uma solução. Jairo chegou quando ainda acreditava que sua filha poderia ser curada, mas precisou continuar confiando quando ela já estava morta. Para um, Cristo parecia ser a última esperança; para o outro, parecia que até a última esperança havia desaparecido. Jesus mostrou que nenhuma dessas situações estava além de Seu poder.
O capítulo também ensina que existe diferença entre conhecer Cristo e confiar pessoalmente nEle. Muitas pessoas estavam próximas de Jesus naquele dia, mas uma mulher colocou toda a sua esperança nEle. Fé não é apenas acreditar que Cristo pode fazer alguma coisa pelos outros. É entregar a Ele nossa própria necessidade.
Por isso também devemos conservar na memória aquilo que Deus já fez em nossa vida. Cada experiência de Sua bondade se torna uma lembrança capaz de fortalecer a confiança quando novas dificuldades aparecem. O testemunho mais poderoso não é apenas aquilo que sabemos sobre Deus, mas aquilo que experimentamos caminhando com Ele.
Talvez hoje estejamos como aquela mulher, cansados de procurar respostas, ou como Jairo, vendo uma situação ultrapassar todos os limites humanos. A mensagem permanece a mesma: aproximar-se de Cristo, confiar nEle e continuar caminhando mesmo quando as circunstâncias parecem dizer que é tarde demais.
Porque a fé verdadeira não apenas permanece perto de Jesus. Ela se aproxima, toca e confia.
