“Sigam o amor e procurem com zelo os dons espirituais, principalmente o de profetizar.” (1 Coríntios 14:1)
A igreja de Cristo nunca foi planejada para ser uma reunião de pessoas iguais. Deus não produz cópias; Ele forma um corpo. E um corpo só funciona porque suas partes são diferentes. Os olhos não fazem o trabalho das mãos, os pés não substituem os ouvidos, e nenhuma parte, por mais discreta que pareça, pode ser considerada inútil. Essa é a imagem escolhida por Paulo para explicar os dons espirituais em 1 Coríntios 12. Somos muitos, recebemos capacidades diferentes, exercemos funções distintas, mas pertencemos ao mesmo Senhor e somos conduzidos pelo mesmo Espírito.
O problema em Corinto era que a diversidade, que deveria fortalecer a igreja, estava sendo transformada em motivo de comparação, orgulho e divisão. Alguns dons eram considerados mais importantes; algumas pessoas pareciam desejar destaque em vez de serviço. Por isso, entre os capítulos 12 e 14, Paulo coloca o capítulo 13. Não é uma interrupção do assunto. É o coração do assunto. Sem amor, até mesmo os dons mais impressionantes perdem seu valor espiritual. É possível falar, ensinar, conhecer, servir e até realizar grandes coisas e, ainda assim, deixar de revelar o caráter de Cristo.
Os dons espirituais não são troféus concedidos para provar que alguém é superior. São ferramentas entregues por Deus para edificar outras pessoas. O verdadeiro dom não direciona os olhos para quem o possui, mas para Cristo. Não pergunta: “Como posso ser reconhecido?”, e sim: “Como posso servir?”. Pedro expressou o mesmo princípio ao dizer que cada pessoa deve usar o dom recebido para servir aos outros, administrando fielmente a graça de Deus. Onde há dom sem amor, nasce competição. Onde há dom acompanhado de amor, nasce comunhão.
Paulo também ensina que Deus deseja ordem em Sua igreja. O Espírito Santo não conduz à confusão, à exibição descontrolada ou à busca de experiências simplesmente extraordinárias. Tudo deve contribuir para a edificação do corpo. Por isso, entre os dons mencionados nas Escrituras aparecem pastores, mestres, evangelistas, profetas e diferentes formas de serviço. O objetivo final é preparar o povo de Deus, fortalecer sua fé e conduzi-lo à maturidade em Cristo.
Entre esses dons, a profecia recebe destaque especial. Desde o Antigo Testamento, vemos que Deus revela Seus propósitos aos Seus servos, os profetas. “Certamente o Senhor Deus não fará coisa alguma sem primeiro revelar o Seu segredo aos Seus servos, os profetas” (Am 3:7). A profecia, portanto, não existe para alimentar curiosidade, mas para orientar, advertir, consolar e conduzir o povo de volta à vontade de Deus.
A pergunta para nós não é apenas: “Qual é o meu dom?”, mas também: “Estou colocando aquilo que Deus me deu a serviço do corpo de Cristo?”. Talvez seu dom seja ensinar, encorajar, servir, liderar, aconselhar, acolher, contribuir, evangelizar ou exercer alguma função que quase ninguém percebe. O valor do dom não está em sua visibilidade, mas na fidelidade com que ele é usado.
Quando o amor ocupa o centro, ninguém precisa competir. Cada pessoa encontra seu lugar, cada talento encontra sua missão e cada dom passa a apontar para o mesmo propósito: revelar Cristo. A igreja se torna verdadeiramente forte não quando todos fazem a mesma coisa, mas quando pessoas diferentes, capacitadas pelo mesmo Espírito, trabalham juntas para a glória do mesmo Deus.
