quarta-feira, 18 de junho de 2008

O diálogo interreligioso hoje, segundo Bento XVI

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Na inauguração do meu Pontificado, afirmei que "a Igreja deseja continuar a construir pontes de amizade com os seguidores de todas as religiões, com a finalidade de buscar o bem autêntico de todas as pessoas e da sociedade no seu conjunto" (Discurso aos Delegados das outras Igrejas e Comunidades eclesiais e das outras Tradições religiosas, 25 de Abril de 2005). Através do ministério dos Sucessores de Pedro, inclusivamente da obra realizada pelo Pontifício Conselho para o Diálogo Inter-Religioso, e mediante os esforços levados a cabo pelos Ordinários locais e pelo Povo de Deus no mundo inteiro, a Igreja continua a ir ao encontro dos seguidores das diferentes religiões. Deste modo, ela dá expressão daquele desejo de encontro e de colaboração na verdade e na liberdade. Segundo as palavras do meu venerável Predecessor, Papa Paulo VI, a principal responsabilidade da Igreja é o serviço à Verdade "verdade sobre Deus, verdade sobre o homem e o seu destino misterioso e verdade sobre o mundo. Verdade difícil que nós procuramos na Palavra de Deus" (Evangelii nuntiandi,78).

Os seres humanos buscam respostas para algumas questões existenciais fundamentais: qual é a origem e o destino do ser humano? O que é o bem e o mal? O que espera o ser humano no final da sua existência terrena? Todas as pessoas têm o dever natural e a obrigação moral de procurar a verdade. Uma vez que a conhecem, têm o dever de aderir à mesma e de ordenar a sua vida em conformidade com as suas exigências (cf. Nostrae aetate, 1; e Dignitatis humanae, 2).
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A grande proliferação dos encontros inter-religiosos no mundo inteiro exige um discernimento. A este propósito, observo com prazer que durante estes dias vós reflectistes sobre as orientações pastorais para o diálogo inter-religioso. Desde o Concílio Vaticano II, prestou-se atenção aos elementos espirituais que as diferentes tradições religiosas têm em comum. De muitas formas, isto tem contribuído para lançar pontes de entendimento através das fronteiras religiosas. Compreendo que, durante os vossos debates, considerastes algumas questões de preocupação prática nos relacionamentos inter-religiosos: a identidade dos participantes no diálogo, a educação religiosa nas escolas, a conversão, o proselitismo, a reciprocidade, a liberdade religiosa e o papel dos líderes religiosos na sociedade em geral. Trata-se de questões importantes, às quais os líderes religiosos que vivem e trabalham no meio de sociedades pluralistas devem prestar grande atenção.
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Fonte - Zenit

Nota DDP:
Como de costume, saliento que o Vaticano a despeito de demonstrar tanto interesse nas questões ecumênicas, uma prioridade na visão do atual Pontífice, não participa de nenhum organismo para este fim, ou seja, na realidade mantém-se no seu status de "superioridade", que os demais segmentos religiosos curiosamente não contestam.
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