sexta-feira, 23 de janeiro de 2026

Quando a linguagem passa a definir quem pode existir (2026.01.23)

Em um pronunciamento recente, o Papa Leão XIV alertou para o avanço de uma “nova linguagem” que, segundo ele, reduz os espaços de liberdade de expressão e acaba excluindo aqueles que não conseguem — ou não desejam — se adaptar. A fala foi apresentada como defesa da liberdade religiosa e denúncia da perseguição, mas revela algo mais profundo sobre o tempo em que vivemos.

A Bíblia mostra que grandes transformações sociais raramente começam com violência explícita. Elas começam pela linguagem. Palavras moldam pensamentos. Pensamentos moldam leis. Quando a linguagem passa a ser regulada, a consciência começa a ser pressionada. Não é necessário proibir a fé diretamente; basta redefinir os limites do que pode ser dito, crido ou ensinado.

Daniel descreveu poderes que prosperam não apenas pela força, mas pela capacidade de “mudar tempos e leis”. Antes da lei escrita, vem o ambiente favorável. Antes da coerção aberta, vem o consenso social. A profecia mostra que o controle começa de forma sutil, apresentando-se como proteção, inclusão ou harmonia, enquanto delimita quem está dentro e quem fica à margem.

Quando líderes religiosos falam sobre exclusão causada por uma nova linguagem, isso indica que o espaço público está sendo reorganizado. A pergunta não é apenas quem fala, mas quem define o vocabulário permitido. A Bíblia alerta que, no tempo do fim, a fidelidade a Deus entraria em conflito com sistemas que exigem alinhamento total — não apenas externo, mas também de pensamento.

Apocalipse descreve um cenário em que não é possível existir plenamente fora do sistema dominante. Não se trata apenas de perseguição física, mas de restrição progressiva: econômica, social e jurídica. A consciência passa a ter preço. A discordância passa a ter custo. A neutralidade deixa de ser opção.

Esse tipo de ambiente não surge de um dia para o outro. Ele é construído. Primeiro, reduz-se o espaço do discurso. Depois, redefine-se o que é aceitável. Por fim, legitima-se a exclusão daqueles que resistem. Tudo isso acontece enquanto se fala em paz, unidade e bem comum.

A profecia não nos chama para atacar pessoas ou instituições, mas para discernir os movimentos. Quando até líderes religiosos reconhecem que a linguagem está se tornando instrumento de exclusão, isso confirma que o terreno está sendo preparado para algo maior.

Apocalipse 13 não descreve apenas um ato final de imposição, mas um processo. E esse processo começa exatamente onde poucos percebem: naquilo que pode ou não ser dito, crido e vivido.

Por isso, o chamado bíblico permanece atual. Mais do que nunca, é tempo de vigiar, permanecer firmes e lembrar que a verdadeira liberdade não vem da aprovação humana, mas da fidelidade a Deus.

“É necessário obedecer a Deus antes que aos homens.” Atos 5:29

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