segunda-feira, 30 de julho de 2007

Quando a justiça promove a injustiça

Suprema Corte dos Estados Unidos sofre mudança de rumo

Em 1954, o advogado Thurgood Marshall apresentou perante a Suprema Corte dos Estados Unidos da América (da qual viria a ser o primeiro juíz negro a partir de 13/06/1967 até 1990) relatos e fotografias mostrando a tremenda discrepância entre as escolas públicas de ensino fundamental e médio dos bairros de população branca em ótimas condições, versus a péssima condição das escolas dos bairros negros. Assim foi registrado na história um marco jurídico. Não se poderia sustentar o mito racista de que a separação de raças era SEPARADA, MAS IGUAL. Assim tivemos esse marco jurídico chamado Brown X Board of Education (Brown X distrito educacional). A partir de então, embora o racismo continue existindo, as leis têm sido severas em combatê-lo. Os Estados do Sul foram forçados a misturar alunos negros e brancos em suas escolas, e houve significativa melhoria nas condições de vida dos negros, hispânicos e estrangeiros no paísm, seja nas escolas, nas universidades, na política ou no mercado de trabalho.

Curioso é que um dos juízes da Suprema Corte de então era Hugo Black, membro declarado da organização racista Ku-Klux-Klan. É claro que ante as fortes evidências de que o racismo não leva a nada, o erudito juiz reviu seus conceitos e considerou a importância de promover mudanças para a harmonia racial; sendo um dos líderes a exigir que governos estaduais, municipais e o federal cumprissem seus deveres constitucionais de promover o bem-estar de todos os cidadãos. Da pena do notável Hugo Black saíram incontestáveis argumentos que destruíram as desculpas esfarrapadas dos políticos desonestos que tentavam usar a política para fins lesivos ao bem comum. A influência da Suprema Corte se dava pela forma cândida e sensível de os juízes interpretarem a Constituição, ampliando os direitos nela exarados para que todos os cidadãos pudessem desfrutar deles. Tal atitude provocou protestos inflamadíssimos de políticos de mentalidade tacanha e antiquada. Muitos senadores e deputados federais e estaduais, juntamente com vereadores, governadores e prefeitos, principalmente dos Estados sulistas, diziam que a Corte não podia legislar com o martelo e que cabia a eles, à medida que as condições políticas o permitissem, mudar as legislações antiquadas. Logicamente eles jamais o fariam isso, haja vista que eles mesmos desejavam manter o status quo.

Assim, a Suprema Corte encampou uma guerra contra a mentalidade tacanha, classista e racista de muitos norte-americanos; mentalidade essa representada por setores do governo nos níveis federal, estadual e municipal. Na maioria das vezes, a Corte tinha uma votação unânime de nove votos a zero, colocando um lastro de legitimidade contra as contestações que sempre os burocratas de plantão apresentam. A Suprema Corte, usando seus poderes legítimos, interpretou a Constituição de forma verdadeira, nulificando as decisões racistas das Cortes Federais de instâncias inferiores e das Cortes Estaduais, também contaminadas pela mentalidade tacanha generalizada.

Assim, a Corte também expandiu sua atuação em favor de todos aqueles que eram mais fracos, menos favorecidos, parte de minorias religiosas, estudantes e criminosos que de outro modo seriam severamente oprimidos pelos poderosos. A Corte passou a ser considerada uma entidade acima da política, capaz de corrigir rigorosamente os erros graves que políticos e grupos antidemocráticos promoviam contra a cidadania. Diz o editorial do The New York Times de 5 de julho de 2007: “Nos anos 60, o Juíz-Chefe Earl Warren presidiu uma Suprema Corte que interpretava a Constituição favorecendo e protegendo os mais fracos [ou sem- condição, powerless].”

Os juízes da Suprema Corte dos Estados Unidos são escolhidos pelo presidente e confirmados pelas duas Casas Legislativas (Câmara dos Deputados e Senado); são nove juízes que compõem a Suprema Corte. O cargo é vitalício (só abandonam o cargo ao se aposentarem ou quando morrem), e a decisão de uma maioria mínima desses juízes ( cinco votos) é a palavra final do que vem a ser certo ou errado, juridicamente falando, na governança do País. Desde o presidente Ronald Reagan (1980-1988), passando por Bush pai (1988-1992), vê-se um esforço do Partido Republicano em colocar na Corte juízes com histórico judicial que favoreça os poderosos, buscando, muitas vezes, juízes com poucos anos de atuação em cortes federais, como foi o caso do juíz John G. Roberts, nomeado por Bush sem jamais ter atuado como juiz antes, sendo portanto impossível prever como votará.

Após os anos Clinton (democrata), George W. Bush teve a chance de colocar dois juízes extremamente conservadores que nitidamente querem mudar a Constituição, apoiando mediante uma interpretação equivocada dela, leis que prejudiquem o cidadão comum e favoreçam de forma desonesta as grandes corporações e os mais poderosos. São eles: o já citado John G. Roberts (juiz-chefe) e Samuel Alito. Também estão na corte os juízes Anton Scalia, Anthony Kennedy (escolhidos por Ronald Reagan), Clarence Thomas e David Souter (escolhidos por Bush pai), Stephen G. Breyer e R. Ginsburg (Bill Clinton) e John Paul Stevens (escolhido por Gerald Ford).

Ginsburg, Stevens e Breyer sempre se colocam em defesa da manutenção dos antigos padrões da corte. David Souter, embora fosse escolhido por um republicano (Bush pai) e fosse protegido de Sununu (influente político republicano), tem votado normalmente ao lado destes. Assim, o bloco dito “liberal” soma quatro votos.

Já o bloco conservador conta cinco: Roberts, Alito (apelidado pela mídia de Scalito, por votar muitas vezes igual a Scalia), Scalia, Thomas e Keenedy.

Os juízes que George W. Bush escolheu para as várias cortes federais e os dois supracitados que colocou na Suprema Corte, são juízes extremamente conservadores e esse fato não teve contestação, pois, ao contrário de Reagan e Bush pai, G. W. Bush até recentemente tinha um Senado e Câmara dos Deputados de maioria republicana. Os dois primeiros tinham que enfrentar a animosidade de um legislativo de maioria democrata, o que os impedia de escolher juízes que não tivessem um histórico profissional (record) razoavelmente aceitável.

Se a Suprema Corte do juíz-chefe Warren (anos 60) favorecia os fracos, geralmente de forma unânime (nove votos a zero), onde os nove juízes expressavam a clareza dos direitos constitucionais votando unidos e demonstrando assim a importância de um consenso jurídico que deve ser imitado pelos outros órgãos do governo e pela sociedade em geral, o atual juíz-chefe, John Roberts, que disse desejar promover o consenso, geralmente tem votações de cinco a quatro, nas quais a maioria conservadora sem conseguir consenso algum promove aos trancos e barrancos um retrocesso nos direitos do cidadão comum.

A Suprema Corte Warren forçou as escolas a serem misturadas racialmente enfrentando bravamente as tendências racistas de norte a sul do país. Graças a esse ato de coragem, hoje há um desejo, por parte de muitos norte-americanos de aceitarem as outras etnias presentes em sua nação e implementar uma nação mais igualitária. Como consequência, muitas cidades e Estados, atendendo ao pedido de seus cidadãos, muitas vezes de maioria branca, fazem projetos de integração racial. Mas a Corte de John G. Roberts proibiu os projetos de integração voluntária das escolas públicas das cidades de Seattle (Estado de Washington) e de Louisville (Estado de Kentucky); ou seja, considerando que os cidadãos hoje querem harmonia e querem implementar isso mediante políticas locais, o poder judiciário virá de cima tentando promover o atrito entre as classes. Curioso é que para tanto torcem a 14ª emenda que exige proteção igual a todos os cidadãos; como se pessoas racistas tivessem direitos a serviços públicos racialmente separados.


Tal decisão teve um placar de cinco a quatro, e o juíz Stephen G. Breyer considerou essa mudança de postura jurídica uma traição à história da Corte.

Em sua longa história, a Suprema Corte sempre zelou pelo direito a um julgamento justo por qualquer cidadão, mas hoje um preso que pede reconsideração do seu caso pode perder esse direito, mesmo preenchendo a documentação adequadamente a tempo. Essa foi outra decisão rachada em cinco a quatro.

Ao contrário das decisões dos últimos CEM ANOS, a atual Suprema Corte (em outra votação rachada em cinco a quatro) quebrou o precedente jurídico e hoje os fabricantes já podem impor um preço mínimo para seus produtos quando forem vendidos no varejo, o que prejudica o consumidor final.

Considerando que nos anos 60 a Suprema Corte nulificou decisão das cortes federais e estaduais, que lesavam o pequeno cidadão, vê-se uma mudança de rumo equivocada, desvairada, antiética, antitransparente - e acima de tudo antidemocrática - no caso abaixo:

A Suprema Corte do Estado do Oregon confirmou a decisão de um juri popular que exigia a indenização de 79,5 milhões de dólares da empresa Philip Morris. “Considerando extraordinariamente imoral o fato de a Philip Morris negar (sabendo) durante 40 anos a conexão entre o fumo e o cancer.” Mas a Suprema Corte atual (rachada em cinco a quatro) quebrou uma tradição louvável de proteção ao cidadão comum e ANULOU a decisão da Corte de Oregon, livrando a desonesta empresa tabagista das consequências legais; portanto, a empresa está livre da indenização. Ou seja, nos Estados Unidos de hoje, uma grande empresa pode lesar os cidadãos, pois as queixas contra ela serão ignoradas e ela terá seu lucro desleal perpetrado com o aval e apoio irrestrito da Corte Máxima do País.

Diante desse empenho de os cinco juízes mais poderosos dos Estados Unidos quererem usar seus poderes em favor da injustiça, quando deveriam bloqueá-la, mesmo quando quatro juízes igualmente poderosos que se sentam ao lado deles protestam por isso; quando por causa desses cinco juízes justiça é negada às vítimas e a recompensa dessas mesmas vítimas (geralmente cidadãos comuns) é mais injustiça ainda; o colunista negro Eugene Robison, do jornal The Washington Post,comentou: “Desculpe essa coisa chamada escravidão, e toda essa coisa chamada Jim Crow (Leis racistas que perduraram até os anos 60, chamadas de Jim Crow laws). Isso já era e isso é agora.” Ele continua insistindo para que os cidadãos esqueçam e ignorem a Suprema Corte, porque ela simplesmente perdeu todo o seu significado como última instância da Justiça. Simplesmente o governo em todos os seus níveis e a sociedade civil devem progredir apesar dos limitados cinco juízes que fazem seu voto marjoritário hoje.

Infelizmente, países como o Brasil, que imitam muitos procedimentos dos países mais desenvolvidos, podem acabar imitando também esse mal exemplo, tornando o nosso Judiciário - que já é nepotista e classista - mais descaradamente injusto ainda. Tomara que nossas autoridades percebam esse retrocesso e evitem imitação ruim por aqui.

O The New York Times termina seu editorial de forma patética: “Fazia décadas que os membros mais privilegiados da sociedade - grandes corporações, os ricaços, os brancos racistas que querem uma escola só para eles - tinham uma Suprema Corte que lhes desse tantas vitórias. Os desfavorecidos da sociedade não foram os únicos perdedores. Os ideais básicos da Justiça Americana perderam também.”

Perde também a Suprema Corte, outrora o braço governamental mais influente dos Estados Unidos, que será um poder sem prestígio, influência e lastro moral para promover algo de bom em favor da sociedade norte-americana e mesmo internacional.

É muito bom quando a justiça divina se manifesta, mesmo que seja em atos jurídicos de falhos juízes humanos, como muitas vezes aconteceu na história humana e com certeza num passado recente da história norte-americana. É muito bom quando juízes humanos buscam fazer justiça em favor dos pobres, estrangeiros e viúvas. Isso faz da justiça humana instrumento da justiça divina; veste a justiça humana de uma legitimidade que torna suas leis poderosas promotoras de um bem maior para a sociedade que é julgada por ela. Seu julgamento alegra a cidade e traz alento ao injustiçado sofredor e assim a justiça de Deus sustenta o poder de homens que, embora falhos, usam seus talentos e seus poderes para que esse mundo seja um lugar feliz onde todos os seus habitantes tenham gratidão por viver.

Mas, se a justiça humana rejeita ajuda do alto e propositadamente oprime os pobres, as viúvas e os estrangeiros, há tristesa nas cidades e os corações ficam pesarosos e irados, e grandes tumultos e guerras virão.

Nessas horas difíceis, assim como naquelas mais favoráveis, confiamos em Elyon, o Deus Altíssimo, para que nos julgue; confiamos em El Shadday, para que pelo Seu poder executemos a obra que Deus nos designou nesta mundo. E, finalmente, nos entregamos ao Senhor, que diz: “Não por força, nem por violência, mas por Meu Espírito - diz o Senhor dos exércitos” (Zacarias 4:6).

Sílvio Motta Costa, professor da Escola Estadual Jornalista Roberto Marinho, em Campinas, SP

Nota: Sugiro aos leitores deste blog o estudo do capítulo 13 do Apocalipse e do livro O Grande Conflito, de Ellen White. Essa guinada norte-americana para o totalitarismo já havia sido prevista antes mesmo de existirem os Estados Unidos.

Número de furacões 'dobrou em um século'

O número de furacões no Oceano Atlântico dobrou nos últimos cem anos, de acordo com uma nova análise feita nos Estados Unidos.

Segundo o estudo, as temperaturas mais altas da superfície do oceano e mudanças nos padrões de ventos - fenômenos causados por mudanças climáticas - estão encorajando muito desse aumento.

Alguns pesquisadores dizem que furacões são cíclicos e o aumento é só um reflexo de um padrão natural.

Mas os autores deste estudo afirmam que as alterações não se devem apenas a um comportamento natural.

Fonte - BBC

sexta-feira, 27 de julho de 2007

A crise da água

Deu na revista Época da semana passada: “O mundo está descobrindo que a escassez de água não é uma questão exclusiva de quem mora em regiões desérticas. Guerras por fontes de energia – como o petróleo – já se tornaram corriqueiras. Neste século, a água está se tornando a questão central por trás dos grandes conflitos no planeta. E isso, embora soe exótico para a maioria dos brasileiros, deveria nos preocupar também. 'No Brasil, os conflitos entre usuários de diferentes recursos hídricos estão aumentando', afirma um novo estudo sobre a crise da água, divulgado dias atrás pela ONU, voltado especificamente para os países da Bacia do Rio da Prata (Brasil, Argentina, Uruguai, Paraguai e Bolívia).”

quarta-feira, 25 de julho de 2007

Papa conclama humanidade a ouvir a Terra a fim de preservá-la

Por Philip Pullella

LORENZAGO DI CADORE, Itália (Reuters) - O papa Bento 16 disse que os seres humanos precisam ouvir "a voz da Terra" sob pena de, caso não o façam, destruírem o planeta.

O pontífice, em declarações proferidas nos últimos dias de suas férias no norte da Itália, também afirmou que, apesar de haver várias provas científicas confirmando a evolução das espécies, a teoria não conseguia excluir totalmente a participação de Deus no processo.
"Hoje, todos percebemos que o homem pode destruir a base de sua existência, a Terra", afirmou em um encontro realizado a portas fechadas com 400 padres, na terça-feira. No dia seguinte, divulgou-se a transcrição completa do evento de duas horas.
"Não podemos simplesmente fazer o que desejamos com essa nossa Terra, com o que nos foi confiado", disse o pontífice, que passou suas férias lendo e caminhando pela região da fronteira com a Áustria.
Credos religiosos do mundo todo manifestam um interesse crescente pelo meio ambiente, em especial a respeito das implicações do aquecimento da Terra.

O papa, líder dos 1,1 bilhão de católicos do planeta, afirmou: "Precisamos respeitar as leis internas da criação, desta Terra. Precisamos aprender essas leis e obedecê-las se desejamos sobreviver."


Nota DDP:
Quais seriam estas "leis" que precisam ser "aprendidas" e o Papa pretende que "obedeçamos" para sobrevivermos?

"Satanás dá sua interpretação aos eventos, e os homens pensam, como ele quer que o façam, que as calamidades que enchem a Terra constituem um resultado da transgressão do domingo." (Eventos Finais - Ellen G. White - Pág. 129)

Grã-Bretanha vai instituir vistos biométricos

A Grã-Bretanha vai instituir vistos biométricos para visitantes e fortalecerá sua polícia de fronteiras como medidas de segurança contra o terrorismo, anunciou nesta quarta-feira o primeiro-ministro Gordon Brown.

Em uma declaração na Câmara dos Comuns sobre sua política de segurança, Brown precisou que as primeiras carteiras biométricas serão introduzidas para os cidadãos britânicos em 2009.

Acrescentou que os cidadãos estrangeiros que permanecerem no Reino Unido por mais de seis meses deverão ter identificações biométricas antes do fim de 2008.

"Nossa primeira linha de defesa contra o terrorismo começa fora de nossas fronteiras", afirmou.


Nota DDP:
De se salientar a quantidade de notícias apenas nestes últimos dois dias acerca do controle de informações pessoais do cidadão comum...

Microchips podem prevenir ataque epilético

Implantado no cérebro, dispositivo decodifica sinais emitidos por ele. Tecnologia também pode ajudar quem perdeu um membro do corpo a controlar prótese.

Pesquisadores da Universidade da Flórida (UFA) estão desenvolvendo microchips que, uma vez implantados no cérebro humano, poderiam prevenir ataques epilépticos e permitir a uma pessoa que perdeu um membro de seu corpo controlar uma prótese com seus próprios pensamentos.

Estrategicamente implantados no cérebro, os pequenos chips poderiam compilar informações dos sinais, decodificá-las e estimular o cérebro por meio de um dispositivo sem filamentos.

Com um orçamento de US$ 2,5 milhões doados pelos Institutos Nacionais da Saúde, os especialistas da UFA de Gainsville, no norte da Flórida, avançam no desenvolvimento da neuroprótese. Embora ela tenha sido implantada apenas em ratos, espera-se que nos próximos quatro anos os pesquisadores possam contar com um protótipo de dispositivo que possa ser testado nos seres humanos.

Para os pesquisadores da UFA, o objetivo inicial é combater transtornos tais como a paralisia e a epilepsia. “Sentimos que podemos fazê-lo e que teremos a tecnologia para oferecer novas opções aos pacientes”, disse Justin Sánchez, diretor do Grupo de Pesquisa de Neuroprótese da UFA.

Os especialistas foram capazes durante anos de decodificar a atividade do cérebro mediante o uso de eletroencefalogramas. No entanto, segundo Sánchez, a tecnologia usada não era suficientemente sensível a ponto de permitir que os pesquisadores decodificassem os sinais cerebrais com a precisão necessária.

Hoje em dia, os especialistas estão focados na decodificação dos sinais emitidos pelos eletrodos colocados diretamente no cérebro mediante o uso de fios com o diâmetro de um pêlo. “Os cientistas se deram conta de que o fato de se aprofundar no interior do cérebro pode ajudar na captura de muito mais informações", disse o neurologista.

Enquanto a tecnologia não é colocada em prática, eles avaliam os efeitos dos dispositivos implantados nos ratos e os resultados da colocação de eletrodos na superfície do cérebro humano.

Fonte - G1

EUA temem ataque terrorista com explosivos em aviões

Alerta foi enviado aos serviços de segurança dos aeroportos; fontes oficiais afirmam que elas são rotineiras

Efe

WASHINGTON - Os serviços de segurança dos aeroportos dos Estados Unidos foram alertados para a possibilidade de grupos terroristas instalarem explosivos em aviões. Segundo informou na terça-feira, 24, a rede de televisão NBC, a Administração de Segurança no Transporte (TSA) distribuiu um boletim sobre o assunto para agentes federais nos aeroportos, na sexta-feira.

Desde setembro do ano passado, pedaços de arame, peças de telefones celulares e canos de metal têm sido confiscados de passageiros nos aeroportos de San Diego, Milwaukee, Houston e Baltimore. "A natureza estranha e o aumento em número destes objetos causa preocupação", disse a NBC.

O boletim lembrou que os autores dos atentados do 11 de setembro de 2001 realizaram testes semelhantes antes dos ataques. Os passageiros que tiveram objetos apreendidos foram investigados e não se descobriu nenhuma vinculação com organizações criminosas terroristas.

Fontes oficiais afirmaram que não existe uma ameaça e que a mensagem é rotineira. A TSA confirmou a informação e também qualificou o aviso sobre "incidentes suspeitos em aeroportos dos EUA" como uma mensagem normal.

"Constantemente fornecemos a nossos agentes e aos serviços policiais informação de inteligência e de treinamento. Este é um exemplo", disse o site da organização. "Não existe informação de inteligência que indique uma ameaça específica", insistiu.

terça-feira, 24 de julho de 2007

Maior segurança ou menor privacidade?

Os ministros de Relações Exteriores da União Européia aprovaram nesta segunda-feira um acordo que permite aos Estados Unidos ter acesso a uma série de informações pessoais de passageiros de vôos transatlânticos, incluindo orientação sexual, política e religiosa.

Válido por sete anos, o acordo substituirá o atual tratado para a transferência de dados de passageiros, assinado pelas autoridades européias e americanas em 2004 em uma tentativa de identificar integrantes de organizações extremistas.

O prazo de armazenamento das informações foi ampliado de três para 15 anos. Já o número de dados compartilhados foi reduzido de 34 para 19, mas o nível de detalhes aumentou, um fato que vem causando divergências e críticas dentro do próprio bloco.

Pelos termos do novo acordo, o Departamento de Segurança Interna dos Estados Unidos terá acesso a endereço, número de cartão de crédito, situação de saúde, eventual associação a sindicatos e origem étnica de todos os passageiros que queiram entrar no país provenientes da Europa, além de eventuais pedidos de refeição especial feitos às companhias aéreas. As informações são fornecidas pelos próprios viajantes ao fazer as reservas.

O comissário europeu de Justiça e Segurança, Franco Frattini, assegurou que dados considerados “delicados” - como orientação sexual, política e religiosa - serão “filtrados” pelos órgãos de segurança americanos e utilizadas “excepcionalmente em casos de ameaça à vida”.

Frattini também ressaltou que o acordo inclui uma cláusula pela qual os EUA se comprometem com a proteção dos dados recebidos, que podem ser utilizados exclusivamente “com o objetivo de prevenir e combater o terrorismo e outros crimes graves”.

Mesmo com essas ressalvas, o supervisor Eeropeu de Proteção de Dados, Peter Hustinx, afirma que o acordo “coloca em risco a proteção de dados na Europa” e “não tem precedente legal”.

Em uma carta enviada ao comissário, Hustinx se diz preocupado com “a falta de um mecanismo legal que permita aos cidadãos europeus protestar contra o uso indevido de suas informações pessoais”.

Na semana passada o Parlamento Europeu declarou que o tratado é “incompatível com os princípios básicos europeus” e que é “lamentável” o fato de que “os dados pessoais de cidadãos da UE sejam tratados de acordo com a legislação dos EUA”.

Os deputados europeus também criticaram a notícia de que Frattini estaria planejando adotar o mesmo esquema de intercâmbio de dados de passageiros aéreos entre os 27 países da UE.

Fonte: BBC Brasil

NOTA: O cenário dos últimos dias está cada vez mais evidente. Em nome do "combate ao terrorismo", as liberdades individuais (incluindo o direito à privacidade) estão sendo reduzidas e controladas. Na verdade, o "combate ao terrorismo" tem funcionado como Cavalo de Tróia para implantar a Nova Ordem Mundial - a Babilônia do Apocalipse. A partir de agora, até a orientação política e religiosa do indivíduo poderão ser usadas para determinar quem é suspeito. Como isso acontecerá sem incorrer em discriminação não ficou nada claro.

Fonte - Minuto Profético

Nota DDP:
Sempre os EUA, sempre o controle da informação, sempre a mesma "justificativa"...

Existem mais de 40 mil pontos de análises biométricas na Grande São Paulo

São Paulo, 23 de julho de 2007 - Existem mais de 40 mil pontos de análises biométricas na Grande São Paulo, segundo estimativa da ABESE (Associação Brasileira das Empresas de Sistemas Eletrônicos de Segurança). Organização afirma que bancos brasileiros testam a tecnologia para identificar clientes em caixas eletrônicos, além de instalarem em empresas, condomínios empresariais e também residências.

Introduzida no Brasil na década de 1990, os sistemas biométricos, que identificam pessoas por meio da leitura de características corporais inéditas (impressões digitais, íris, geometria das mãos, reconhecimento da face e voz) estão cada vez mais presentes na vida moderna.

O interesse crescente por esta tecnologia foi observado na X International Securty Fair (Exposec 2007), realizada em maio, na capital paulista. Durante a feira, considerada a maior do País em sistemas eletrônicos de segurança, as vendas de sistemas e equipamentos biométricos cresceram 70%, em relação ao ano passado, segundo seus organizadores.

Para a presidente da ABESE, Selma Migliori, uma das razões para a crescente utilização desta tecnologia é a praticidade em relação a outros sistemas de controle de acesso de pessoas.

“Especialmente porque minimiza a possibilidade de fraudes. Por exemplo: um funcionário de uma fábrica que passa o cartão de ponto de um colega, ou um prestador de serviços falso que adentra em um condomínio residencial para assaltar os condôminos”, afirma.

Migliori prevê que a biometria deve substituir de vez o uso de cartões, chaves crachás e senhas no controle de acesso de pessoas. Isso porque, assim como os demais equipamentos de segurança eletrônica, os sensores biométricos estão passando por um intenso processo de barateamento.

“Tanto que a tecnologia está deixando de ser um investimento viável apenas para grandes empresas e condomínios empresariais para chegar às casas das pessoas. A nova aposta do mercado são os sistemas biométricos para residências, com o qual o morador pode controlar o horário de entrada e saída de seus empregados e determinar quem deles pode acessar o closet ou a adegas de vinhos, por exemplo”, diz a presidente da ABESE.

Biometria em Bancos

Algumas das principais instituições financeiras do Brasil já utilizam sistemas biométricos, em caráter experimental, na identificação de clientes em caixas eletrônicos para diminuir a ocorrência de assaltos. O sistema, em testes em 50 agências bancárias de São Paulo e Rio de Janeiro, é conhecido como “Palm Vein” e identifica clientes por meio de sensores capazes de ler o padrão das veias das mãos, digitais.

No entanto, a tecnologia já começa a se popularizar no exterior. De acordo com a Revista The Economic, nos Estados Unidos, mais de 3 milhões de consumidores já realizam pequenas compras por meio de um sistema que combina leitura de digitais e senhas. E, no Japão, mais de 2 milhões de clientes realizam saques em ATMs por meio de sistemas de escaneamento de mãos.

Fonte - Bol

Nota DDP:
Sempre o enorme laço vermelho das "vantagens" do sistema como engodo para sua implantação. Quando menos esperarmos, este "enorme laço", há de nos apertar severamente...

ONU teme por alimentação no 3º Mundo por causa de biocombustíveis

Agência France Press (AFP)

A expansão do mercado dos biocombustíveis levará à escassez de comida nos países pobres, lamenta o diretor-geral da Organização para a Alimentação e a Agricultura (FAO) da ONU, Jacques Diouf, em uma entrevista publicada nesta segunda-feira pelo jornal francês "Libération". "

As importações de alimentos dos países menos avançados em 2007 custará 90% a mais que em 2000", se queixa o senegalês.

A 'febre do ouro verde' "levará a um aumento dos preços dos produtos vegetais e também dos alimentos animais", explica Diouf.

"Neste ano, o valor das importações alimentares mundiais deverá sofrer um aumento de 5% em relação a 2006. Como sempre, os mais afetados são os países mais vulneráveis", ressaltou.

Segundo ele, "os grandes produtores agrícolas e as multinacionais são os que mais tiram proveito" dos biocombustíveis.

O diretor-geral da FAO também denuncia que as mudanças climáticas "afetarão em especial os mais desfavorecidos, os pequenos agricultores e os pastores nômades que dependem diretamente de uma agricultura pluvial".

Na África, entre 55 e 65 milhões entrarão para as tristes estatísticas da fome até 2080 por causa da elevação das temperaturas em cerca de 2,5 graus", advertiu.

Nota DDP:
O homem cada vez mais é o próprio "lobo" do homem...

Último texto vaticano sobre Igreja, documento para unidade

Segundo o secretário do Conselho Pontifício para a Unidade dos Cristãos

ROMA, segunda-feira, 23 de julho de 2007 (ZENIT.org).- Para compreender o recente documento da Congregação para a Doutrina da Fé sobre a natureza da Igreja, devem-se harmonizar conceitos aparentemente contraditórios, sugere Dom Brian Farrell, L.C.O secretário do Conselho Pontifício para a Promoção da Unidade dos Cristãos analisa em declarações a Zenit o documento «Respostas a algumas perguntas da Doutrina sobre a Igreja», publicado pela Santa Sé em 10 de julho.

Dom Farrell começa constatando que a apresentação do documento que a mídia fez não foi completa.

«Como acontece com freqüência, a complexidade teológica se perde na medida em que se apresenta a notícia, especialmente nos meios de comunicação --declara. Não há uma, mas várias afirmações no documento, e devem ser tomadas em seu conjunto.»

«O documento não pode reduzir-se a dizer: ‘A Igreja Católica afirma que é a única Igreja verdadeira’. Também diz: ‘Pode-se afirmar retamente, segundo a doutrina católica, que a Igreja de Cristo está presente e operante nas Igrejas e nas Comunidades eclesiais que ainda não estão em plena comunhão com a Igreja Católica’.»
...
Farrell afirma que o diálogo ecumênico é uma tarefa urgente para católicos e não-católicos: Quando as «Respostas» nos recordam que por causa da divisão entre os cristãos a universalidade da Igreja não está plenamente realizada na história, está apontando para uma tarefa inacabada que não pode ser ignorada ou demorada.

«Longe de qualquer sentimento de auto-suficiência, os católicos devem experimentar que a situação de falta de plenitude causada pela divisão e separação é também uma tragédia para eles. Nessa condição, é mais difícil oferecer um testemunho convincente para que o mundo possa crer.»

Nota DDP:
Cada vez mais delineada a chamada no sentido de que o "testemunho visível" dos cristãos é necessário para que o mundo creia. Aguardo onde será depositado este conceito, por enquanto "invisível", desta visibilidade.

Deputados querem colocar microchip em portadores do HIV na Indonésia

Parlamentares querem monitorar soropositivos para controlar 'expansão da doença'. São 290 mil pessoas infectadas no país.

A província indonésia de Papua estuda uma lei que obrigue os portadores do Vírus de Imunodeficiência Humana (HIV), que provoca a Aids, a serem identificados com um microchip.

Com o método, os deputados regionais pretendem acompanhar melhor o comportamento sexual e as atividades dos soropositivos, para lutar contra a expansão da doença, informou, nesta terça-feira (24), o jornal "The Point". "Precisamos tomar decisões para acelerar a luta contra a Aids em Papua", disse o deputado John Manansang. Ele opinou que a medida servirá para detectar com maior precisão o número real de infectados. Os parlamentares que estão a favor prometeram levar em conta a opinião pública antes de redigir a proposta de lei. O projeto já foi denunciado pelas ONGs que lutam contra a Aids e empregados do setor da saúde no país. A Indonésia é um dos países asiáticos onde o HIV se espalha com maior rapidez. Já são 290 mil pessoas infectadas, segundo os dados oficiais.

Fonte - G1

Enchentes são as piores já vistas, diz técnico britânico

As enchentes que estão atingindo a Grã-Bretanha nos últimos dias são as piores já registradas, disse o gerente responsável pela avaliação de riscos da agência do governo para questões ambientais (Environment Agency), Anthony Perry.

"Nós não vimos enchentes dessa magnitude antes e este é um caso extremo. O padrão para enchentes sempre foram as ocorridas em 1947 no rio Severn e esta supera (o padrão)", afirmou.
Dezenas de pessoas foram resgatadas por helicóptero nas áreas mais atingidas, na região central e oeste da Inglaterra. Pelo menos 350 mil casas ficaram sem água corrente e 50 mil sem energia elétrica por causa das inundações, que começaram na sexta-feira.

Equipes de emergência trabalharam durante toda a noite para tentar proteger a subestação de eletricidade de Walham, perto de Gloucester, que também foi inundada. Lá o nível da água chegou a 5 centímetros abaixo do muro externo.

Mas reparos em uma outra subestação em Gloucester, Castlemeads, também atingida pela enchente, permitiram que o fornecimento de energia elétrica fosse restaurado em mais de 48 mil casas.

O Ministro do Meio Ambiente da Grã-Bretanha, Hilary Benn, advertiu que a situação de emergência "está longe do fim e há grande possibilidade de mais inundações".

A Environment Agency advertiu que a previsão meteorológica indica instabilidade nos próximos três ou quatro dias, e até uma precipitação moderada pode fazer com que o nível dos rios aumente de novo.

A agência emitiu sete alertas de enchentes, inclusive para três trechos do rio Severn, dois no Tâmisa. Estes são os dois maiores rios da Grã-Bretanha.

A Associação de Seguradores Britânicos estima que a conta para cobrir os estragos provocados pelas enchentes dos meses de junho e julho no país chegue a 2 bilhões de libras (R$ 7,6 bilhões).

Fonte - BBC

Aquecimento já altera chuvas no mundo

Rússia e Canadá estão mais úmidos, enquanto África pode ressecar ainda mais. É a primeira vez que dados sólidos mostram essa influência do efeito estufa.

Um novo estudo mostra pela primeira vez que o aquecimento global já está afetando os padrões de chuva no mundo, trazendo mais precipitação para o norte da Europa, para o Canadá e para o norte da Rússia e menos para regiões da África ao sul do Saara, da Índia e do Sudeste Asiático.

As mudanças "já podem ter afetado de forma significativa os ecossistemas, a agricultura e a vida humana em regiões que são sensíveis a mudanças na precipitação, como o Sahel [na fronteira sul do Saara]", alerta o artigo científico na edição desta semana da revista britânica "Nature".

Há tempos os cientistas dizem que o aquecimento global deve interferir com os padrões de chuva e neve, porque as temperaturas do ar e do mar, bem como a pressão atmosférica no nível do mar - forças que estão por trás dos padrões de precipitação - já estão mudando.

Contudo, até agora, a evidência de que as mudanças de precipitação já estavam ocorrendo existia apenas de forma anedótica ou em modelos de computador. Um dos obstáculos para os cientistas era a falta de dados precisos e de longo prazo sobre a chuva ao redor do mundo, de forma a permitir que eles eliminassem a chance de mudanças simplesmente regionais ou cíclicas. Francis Zwiers, pesquisador do órgão de monitoramento ambiental Environment Canada, conseguiu combinar de forma coerente vários conjuntos de dados de forma a contornar esse problema. Eles foram comparados com simulações do clima global ao longo do século 20, e a conclusão é que há um elo claro entre o aquecimento global e as mudanças nos padrões de chuva, com uma "contribuição significativa" das temperaturas mais elevadas.

Segundo o estudo, as regiões temperadas do hemisfério Norte passaram por aumentos de precipitação, enquanto as áreas tropicais do hemisfério Norte ficaram mais secas. Ao mesmo tempo, os trópicos do hemisfério Sul (área na qual se encaixa a quase totalidade do território brasileiro) ficaram mais chuvosos.

Fonte - G1

segunda-feira, 23 de julho de 2007

Todos os que permitem Bush fazer o que ele faz

Em uma ofensiva coordenada de relações públicas, a Casa Branca está usando acadêmicos amigáveis e confiáveis – surpreendentemente, eles ainda existem – para espalha a notícia de que o presidente Bush está otimista e confiante como nunca. Pode até ser verdade.

O que eu não entendo é porque nós temos que considerar a contínua confiança de Bush como uma coisa boa.

Lembre-se, Bush estava confiante há seis anos, quando ele prometeu que capturaria Osama, vivo ou morto. Ele tinha confiança há quatro anos, quando ele disse para os insurgentes virem com tudo. Ele tinha confiança há dois anos, quando ele disse para Brownie que ele estava fazendo um trabalho maravilhoso.

Agora o Iraque está um pântano sangrento, o Afeganistão está deteriorando e a própria Estimativa de Inteligência Nacional da administração Bush admite que, graças à liderança pobre de Bush, a América está perdendo a luta com a Al-Qaeda. Mesmo assim, Bush permanece confiante.

Desculpe, mas isso não é acalma: isso é amendrontador. Isso não mostra a força do caráter de Bush, mostra que ele perdeu a noção da realidade.

Na verdade, não está claro se ele já teve noção da realidade. Eu escrevi sobre o “complexo de infalibilidade” da administração Bush, sua falta de capacidade em admitir erros ou encarar problemas reais que não queria lidar, em junho de 2002. Na mesma época, Ron Suskind, uma jornalista investigativa, teve uma conversa com um consultor de Bush que ridicularizou a “comunidade baseada na realidade”, argumentando que “quando agimos, criamos nossa própria realidade”.

As pessoas que se preocupavam que a administração Bush estivesse vivendo em um mundo de fantasias costumavam ser classificadas de “vítimas de transtorno de Bush”, liberais que ficaram loucos pelo sucesso de Bush. Agora, entretanto, é uma síndrome que se espalhou até entre os ex-fiéis à Bush.

E por mais que Bush não tenha mais crentes devotos, ele ainda tem várias pessoas que possibilitam suas idéias – pessoas que entendem a estupidez de suas ações, mas se recusam a fazer qualquer coisa para impedi-lo.

O principal exemplo dessa semana é o senador Richard Lugar, de Indiana, que foi manchete de jornais há umas semanas com um discurso declarando que “nosso rumo no Iraque perdeu contato com nossos interesses vitais de segurança nacional”. Lugar é um homem inteligente e consciente. Ele já agiu com coragem para impedir outro desastre de política externa, convencendo um relutante Ronald Reagan a parar de apoiar Ferdinand Marcos, o corrupto líder das Filipinas, depois de uma eleição roubada.

Porém, não houve coragem política quando os democratas do Senado tentaram conseguir votos em uma medida que forçaria uma mudança de direção no Iraque, e os republicanos reagiram ameaçando um atraso. Lugar, junto com outros republicanos que expressaram dúvidas contra a guerra, votou contra interromper o debate, ajudando a garantir que a estupidez que ele, tão precisamente descreveu em seu discurso, continue no Iraque.

Graças à esse voto, nada irá acontecer até que o general David Petraeus, o comandante chefe no Iraque, entregue seu relatório em setembro. Mas também não espere muito. Eu espero que ele me prove errado, mas a história do general sugere que ele é mais uma pessoa inteligente e consciente que permite Bush a fazer coisas estúpidas.

Eu não sei porque o artigo que Petraeu publicou no The Washington Post no dia 26 de setembro de 2004 não recebeu mais atenção. Afinal de contas, acaba com qualquer sensação de que o general fique acima da política: eu não acho que seja prática padrão para oficiais servindo no Exército publicarem artigos de opinião que visivelmente ajudam um encarregado, seis semanas antes de uma eleição nacional.

No artigo, Petraeus nos disse que os “líderes iraquianos estão progredindo, liderando seu próprio país e suas forças de segurança de maneira corajosa”. E essas forças de segurança estão indo bem: seus líderes “estão mostrando coragem e flexibilidade” e “forças se uniram nos meses recentes”.

Em outras palavras, Petraeus, sem dizer nada falsificável, conduziu uma impressão totalmente ilusória, extremamente conveniente para seus mestres políticos, que a vitória estava na esquina.

E o melhor palpite tem que ser que ele fez a mesma coisa três anos depois.

Você sabe, nessa altura, eu acho que precisamos parar de culpar Bush pela confusão que estamos. Ele é o que ele sempre foi, e todos exceto um grupo central de pessoas leais igualmente iludidas sabem.

E Bush continua a causar danos porque muitas pessoas que entendem como sua estupidez está colocando a segurança da nação em risco ainda se recusam, por cautela política e zelo em excesso pela carreira, a fazer qualquer coisa a respeito.

- Paul Krugman

Aquecimento global ameaça fornecimento de água na América do Sul

LONDRES - O aquecimento global está secando lagos montanhosos e pântanos nos Andes e colocando em risco o fornecimento de água a grandes cidades latino-americanas como La Paz, Bogotá e Quito, mostraram pesquisas do Banco Mundial.

O risco é especialmente grande no habitat úmido andino conhecido como páramo, responsável por 80 por cento do fornecimento de água aos 7 milhões de habitantes de Bogotá, na Colômbia.

A elevação das temperaturas está fazendo com que as nuvens que cobrem os Andes condensem-se a altitudes maiores. Segundo Walter Vergara, especialista do Banco Mundial em aquecimento global, o chamado ponto de orvalho vai acontecer fora das montanhas, se isso continuar acontecendo.

'Já estamos observando que os lagos e pântanos estão secando', disse ele sobre a pesquisa do Instituto de Estudos de Hidrologia, Meteorologia e Ambientais da Colômbia, financiada pelo Banco Mundial.

'As nuvens estão subindo a montanha por causa da mudança no clima, e em determinado momento vão acabar deixando a montanha.'

O Banco Mundial vai publicar detalhes mais para o fim do ano, disse Vergara numa entrevista por telefone.

O derretimento das geleiras, também provocado pelo aquecimento global, pode prejudicar o fornecimento de água para Quito e a geração de energia hidrelétrica no Peru.

Vergara foi o principal autor de uma pesquisa do Banco Mundial publicada no mês passado que concluiu que o Equador vai ter de gastar 100 milhões de dólares nas próximas duas décadas para compensar o recuo das geleiras -- substituindo a água das geleiras pela da bacia amazônica, por exemplo.

Os glaciares das montanhas funcionam como um regulador, fornecendo água nos períodos de seca, quando derretem, e absorvendo a água nos períodos de umidade.

'O fornecimento de água ficará menos previsível, e durante certas épocas do ano não haverá água nenhuma', disse Vergara.

Vários glaciares, como o Cotacachi, do Equador, já desapareceram, e muitos outros glaciares pequenos vão sumir em uma geração, afirmou o estudo.

O desaparecimento do páramo representaria um problema ainda maior, porque mais gente depende do ecossistema para obter água, afirmou o especialista.

Fonte - iG

AM e SC sofrem tremor de terra

Um tremor de terra de magnitude 6,1 na escala Richter foi detectado neste sábado na região amazônica pelo sistema de monitoramento da Sociedade Geológica dos Estados Unidos (USGS, na sigla em inglês). O tremor foi registrado às 10h27 (horário de Brasília). Segundo a USGS, o epicentro do terremoto, na divisa dos Estados do Acre e do Amazonas, foi a 165 quilômetros a leste da cidade de Cruzeiro do Sul, no Acre, e a 425 quilômetros a noroeste da cidade de Rio Branco, capital do Acre.

Não há ainda informações sobre possíveis vítimas ou danos provocados pelo tremor, que ocorreu numa área pouco povoada.

Um dia antes, três cidades do norte de Santa Catarina também tiveram um tremor de terra. Moradores das cidades de Joinville, Araquari e São Francisco do Sul acionaram o Corpo de Bombeiros devido ao que acharam se tratar de um terremoto. O tremor, no entanto, não foi confirmado pela direção da Defesa Civil porque nenhum órgão teria registrado oficialmente o fenômeno. Mas, segundo a própria Defesa Civil, o temor poderia ter sido causado por alguma detonação de rocha.

Mesmo sem confirmação oficial, o incidente levou pânico aos moradores das cidades. O Corpo de Bombeiros recebeu várias ligações de pessoas que relataram também ter ouvido um forte barulho pouco antes do tremor.

(BBC Brasil e Terra)

Nota: "Porquanto se levantará nação contra nação, e reino contra reino, e haverá fomes, e pestes, e terremotos, em vários lugares" (Mateus 24:6 e 7).

Fonte - Blog Michelson Borges

sexta-feira, 20 de julho de 2007

Ambiente: Grandes empresas dos EUA querem ação urgente

Por Jim Lobe, da IPS

Washington, 19/07/2007 – Representantes de 160 das principais empresas dos Estados Unidos reclamaram das autoridades ações urgentes para enfrentar a mudança climática. Os líderes empresariais alertaram que “as conseqüências do aquecimento global para a sociedade e o meio ambiente são potencialmente sérias e de longo alcance”, e acrescentaram que “o tempo para agir é agora”. A declaração, divulgada esta semana pela Mesa Redonda de Negócios (BRT), não promove a redução obrigatória da emissão de gases causadores do efeito estufa – apontados pela maioria dos cientistas como responsáveis pelo aquecimento -, mas pede “uma ação coletiva que a reduza em nível mundial”.

A intenção é “reduzir o aumento da concentração de gases que provocam o efeito estufa na atmosfera para, em última instância, estabilizá-los em um nível que permita evitar os riscos da mudança climática. É a primeira vez que líderes empresariais de todos os setores da economia norte-americana alcançam um consenso sobre as ameaças do aquecimento da Terra e a necessidade de tomar medidas a respeito”, disse o presidente da BRT, John J. Castellani. “Os membros da BRT estão prontos para trabalharem junto com os líderes políticos em soluções ativas para enfrentar o problema, ao mesmo tempo em que se mantém o crescimento econômico”, acrescentou. Castellani informou que a declaração foi aprovada pelo consenso de toda a Mesa Redonda.

Organizações ambientalistas destacaram o pronunciamento que, afirmaram, deveria estimular o Congresso dos Estados Unidos a tomar medidas. Com maioria do Partido Democrata nas duas Casas legislativas, os legisladores começaram a analisar projetos para limitar as emissões, ao que se opõe o presidente George W. Bush. “Basicamente, os líderes empresariais estão reconhecendo que haverá algum tipo de legislação de caráter obrigatório, o que não é pouco”, disse o diretor da área de mercados e negócios do Centro Pew sobre Mudança Climática, Truman Semans.
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Fonte - Envolverde

quinta-feira, 19 de julho de 2007

Seis anos após 11/9 ameaça aos EUA permanece a mesma19/07/2007

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De acordo com setores da Inteligência americana, a ameaça de violência terrorista contra os EUA está aumentando, alimentada pela guerra do Iraque e crescente extremismo islâmico.

As conclusões não são novas, mas contrariam a visão otimista defendida por George Bush de que dois terços da liderança da Al-Qaeda teria sido morta ou capturada e que a invasão do Iraque reduziria a ameaça terrorista.

Depois de anos de guerra no Afeganistão, no Iraque e alvos no Iêmen e no Paquistão, a principal ameaça aos americanos continua sendo a mesma de 2001: o grupo terrorista Al-Qaeda, liderado por Osama bin Laden e Ayman al-Zawahri.

Leia também
NY Times - 6 Years After 9/11, the Same Threat

Fonte - Opinião e Notícia

quarta-feira, 18 de julho de 2007

A Igreja Verdadeira

A declaração de Bento XVI está dando motivo para grande polêmica sobre assuntos importantes relacionados a adoração. Numa primeira análise, para a Igreja Católica, parece que teria sido melhor se não dissesse nada. Acendeu uma fogueira que talvez não se apague mais. Essa fogueira certamente contribuirá para que muitos de seus fiéis descubram coisas do passado da Igreja que, se souberem, saem dela. Num comentário de debates na internet já li que ele, o papa, deu dois tiros nos dois pés. Ou seja, quem não tem a verdade, que não toque nesse assunto, para que não seja descoberto. É fácil a qualquer pessoa provar o que é a verdade de CRISTO e onde ela está. Basta ler na Bíblia, onde a verdade e as doutrinas de CRISTO se encontram.

O que está entrando nessa controvérsia? Questões fundamentais, como:

- Quem salva? É uma igreja? É a Bíblia? São os santos? É CRISTO? Ora, quem salva só pode ser quem morreu para salvar, ao menos é o que a Bíblia diz.

- Os dogmas, ou doutrinas da Igreja Católica são cristãos ou foram copiados do paganismo? É só conferir com a Bíblia, e ver que a maioria deles conflitam com esse livro, que CRISTO avalizou e disse para ser examinado, porque nele se encontra a vida eterna.

- E sobre a sucessão de Pedro. Muitos eruditos, inclusive um doutor católico, Hans Küng, até contestam de que Pedro estivesse em Roma. Podem tê-lo levado para lá para ser morto. Aliás, até o século III nem havia papa, e sim, bispos com o mesmo nível de importância, em vários lugares. O sistema papal foi instalado com a queda do Império Romano, o qual sucedeu. Assim revela a história.

- Aliás, JESUS, em Mateus 16:18 diz que Pedro era apenas uma pedra, e que sobre “esta pedra” que é JESUS, a igreja seria edificada, não sobre Pedro, apenas um ser humano. Pedro não morreu para a salvação das pessoas, e sim, JESUS, portanto, só sobre o Salvador a Igreja poderia ser construída. Isso foi que JESUS disse. Dá para imaginar uma igreja construída sobre um homem pecador, como qualquer outro, e que carecia da salvação como todos?

- E quanto as chaves. Que chaves são estas? São os dois testamentos da Bíblia. A igreja que tem tais chaves deve respeitar a Bíblia e pô-la em prática, não é verdade? Essas chaves são o critério pelo qual tudo deve ser feito, ligar, desligar, etc. O critério só pode ser a Bíblia. Ou haveria outra forma?

- E o ritual da missa? O que é feito ali? Um sacrifício. Mas o último sacrifício foi o de JESUS morto na cruz. Depois deste, todo o Antigo Testamento afirma claramente não ser mais necessário outros. Esse foi o definitivo, para o qual os anteriores apontavam. O ritual da missa é hoje inútil. Além disso, nem mesmo teria valor, pois não é bíblico, você não encontra tal ritual na Bíblia, em parte alguma. E é inócuo, pois para salvar alguém teria que haver derramamento de sangue, conforme a Bíblia.

No que essa declaração vai dar? Era para reverter a perda de fiéis. Pois, nos primeiros dias após a declaração, o que se está vendo é uma enxurrada de contestações, muitas vindo dos católicos. Essa declaração vai abrir os olhos de muitos para a obtenção do conhecimento do que a Igreja Católica fez no passado, e do que ainda fará no futuro próximo. É só estudar na Bíblia, nos livros de Daniel e Apocalipse. Não demora e veremos o retorno para a antiga Inquisição medieval. Isso é profecia da Bíblia. Se cumprirá Apocalipse 18:4, que recomenda fortemente aos adoradores que desejam se salvar que saiam de babilônia.

Ecumenismo não está em crise, chega a sua maturidade

Fala a teóloga alemã Jutta Burggraf

PAMPLONA, terça-feira, 17 de julho de 2007 (ZENIT.org).- O ecumenismo não está em crise, «mas em uma situação de maior maturidade: vemos hoje mais claramente o que nos une e o que nos separa».

É o que comenta a Zenit a especialista em ecumenismo Jutta Burggraf, alemã, professora de Teologia Sistemática e de Ecumenismo na Faculdade de Teologia da Universidade de Navarra.

O recente documento «Respostas a questões relativas a alguns aspectos da doutrina da Igreja», publicado pela Congregação para a Doutrina da Fé, segundo a teóloga, «colocou o dedo na ferida e, ao mesmo tempo, assinalou em que direção devem ir os futuros diálogos ecumênicos».

--O novo texto da Congregação para a Doutrina da Fé recorda que não traz nenhuma novidade, mas que afirma a doutrina da Igreja perante algumas interpretações incorretas. Que tipo de erros se cometem, neste sentido, no movimento ecumênico?
--Burggraf: Efetivamente, pode-se considerar o ecumenismo como um movimento único – suscitado pelo próprio Espírito Santo –, cujo fim consiste em promover a unidade entre os cristãos em todo o mundo. Neste movimento participa cada uma das comunidades cristãs desde sua perspectiva própria. E cada uma tem sua compreensão específica sobre o que é a desejada unidade.

Atualmente, está ganhando muita influência a chamada «branch-theory», que foi elaborada pela Associação para a Promoção da Unidade dos Cristãos no século XIX e ampliada no século XX. Segundo essa teoria, o cristianismo entende-se como uma árvore. O que as diversas confissões têm em comum é o tronco, do qual saem vários ramos exatamente iguais: a Igreja Católica, as Igrejas Ortodoxas e as Igrejas que saíram (direta ou indiretamente) da Reforma protestante.

Nós, católicos, não podemos aceitar essa teoria. Não buscamos uma super-Igreja (com uma concepção «federalista» da unidade».

Segundo nossa fé, a unidade da Igreja de Cristo não é uma realidade futura, hoje inexistente, que teríamos de criar todos juntos. Nem tampouco é algo repartido entre diversas comunidades, que sustentam doutrinas às vezes contraditórias.

É bem mais uma realidade que, em seu núcleo essencial, já existe e sempre existiu, e que subsiste na Igreja Católica: está realizada nela – apesar de todas as debilidades de seus filhos – pela fidelidade do Senhor ao longo da história.

--Assim se pode dizer realmente que a unidade da Igreja já existe?
--Burggraf: O termo ecumenismo vem das palavras gregas «oikéin» (habitar) e «oikós» (casa) que tiveram diversos significados ao longo da história. Os cristãos as empregaram para falar da Igreja, a grande casa de Cristo.

A porta para entrar na Igreja é o Batismo válido, que se administra segundo o rito estabelecido e a fé recebida de Cristo. Esta fé deve abarcar ao menos os dois maiores mistérios que nos foram revelados: a Santíssima Trindade e a Encarnação. Em conseqüência, todas as pessoas batizadas nessas condições incorporaram-se a Cristo e «entraram» formalmente em sua casa. Podem ficar doentes e inclusive morrer (espiritualmente), mas ninguém pode tirar-lhes mais.

Por isso – recorda o Concílio Vaticano II – não só os católicos são «cristãos», mas todos os batizados, em quanto que suas respectivas comunidades conservam ao menos esta fé mínima nos dois grandes mistérios mencionados. «São nossos irmãos – disse Santo Agostinho – e não deixarão de sê-lo até que deixem de dizer: “Pai nosso”».

Em uma criança recém-nascida, a graça de Deus atua do mesmo modo, tanto se é batizada na Igreja Católica como se o é em uma Igreja Ortodoxa ou Evangélica.

--Em que consiste, então, o trabalho ecumênico desde a perspectiva católica?
--Burggraf: A Igreja convida a olhar a nossos irmãos na fé não só sob a perspectiva negativa do que «não são» (os não católicos), mas sob o prisma positivo do que «são» (os batizados). São os «outros cristãos», aos que estamos profundamente unidos: estamos na mesma casa!

A tarefa ecumênica não consiste, portanto, em criar a unidade, mas em fazê-la visível a todos os homens, superando as separações que impedem a Igreja de mostrar-se ao mundo tão esplêndida como realmente é.

Por esta razão, é necessário buscar uma forma eclesial que abarque, de um modo mais completo possível, as legítimas diversidades na teologia, na espiritualidade e no culto. Na medida em que conseguimos realizar uma pluralidade boa e sadia, «a Igreja resplandece – segundo o Papa João XXIII – mais bela ainda pela variedade dos ritos e, semelhante à filha do Rei soberano, aparece adornada com um vestido multicolor».

Segundo esta proposta positiva, um cristão não condena nem rechaça os «outros», mas busca tirar à luz a raiz comum de todas as crenças cristãs, e se alegra quando descobre nas outras Igrejas verdades e valores que talvez não tenha tido suficientemente em conta em sua vida pessoal. É compreensível que o Concílio Vaticano II, partindo desta perspectiva, tenha aberto o caminho a uma grande vitalidade e fecundidade. O abriu comprometidamente, em primeiro lugar, à própria Igreja Católica que tomou, de novo, consciência de purificar-se e renovar-se constantemente.

A unidade, quando se der algum dia, será obra de Deus, «um dom que vem do alto». É preciso não esquecer nunca que o verdadeiro protagonista do movimento ecumênico é o Espírito Santo.

--Como reagem os protestantes perante essa visão que a Igreja tem deles não como Igreja, mas como comunidades eclesiais?
--Burggraf: A primeira reação foi uma grande decepção, tanto entre os protestantes como entre muitos católicos. Pode-se compreender, porque muitos meios de comunicação deram a notícia de um modo sensacionalista e sem explicar que há diferentes modos de empregar a palavra «Igreja».

No sentido cultural, social e religioso, falamos cada dia, sem nenhum problema, das «Igrejas protestantes», por exemplo, da «Igreja Evangélica da Alemanha» (a EKD).

Também as chamamos «Igreja» em um sentido teológico amplo, enquanto pertencem à casa de Cristo (formam parte da Igreja de Cristo). No entanto, não as chamamos «Igreja» no sentido estrito, porque – segundo a teologia católica – carecem de um elemento constitutivo essencial do ser Igreja: a sucessão apostólica no sacramento da ordem.

Mas isso não é nenhuma discriminação, mas que mostra um profundo respeito para elas. Nossos irmãos evangélicos certamente querem ser «Igreja de Cristo» (e o são); mas – ao menos, até hoje – não querem ser «Igreja» no mesmo sentido em que nós, católicos, entendemos esta realidade. Não consideram, por exemplo, o sacerdócio como um sacramento. Para expressá-lo claramente, não falam de «sacerdotes», mas de «pastores» e de «pastoras». Na mesma linha, podemos distinguir entre Igreja (em sentido católico) e Comunidade.

--Qual é o maior obstáculo ecumênico que se está enfrentando neste momento?
--Burggraf: É precisamente a eclesiologia. Portanto, o documento colocou o dedo na ferida e, ao mesmo tempo, assinalou em que direção deveriam ir os futuros diálogos ecumênicos.

Segundo o Vaticano II, distinguem-se diversos modos de pertencer à casa de Cristo. A pertença é plena se uma pessoa entrou formalmente – mediante o batismo – na Igreja e se une a ela através de um «triplo vínculo»: aceita toda a fé, todos os sacramentos e a autoridade suprema do Santo Padre. É o caso dos católicos. A pertença, em contrapartida, é não-plena se uma pessoa batizada rechaça um ou vários dos três vínculos (totalmente ou em parte). É o caso dos cristãos ortodoxos e evangélicos.

No entanto, para a salvação não basta a mera pertença ao Corpo de Cristo, seja plena ou não. Todavia, mais necessária é a união como a Alma do Senhor que é – segundo a imagem que utilizamos – o Espírito Santo. Em outras palavras, somente uma pessoa em graça chegará à felicidade eterna com Deus. Pode ser um católico, um anglicano, luterano ou ortodoxo (e também um seguidor de outra religião).

As estruturas visíveis da Igreja são, certamente, necessárias. Mas em seu núcleo mais profundo, a Igreja é a união com Deus em Cristo. Quem é mais «Igreja»? Aquele que está mais unido a Cristo. Aquele que ama mais.

É significativo que Jesus Cristo nos coloque como modelo de caridade um «bom samaritano», quer dizer, uma pessoa considerada, naqueles tempos, como «herege». Alberto Magno afirma: «Quem ajuda seu próximo em seus sofrimentos – sejam espirituais ou materiais – merece mais louvor que uma pessoa que constrói uma catedral em cada marco no caminho desde Colônia a Roma, para que se cante e reze nelas até o fim dos tempos. Porque o Filho de Deus afirma: Não sofri a morte por uma catedral, nem pelos cantos e rezas, mas pelo homem».

--Pensa que hoje o ecumenismo goza de boa saúde?
--Burggraf: O diálogo ecumênico, em vários níveis, encontra-se em pleno desenvolvimento. Católicos, ortodoxos e protestantes aproximaram-se uns dos outros, conheceram-se mutuamente, deixaram para trás velhos preconceitos e clichês e se deram conta de que sua divisão é um escândalo para o mundo e contrária aos planos divinos.

Podemos dizer, sem exagerar, que avançamos no caminho para a plena unidade nas últimas décadas mais que em vários séculos.

No entanto, o «entusiasmo ecumênico» dos tempos posteriores ao Concílio diminuiu.

Perdeu-se a ilusão – bastante estendida no mundo inteiro – de que as diferenças entre as diversas comunidades cristãs desapareceriam com relativa facilidade. Viu-se que o caminho é difícil e longo. Mas não estamos em uma crise, mas em uma situação de maior maturidade: vemos hoje mais claramente o que nos une e o que nos separa.

Um ecumenismo sólido está baseado na convicção de que, apesar das dificuldades, devemos tentar colaborar, dialogar e, sobretudo, rezar juntos com a esperança de descobrir a unidade que de fato já existe.

Fonte - Zenit

terça-feira, 17 de julho de 2007

O fanatismo religioso de George Bush

Altamiro Borges - 08.03.2007

"Bush acha que Deus fala com ele...
Ele se julga em missão divina...
Reiterou que sua missão é ditada do alto, a pretexto de que ‘a liberdade é uma dádiva do todo-poderoso’...
Essencialmente, o que ele disse foi ter sido ‘convocado’ para esse papel...
George W. Bush foi colocado na Casa Branca por Deus".
Bob Woodward, no livro Plan of attack, com base em declarações do próprio presidente-maníaco.

Na sua "guerra infinita" contra o "eixo do mal", o presidente George W. Bush tenta estigmatizar todas as demais culturas e religiões do mundo. Apresenta-as como se fossem coisas "demoníacas" de "fanáticos". Um dos mentores desta onda conservadora, Samuel Huntington, inclusive escreveu um livro defendendo que o maior problema do planeta na atualidade é o "choque de civilizações". Esta teoria insana substituiu o célebre e desastroso conceito sobre o "fim da história", do descartado Francis Fukuyama. É nela que o fundamentalista George W. Bush se baseia para justificar as suas agressões terroristas no planeta.

Escrito em 1993, o livro de cabeceira dos republicanos afirma que o mundo vive uma fase de transição e que a maior ameaça ao "ocidente" viria da chamada "conexão islâmica-confuciana", incluindo os países árabes e a perigosa China. Diante deste cenário apocalíptico, Huntington sugere que o "mundo ocidental" deve usar meios militares para desestabilizar as "civilizações hostis" e preservar a sua hegemonia. "Um mundo sem o primado americano terá mais violência e desordem, menos democracia e crescimento, do que um mundo no qual os EUA continuem a ter mais influência do que qualquer outro país na formação dos negócios globais". Os atentados de 11 de setembro seriam a prova cabal do acerto desta "teoria".
"Enviado de Deus na Terra"

Por detrás desta "teoria insana" se escondem muitos tiranos maníacos. A mídia hegemônica, que costuma fazer grosseiras caricaturas do islamismo e de outros credos, não enfatiza que o próprio George W. Bush é um ativo partidário da intolerância e do fanatismo religioso. Ele jura que é um "enviado de Deus na terra" - ou, como escreveu um colunista do Washington Post, "é o próprio aiatolá da América". Na sessão conjunta do Congresso de setembro de 2001, quando decretou sua "guerra infinita", o atual presidente dos EUA esbravejou: "Ou você está conosco, ou está com os terroristas. De hoje em diante, qualquer nação que continuar a acolher ou apoiar o terrorismo será encarada pelos EUA como regime hostil".

Foi nesta ocasião que Bush pregou a "cruzada contra o terrorismo", numa versão cristã da Jihad, a guerra santa dos mulçumanos. Poucos dias depois, o pastor Jerry Falwell, um de seus "conselheiros espirituais", aproveitou o clima de histeria decorrente dos atentados de 11 de setembro para afirmar que "Maomé é terrorista". Já o reverendo Pat Robertson disse que aquele ataque fora "um castigo de Deus por causa da legalização ABORTO e da ação das feministas e gays". E a jornalista Ann Coulter, entusiasta da "guerra santa", escreveu: "Devíamos invadir o país deles, matar os líderes deles e convertê-los ao cristianismo".
O "renascimento em Cristo"

De há muito que a família Bush explora a religiosidade dos estadunidenses para escamotear seus negócios ilícitos e justificar sua política ultraconservadora. Segundo vários dos seus biógrafos, após uma longa fase de "beberrão a arruaceiro", o atual presidente difundiu amplamente a imagem do "renascido em Cristo" - horn again Christian -, o que rende muitos votos no segmento mais atrasado do eleitorado. (sic) Ele inclusive passou a fazer pregações em igrejas e nos shows evangélicos de televisão, nos quais satanizava as demais religiões e dizia que relia a Bíblia a cada dois anos. O reverendo Tony Evans, seu confidente em Dallas quando ele era governador do Texas, relata que Bush "sentia que Deus falava com ele". Ele mesmo dizia que rezava várias vezes ao dia "para ser, tanto quanto possível, um bom mensageiro da vontade de Deus".

Bush gostava de relatar que o seu "renascimento em Cristo" se dera com a ajuda do pastor midiático Billy Grahan, cultuado como o "estadista evangélico da América". Grahan é um antigo conselheiro espiritual da família Bush, tendo passado várias férias na residência de praia em Kenneebunkport, no extremo oeste dos EUA. O reverendo inclusive teria uma ligação afetiva com baby-Bush devido à semelhança do seu problema com o do seu filho, Franklin Grahan, que aos 22 anos voltou a se dedicar à religião após longa fase de vícios e internações. Segundo relato do próprio Grahan foi numa conversa com o atual presidente, durante uma caminhada na praia de Kennebunkport, em 1986, que baby-Bush se reconverteu à religião.
"Livrar-se do último demônio"

"Quando a gente está sem Deus nesta vida, amarga terrível solidão... Há uma coisa que gostaria que você fizesse ao voltar ao Texas. Deus ama você, George. Deus está interessado em você. Para voltar a dedicar a vida a Jesus Cristo e se tornar um homem novo, você terá de se livrar daquele último demônio. George, dê isso a ele. Deus vai assumir a carga e você será libertado", orientou o pastor. Segundo relato do próprio Bush, ele só teria se libertado dos seus "demônios" durante uma festa com os amigos texanos de Midland para comemorar o seu 40º aniversário. Após aquela longa folia, ele jurou que nunca mais iria beber.

Bush garante a sua vida mudou radicalmente depois que ele ouviu os "conselhos espirituais" do reverendo Grahan. Antes de "excomungar seus demônios", afastando-se do alcoolismo e de outros vícios, ele havia fracassado na vida política (foi derrotado numa eleição para deputado em 1978) e no mundo dos negócios (suas três empresas do ramo de petróleo faliram entre 1976 e 1983). Após a "reconversão", ele se tornou governador do Texas, em 1993 (reeleito em 1977), e presidente dos EUA, em 2000. Daí ele afirmar, com uma convicção hipócrita e oportunista, que é um predestinado, um "enviado de Deus na terra".

O falso moralismo dos theocons
Na eleição de 2000, George Bush teve apoio ativo dos pastores ultraconservadores, como Pat Robertson, Jerry Falwell e do midiático Billy Grahan. Os seus cabos eleitorais foram os fanáticos das organizações religiosas de extrema direita dos EUA, como a Maioria Moral e a Coalizão Cristã, secretariada por Ralph Reed. Este só não pode participar mais ativamente da campanha eleitoral porque foi revelada sua atuação ilegal e criminosa de lobista da Microsoft e da corrupta Enron. Para colegas evangélicos, o "pastor" Reed jurava que "Deus escolheu Bush porque sabia de suas qualidades de líder vigoroso e resoluto".

A agressividade dos tele-evangelistas contra as "civilizações hostis", as liberdades democráticas, o ABORTO e o homossexualismo acabou rendendo votos entre o eleitorado mais conservador e chauvinista dos EUA. Além disso, ela foi apimentada pelo falso moralismo destas seitas. Isto apesar de denúncias contra muitos "pastores". Um deles, Jim Baker, dono de império de hotéis, escandalizou o país ao admitir que mantinha relações extra-conjugais e ao ser preso por desvio de dólares dos fiéis. Já Jimmy Swaggart, cuja pregação alcançava mais de 100 países, incluindo o Brasil, caiu em desgraça ao se descoberto em prostíbulos. Ele chorou, pediu desculpas e, pouco depois, voltou à ativa, tornando-se ativo apoiador de George W. Bush.
Já Pat Robertson, criador da Coalizão Cristã, detém postos de comando no Partido Republicano e possui milionários negócios, como a exploração de minas de ouro na Libéria e uma influente rede de televisão - Cristian Broadcasting Network (CBN). Seu programa diário na TV é famoso pelas agressivas campanhas contra o ABORTO e o casamento gay, pela obrigatoriedade do ensino religioso nas escolas e pela defesa dos "valores da família". No ano passado, causou celeuma no país ao pregar o assassinato do presidente Fidel Castro. A Coalizão diz possuir um milhão de adeptos e se vangloria de ter já elegido vários deputados, senadores e governadores. Ela tem um luxuosa sede em Washington que serve para sua lobista.

"A cruzada sanguinária" de Bush

Na verdade, toda esta encenação religiosa serve aos propósitos dos republicanos ultraconservadores. De há muito que o Partido Republicano sofre enorme influência da direita religiosa dos EUA, dos chamados theocons. Nela militam não apenas reverendos fascistas, como Pat Robertson e Jerry Falwell, mas vários advogados com notável dedicação às campanhas moralistas. O grupo teve muito poder nos dois mandatos de Ronald Reagan, sendo baluarte da luta contra o comunismo, e também no governo de Bush-pai. Mas depois caiu no descrédito, sendo responsabilizado pelas duas derrotas consecutivas dos republicanos. Na gestão de Bill Clinton, os theocons lideraram a campanha moralista pelo impeachment do presidente.

Com a vitória de baby-Bush e, principalmente, após os atentados de 11 de setembro de 2001, este grupo retornou com toda força ao poder e hoje ocupa postos-chaves em várias áreas do governo, especialmente no Departamento de Justiça. O atual presidente usou, de forma oportunista, de toda a carga religiosa e das contribuições dos theocons para decretar sua "guerra santa ao terrorismo" e para proclamar o "choque de civilizações" como forma de justificar as criminosas ocupações do Afeganistão e, depois, do Iraque. Ele se postou como "mensageiro de Deus" nesta "cruzada" sanguinária. A direita religiosa também conseguiu emplacar a sua política contra as liberdades civis, o direito ao ABORTO e o homossexualismo nos EUA.

Fonte - Adital

Nota DDP:
Quer saber onde os chamados "theocons" têm apostado muitas de suas fichas? Eles fazem parte da "Ten Commandments Comission", que pretende reabilitar a validade dos Dez Mandamentos na América. Curiosamente, o Presidente Bush deu ao Papa Bento XVI, por oportunidade de sua visita ao Vaticano, um cajado com os Mandamentos inscritos, um sinal?

Relatório sobre espionagem denuncia "maior clima de ameaça" contra os EUA

Washington, 17 jul (EFE).- Os Estados Unidos sofrem com um "maior clima de ameaça" terrorista, segundo um novo relatório dos serviços secretos dos Estados Unidos que será divulgado parcialmente hoje e que detalha um total de 80 descobertas.

Segundo a rede de televisão "CNN", o relatório - que a Casa Branca divulgará hoje oficialmente - apresenta uma análise das ameaças "persistentes e em evolução" que os EUA podem enfrentar nos próximos três anos, e que vão desde Al Qaeda até o grupo radical islâmico libanês Hisbolá.

O documento desclassificado, conhecido como "Relatório Nacional de Inteligência" e compilado pelos 16 órgãos de espionagem americanos, considera a Al Qaeda a ameaça mais perigosa, e adverte que está rede poderia querer usar seus contatos no Iraque para cometer atentados em território americano.

Em particular, destaca o texto, esta rede terrorista "provavelmente buscará usar os contatos e capacidades da Al Qaeda no Iraque, seu filiado mais visível e poderoso, e o único que se sabe que expressou o desejo de atacar nossa pátria".

A relação com este filiado também permitiu à Al Qaeda conseguir mais simpatias, fundos e militantes entre os sunitas, dizem os órgãos de espionagem no relatório.

Esta organização conseguiu recuperar parte da capacidade perdida após os atentados de 11 de setembro de 2001 nos Estados Unidos, e conta agora com um refúgio nas áreas tribais do oeste do Paquistão, segundo o relatório.

Além disso, a Al Qaeda continua sua busca por armas de destruição em massa e "não duvidaria em usá-las" caso chegasse a obtê-las.

Entre os aspectos positivos que destacam, estas entidades consideram que as medidas de segurança adotadas desde os atentados de 11 de setembro de 2001 nos EUA prejudicaram a capacidade da Al Qaeda de atacar o país, e persuadiram os grupos terroristas de que um atentado contra os Estados Unidos atualmente é muito mais difícil do que antes.

No entanto, a cooperação internacional que permitiu este clima "pode se desvanecer à medida em que o 11-9 fica para trás e se tornam mais distantes as percepções de uma ameaça".

Fonte - UOL

Bento XVI: volta ao passado

O papa Bento XVI acaba de surpreender o mundo cristão com as decisões de liberar o latim às celebrações litúrgicas e proclamar a Igreja de Roma como a única verdadeira Igreja de Cristo.

Todos somos tributários de nossas raízes culturais. Não se pode avaliar um texto fora de seu contexto. Isso vale para as pessoas. Joseph Ratzinger, agora papa, é um alemão embebido do pessimismo intelectual de Hannah Arendt e Karl Popper, filósofos antiutopistas. Os dois foram militantes de esquerda, ela na Alemanha, ele na Áustria. Os dois, ao renegarem as idéias revolucionárias, caíram no erro de identificar utopia e totalitarismo. Assim, fecharam-se ao futuro, para a alegria de quem insiste em outro grave equívoco, o de identificar democracia e capitalismo.

Quando o ser humano abandona a imaginação criadora, o futuro se lhe acena como ameaça. O novo atemoriza. Então, ele se abriga na nostalgia, como se no passado residisse o melhor dos mundos. É o retorno ao Éden bíblico, ao "paraíso perdido" de Milton, à segurança do útero materno diagnosticada por Freud.

Para acentuar o elitismo de uma Igreja refém de Constantino no mundo latino, a nobreza clerical adotou como idioma uma língua em decadência, o grego. Desabado o Império Romano e desagregada a unidade européia, a Igreja conservou outro idioma em desuso, o latim. Assim, os sagrados mistérios eram tratados numa linguagem inacessível à plebe. No século XVI, em Pernambuco, Branca Dias foi acusada pela Inquisição de um grave delito: possuir a Bíblia em português. Nem a constatação de que era analfabeta a salvou do castigo. O vernáculo era tido como profano.

Não será o latim que atrairá à Igreja Católica os pobres que preferem os pastores capazes de se expressar em sua linguagem. Jesus não falava grego ou latim. Falava aramaico e entendia hebraico. Aprecio o latim no canto litúrgico, como o gregoriano. Mas quantos fiéis entendem a missa em latim? Receio que prefiram a celebração como mera experiência estética, resquício de uma Igreja exilada em seu passado, de costas para o futuro.

Será a Igreja de Roma a única verdadeira Igreja de Cristo? Por que Roma suprimiu do Credo a profissão de que nós, católicos, cremos na "Igreja católica, apostólica, romana", como rezei na infância? Agora, reza-se apenas "Creio na Santa Igreja Católica", o que implica seu caráter universal e apostólico, mas não romano.

Dificulta ainda mais o ecumenismo essa afirmação de que o reconhecimento do bispo de Roma, o papa, como cabeça de todas as Igrejas, é condição para que as comunidades eclesiais cristãs se unam. O Concílio Vaticano II insiste na renovação e conversão de todas as Igrejas, inclusive a de Roma, como requisito para o resgate da unidade perdida, primeiro com o cisma entre Oriente e Ocidente, em 1054, depois com a Reforma de Lutero, no século XVI. O Concílio recomenda à Igreja de Roma reconhecer os elementos de verdade presentes nas demais Igrejas. Prestar atenção no que une, não no que separa.

Eis o que diz o catecismo oficial da Igreja Católica, assinado pelo cardeal Ratzinger em 1998: "Muitos elementos de santificação e de verdade existem fora dos limites visíveis da Igreja Católica: a palavra escrita de Deus, a vida da graça, a fé, a esperança, a caridade, outros dons interiores do Espírito Santo e outros elementos visíveis. O Espírito de Cristo serve-se dessas Igrejas e comunidades eclesiais como meios de salvação, cuja força vem da plenitude de graça e de verdade que Cristo confiou à Igreja Católica. Todos esses dons provêm de Cristo e levam a Ele e chamam, por eles mesmos, para a unidade católica" (819).

Jesus jamais condicionou o mérito de seu amor à adesão de sua palavra. Fez o bem sem olhar a quem. Não exigiu que, primeiro, a mulher fenícia, o servo do centurião romano ou a viúva de Naim acreditasse em sua pregação para, em seguida, merecer a cura. Nem disse a um deles "a minha fé o salvou", e sim "a sua fé o salvou".

A unidade dos cristãos jamais será alcançada pela íngreme via da autoridade, e sim da caridade, da tolerância, da nossa humildade em reconhecer os próprios erros e ser capaz de ressaltar o que há de positivo, de evangélico, nas demais Igrejas e denominações religiosas.

O primado do amor é o único capaz de assegurar unidade de fé na diversidade de culturas. Para todo o sempre, Cristo é a cabeça da Igreja e nós, fiéis, diferentes membros de seu corpo.

Frei Betto

Fonte - Adital

Nota DDP:
A ICAR já não faz mais questão nenhuma de ocultar seus intentos. A "volta ao passado" é mesmo o objetivo a ser conquistado, com a nuance clara de "resgate da unidade perdida", as próprias pessoas a ela de alguma forma ligados já percebem isso com clareza, como no artigo supra. O articulista perde o ponto apenas quando imagina que a unidade não será alcançada pela via de autoridade ou, que tudo que está acontecendo não seja sistematicamente elaborado...

EUA serão Roma, alerta historiador

Para o jornalista e historiador Cullen Murphy, uma erosão lenta começa a corroer o Império Americano. Embora creia que muito separe os EUA de seu predecessor cujo fim sepultou a Idade Antiga, fatores de risco os aproximam: a dependência do poder militar e a obsessão por segurança -a um custo insustentável-, a terceirização de funções do governo, a arrogância. Como estancar a queda? "Estaríamos nos ajudando se parássemos de tentar projetar poder em cada canto."

"Are We Rome?", pergunta o título do livro. É uma brincadeira com o som da pergunta que os pais mais ouvem dos filhos durante as viagens, "Are we home yet?", "já chegamos em casa?, e a pergunta que historiadores, analistas e pensadores norte-americanos se fazem cada vez mais: "Nós já somos Roma?".

"Nós", no caso, é o Império Norte-Americano. Responder a essa questão e traçar paralelos entre as duas épocas são o que propõe Cullen Murphy, 55, jornalista e especialista em história medieval, no livro que acaba de lançar, cujo subtítulo é "A Queda de um Império e o Destino dos EUA". "Não, ainda não" é o que ele responde à Folha, numa troca de e-mails.

Ainda assim, acredita, há muitos e perigosos paralelos entre o país comandado por George W. Bush hoje e o império que terminou em 476, ao ver seu exército derrotado pelos soldados de Odoacro, um "bárbaro" que era cristão, conhecia os meandros de Roma e até meses antes servia no mesmo regimento que agora caía.

Leia a seguir os principais trechos da entrevista:

Para usar o duplo sentido do título de seu livro, nós já estamos em Roma?
Não, ainda não. Há evidentemente muitas diferenças entre os EUA e o antigo Império Romano, e algumas dessas diferenças podem trazer em si sinais do futuro. Diferentemente de Roma, os EUA são um país de classe média, uma democracia e uma sociedade marcadamente igualitária. Ainda assim, há muitos e perigosos paralelos com a Roma antiga, e eles deveriam preocupar mais os americanos.

Por exemplo, a maneira com que os EUA dependem crescentemente do poder militar para atingir seus objetivos, mesmo com nossas Forças Armadas já no limite de sua capacidade. Ou a terceirização de funções governamentais para empresas privadas, o que enfraquece a capacidade do governo de agir em benefício de todos os seus cidadãos -e aumenta a habilidade dos interesses privados em agir em benefício de poucos. Por fim, a mentalidade que vê os EUA como o centro do sistema solar, com todos os outros países orbitando em torno de nós.

O que mais?
Há pessoas na direita que vêem os EUA como ainda na fase ascendente e ainda no processo de expansão de seu poder no mundo. Há, obviamente, muitos outros, não só na esquerda, que se preocupam com o fato de que a "Pax Americana", como a "Pax Romana" de muitos séculos atrás, ser uma ilusão. Ilusão essa que vai levar os EUA a trilhar um caminho perigoso e fútil, na minha visão. O processo de "declínio e queda" não vai ser súbito, mas uma erosão lenta, como foi para Roma. O que nós chamamos de "queda de Roma" não foi uma catástrofe ocorrida da noite para o dia, aquela imagem popular dos bárbaros empurrando as portas da cidade. Ao contrário, levou séculos, ocorrendo mais rapidamente em alguns lugares que em outros.

Você pode estar vivendo bem no meio dessa "queda" e não se dar conta. Para alguns, a queda se parece muito com o que vemos agora, aliás: novos povos adquirindo nova autoridade e poder econômico, alguns grupos demográficos novos se mudando para cidades, outros grupos mais antigos se tornando gradualmente marginalizados...

O sr. dedica boa parte do livro à questão da segurança, acha que o preço de manter um império é a constante vigilância. Ironicamente, isso não o levará à ruína?
O custo da segurança -ou, para ser mais preciso, o custo do que achamos ser segurança- é insustentável a longo prazo. Foi insustentável para Roma. É o mesmo dilema: seus Exércitos são muito pequenos para as metas que eles têm de (ou desejam) cumprir, mas ao mesmo tempo muito grandes para serem mantidos por muito tempo. São custosos em termos humanos e financeiros.

Não sei se esse problema tem solução, além da mais óbvia: parar de tentar projetar nosso poder em cada canto do mundo. Nós só estaríamos nos ajudando se fizéssemos isso. Se adotássemos uma política de energia inteligente, por exemplo, que levasse em conta nosso imenso poder tecnológico, poderíamos abrir mão de manter a presença maciça atual no Oriente Médio.

O número de mercenários no Iraque já quase se equivale ao de soldados. O Império Romano fazia o mesmo...
Nesse momento, há 150 mil soldados americanos no Iraque, e cerca de 100 mil mercenários. O problema de manter um Exército muito numeroso em ação é que o preço político se torna muito alto. É muito mais fácil fingir que o número de tropas oficiais está estabilizado -ou mesmo reduzido- e ao mesmo tempo contratar profissionais do setor privado para fazer o serviço. A prática não é nova, mas a proporção atual é inédita.

E não afeta apenas os militares. Há hoje 2 milhões de funcionários públicos no governo federal. Estima-se que haja mais 12 milhões -você leu certo- prestando serviços, em contratos privados, realizando todo tipo de trabalho público, mas empregados por companhias privadas. Pode ser que sejam em tese mais eficientes, menos burocráticos. Mas, com o tempo, a erosão do poder do governo é muito significativa. E, quando houver uma nova crise, o governo pode descobrir tarde demais que não tem autoridade direta para fazer o que deve ser feito. Isso aconteceu em Roma.

A comparação entre Washington e Roma é recorrente. Por que o sr. acha que historiadores a acham tão atraente?
Não vamos nem falar do fato de que Washington e Roma até se parecem fisicamente, com todo aquele mármore se erguendo do pântano. O fato é que Roma era o Estado mais rico, sofisticado e poderoso da época, o que os EUA também são hoje. Como Roma, também têm uma ideologia de superioridade -nossa nota de dólar chega mesmo a usar as palavras de Virgílio para proclamar "Novus Ordo Seclorum", uma nova ordem para os tempos.

Após a Segunda Guerra (1939-45), quando aos EUA foi confiado o papel de líder mundial num grau nunca ocorrido antes (um papel que o país desempenhou de maneira satisfatória por várias décadas, na minha opinião), as pessoas começaram a dizer "Pax Americana", em referência à "Pax Romana". Mas outra razão que leva as pessoas a fazer a comparação entre os dois impérios tem a ver com o que não são as melhores qualidades de ambos: a arrogância, o orgulho excessivo, o fato de sermos voltados para nós mesmos...

De onde a comparação entre o presidente George W. Bush e o imperador Diocleciano?
Tenho pensado nos EUA sob a ótica de Diocleciano já há algum tempo, por conta do grande investimento dos últimos anos -a começar de Ronald Reagan, na verdade- em segurança nacional e do declínio relativo de investimento em programas domésticos. A comparação não é absolutamente exata por várias razões. Ainda assim, parece claro para mim que os EUA estão se tornando o Estado que se preocupa em primeiro lugar e principalmente com a segurança nacional em termos militares -o que Diocleciano (284-305) também fez, ao se tornar imperador depois de um período de caos e declínio.

Mas o trecho ao qual você se refere, em que comparo os preparativos para uma viagem ao exterior de Bush aos do imperador, me ocorreu quando meu avião aterrissou na Irlanda e eu vi ambos os Air Force One na pista, cercados por militares, cercas de arame farpado, vigiados com caças com mísseis. Um imperador romano se deslocava pelo mundo com um pesado aparato de segurança -como Bush, levava com ele um governo inteiro em miniatura...

Fonte: Folha de São Paulo, 16 de julho de 2007

Fonte - Blog Minuto Profético

Prioridade do domingo é a ênfase da Igreja Católica na América Latina

Uma das características da grande missão que se quer desenvolver na América Latina a partir da Conferência de Aparecida é despertar nos fiéis a consciência da importância fundamental que o domingo tem para os cristãos e, nesse sentido, a centralidade da Eucaristia.

Foi o que explicou a Zenit nesta segunda-feira Dom Raymundo Damasceno Assis, arcebispo de Aparecida e presidente do Conselho Episcopal Latino-Americano (Celam), durante coletiva de imprensa no Santuário Nacional de Nossa Senhora Aparecida.

Apesar de ainda não ter formatado o projeto da grande missão que a Igreja Católica desenvolverá nos próximos anos no continente - uma das propostas da Conferência de Aparecida -, o documento final da grande reunião eclesial celebrada em maio traz diretrizes que já permitem visualizar algumas prioridades pastorais dos bispos.

Uma delas, elogiada por Bento XVI na carta que dirigiu ao Celam autorizando a publicação do Documento de Aparecida, dia 10 de julho, é justamente a prioridade à Eucaristia e à santificação do Dia do Senhor nos programas pastorais. ...

O presidente do Celam comentou ainda sobre a importância fundamental do domingo, "um dia especial para o cristão". "É o dia que substituiu o sábado judaico. O domingo é o primeiro dia da semana, o termo significa Dia do Senhor. E para nós, Dia do Senhor é o dia do Ressuscitado, é o dia da ressurreição de Cristo", destacou.

Segundo o arcebispo, a partir da ressurreição, os cristãos sempre se reuniram aos domingos. "Sempre se reuniram para celebrar o memorial da morte e da ressurreição de Cristo e também para celebrar a Palavra de Deus." "É o dia em que os cristãos continuam se reunindo para se alimentar da Palavra, para se alimentar do Corpo de Cristo e, ao mesmo tempo, se encontrar como família de Deus, dar testemunho público e social da sua fé", disse. ...

Para além da importância de se congregar, o arcebispo destacou a atitude conseguinte dos cristãos, ou seja, o fato de se dispersarem entre o mundo para dar seu testemunho. ... "Nesse sentido é de importância fundamental o domingo" - enfatiza. "Nós não podemos viver nossa fé isoladamente. O cristão tem de se reunir, tem de se congregar, porque pelo batismo ele é feito membro de uma comunidade, de uma Igreja, de uma família." [Os itálicos foram acrescentados.]

Nota: "Mediante os dois grandes erros - a imortalidade da alma e a santidade do domingo - Satanás há de enredar o povo em suas malhas. Enquanto o primeiro lança o fundamento do espiritismo, o último cria um laço de simpatia com Roma. Os protestantes dos Estados Unidos serão os primeiros a estender as mãos através do abismo para apanhar a mão do espiritismo; estender-se-ão por sobre o abismo para dar mãos ao poder romano; e, sob a influência desta tríplice união, este país seguirá as pegadas de Roma, desprezando os direitos da consciência" (O Grande Conflito, p. 588).

Quer saber qual o verdadeiro dia de guarda, segundo a Bíblia? Leia aqui e aqui.

Fonte - Blog Michelson Borges
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