domingo, 13 de setembro de 2026

A ÚLTIMA JORNADA DA GALILÉIA (DTN53)

À medida que Seu ministério se aproximava do fim, Jesus tomou uma decisão que marcaria definitivamente o caminho até a cruz: “manifestou o firme propósito de ir a Jerusalém”. Até então, muitas vezes evitara a publicidade e impedira que o entusiasmo popular antecipasse acontecimentos que pertenciam ao tempo determinado pelo Pai. Agora, porém, Sua hora se aproximava. Jesus sabia o que O aguardava — rejeição, sofrimento e morte —, mas não recuou. A vontade do Pai continuava sendo a direção absoluta de Sua vida. Ele não caminhava para Jerusalém porque as circunstâncias O obrigavam, mas porque voluntariamente Se entregaria pela salvação da humanidade.

Durante a viagem, uma aldeia samaritana recusou-se a recebê-Lo simplesmente porque Ele seguia para Jerusalém. Tiago e João, indignados, desejaram pedir que fogo descesse do céu sobre aquelas pessoas. A resposta de Jesus revelou novamente a essência de Seu reino: “O Filho do homem não veio para destruir as almas dos homens, mas para salvá-las.” Cristo não conquista pela força, não impõe a fé nem transforma zelo religioso em instrumento de violência. Mesmo rejeitado, continua amando. Mais tarde, Seus próprios mensageiros voltariam à Samaria e encontrariam ali pessoas preparadas para receber o evangelho. A misericórdia que não revida imediatamente à rejeição pode preparar uma colheita que ainda não conseguimos enxergar.

Prosseguindo para a Peréia, Jesus enviou outros setenta discípulos, de dois em dois, às cidades por onde passaria. Quando retornaram, estavam maravilhados porque até os demônios se submetiam ao nome de Cristo. Jesus, porém, direcionou a alegria deles para algo muito maior: “Alegrai-vos antes por estarem os vossos nomes escritos nos Céus.” O verdadeiro discípulo não encontra sua segurança no poder que exerce, no resultado de seu trabalho ou no reconhecimento recebido. Sua alegria está em pertencer a Deus. Por isso, em vez de engrandecer o poder do inimigo, somos chamados a contemplar Cristo, pois o Salvador é infinitamente maior do que aquele que procura nos destruir.

Naquela última jornada, Jesus continuou ensinando por parábolas. Falou do fariseu e do publicano, da figueira estéril, da grande ceia, da viúva perseverante, da ovelha perdida, da moeda perdida e do filho pródigo. Em todas essas histórias havia um mesmo chamado: abandonar o orgulho, reconhecer nossa necessidade e confiar na graça de Deus. A verdade não se revela plenamente ao coração que deseja exaltar a si mesmo, mas àquele que se torna humilde e receptivo à atuação do Espírito.

Jesus caminhava para Jerusalém sabendo que a cruz estava diante dEle, mas ensinava Seus discípulos a olhar além dela. Por isso lhes deixou uma promessa capaz de sustentá-los quando tudo parecesse perdido: “Não temas, ó pequeno rebanho, porque a vosso Pai agradou dar-vos o reino.” A última jornada da Galiléia nos lembra que seguir Cristo não significa conhecer antecipadamente cada curva do caminho; significa confiar nAquele que vai à nossa frente. Quando o coração pertence a Ele, até a estrada que passa pelo sofrimento pode conduzir ao Reino.

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