Ele se via como um vaso de barro que carregava um tesouro.
O vaso podia ser frágil; o tesouro, porém, era indestrutível. Por isso Paulo podia reconhecer simultaneamente duas realidades: estava atribulado, mas não angustiado; perplexo, mas não desanimado; perseguido, mas não abandonado; derrubado, mas não destruído (2Co 4:8, 9).
A fé não eliminava o primeiro lado dessas experiências. Paulo realmente sofria. Atribulação continuava sendo atribulação, perseguição continuava doendo e havia momentos em que ele não sabia o que fazer. O evangelho não transformava sofrimento em ilusão. O que Cristo fazia era impedir que aquilo que atingia Paulo tivesse a palavra final sobre sua vida.
É nesse contexto que ele fala em carregar “no corpo o morrer de Jesus”, para que também a vida de Cristo se manifestasse nele. Existe aqui um extraordinário paradoxo cristão: enquanto sua fragilidade revelava os sinais da morte, sua perseverança revelava a presença da vida de Jesus.
Cada vez que Paulo era derrubado e continuava servindo, algo maior do que sua resistência humana se tornava visível.
Mas sua esperança ia ainda mais longe. Paulo sabia que os livramentos experimentados nesta vida eram apenas antecipações da vitória definitiva. O Deus que ressuscitou Jesus também ressuscitaria aqueles que pertencem a Cristo. Por isso, seu olhar não permanecia preso ao sofrimento presente.
Paulo coloca lado a lado duas realidades que parecem incomparáveis: “leve e momentânea tribulação” e “eterno peso de glória” (2Co 4:17). Ele não estava dizendo que suas dores eram insignificantes. Muitas delas foram terríveis. Eram leves somente quando colocadas diante da dimensão da eternidade.
Aqui está a razão de sua perseverança: Paulo interpretava o presente à luz do futuro prometido por Deus.
O corpo envelhece. As forças diminuem. Pessoas fiéis adoecem, sofrem e morrem. Nossa “casa terrestre” é temporária. Mas a história daquele que pertence a Cristo não termina quando esse corpo volta ao pó.
A ressurreição está adiante.
Por isso, o cristão aprende a olhar além daquilo que seus olhos conseguem enxergar. As coisas visíveis são temporárias; as invisíveis são eternas. A fé não nega aquilo que estamos enfrentando. Ela simplesmente se recusa a acreditar que aquilo que vemos agora seja tudo o que existe.
Paulo podia sofrer sem perder a esperança porque sabia que a dor tinha prazo.
A glória, não.
