Surgiu então uma murmuração: as viúvas dos gregos estariam sendo desprezadas na distribuição diária de auxílio. A questão poderia parecer administrativa, mas os apóstolos compreenderam seu perigo espiritual. Qualquer desigualdade ou sentimento de injustiça poderia destruir a unidade que havia sido conquistada pelo evangelho. Era necessário agir rapidamente.
Os apóstolos reconheceram também que o crescimento da igreja havia aumentado enormemente suas responsabilidades. Não seria sábio continuar concentrando sobre poucos homens todas as tarefas relacionadas à administração e ao cuidado dos necessitados. Enquanto a igreja se expandia, era necessário distribuir responsabilidades para que a pregação da Palavra e a oração continuassem recebendo a atenção necessária.
Por isso, reuniram os crentes e apresentaram uma solução: deveriam ser escolhidos sete homens de boa reputação, cheios do Espírito Santo e de sabedoria, para cuidar desse importante serviço. Os apóstolos permaneceriam dedicados à oração e ao ministério da Palavra. A igreja aceitou a proposta, e os sete escolhidos foram separados mediante oração e imposição das mãos.
Essa organização trouxe grandes benefícios. Os novos responsáveis cuidaram das necessidades individuais e dos interesses da igreja, ajudando a preservar sua unidade. E o resultado foi imediato: “Crescia a Palavra de Deus, e em Jerusalém se multiplicava muito o número dos discípulos.” A distribuição adequada das responsabilidades não enfraqueceu a missão; ao contrário, permitiu que ela avançasse com maior força.
Um aspecto importante destacado por Ellen White é que aqueles escolhidos para o serviço dos necessitados não ficaram limitados a tarefas administrativas. Estavam igualmente comprometidos com a proclamação da verdade. O serviço cristão não estabelece uma oposição entre cuidado prático e pregação. Ambos fazem parte da mesma missão quando são realizados sob a direção do Espírito Santo.
O capítulo apresenta ainda um princípio fundamental para a vida da igreja: a unidade é indispensável para o avanço do evangelho. Cristo havia orado para que Seus discípulos fossem um, e essa união deveria revelar ao mundo que Ele realmente havia sido enviado pelo Pai. Quando os cristãos trabalham unidos, os instrumentos humanos cooperam com os instrumentos divinos, e obstáculos que poderiam destruir a obra são vencidos.
A organização da igreja apostólica deveria servir de modelo. Os dirigentes não deveriam dominar o povo de Deus, mas servir como pastores e exemplos. Cada membro receberia responsabilidades conforme seus dons, e todos trabalhariam em harmonia. A diversidade de funções não deveria produzir competição, mas complementaridade.
Ellen White também mostra que a distribuição de responsabilidades é um princípio encontrado desde os dias de Moisés. Jetro aconselhou o líder de Israel a não carregar sozinho todos os encargos, mas escolher homens capazes, tementes a Deus e comprometidos com a verdade. O mesmo princípio aparece na igreja cristã: aqueles que ocupam posições de maior responsabilidade devem concentrar suas forças nos assuntos que realmente exigem sua atuação, enquanto outros assumem tarefas para as quais foram preparados.
O capítulo termina lembrando que Deus não é Deus de confusão, mas de paz. Sua obra deve avançar com ordem, cooperação e unidade. Cada dom tem seu lugar; cada pessoa tem uma responsabilidade; e nenhum serviço realizado com fidelidade é insignificante.
A igreja cresce de maneira saudável quando não depende de poucos, mas quando cada membro entende que recebeu de Deus uma parte da missão. Organização, nesse sentido, não é apenas estrutura: é uma forma de liberar pessoas para servir melhor, preservar a unidade e fazer avançar o evangelho.



















