A mudança de Paulo, porém, não foi recebida por todos. Muitos judeus ficaram inicialmente perplexos e depois passaram a odiá-lo. A oposição tornou-se tão intensa que ele precisou deixar Damasco e retirar-se para a Arábia. Ali começou um período decisivo de preparação. Longe dos conflitos e das multidões, Paulo teve tempo para estudar, meditar e rever toda a sua experiência. Precisava não apenas conhecer a verdade, mas permitir que Cristo reorganizasse sua mente, removendo os preconceitos e tradições que haviam moldado sua antiga maneira de pensar. Ellen White apresenta essa comunhão com Deus como a mais elevada forma de educação: a mente humana sendo colocada em contato com a mente divina.
Nesse período, Paulo compreendeu cada vez mais claramente a natureza de seu chamado. Ele não havia sido escolhido simplesmente para defender uma nova doutrina, mas para ser ministro e testemunha de Cristo, levando a mensagem tanto aos judeus quanto aos gentios. Por isso, dedicou-se profundamente ao estudo das Escrituras. Seu objetivo não era impressionar os ouvintes com sabedoria humana, mas apresentar Cristo e a cruz, para que a fé daqueles que o escutassem estivesse fundamentada no poder de Deus. Ao compreender a grandeza de sua missão, decidiu fazer de Jesus o centro de sua mensagem e de sua própria existência. Livrozilla
Quando voltou a Damasco, Paulo pregou novamente com coragem. Sua argumentação era tão convincente que seus adversários decidiram matá-lo. Os discípulos, então, ajudaram-no a escapar secretamente, descendo-o por uma abertura no muro da cidade. Depois de três anos de sua conversão, Paulo foi a Jerusalém para encontrar Pedro e procurar contato com os discípulos. Mas eles ainda tinham medo dele. Era difícil acreditar que o antigo perseguidor pudesse realmente ter se tornado um seguidor sincero de Jesus. Barnabé, porém, interveio, contou aos apóstolos sua experiência e ajudou a estabelecer a confiança entre Paulo e a igreja.
Paulo voltou a falar ousadamente em nome de Jesus, inclusive com antigos companheiros de sua vida religiosa. Seu desejo era apresentar-lhes as profecias que apontavam para Cristo. Mas novamente encontrou resistência. Os líderes judeus recusaram sua mensagem e procuraram matá-lo. Havia, porém, algo particularmente doloroso nisso: Paulo carregava profunda tristeza por ter participado anteriormente da perseguição contra os cristãos e desejava, de alguma maneira, reparar o mal que havia praticado. Sua própria experiência mostrava que a verdade que agora defendia era a mesma pela qual Estêvão havia dado a vida.
Enquanto orava no templo, Paulo recebeu orientação divina para deixar Jerusalém. Ele queria permanecer e enfrentar seus antigos companheiros, esperando convencer alguns deles, mas Deus tinha outro plano. Sua missão não terminaria em Jerusalém; ele seria enviado aos gentios. Os irmãos o conduziram até Cesareia e depois o enviaram para Tarso. A partida de Paulo trouxe um período de tranquilidade à igreja, e novos conversos foram acrescentados.
O capítulo mostra que conversão e preparo são processos inseparáveis. Paulo recebeu seu chamado de maneira extraordinária, mas não foi enviado imediatamente para realizar toda a obra que Deus tinha para ele. Houve um tempo de silêncio, estudo, reflexão, comunhão e amadurecimento. Deus estava preparando não apenas um pregador, mas um homem cuja mente precisava estar profundamente fundamentada na verdade.
Há aqui uma lição importante para quem deseja servir a Deus: nem todo período de aparente espera é ausência de propósito. Algumas das maiores obras de Deus começam quando Ele retira Seus servos do ruído para ensiná-los em particular. Antes de usar Paulo diante das multidões, Deus trabalhou profundamente em seu interior.
