Cercado pelos discípulos, Jesus subiu ao monte e lhes dirigiu Suas últimas palavras. Não lhes recordou seus fracassos nem os abandonos ocorridos durante Sua paixão. Suas últimas palavras foram de ternura e segurança. Com as mãos erguidas, abençoou-os e começou a ascender. Uma nuvem de glória O ocultou aos seus olhos, enquanto os anjos lhes asseguravam que aquele mesmo Jesus voltaria. A ascensão, portanto, não representava o encerramento da história de Cristo, mas a confirmação de uma promessa: Aquele que havia subido voltaria outra vez. A esperança cristã não está fundamentada apenas em um Salvador que morreu e ressuscitou, mas em um Salvador vivo, glorificado e destinado a retornar.
Os discípulos poderiam ter voltado para Jerusalém dominados pela saudade e pela sensação de perda. Aconteceu exatamente o contrário. Retornaram alegres, porque agora sabiam que tinham um representante junto ao trono de Deus. Cristo não os deixara órfãos. Sua presença continuaria acompanhando-os, e eles poderiam apresentar suas necessidades ao Pai em Seu nome, confiando na intercessão daquele que havia experimentado pessoalmente as dores e tentações da humanidade. No Céu havia Alguém que conhecia a Terra; e, na Terra, havia um povo que sabia que não estava esquecido pelo Céu.
O capítulo então conduz a visão para além da ascensão. O Céu recebe o Vencedor. Os anjos proclamam Sua dignidade, mas Cristo primeiro comparece diante do Pai levando as marcas de Seu sacrifício. As mãos feridas, os pés traspassados e o lado aberto são apresentados como testemunho de que a obra da redenção foi consumada. O conflito havia chegado a um ponto decisivo: Satanás fora derrotado, e aqueles que pertencem a Cristo poderiam ser recebidos diante de Deus. A vitória não era apenas de Cristo; ela abriria o caminho para a vitória de todos os que nEle confiassem.
Por isso, a declaração de Jesus a Maria ganha uma profundidade especial: “Subo para Meu Pai e vosso Pai, Meu Deus e vosso Deus.” João 20:17. A ascensão não criou distância entre Cristo e Seus seguidores. Pelo contrário, estabeleceu Sua atuação permanente em favor deles. Ele vive para interceder, prepara lugar para os Seus e aguarda o dia em que retornará para buscá-los.
O capítulo termina com uma das imagens mais grandiosas do evangelho: o Céu celebrando a vitória do Cordeiro. A morte não venceu. O pecado não teve a palavra final. Aquele que foi rejeitado na Terra é recebido em triunfo no Céu. O amor venceu, a redenção foi assegurada e Cristo continua vivendo por aqueles que ainda caminham neste mundo.
Essa é a esperança que permanece: Jesus subiu, mas não nos abandonou. Ele vive, intercede e voltará.
