Durante três anos e meio, os discípulos permaneceram sob a instrução direta do maior Mestre que o mundo conheceu. Eles não aprenderam apenas ouvindo sermões. Caminharam com Jesus, observaram Sua maneira de tratar os enfermos, os pobres, os pecadores e os que sofriam. Viram Sua compaixão, Sua paciência e Sua firmeza diante do erro. Compartilharam Suas jornadas, Sua alimentação simples, o cansaço e até a fome. Assim, Cristo os educava pela convivência. Seu chamado não era simplesmente: “aprendam estas coisas”, mas “sigam-Me”. A verdadeira preparação para o serviço nasceria da proximidade com Ele.
Quando Jesus escolheu os doze, estabeleceu também um princípio para a organização de Sua igreja. Eles deveriam primeiro “estar com Ele” e depois serem enviados a pregar. Essa ordem é significativa: antes de falar em nome de Cristo, era necessário aprender a viver com Cristo. Os apóstolos seriam instrumentos frágeis, mas, mediante a Palavra e o Espírito, Deus colocaria a salvação ao alcance de multidões. Seu testemunho atravessaria gerações, e a influência de sua obra alcançaria lugares que eles jamais poderiam imaginar. Os doze também representavam a continuidade da obra de Deus: assim como os doze patriarcas representavam Israel, os doze apóstolos representariam a igreja do evangelho.
O treinamento, entretanto, não foi fácil. Os discípulos traziam consigo preconceitos, ambições, temperamentos diferentes e conceitos equivocados sobre o reino de Deus. Muitas vezes não compreenderam as palavras de Jesus e, em determinadas situações, manifestaram espírito de competição, orgulho ou desejo de grandeza. Cristo não os abandonou por causa dessas falhas. Continuou trabalhando pacientemente em seu caráter, ensinando-os por meio das próprias experiências. A obra de Deus não depende de encontrar pessoas perfeitas, mas de permitir que Ele transforme pessoas imperfeitas em instrumentos de Seu propósito.
Essa lição permanece profundamente atual. Há uma tendência de medir a capacidade para o serviço pela formação, eloquência, posição ou influência. Cristo, porém, mostrou outro caminho. O primeiro requisito do discípulo é estar com Ele. Conhecimento pode ser adquirido, técnicas podem ser desenvolvidas e habilidades podem ser aperfeiçoadas; mas nenhuma dessas coisas substitui uma vida moldada pela presença de Cristo.
Os apóstolos sairiam posteriormente para enfrentar um mundo hostil e anunciar uma mensagem que transformaria a história. Eles não seriam suficientes em si mesmos. Sua força estaria justamente em reconhecer a própria insuficiência e depender do poder do Espírito Santo.
O capítulo apresenta, assim, uma pergunta que ultrapassa a experiência dos primeiros discípulos: estamos apenas trabalhando para Cristo ou estamos realmente aprendendo com Cristo? A missão começa antes do púlpito, antes da atividade e antes do testemunho. Começa na comunhão.
Ideia central: Cristo prepara Seus trabalhadores primeiro pela convivência com Ele. Antes de enviá-los ao mundo, ensina-os a permanecer em Sua presença; antes de lhes confiar uma grande missão, transforma-lhes o caráter. A verdadeira eficácia no serviço nasce dessa união.
