É nesse contexto que surge o chamado à santidade.
Antes, porém, Paulo fala sobre relacionamentos. Ele abre o coração aos coríntios e pede que eles também abram o coração para ele. Isso revela algo importante: santidade não significa isolamento, frieza ou afastamento das pessoas. Pelo contrário, quem foi reconciliado com Deus aprende a amar, perdoar e buscar reconciliação com o próximo.
Ao mesmo tempo, amar as pessoas não significa permitir que qualquer influência determine nossos valores.
Por isso Paulo escreve: “Não se ponham em jugo desigual com os descrentes” (2Co 6:14). A imagem do jugo aponta para duas vidas ligadas de maneira tão profunda que passam a caminhar sob uma mesma direção. O problema não é conviver com quem não compartilha nossa fé — afinal, o próprio evangelho nos envia ao mundo. O perigo está em estabelecer vínculos que nos conduzam para longe da fidelidade a Deus.
Paulo então apresenta uma série de contrastes: justiça e injustiça, luz e trevas, Cristo e Belial, fé e incredulidade, templo de Deus e ídolos.
A pergunta implícita é simples: a quem pertencemos?
A resposta transforma toda a passagem: “Nós somos santuário do Deus vivo” (2Co 6:16).
Santidade começa aqui.
Não somos chamados a nos separar do pecado para convencer Deus a nos aceitar. Nós nos separamos do pecado porque Ele já nos chamou para pertencermos a Ele. Antes dos imperativos aparecem as promessas: Deus habitará entre Seu povo, caminhará com ele, será seu Deus e o receberá como filhos e filhas.
Portanto, santidade não é simplesmente abandonar determinadas práticas. É viver conscientemente na presença de Deus.
É por isso que Paulo conclui: “Purifiquemo-nos de toda impureza, tanto da carne como do espírito, aperfeiçoando a nossa santidade no temor de Deus” (2Co 7:1).
A transformação alcança tanto aquilo que fazemos quanto aquilo que cultivamos interiormente. Comportamentos, pensamentos, desejos, valores e prioridades são colocados diante de Deus.
E esse processo não acontece independentemente da graça. As promessas vêm antes do chamado. Deus habita, recebe e chama de filhos; então, sustentados por essa relação, somos convidados a abandonar aquilo que não combina com Sua presença.
A santidade cristã, portanto, não é uma tentativa humana de subir até Deus.
É a resposta de uma vida que descobriu que Deus deseja habitar nela.
