Essa compreensão ajuda a entender o “temor do Senhor” mencionado em 2 Coríntios 5:11. Não se trata de medo de Cristo, mas de profunda reverência diante Dele. Paulo conhecia Aquele a quem servia e desejava que outras pessoas também O conhecessem.
Entretanto, havia outra força igualmente poderosa impulsionando o apóstolo: “o amor de Cristo nos constrange” (2Co 5:14).
Paulo havia compreendido o significado da cruz. Cristo morreu por todos e, portanto, aqueles que receberam essa vida já não deveriam viver para si mesmos, “mas para Aquele que por eles morreu e ressuscitou” (2Co 5:15).
Aqui encontramos uma das características fundamentais do ministério cristão autêntico: quem foi alcançado pelo amor de Cristo deixa de colocar a própria vida no centro.
Essa transformação é tão profunda que Paulo utiliza uma expressão extraordinária: “Se alguém está em Cristo, é nova criatura” (2Co 5:17). O evangelho não oferece apenas uma melhora da antiga vida. Em Cristo começa uma nova existência, uma nova identidade e uma nova maneira de enxergar Deus, as pessoas e nossa própria missão.
E tudo isso nasce da reconciliação.
O pecado rompeu o relacionamento entre a humanidade e Deus. Nós não poderíamos reconstruir essa ponte por nossos próprios esforços. Foi o próprio Deus quem tomou a iniciativa: “Deus estava em Cristo reconciliando consigo o mundo” (2Co 5:19).
A cruz é, portanto, o grande lugar da reconciliação.
Mas existe algo ainda mais impressionante. Depois de nos reconciliar Consigo, Deus nos confia a missão de anunciar essa mesma reconciliação aos outros.
Paulo chama isso de “ministério da reconciliação”.
O reconciliado torna-se reconciliador.
Aquele que recebeu graça passa a anunciar graça. Aquele que encontrou paz com Deus passa a convidar outros para essa mesma paz. Aquele que foi alcançado pela cruz torna-se testemunha da cruz.
Por isso Paulo utiliza outra imagem poderosa: somos embaixadores em nome de Cristo (2Co 5:20). Um embaixador não transmite sua própria mensagem. Ele representa aquele que o enviou.
Isso coloca enorme responsabilidade sobre nossa vida cristã. Em nossas palavras, atitudes, relacionamentos e escolhas, representamos Cristo diante das pessoas.
O centro da mensagem, porém, nunca somos nós.
Não anunciamos quanto somos bons. Anunciamos quanto Deus foi bom conosco em Cristo.
