quarta-feira, 28 de outubro de 2026

O Evangelho em Samaria (AA11)

Depois da morte de Estêvão, uma intensa perseguição se levantou contra os cristãos em Jerusalém. Muitos foram expulsos de suas casas e espalhados pela Judeia e Samaria. Saulo se tornou um dos principais instrumentos dessa perseguição, entrando nas casas dos crentes, prendendo homens e mulheres e tentando destruir a nova fé. Entretanto, aquilo que parecia uma derrota para a igreja tornou-se um meio de ampliar a proclamação do evangelho. 

Os discípulos não levaram consigo apenas o desejo de sobreviver. Onde chegavam, anunciavam a Cristo. A perseguição, em vez de calar a mensagem, espalhou seus mensageiros. Entre eles estava Filipe, um dos sete diáconos, que foi para Samaria. Ali encontrou um povo que durante séculos havia sido desprezado pelos judeus, mas que estava preparado para ouvir a mensagem de Jesus.

A pregação de Filipe foi acompanhada de sinais. Pessoas eram libertas, enfermos eram curados e muitos recebiam a Palavra com alegria. Havia uma conexão especial com aquilo que Cristo já havia realizado entre os samaritanos. Anos antes, junto ao poço de Jacó, Jesus havia apresentado à mulher samaritana a verdade sobre a salvação. Ela havia levado a mensagem à sua cidade, e muitos haviam crido. Agora, os discípulos colhiam frutos de uma obra que o próprio Cristo havia iniciado. 

O sucesso da missão em Samaria mostrou aos apóstolos que a comissão de Cristo era muito mais ampla do que eles haviam compreendido. Eles deveriam ser testemunhas não somente em Jerusalém e na Judeia, mas também em Samaria e, finalmente, até os confins da Terra. As antigas barreiras de nacionalidade, tradição e preconceito não poderiam determinar os limites do evangelho.

Mas Filipe recebeu então uma nova ordem. Um anjo lhe disse que deixasse Samaria e fosse para uma estrada deserta que descia de Jerusalém para Gaza. Humanamente, a orientação parecia estranha. Ele estava diante de uma obra bem-sucedida e poderia imaginar que deveria permanecer onde muitas pessoas estavam sendo alcançadas. Mesmo assim, Filipe não questionou. Levantou-se e foi.

Naquela estrada encontrou um oficial etíope, homem de grande responsabilidade, que retornava de Jerusalém e lia as Escrituras. Filipe aproximou-se e perguntou se ele compreendia o que estava lendo. O homem respondeu que precisava de alguém que o orientasse. A passagem era do profeta Isaías e falava daquele que seria levado como uma ovelha ao matadouro.

Começando naquela Escritura, Filipe anunciou-lhe Jesus. O viajante ouviu a mensagem, creu e, ao encontrarem água no caminho, pediu para ser batizado. Assim, o evangelho alcançou alguém que estava longe de Jerusalém e que levaria consigo a mensagem de Cristo para sua própria terra.

A experiência de Filipe revela um princípio essencial da missão: Deus não trabalha apenas por meio de grandes movimentos públicos. Ele também conduz Seus servos a uma única pessoa cuja vida pode ser transformada pela verdade. A multidão em Samaria era importante, mas aquele homem sozinho também era importante para Deus.

Ellen White destaca ainda que a responsabilidade de anunciar o evangelho não pertence exclusivamente aos ministros ordenados. Todo aquele que recebeu Cristo recebeu também uma responsabilidade diante de seus semelhantes. A igreja inteira é chamada a participar da missão. Há trabalho para diferentes dons, diferentes capacidades e diferentes circunstâncias.

A história de Samaria mostra, portanto, que a perseguição não conseguiu interromper a obra de Deus. Pelo contrário, espalhou os mensageiros. O preconceito não conseguiu impedir a graça. E uma estrada aparentemente deserta tornou-se cenário para o encontro entre um buscador sincero e alguém disposto a explicar-lhe as Escrituras.

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