Essa sinceridade nos ensina que a fé não exige uma aparência permanente de tranquilidade. Existem situações em que esperar parece insuportável, especialmente quando sabemos que pessoas desejam nossa queda ou quando alguma circunstância ameaça aquilo que consideramos essencial. Davi leva essa urgência diretamente a Deus. Ele não transforma sua angústia em desespero sem direção, mas em oração.
O salmista também pede que aqueles que procuram destruí-lo sejam confundidos e envergonhados, enquanto aqueles que buscam o Senhor possam alegrar-se e dizer continuamente: “Deus seja magnificado!” A diferença entre esses dois grupos está naquilo que procuram. Uns desejam a destruição de outro ser humano; os outros encontram sua alegria na busca por Deus. Davi deseja que a justiça prevaleça, mas sua esperança não está na própria capacidade de derrotar seus adversários.
Depois, ele volta a falar de si mesmo: “Eu sou pobre e necessitado; ó Deus, apressa-Te em valer-me.” Essa declaração é importante porque revela a consciência de dependência. Davi possui experiência, liderança e recursos, mas diante de determinadas situações reconhece que continua sendo alguém necessitado de auxílio. A verdadeira força espiritual não consiste em acreditar que conseguimos resolver tudo sozinhos, mas em reconhecer honestamente quando precisamos de Deus.
No grande conflito entre o bem e o mal, essa dependência é fundamental. O pecado apresenta a autonomia como liberdade, sugerindo que podemos conduzir nossa existência sem depender do Criador. A experiência humana demonstra repetidamente os limites dessa pretensão. Precisamos uns dos outros, precisamos da graça e, acima de tudo, precisamos de Deus. Cristo demonstrou essa dependência de maneira perfeita ao viver em constante comunhão com o Pai, buscando Sua vontade mesmo diante das maiores pressões.
O Salmo 70 também nos lembra que a demora de Deus pode ser difícil de compreender. Davi pede que o Senhor se apresse, e isso significa que a resposta ainda não havia chegado no momento em que ele orava. A Bíblia não transforma essa espera em algo superficial. Ela reconhece que existem momentos em que realmente precisamos perguntar: “Senhor, até quando?”
Mesmo assim, Davi continua orando.
Essa talvez seja a maior lição do Salmo. Quando a resposta demora, não abandone o lugar da oração. Quando o coração estiver cansado, fale com Deus com a simplicidade de Davi. Quando não souber o que dizer, diga apenas aquilo que é verdadeiro.
“Tu és o meu auxílio e o meu libertador.”
A oração começa com urgência, mas termina com confiança. Davi ainda precisa de socorro, porém sabe quem pode socorrê-lo.
Talvez hoje você também esteja esperando uma intervenção que parece demorar mais do que deveria. Não há problema em dizer a Deus que você precisa que Ele se apresse. Ele conhece a urgência antes mesmo de você pronunciá-la. Continue buscando, continue confiando e não permita que a demora transforme sua esperança em abandono.
Às vezes, a oração mais profunda não é a mais longa. É simplesmente aquela que, em meio à angústia, ainda consegue dizer: “Senhor, vem em meu auxílio.”
Prisioneiro em Cristo — Reflexões do Cárcere
