Israel precisava ouvir isso porque carregava as consequências de sua própria história. Havia fracassado muitas vezes, experimentaria o exílio e poderia imaginar que sua infidelidade havia colocado um ponto final nos planos de Deus. Mas o Senhor recorda quem Ele é: “Eu sou o Senhor, teu Deus, o Santo de Israel, o teu Salvador.” O Deus que libertara no passado continuava capaz de salvar. Seu povo permanecia precioso aos Seus olhos não por seus méritos, mas por causa de Seu amor e de Sua aliança.
Então o horizonte se amplia. Deus promete reunir Seus filhos dispersos dos quatro cantos da Terra e chama Seu povo para testemunhar diante das nações. Os ídolos não conseguem explicar o passado nem anunciar com segurança o futuro; somente o Senhor governa a história. Por isso declara: “Vós sois as Minhas testemunhas.” Israel deveria olhar para aquilo que Deus já havia realizado e reconhecer que nenhum poder humano poderia impedir Seus propósitos. “Agindo Eu, quem o impedirá?”
Mas há um detalhe surpreendente. Depois de lembrar a libertação do Egito, quando abriu caminho pelo mar, Deus diz: “Não vos lembreis das coisas passadas... Eis que faço uma coisa nova.” Não se trata de esquecer Sua atuação anterior, mas de não aprisionar Deus aos métodos do passado. O mesmo Senhor que abriu um caminho através das águas agora promete abrir “um caminho no deserto e rios no ermo”. Deus não precisa repetir ontem para continuar sendo fiel hoje. Quando não enxergamos saída, Ele ainda pode criar caminhos onde eles simplesmente não existem.
A parte final do capítulo torna essa graça ainda mais profunda. Deus recorda a Israel seus pecados e sua negligência. O povo não tinha motivos para reivindicar Sua bondade como recompensa por fidelidade. Mesmo assim, vem uma das declarações mais extraordinárias do texto: “Eu, Eu mesmo, sou o que apago as tuas transgressões por amor de Mim e dos teus pecados não Me lembro.” A restauração começa não na capacidade humana de corrigir o passado, mas na disposição divina de perdoar e reconstruir.
Isaías 43, portanto, não diz que aqueles que pertencem a Deus nunca entrarão nas águas. Diz que as águas não terão a palavra final. Haverá rios, fogo, desertos e momentos em que o caminho desaparecerá diante dos olhos. Mas acima de cada circunstância permanece a voz daquele que conhece Seus filhos pelo nome: “Não temas... tu és Meu.”
Talvez não saibamos como Deus abrirá o próximo caminho. Também não precisamos saber. O Deus que abriu o mar pode fazer nascer rios no deserto. O Deus que conhece nosso passado pode apagar nossas transgressões. E Aquele que nos chama pelo nome promete algo suficiente para atravessarmos qualquer cenário: “Quando passares pelas águas, estarei contigo.”
