domingo, 13 de setembro de 2026

Parece que Fazer o Certo Não Vale a Pena (SL37)

Há momentos em que olhar ao redor pode produzir uma pergunta desconfortável: por que pessoas que desprezam a justiça parecem prosperar enquanto aqueles que procuram permanecer fiéis enfrentam dificuldades? Davi conhece essa inquietação e começa o Salmo 37 com uma orientação direta: “Não te indignes por causa dos malfeitores, nem tenhas inveja dos que praticam a iniquidade.” O perigo não está apenas no mal que outros fazem, mas no que contemplá-lo continuamente pode produzir dentro de nós. A injustiça prolongada pode transformar indignação em inveja, inveja em amargura e amargura na perigosa conclusão de que talvez obedecer a Deus não valha a pena.

Davi responde deslocando nossos olhos das circunstâncias para o Senhor: “Confia no Senhor e faze o bem.” A ordem é importante. Não basta confiar; é preciso continuar fazendo o bem enquanto esperamos. Fé bíblica não é passividade. É permanecer fiel quando a aparente vantagem está do lado de quem escolheu outro caminho. “Agrada-te do Senhor, e Ele satisfará os desejos do teu coração.” Isso não significa que Deus esteja comprometido em realizar todos os nossos desejos, mas que, quando Ele se torna nossa alegria, começa também a transformar aquilo que desejamos.

Então vem uma das orientações mais profundas do Salmo: “Entrega o teu caminho ao Senhor, confia Nele, e o mais Ele fará.” Entregar o caminho não significa abandonar responsabilidade, mas deixar de carregar aquilo que pertence somente a Deus. Fazemos o que é correto, tomamos decisões responsáveis, trabalhamos, perseveramos e obedecemos; mas não precisamos controlar o desfecho. Há um ponto em que a fidelidade precisa descansar na providência.

Davi também diz: “Descansa no Senhor e espera Nele.” Talvez essa seja uma das formas mais difíceis de obediência. Esperar enquanto o injusto prospera pode parecer fraqueza, mas exige domínio próprio para não permitir que a demora da justiça nos transforme naquilo que condenamos. O Salmo insiste: “Deixa a ira, abandona o furor.” No grande conflito entre o bem e o mal, o inimigo não precisa apenas nos fazer abandonar a verdade; basta conseguir que defendamos a verdade com um espírito que não pertence a Deus.

O tempo, entretanto, revela aquilo que o presente esconde. Davi compara os ímpios à erva que rapidamente murcha. Seu sucesso pode impressionar, mas não possui raízes eternas. Em contraste, “os passos de um homem bom são confirmados pelo Senhor”. Ele pode cair, mas “não ficará prostrado, porque o Senhor o segura pela mão”. A promessa não é uma caminhada sem quedas, mas uma mão que não abandona.

Cristo revelou perfeitamente esse caminho. Aos olhos humanos, a cruz parecia provar que a violência havia vencido a justiça. Pouco tempo depois, a ressurreição mostrou quão enganosa pode ser uma conclusão construída apenas sobre aquilo que vemos no presente.

Talvez hoje fazer o certo esteja custando caro. Continue. Não inveje atalhos que exigem abandonar seus princípios. Confie, faça o bem, entregue, descanse e espere. O Salmo 37 nos lembra que não precisamos vencer imediatamente para estarmos no caminho da vitória. Às vezes, a maior vitória é continuar fiel enquanto Deus ainda está escrevendo o final.

Prisioneiro em Cristo — Reflexões do Cárcere

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